Zaqueu (Bíblia)

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Zaqueu no alto da árvore.
Afresco na igreja paroquial de Sagritz, na comunidade de Großkirchheim, na Alemanha.

Zaqueu (em grego: Ζακχαῖος - "Zakchaios"; em hebraico: זכי, - "puro", "justo"1 ), era o responsável pela coleta de impostos em Jericó segundo Lucas 19:1-10. Os coletores de impostos eram odiados pelos seus compatriotas judeus, que os viam como traidores trabalhando para o Império Romano.

Por conta da lucrativa produção e exportação do bálsamo estar centralizada em Jericó, a posição de Zaqueu era muito cobiçada pelas riquezas que prometia2 3 . No relato, ele chegou antes da multidão que estava ali para se encontrar com Jesus, que passava por Jericó a caminho de Jerusalém. Descrito como um homem de baixa estatura, Zaqueu então subiu num sicômoro para que pudesse ver Jesus. Quando Ele chegou ao lugar, olhou para os ramos e chamou Zaqueu pelo nome, pedindo-lhe que descesse, pois pretendia visitar a sua casa. A multidão ficou chocada, pois Jesus, um judeu, estava disposto a ser o hóspede de um publicano.

Comovido pela audácia do amor desmerecido e aceitação de Jesus, Zaqueu publicamente se arrependeu de seus atos corruptos e jurou restituí-los realizando uma festa em sua casa. Zaqueu entregou aos pobres metade de todos os seus pertences.

Tradições posteriores[editar | editar código-fonte]

Em Er-riha (Jericó) há uma grande e venerável torre quadrangular que, tradicionalmente, é chamada de "Casa de Zaqueu". De acordo com Clemente de Alexandria em seu livro Stromata, Zaqueu foi apelidado de "Matias" pelos apóstolos e tomou o lugar de Judas Iscariotes após a ascensão de Jesus. As Constituições Apostólicas, posteriores, identificam "Zaqueu, o Publicano" como o primeiro bispo de Cesareia Marítima (7.46).

O legendário medieval identificava Zaqueu com Santo Amador e o considerava como o fundador do santuário francês de Rocamadour.

‎"E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade do meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." (Lc 19.8) Claramente percebe-se a conversão de Zaqueu de um homem avarento em um homem de coração aberto e generoso para com o pobre e necessitado. Zaqueu conhecia a fama de Jesus e sabia que era um profeta simples e humilde e que nada possuia, mas, viu nele a oportunidade de não somente mudar seu comportamento tacanho como receber ao Senhor Jesus em sua vida. O texto supracitado não menciona que Zaqueu era um publicano corrupto, mas, por certo nos dá a entender que era apegado excessivamente a riqueza, coisa que o Senhor Jesus reprovava em suas mensagens, tais como as lemos em: Mt 6.24 e 13.22; Mc 10.23; Lc 8.14. Riquezas no original é mamom, um termo aramaico que significa dinheiro ou bens preciosos. Jesus em seu ensino deixa claro que uma pessoa não pode ao mesmo tempo servir a Deus e às riquezas. (1) Servir à riqueza é dar-lhe um valor tão alto que: (a) colocamos nela nossa confiança e fé; (b) esperamos da parte dela nossa segurança máxima e felicidade; (e) confiamos que ela garantirá o nosso futuro; e (d) a buscamos mais que o reino de Deus e a sua justiça. (2) Acumular riquezas é um trabalho tão envolvente, que logo passa a controlar a mente e a vida da pessoa, até que a glória de Deus deixa de ter a primazia em nosso ser. Fique bem entendido que o Senhor não reprova um homem ser rico, a reprovação vem a ganância, e a ambição desordenada pelos bens materiais.

Práticas litúrgicas[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Ortodoxa e na Igreja Católica Oriental de tradição eslava, o relato evangélico de Zaqueu é lido no domingo antes da preparação litúrgica para a Grande Quaresma, motivo pelo qual o dia é conhecido como "Domingo de Zaqueu". É a primeira celebração de cada novo ciclo pascoal. O relato foi escolhido para abrir a temporada da Quaresma por causa de dois aspectos exegéticos: o pedido de Jesus para que Zaqueu descesse da árvore (visto como simbolizando o chamado divino à humildade) e o arrependimento posterior de Zaqueu.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. http://cf.blueletterbible.org/lang/lexicon/Lexicon.cfm?Strongs=H2140&t=kjv Strongs Lexicon on the Blue Letter Bible website
  2. Morris, Leon. Luke: An Introduction and Commentary, page 297. Wm. B. Eerdmans, 1988.
  3. Stier, Rudolf Ewald. The Words of the Lord Jesus. Trans. William Burt Pope. Page 314. Sheldon & co., 1859.