Os Sete Samurais

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Shichinin no Samurai
Os Sete Samurais (PT/BR)
 Japão
1954 • p&b • 207 min 
Direção Akira Kurosawa
Roteiro Akira Kurosawa
Shinobu Hashimoto
Hideo Oguni
Elenco Takashi Shimura
Toshirô Mifune
Yoshio Inaba
Género acção / drama
Idioma japonês
Página no IMDb (em inglês)

Os Sete Samurais (Japonês:七人の侍, Shichinin no Samurai) é um filme japonês de 1954 realizado por Akira Kurosawa.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Neste filme, Akira Kurosawa mostra o Japão do século XVI, durante a era Sengoku. Nessa época os habitantes de uma aldeia de lavradores sofriam freqüentes ataques de bandidos, que os matavam, levavam suas mulheres e saqueavam sua produção de alimentos. Em função destes ataques, os produtores rurais de uma determinada aldeia vivem em grande miséria. O filme conta como esses lavradores decidem resistir aos ataques dos bandidos. Reconhecendo seu desconhecimento de como se defender, eles procuram pessoas que conheçam a arte da guerra, os samurais, guerreiros profissionais no Japão de então.

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O filme se inicia com uma gangue de 40 bandidos chegando a uma pequena aldeia de agricultores num lugar afastado, nas montanhas. O chefe dos bandidos discute com seus capangas e reconhece que, por já terem saqueado esta aldeia algum tempo antes, é melhor poupá-la desta vez de um outro saque. Ele decide esperar até que a cevada plantada pelos aldeões, em fase de crescimento, seja colhida dali a alguns meses. Isto porque ele não quer apenas exercer sua força mas obter vantagem econômica com esse exercício.

No entanto, um dos aldeões, escondido sob um feixe de lenha, ouve a conversa do chefe bandido com seus capangas e volta para a aldeia com essa notícia. Os moradores desesperados se dividem entre decidir entregar a colheita e suas mulheres e filhas para os bandidos ou lutar contra eles. Assim, vão ouvir o ancião da aldeia, que os instrui a contratar guerreiros samurais que os ajudem a defender sua aldeia. Alguns moradores encaram o problema prático desta sugestão, o de que os samurais são profissionais caros e que, também por serem homens, poderão desejar as jovens filhas dos agricultores, semelhantemente ao que fazem os próprios bandidos. No entanto, percebem que não têm muita escolha, se quiserem sobreviver. Reconhecendo que os agricultores pobres não têm muita riqueza a oferecer em pagamento a eventuais samurais, o ancião sugere que procurem "samurais com fome", ronins - "samurais sem senhor", guerreiros desempregados.

Os líderes da aldeia, levando apenas arroz, o principal alimento japonês, vão para uma cidade com o objetivo de contratar samurais que os ajudem a se defender. O que podem oferecer como paga é apenas arroz, alimento. Isto é, eles necessitam encontrar samurais precisam que, mais que apenas por comida, lutem pelo ideal da justiça, da defesa do mais fraco contra o forte opressor. Ou então pelo simples prazer de lutar contra o mais forte.

No início, os agricultores são pessimamente recebidos pelos samurais a quem solicitam ajuda, propondo que lutem contra os bandidos da montanha em troca apenas de alimento como pagamento.

Quase desanimados, eles testemunham a estratégia e a luta que um velho samurai, Kambei (interpretado por Takeshi Shimura), cria para resgatar dramaticamente um menino da cidade que havia sido sequestrado por um ladrão. Um jovem samurai, discípulo em busca de mestre, Katsushiro, também assiste a estratégia, a luta e pede para que Kambei o aceite como seu aluno. Kambei apenas aceita que Katsushiro caminhe com ele, como amigo, argumentando que não tem muito a ensinar para os outros. Ouvindo esta demonstração de modéstia, os agricultores então pedem que Kambei os ajude a defender sua aldeia contra os bandidos da montanha. Diferentemente de todos os outros samurais - até então não receptivos a ideia de trabalhar em troca apenas de alimento - Kambei aceita o desafio.

Analisando a situação trazida pelos agricultores, ele vê a necessidade de obter ajuda de pelo menos mais cinco samurais, além dele e de Katsushiro, que para ele não poderia participar da luta propriamente, por ser muito jovem. Kambei, com a ajuda de Katsushiro, passa então a procurar outros ronin, entre os que perambulam pela cidade, que aceitem o desafio de lutar pelos agricultores.

Eles conseguem a adesão de mais quatro samurais, cada um dotado de habilidades marciais e traços de personalidade diferentes. Como o tempo para a colheita da cevada estava chegando e portanto o tempo para a chegada dos bandidos à aldeia se aproximava, Kambei resolve partir com o grupo de apenas seis samurais. Um homem, que se fingia de samurai, Kikuchiyo (interpretado por Toshiro Mifune) que tinha rejeitado por Kambei para a missão, quer se juntar a eles de qualquer maneira. Ele segue o grupo à distância, ignorando os protestos dos verdadeiros samurais, porque tem um forte desejo de lutar pelos agricultores.

Quando os samurai chegam à aldeia, os aldeões se escondem em suas casas com medo, procurando proteger suas filhas e eles mesmos desses guerreiros supostamente perigosos. Os samurais, sentido-se insultados por terem sido recebidos desta maneira, considerando que se ofereceram para defender a vila por quase nenhuma recompensa, buscam uma explicação com o ancião da aldeia. Este explica que os aldeões são medrosos e ignorantes e não sabem decidir o que é melhor para eles. De repente, o alarme que avisa contra a chegada de bandidos é tocado e os moradores saem de suas casas implorando que sejam defendidos pelos samurais recém-chegados, que acabaram de rejeitar. Acontece que era um alarme falso. Kikuchiyo, o falso samurai, que até este momento era rejeitado pelo grupo, foi quem deu o falso alarme. Em seguida, na praça da aldeia, ele mostra aos moradores, que em pânico, pedem ajuda aos samurais a incoerência implícita em sua péssima recepção. Com isso Kikuchiyo demonstra sua inteligência e capacidade de comunicação por detrás de seu comportamento rude e humorístico, e acaba ganhando a simpatia dos outros samurais e é incluído por eles no grupo. O seis samurais assim passam a ser Os Sete Samurais, o nome do filme de Kurosawa.

Os sete samurais então passam a ensinar as pessoas da aldeia a se defender. Cada um dos sete samurais era detentor de alguma habilidade específica, além do uso da espada, do arco e flecha. Por exemplo, visão estratégica, coragem, sabedoria, liderança, e até comicidade. Kurosawa mostra a importância de todas elas na construção de uma estratégia de defesa.

Kurosawa trata magnificamente de vários temas referentes à cultura japonesa, como a morte, o aprendizado, a miséria natural (a velhice), a miséria social (a pobreza), a estratégia militar, a obediência, a castidade, a piedade, as diferenças sociais entre produtores e guerreiros, a sutil diferença entre a violência de defesa dos guerreiros e a violência de ataque dos bandidos, o respeito às diferenças sociais e pessoais.

Enquanto se preparam para lutar contra os bandidos, os habitantes e os guerreiros passam lentamente a confiar uns nos outros. No entanto, eventualmente, os samurais descobrem que os aldeões em tempos passados tinham assassinado e roubado as armas e armaduras de samurais em fuga. Eles ficam chocados e se revoltam com isso. Até mesmo Kyuzo, o mais profissional e calmo deles, comenta que ele gostaria de matar todos os aldeões por isso. Mas Kikuchiyo mostra aos samurais que eles ignoram as dificuldades que os agricultores enfrentaram para sobreviver e ganhar a vida, intimidados não apenas pelos bandidos mas também pelo constante assédio da classe guerreira, os samurais. Assim, Kikuchiyo revela suas origens. Os samurais percebem que ele é filho de um produtor rural. Kambei pergunta: "Mas quem fez com que os agricultores se tornassem desse jeito?", responde ele: "Vocês o fizeram!". Os samurais sentem sua raiva se transformar em vergonha, e quando o ancião da aldeia, alertado pelo barulho, aparece e pergunta qual é o problema, Kambei humildemente responde que não existe mais problema. Os samurais assim continuam a preparação da aldeia contra os bandidos, sem mais animosidade. Logo depois, os samurais mostram compaixão para com os agricultores quando estes compartilham o arroz com uma velha que teve sua família morta pelos bandidos e que grita querer apenas morrer.

Os samurais continuam as preparações para a defesa da aldeia construindo fortificações, como cerca e áreas inundadas que dificultavam a entrada dos bandidos e treinando os produtores rurais para combater. Katsushiro, o samurai jovem de família aristocrática, começa um namoro com Shino, a linda filha de um dos aldeões que tinha sido disfarçada de rapaz pelo pai, na esperança de enganar os samurais que, cheios de desejo sexual, supostamente iriam seduzi-la, caso a encontrassem.

A invasão da aldeia pelos bandidos se aproxima e dois deles - batedores - são mortos pelos samurais. Um terceiro é capturado e revela a localização do campo dos bandidos. Três samurais e um guia da aldeia decidem realizar um ataque preventivo. Muitos bandidos são mortos nesta luta mas um dos samurais é morto por uma arma de fogo. Quando os bandidos chegam em sua força total, eles são confundidos pelas fortificações construídas pelos samurais e vários deles são mortos na tentativa de escalar as barricadas ou de cruzar os fossos. Entretanto, os bandidos possuem número superior de homens experientes em batalha e além disso possuem três mosquetes e sustetam o cerco. Kyuzo, o samurai mais hábil em artes marciais, decide realizar uma invasão do acampamento dos bandidos para pegar uma dessas armas. Volta com sucesso, após várias horas. Com isso ganha mais respeito dos samurais, particularmente do jovem Katsushiro, e dos aldeões. Kikuchiyo, enciumado por esta façanha, abandona o posto para o qual tinha sido encarregado por Kambei, com o objetivo de também obter um outro mosquete. Ele deixa seu contingente de aldeões no seu posto de defesa da aldeia. Embora Kikuchiyo obtenha sucesso em sua empreitada, matando um bandido e tomando seu mosquete, os bandidos atacam seu posto e matam muitos dos inexperientes aldeões que ele tinha deixado encarregado do local. O samurai líder, Kambei é forçado a enviar reforços do posto para repelir os bandidos que invadiram pelo posto deixado desguarnecido por Kikuchiyo. Nisto Kambei enfraquece o posto central e o líder dos bandidos aproveita para atacar sua posição. Embora os bandidos também sejam repelidos, Gorobei, um dos samurais, é alvejado e morto. Yohei, um aldeão que tinha se tornado grande amigo de Kikuchiyo, também é morto em seu posto. Kambei censura vigorosamente Kikuchiyo por sua ação.

Além das fortificações, a estratégia de Kamebi é permitir que os bandidos entrem através de uma brecha nas cercas, mas apenas um ou dois de cada vez. Após a entrada deste, a falha é fechada por uma muralha de lanças. O bandido que entrou na aldeia é então morto pelos outros samurais e pelos aldeões. Esta estratégia é empregada várias vezes com sucesso no primeiro dia de batalha e 27 bandidos são mortos. Mas, durante a noite, Kambei percebe que os aldeões irão se cansar e os instrui para que durmam em turnos de maneira a se preparar para a batalha decisiva que ele entende que se dará na manhã seguinte. Durante a noite, o namoro de Katsushiro com Shino é consumado e é revelado. Após uma desaprovação inicial do pai da moça, as aventuras amorosas do casal fornecem um alívio para os homens em luta.

Quando a manhã chega e os bandidos realizam seu ataque, Kambei ordena que os 13 remanescentes bandidos sejam permitidos entrar na aldeia, todos de uma vez. Os bandidos restantes são facilmente mortos por flechas lançadas por Kambei e pelas lanças e espadas dos samurais e dos aldeões. O líder dos bandidos foge e invade um celeiro onde estão escondidas as mulheres, as crianças e os idosos dos aldeões. Da segurança do celeiro, ele mata Kyuzo com um tiro nas costas. Katsushiro tenta vingar seu amigo e herói mas um enraivecido Kikuchiyo corajosa e cegamente invade o celeiro para também ser alvejado por um tiro no abdômen. Mesmo mortalmente ferido, Kikuchiyo mata o chefe dos bandidos provando desta maneira seu valor como samurai, antes de morrer. Kambei e Shichiroji observam ao final que "apenas nós sobrevivemos de novo" enquanto Katsushiro chora pelos seus camaradas mortos. A batalha é vencida pelos aldeões, que aprendem a se defender.

Nos final do filme, os três samurais sobreviventes, Kambei, Katsushiro, e Shichirōji, observam os aldeões plantando a próxima safra de arroz. Os samurais então refletem sobre a relação entre as classes dos guerreiros e dos produtores, embora eles tenham vencido a batalha para os agricultores, eles perderam seus amigos e pouco ganharam com isso. "Novamente nós fomos derrotados" diz Kambei, "Os agricultores venceram, nós não" esta observação melancólica esclarece a afirmação de Kambei no início do filme de que ele "nunca tinha vencido uma batalha". Esta observação contrasta com o canto e prazer demonstrado no trabalho pelos produtores, cujo trabalho sustentador da vida – o da produção de alimentos e de gente – prevalece sobre a guerra e deixa todos os violentos - sejam bandidos ou guerreiros - como os derrotados do mundo.

Pelo filme, Akira Kurosawa recebeu o Leão de Prata do Festival de Veneza de 1954.

Os personagens e os atores dos Sete Samurais[editar | editar código-fonte]

Kambei Shimada (島田勘兵衛, Shimada Kanbei), vivido por Takashi Kimura, é o sábio e experiente samurai que constrói e lidera o grupo de guerreiros no reconhecimento da justiça da defender os produtores rurais da aldeia das montanhas.

Katsushiro Okamoto (岡本勝四郎, Okamoto Katsushiro), interpretado por Isao Kimura, é o samurai jovem que, proveniente de uma família aristocrática, nunca lutou e que busca se tornar discípulo de Kambei.

Gorobei Katayama (片山五郎兵衛, Katayama Gorobei) (Yoshio Inaba) — Recrutado por Kambei, é o samurai habilidoso em arquearia que age como o imediato no comando na criação do plano mestre de defesa da aldeia.

Shichiroji (七郎次), vivido por Daisuke Kato, é o samurai que, já tendo lutado outras guerras com Kambei, encontra-se com ele por acaso na cidade e que, convidado por ele, aceita imediatamente assumir este papel.

Heihachi Hayashida (林田平八, Hayashida Heihachi), vivido por Minoru Chaki, é o samurai recrutado por Gorobei Kaatyama, que embora não tendo tanto treino como guerreiro, tem o charme e vontade necessárias para manter seus camaradas afáveis diante da adversidade.

Kyūzō (久蔵), vivido por Seiji Miyaguchi, é o samurai sério, frio e altamente habilidoso como espadachim e treinado nas artes de guerra que, após ter inicialmente declinado de oferta de trabalho de Kambei, muda de ideia e pede para se juntar ao grupo.

Kikuchiyo (菊千代), vivido por Toshiro Mifune é o último guerreiro a adentrar o grupo. Pretende ser um samurai e para isso até apresenta uma falsa certidão de nascimento. Na verdade é um filho de produtor rural que luta até provar seu valor. Mercurial, cômico e temperamental, identifica-se com os produtores e sua luta.

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