Penalva do Castelo

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Penalva do Castelo
Brasão de Penalva do Castelo Bandeira de Penalva do Castelo
Brasão Bandeira
Localização de Penalva do Castelo
Gentílico Penalvense
Área 134,34 km²
População 7 956 hab. (2011)
Densidade populacional 59,22 hab./km²
N.º de freguesias 11
Presidente da
Câmara Municipal
Francisco Carvalho (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1240
Região (NUTS II) Centro
Sub-região (NUTS III) Dão-Lafões
Distrito Viseu
Antiga província Beira Alta
Orago São Ginésio
Feriado municipal 25 de Agosto
Código postal 3550 Penalva do Castelo
Sítio oficial www.cm-penalvadocastelo.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Penalva do Castelo é uma vila portuguesa do Distrito de Viseu, região Centro e sub-região do Dão-Lafões, com cerca de 2 000 habitantes.

É sede de um município com 134,34 km² de área[1] e 7 956 habitantes (2011),[2] [3] subdividido em 11 freguesias.[4] O município é limitado a norte pelo município de Sátão, a nordeste por Aguiar da Beira, a leste por Fornos de Algodres, a sul por Mangualde e a oeste por Viseu.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topónimo Penalva do Castelo advém da existência de uma antiga fortaleza, que se localizaria numa penha situada na margem esquerda do Rio Dão, da qual não restam qualquer vestígio e que deu nome à localidade de Castelo de Penalva. Contudo, desde uma data que permanece incerta, a vila designou-se de Castendo até ao ano de 1957.

Política[editar | editar código-fonte]

A Câmara é constituída pelo presidente, pelo vice-presidente e, ainda, por três vereadores[5] . Quanto à Assembleia Municipal, o órgão legislativo do município, esta é formada por 26 deputados, sendo que 11 destes são membros por inerência por serem presidentes das respectivas juntas de freguesia.

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Penalva do Castelo.

O município de Penalva do Castelo está subdividido em 11 freguesias:

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo o Recenseamento Populacional de 2001 vivem no concelho de Penalva do Castelo 9019 pessoas que constituem um total de 3424 famílias sendo que o número médio de pessoas por família é de 2,63, um número que diminui desde 1991 (média de 3 pessoas).[6] Inserido num fenómeno próprio dos países desenvolvidos, a dimensão das famílias no concelho tem vindo a diminuir. A população distribui-se pelas 13 freguesias que constituem a concelho, sendo que o grosso desta (cerca de 69%) se concentra na freguesia de Castelo de Penalva, Ínsua, Pindo e Sezures. Durante o período que vai de 1981 (10142 habitantes) a 1991 (8980 habitantes) é possível verificar uma diminuição da população com uma diferença de cerca de 1000 pessoas), facto que estará relacionado com a situação económica que se fazia sentir nesta altura nas zonas interiores do país, caracterizada pelo desemprego e pela ausência de indústrias o que levou a uma vaga de emigração rumo ao litoral ou ao estrangeiro. Já no período correspondente a 1991-2001 os resultados do Recenseamento Populacional demonstram que o número de habitantes estagnou face à década anterior, verificando-se mesmo um pequeno aumento da população para 9019 habitantes.[6] Este resultado, certamente, que surge do facto se verificar uma melhoria das condições sociais e económicas e ao regresso de alguns emigrantes. A freguesia de Pindo é desde 1981 a freguesia com o maior número de habitantes (um total de 2245 habitantes).

Produtos Excelência[editar | editar código-fonte]

Maçã Bravo de Esmolfe

Como próprio nome indica, esta variedade terá aparecido na aldeia de Esmolfe, no Concelho de Penalva do Castelo, há cerca de 200 anos. Provavelmente terá sido obtida a partir de uma árvore de semente, cujos frutos foram muito apreciados, originando uma intensa procura de material e enxertia e a disseminação da variedade.

A existência de condições agro-climáticas favoráveis à manutenção das características que a tornaram apreciada, permitiu o seu alastramento a concelhos vizinhos e garantiu-lhe o estatuto de variedade dominante de que desfrutava em meados deste século.

Descrição do produto A maça bravo de Esmolfe tem como principais características : calibre médio e pequeno, forma oblonga-cónica epiderme esbranquiçada, eventualmente com manchas avermelhadas; manchada e/ou ralada de carepa na fossa peduncular, podendo atingir até 20% d aepiderme; polpa branca, macia, sucosa, doce, com boas qualidades gustativas, aroma intenso, agradável e bastante sui generis; colheita a partir da 2º quinzena de Setembro ; conserva-se no frio entre 4 a 5 meses ;

As arvores apresentam : Porte erecto e ramificações de ângulos fechados, vigor muito grande, folhas novas de cor verde clara, tormentosas na página inferior e glabras na superior, folhas adultas ovadas e oblongas, com um comprimento quase duplo da largura, apresentando coloração verde amarelada. Floração tardia Produtividade média a baixa, com a produção a verificar-se na grande maioria na madeira de dois ou mais anos, com escalonamento médio da maturação.

Entrada muito lenta em produção, grande necessidade em frio invernal para quebra de dormência

Queijo Serra da Estrela

O pastor ordenha as ovelhas ao cair da noite e de manhã cedo. Há quem faça o queijo à noite e de manhã. Outros, porém, juntam o leite da ordenha da noite ao da manhã. o leite é levado para casa, deitando-se da “ferrada” para um “tacho” onde é “amornado” ao lume, isto é, aquecido lentamente sem ferver. Em seguida, “moe-se o cardo” com sal. A operação seguinte consiste em se colocar um pano branco, chamado “coedor”, na boca da panela que normalmente tem duas “asas”. Ata-se o pano às “asas” para não cair de panela. Põe-se o cardo no “coador”, deitando o leite em seguida para o “coador”, tira-se o “coador”, espremendo-se na panela de à medida que se tira .

“Mexe-se” depois o leite que já está na panela de “asas”, para o cardo se dissolver no leite todo, a fim de este “coalhar” bem. Depois põem à sua frente à “francela”, o “acincho” e um tacho grande por baixo da francela, para aparar o soro destinado ao fabrico do requeijão. A queijeira depois de 30 – 45 minutos, vai “mexendo a coalhada “ para se ir separando o soro da “coalhada” (chama-se “pular a coalhada”) .

Pega num copo ou tigela e vai tirando a “coalhada” para o “acincho”, indo espremendo com as mãos a “coalhada” até o queijo ficar pronto. Em seguida, tira o “acincho” do queijo, pondo-lhe a “empresga” (pano branco) à volta do queijo. O “acincho” é colocado novamente à volta do queijo, voltando a espremer lentamente até não deitar soro algum.

A operação seguinte é a colocação de uma pedra num prato ou tábua sobre o “acincho”, para o queijo ficar direito, desde o início em que a queijeira tira a primeira “coalhada “ para o “acincho” até à colocação da pedra, gastam-se cerca de 21-22 horas. Aqui o queijo “desacincha-se”, isto é, tira-se a pedra, o “acincho” e o pano (empresga). Depois põe-se sal em toda a volta e por cima, e coloca-se num prato durante 24 horas .

Em seguida, tira-se para as tábuas da “queijeira”, colocando-se um pano branco por baixo, fecha-se a queijeira e todos os dias se limpa e volta com um pano branco. Ali vai “reimando”, deitando as impurezas “até que se cure” (fique amarelo).

Turismo[editar | editar código-fonte]

Património Natural[editar | editar código-fonte]

Penalva do Castelo foi outrora conhecida por Vila Nova de Santo Sepulcro, nome que decorre do facto de nela se ter instalado a Ordem Militar e Canónica de Jerusalém, também chamada de Ordem do Santo Sepulcro. É, no entanto, ponto assente que a antiga vila não se encontrava precisamente no local onde hoje está situada a Vila de Penalva do Castelo (que até 1957 era designada Castendo).

Os forais foram as primeiras células da nossa organização politíca e administrativa. O foral mais antigo, que faz referência a este concelho, é o de Azurara da Beira (hoje Mangualde), com a data de 1102, que foi expedido pelo conde D.Henrique. D.Sancho II concede às terras de Penalva foral; D.Afonso III, em 1275, atribui a Penalva uma Carta de Foro; contudo, o foral de D.Manuel I, datado de 10 de Fevereiro de 1514, é o mais referenciado e conhecido documento régio sobre Penalva do Castelo.

O Marquesado de Penalva do Castelo formou-se no reinado de D.João V e tem as suas raízes no Condado de Tarouca; o Marquesado de Penalva é filiado no Marquesado de Alegrete.

A história de Penalva do Castelo está intrinsicamente ligada ao poder e influência de outras famílias senhoriais, como os fidalgos da Casa da Moita, da Casa de Real ou da Casa Magalhães Coutinho. As terras de Penalva estão, sobretudo, ligadas à Casa da Ínsua e à notoriadade e importância que esta adquiriu de Luís de Albuquerque ter sido Governador do Estado do Mato Grosso, no Brasil, entre 1771 e 1790.

Situado no coração do Dão, o concelho de Penalva do Castelo, essencialmente agrícola e com boas condições agronómicas, salienta-se entre os melhores produtores de Vinho do Dão, de frutas (é o "berço" da Maça de Bravo de Esmolfe) e do Queijo da Serra de Estrela. O concelho tem treze freguesias : Antas, Castelo de Penalva, Esmolfe, Germil, Ínsua (Penalva do Castelo), Lusinde, Mareco. Matela, Real, Sezures, Pindo, Trancoselos e Vila Cova do Covelo.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Os Esteireiros de Vila Cova do Covelo colhiam, ao findar do Verão, a junça nos valejos da serra. Nos longos serões do Outono e do Inverno, construíram entrançados sem fim. Faziam estreiras para casa e para a Igreja e para armazéns e adegas.

Os Latoeiros de Pindo e da Matela são afamados por léguas sem fim. Ainda aparecem em bancas da feira, com baldes de zinco, potes de azeite, francelase e achinhos para pastores, lampiões e candeias para fins ornamentais. A Cestaria dos Vales de rija verga das madeiras da região (castanho, carvalho, vime), de apurada execução, abastece amplos mercados da Beira. Cestos para frutas e roupa para o trabalho são as peças que mais se vendem.

Os Fogueteiros de Lusinde animam as festas e romarias da região. Constroem com simplicidade esses mágicos foguetes que estrondosamente festejam um santo ou eferméride feliz. A Cantaria em granito de Esmolfe é o material mais rico na construção civil. São trabalhos executados com pedra aparelhada (escadas, pilares, colunas, cimalhas, etc...), muito apreciadas na região. Os Estalinhos de Carnaval dos Cantos têm fama pela singularidade e mistérios que envolvem.

Percursos Pedestres[editar | editar código-fonte]

Percurso Arqueológico de Esmolfe

O percurso inicia-se junto ao cruzeiro de Ildefonso; siga em frente e pode observar as alminhas das eiras que se encontram assentes numa ara votiva anepígrafa. Depois do cruzamento, vire à direita e pode observar a necrópole medieval constituída por três núcleos: das Eirinhas, de S.Martinho e da Capela. Volte para trás e siga em direcção à Anta do Penedo do Com, (anta de grandes dimensões de câmara poligonal de nove esteios, com corredor constituído por quatro monolíticos. A 200 metros da anta do lado esquerdo pode observar o Penedo do Com, abrigo natural, sob um penedo de granito de grandes dimensões. Siga em frente e tome o caminho de asfalto em direcção ao cimo da Serra da Paramuna, onde se situa o Castro da Paramuna ou dos Mouros, e uma gravura rupestre.

Caminho dos Galegos

Percorrido durante séculos por peregrinos que caminhavam em busca de Santiago de Compostela (Galiza, Espanha) para prestar homenagem junto da sepultura do Apóstolo, o Caminho dos Galegos é constituído por um execelente lajeado de acentuada antiguidade, provocada pelo desgaste de múltiplas passagens, marcando profundamente a pedra granítica. A freguesia de Mareco foi durante séculos propriedade da Ordem de Santiago, sendo os seus habitantes "reguengueiros encabeçados". Nesta localidade, existe a antiga casa da Ordem, que possui gravada na ombreira da porta uma estilizada cruz de Santiago, cruzada por dois cajados de peregrino. Num cenário natural de rara beleza, o Caminho dos Galegos faz parte de um inúmero conjunto de vias que percorrem a Peninsula Ibérica e Europa, denominados - Caminhos de Santiago.

Rota da Senhora da Ribeira

Esta Rota situa-se na freguesia de Pindo, concelho de Penalva do Castelo. Com a Rota pedestre de Nossa senhora da Ribeira pretende-se estimular a observação do Património Natural e Monumental da Freguesia de Pindo. O pedestrianismo surge como um instrumento pedagógico extremamente eficaz na sensibilização de toda a comunidade para as questões patrimoniais-ambientais e no incremento da actividade turística. Esta rota permite-lhe observar recursos naturais de rara beleza como a Agricultura, Avifauna, Rio e Floresta. Procura-ser acima de tudo que descubra os itinerários sugeridos, caminhando pela história de uma terra onde a força e a vontade humana moldaram a natureza e criaram uma nova paisagem.

Referências

  1. Instituto Geográfico Português (2013). Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013 (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Página visitada em 28/11/2013.
  2. INE. Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Centro. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2012. p. 105. ISBN 978-989-25-0184-0 ISSN 0872-6493 Página visitada em 27/07/2013.
  3. INE (2012). Quadros de apuramento por freguesia (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Instituto Nacional de Estatística. Página visitada em 27/07/2013. "Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_CENTRO""
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. Câmara Municipal. Página visitada em 10 de Junho de 2010.
  6. a b Demografia (Município de Penalva do Castelo). Página visitada em 10 de Junho de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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