Ulrico da Dinamarca

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Ulrico
Duque de Schleswig-Holstein
Príncipe-Bispo de Schwerin
Ulrik Prince of Denmark.jpg
Ulrico
Governo
Vida
Nascimento 2 de Fevereiro de 1611
Palácio de Frederiksborg, Dinamarca
Morte 12 de Agosto de 1633 (22 anos)
Świdnica, Dinamarca
Pai Cristiano IV da Dinamarca
Mãe Ana Catarina de Brandemburgo

O príncipe Ulrico da Dinamarca (2 de Fevereiro de 1611 - 12 de Agosto de 1633), foi um filho do rei Cristiano IV da Dinamarca e da sua primeira esposa, a marquesa Ana Catarina de Brandemburgo. Como era o quarto filho do rei, tinha apenas o título de duque de Schleswig-Holstein, Stormarn e Ditmarch. Mesmo apesar dos títulos, não tinha qualquer poder em Schleswig-Holstein que era governado pelos chefes da Casa de Oldemburgo e o seu ramo menor de Holstein-Gottorp. Em 1624, Ulrico foi nomeado administrador do principado-bispado de Schwerin, passando a ser reconhecido como Ulrico III. Contudo, em 1628, Wallenstein conquistou Schwerin e depô-lo. O seu pai foi forçado a renunciar a todas as pretensões da família neste território em 1628. Quando em 1631, as forças suecas conseguiram reconquistar o principado-bispado, Ulrico não foi escolhido para seu administrador.

Família[editar | editar código-fonte]

Ulrico foi o último filho do primeiro casamento do rei Cristiano IV da Dinamarca com a marquesa Ana Catarina de Brandemburgo. Entre os seus irmãos estava o rei Frederico III da Dinamarca. Os seus avós paternos eram o rei Frederico II da Dinamarca e a duquesa Sofia de Mecklemburgo-Güstrow. Os seus avós maternos eram o príncipe-eleitor Joaquim III Frederico de Brandemburgo e a marquesa Catarina de Brandemburgo-Küstrin.[1]

Carreira Eclesiástica[editar | editar código-fonte]

Desde 1617 que Niels Frandsen, reitor de Roskilde, tornou-se professor do duque Ulrico. Alguns anos depois, Cristiano IV exerceu a sua influência para garantir prebendários em principados-bispados luteranos dentro do Sacro-Império aos seus dois filhos mais novos.

Em 1622, Ulrico recebeu um cabido na Catedral de Bremen onde o seu irmão Frederico tinha sido nomeado coadjutor em Setembro de 1621. No mesmo ano, Ulrico foi eleito coadjutor do principado-bispado de Schwerin, onde o seu tio com o mesmo nome prestava serviço como administrador Ulrico II. Também havia um plano para que ficasse com o principado-bispado de Commin, mas falhou.

Quando Frederico, que também se tinha tornado coadjutor de Verder em Novembro de 1621, passou a ser o administrador desse principado-bispado, Ulrico foi com ele. Quando o seu tio Ulrico II morreu subitamente em 1624, Ulrico e a sua avó, a duquesa Sofia de Mecklemburgo-Güstrow estiveram presentes no seu funeral e no enterro na Igreja Congregada de Santa Maria, João e Isabel da Hungria em Bützow, a 24 de Maio de 1624 e conseguiram com sucesso fazer com que ele o sucedesse como Ulrico III de Schwerin. Contudo, devido ao facto de ainda ser muito novo (tinha na altura 13 anos), foi também nomeada uma comissão para controlar a administração.

Depois, Ulrico desapropriou a sua tia, Catarina de Hahn-Hinrichshagen, a viúva do seu tio Ulrico II a quem tinha anteriormente entregue uma mansão e as propriedades de Zibühl como parte da sua compensação de viuvez. Não tendo poder para contestar a decisão na altura, a sua tia anuiu na altura. Contudo, a 16 de Dezembro de 1628, depois de Wallenstein ter conquistado o principado-bispado, a sua tia processou-o no tribunal ducal e no tribunal de terras de Mecklemburgo, mas devido à Guerra dos Trinta Anos, nunca houve um veredicto.

Entretanto, Ulrico entrou na Academia de Sorø e, em 1627, recebeu um feudo que incluía a antiga mansão de Schleswig-Holstein e as propriedades com todos os seus benefícios que também pertenciam ao seu tio sem ser, no entanto, nomeado bispo de Schleswig. No mesmo ano deixou o ducado para uma viagem à Holanda e à França da qual regressou na primavera de 1628.

Pouco depois, no mesmo ano, Ulrico foi para a guerra, prestando serviço no exército do rei Gustavo II Adolfo da Suécia durante a invasão do ducado da Prússia durante a Guerra Polaco-Sueca de 1626-1629. Conseguiu impressionar Gustavo Adolfo antes de regressar à Dinamarca em Novembro de 1628. Entretanto, as tropas da Liga Católica sob o comando de Albrecht von Wallenstein tinham conquistado a maior parte da Jutlândia, forçando o rei Cristiano IV a assinar o Tratado de Lübeck a 22 de Maio de 1629 que, entre outras coisas, exigia que os seus filhos renunciassem das suas posições episcopais. Assim, Ulrico perdeu todas as suas posses em Schwerin.

Carreira Militar[editar | editar código-fonte]

O rei Carlos I da Grã-Bretanha enviou mercenários ingleses e escoceses para apoiar o pai de Ulrico que ficaram instalados a oeste de Schleswig. Em Junho de 1629, Ulrico teve a tarefa de garantir que eles chegavam a casa em segurança a partir do Mar do Norte. A partir daí, Ulrico viajou através de Glückstadt para a Holanda, tendo lutado sob o comando do príncipe Frederico Henrique de Orange durante o cerco de 's-Hertogenbosch até este se render a 14 de Setembro de 1629. Depois regressou à Dinamarca. Em Abril de 1630, acompanhou o seu pai na sua campanha militar contra Hamburgo, onde se viu em perigo de morte.

Ao mesmo tempo, Cristiano IV tentou uma reaproximação ao imperador Fernando II e a Wallenstein para poder recuperar Schwerin e Verden para os seus filhos depostos. Para o conseguir, Ulrico participou no Regensburg Diet dos príncipes-eleitores de Julho a Novembro de 1630 onde conferenciou com o arquiduque Leopoldo V da Áustria, irmão do imperador Fernando II, e com Wallenstein, contudo foi tudo em vão. Os príncipes-eleitores temiam que estas posições fossem demasiado fortes para o imperador, por isso dispensaram Wallenstein e suspenderam o édito de restituição que dava poder ao imperador católico de restituir propriedade e possessões eclesiásticas que pertencessem a luteranos à igreja católica.

Ulrico viajou depois através da Holanda até Inglaterra onde visitou o seu primo Carlos I e o persuadiu a pagar-lhe uma pensão anual. Passou o inverno de 1630/31 na Dinamarca, mas partiu para a Alemanha ainda antes da primavera para ajudar os governantes de Brandemburgo e da Saxónia numa guerra.

Entretanto, as tropas suecas luteranas tinham conquistado o principado-bispado de Schwerin e Ulrico tinha esperanças de recuperar o seu reino de Gustavo Adolfo. Para o conseguir, chegou mesmo a considerar casar-se com a princesa Cristina da Suécia, mas mesmo apesar de todas as suas tentativas e de novas negociações levadas a cabo pelo seu pai, o sacro-imperador e Wallenstein continuaram a não aceitar a restituição de Ulrico.

Cansado de viajar, Ulrico conseguiu obter permissão do pai para se alistar no exército da Saxónia. Em Fevereiro de 1632, partiu para a corte do príncipe-eleitor João Jorge I da Saxônia, mas não gostou da corte de Dresden, onde as pessoas se preocupavam mais em viver uma boa vida do que com a guerra que se travava, por isso ficou satisfeito quando voltou a partir para uma campanha militar como coronel do exército saxão em Março de 1632. Pouco depois subiu à posição de general de artilharia.

Na Dinamarca, Ulrico contratou um grupo de couraceiros que seriam comandados por si e, no verão, juntou-se ao exército saxão sob o comando de Hans Georg von Arnim-Boitzenburg para uma campanha militar na Silésia. Provavelmente participou na conquista de Groß-Glogau e permaneceu em Neiße durante o resto do ano. Foi aí que descobriu o globo celestial de Tycho Brahe num colégio jesuíta e enviou-o para a Dinamarca como troféu de guerra. Depois de um inverno calmo em 1632-33, as batalhas recomeçaram em Janeiro e Ulrico teve a sua oportunidade de mostrar o seu talento.

Ao mesmo tempo, o seu plano para se casar com a princesa Cristina voltou a ser falado, mas foi rejeitado por Axel Oxenstierna, visto que o interesse de Ulrico se centrava principalmente na recuperação do seu principado-bispado. Em Maio de 1633, Wallenstein foi renomeado para comandar o exército imperial. As suas tentativas para negociar com o inimigo (os protestantes) deram origem a armistícios e, durante um deles, Ulrico encontrou-se com ele. Durante o esforço de guerra, interrompendo novamente as negociações, Ulrico voltou a sair-se muito bem, impingindo uma dura derrota aos cavaleiros imperiais da Croácia. Depois disso voltaram as negociações de paz de ambos os lados e Ulrico participou nelas.

Durante uma das reuniões para negociar a paz, a 11 de Agosto de 1633, em Schweidnitz, Ulrico foi ferido mortalmente por um tiro disparado por um cavaleiro imperial e morreu na noite seguinte. O seu corpo foi primeiro levado para Liegnitz e depois para Dresden onde ficou até à primavera de 1634. Depois de um funeral, foi levado para Copenhaga onde foi enterrado na Igreja de Nossa Senhora, mas seria ainda transladado em 1642 para a Catedral de Roskilde.

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Além da sua bravura, Ulrico tinha um grande conhecimento de línguas e literatura e algum talento para o desenho, a pintura, música e para recitar poemas. Principalmente durante o seu último ano de idade, conviveu bastante com o poeta Martin Opitz que, na altura, era considerado o maior poeta da língua alemã. Em 1631, Ulrico tinha já publicado uma pequena obra satírica intitulada "Strigelis vitiorum" (Ralhar com os Vícios), onde criticava principalmente aqueles que bebiam de mais.

Referências