Beira Alta
Durante a Idade Média e ainda no século XVI, a Beira era uma região e comarca administrativa que correspondia, grosso modo, ao actual distrito de Viseu, e que estava associada a Ribacôa, sendo referida na documentação como comarca da Beira e Riba Côa, tendo a sua sede na cidade de Viseu. No século XVII a designação de Beira alargou-se substancialmente, passando, com o tempo, a dividir-se em Beira Alta, Beira Baixa, Beira Interior e Beira Litoral.
A Província da Beira Alta foi criada, em 1832, por subdivisão da antiga província da Beira, passando a ser constituída pelas comarcas de Viseu, Lamego e Trancoso. A província dispunha de um representante do governo central - o prefeito - e de um órgão eleito localmente - a junta geral de província. Nas comarcas que não eram sede de província, existiam subprefeitos, que representavam o prefeito
Pela reforma administrativa de 1835, o país, passou a ser dividido em distritos. A Província da Beira Alta manteve-se, mas apenas como unidade estatística e de referência regional. Os seus limites correspondiam aos do distrito de Viseu.
A Beira Alta foi restaurada, como unidade administrativa, em 1936, agora incluindo, além do distrito de Viseu, o distrito da Guarda. Esta nova divisão em províncias baseou-se numa estudo geográfico que dividia, Portugal Continental, em 13 "regiões naturais", entre as quais, a Beira Alta e a Beira Transmontana. A nova província da Beira Alta foi criada pela reunião daquelas duas regiões naturais, embora para a maioria dos geógrafos, entre os quais Orlando Ribeiro, esta união artificial se tratasse de um erro crasso. A reacção das populações da Beira Transmontana (que englobava todo o distrito da Guarda excepto o concelho de Vila Nova de Foz Côa) não se fez esperar, tendo estas inclusive produzido e enviado um abaixo-assinado com mais de 50 mil assinaturas, em pleno Estado Novo, ao próprio António Oliveira Salazar, reivindicando a criação de uma província diferente da Beira Alta, a que chamavam Beira Serra.
As províncias de 1936 praticamente nunca tiveram qualquer atribuição prática, e desapareceram do vocabulário administrativo (ainda que não do vocabulário quotidiano dos portugueses) com a entrada em vigor da Constituição de 1976.
Limitava a Norte com Trás-os-Montes e Alto Douro, a Noroeste com o Douro Litoral, a Oeste e Sudoeste com a Beira Litoral, a Sul com a Beira Baixa e a Este com a Espanha (província de Salamanca, em Castela-Leão)
Era então constituída por 32 concelhos, integrando a quase totalidade dos distritos do distrito da Guarda: Aguiar da Beira, Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal, Seia, Trancoso.
- Distrito de Viseu: Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Moimenta da Beira, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Penedono, Santa Comba Dão, São Pedro do Sul, Sátão, Sernancelhe, Tarouca, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu, Vouzela.
Actualmente, o seu território encontra-se repartido pelas regiões Norte e Centro, pertencendo à primeira parte da sub-região do Douro (concelhos de Moimenta da Beira, Penedono, Sernancelhe e Tarouca), e à segunda a totalidade das sub-regiões da Beira Interior Norte, a Cova da Beira, o Dão-Lafões bem como ainda uma pequena parte do Pinhal Interior Norte (por abarcar no seu território os dois concelhos do distrito de Coimbra pertencentes à Beira Alta).
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