Região do Norte

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Localização da Região do Norte

A Região Norte é uma região ou unidade territorial para fins estatísticos de nível II (NUTS II), de Portugal, que compreende os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança, e parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda. Limita a norte e a leste com Espanha (Galiza e Castela e Leão, nomeadamente), a sul com a Região Centro e a oeste com o Oceano Atlântico. Tem uma área de 21 278 km² (24% do Continente) e uma população de 4 089 882 habitantes (Censos de 2011),[1] correspondendo a 37% do Continente e a 35% de Portugal. Compreende 8 sub-regiões ou unidades de nível III (NUTS III):

A Região do Norte compreende 86 concelhos (27,8% do total nacional).

História[editar | editar código-fonte]

Como unidade administrativa, a Região do Norte foi criada, em 1969, como região de planeamento, subdividida nas sub-regiões do Litoral Norte (agrupando os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto) e do Interior Norte (agrupando os distritos de Vila Real e Bragança). Posteriormente, os seus limites foram sendo alterados, de modo que, hoje, não coincidem com os limites distritais. Em 1986, no âmbito da divisão do país em unidades territoriais para fins estatísticos, seguindo as directivas europeias, passou a ser considerada uma NUTS II, sendo subdividida em NUTS III.

Em termos geográficos, a Região do Norte, corresponde, aproximadamente, às antigas províncias do Entre-Douro-e-Minho e de Trás-os-Montes.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

O território do Norte de Portugal actual foi originalmente habitado por populações que se desenvolveram localmente no Paleolítico, que produziram as Gravuras Rupestres do Vale do Côa. Os Celtas são o povo que em meados de 500 a.C., emigrou desde a Europa Central para estas paragens, desenvolvendo uma cultura conhecida como cultura castreja. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua natural belicosidade, permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores Romanos. Décimo Juno Bruto, após a conquista do último reduto peninsular ainda resistente à ocupação romana, toma o cognome de Galaico (Callaicus). O território a Sul do Douro até ao mar Galiza era conhecido como Galécia Bracarense. Da província romana com o mesmo nome faziam parte ainda a Galécia Lucense e a Galécia Asturicense. Os Suevos fundaram o Gallicense Regnum, cuja capital era Bracara Braga, englobando a Galiza e tendo como limite o Tejo na sua extensão máxima; os Visigodos conquistaram politicamente este reino em 580, gozando no entanto de grande autonomia dentro do espaço visigótico peninsular. Mais tarde invadido pelos Mouros, a reconquista das terras perdidas para estes rapidamente (em 750) foram recuperadas e incorporadas no Reino da Galiza. O condado de Portugal ou Condado Portucalense veio a ser estabelecido depois da reconquista do Porto por Vímara Peres, em 868, como parcela deste reino.

Formação e Consolidação do Reino[editar | editar código-fonte]

Embora a existência da povoação na foz do Douro durante o período romano se encontre confirmada, o mesmo não acontece para a sua localização exacta; o Paroquial Suévico de São Martinho de Dume, estudado por Pierre David após a sua identificação pelo Prof. Avelino de Jesus da Costa, refere-se, séculos depois, a um povoado que designava como PORTVCALE CASTRVM ANTIQVVM, na margem esquerda, e outro, o PORTVCALE CASTRVM NOVVM, na direita.

Quando do domínio dos Suevos, Portucale foi palco de vários acontecimentos, contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão de Teodorico (457), a revolta do seu governador Agiulfo, que pretendia ser aclamado rei e foi executado, e a última batalha (585) de Andeca, último rei suevo, vencido por Leovigildo.

Quando da invasão muçulmana da Península Ibérica, Portucale era já, desde a segunda metade do século VI, a sede da diocese Portucalense, situada na província da Galécia, e tendo por metropolita o Bispo de Braga. Após a invasão, a diocese não sobreviveu, tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto, em 868.

Portugal constituiu-se como reino independente com D. Afonso I a partir do Norte de Portugal, durante o seu reinado se conquistou grande parte do território, com o apoio das aguerridas populações nortenhas.

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística. População residente (N.º) por Local de residência, Sexo; Decenal (2011). Visitado em 1 de setembro de 2011.