Zoco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Zoco de Marraquexe pouco antes da sua abertura diária
Vista da Praça Jemaa El Fna, uma das entradas dos zocos de Marraquexe

Zoco [1] (do árabe سوق,, suq; frequentemente também grafado como souk, como em francês ou souq, como em inglês) é um termo que geralmente designa um mercado tradicional ou feira periódica (tipicamente semanal) nos países árabes, mas também é usado para designar zonas comerciais de uma cidade nesses mesmos países. O termo equivalente em turco e persa é bazar. Em amazigh (língua dos berberes), chama-se amenaz (lugar de venda).[nt 1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os zocos decorrem quase sempre ao ar livre, exceto alguns que são de carácter permanente (conmjuntos de lojas) e decorrem dentro das almedinas (centros históricos) das cidades, os quais podem ser cobertos. Existem zocos rurais e zocos urbanos e lá se encontram todos os produtos que procurados pelas populações de sociedades tradicionais. Além dos comerciantes a tempo inteiro, o zoco é usado pelos produtores e artesãos para venderem diretamente os seus produtos, nomeadamente gado.[nt 1]

No caso dos zocos fixos (zonas comerciais urbanas), é usual serem organizados por áreas especializadas em ramos comerciais ou ofícios específicos, como por exemplo, a alimentação, produtos rurais em bruto, vestuário, sapataria, artesanato rural (olaria, metalúrgia, ourivesaria, serviços como barbeiros, creches, transportes, etc.). Os produtos e comercializados são uma boa amostra do nível de vida e de quais os produtos característicos da região onde se situam.[nt 1]

Na maior parte dos casos, não há preços fixos num zoco, sendo assumido por todos que a compra e venda envolve inevitavelmente regatear os preços. É também comum que os vendedores interpelem quem passa junto à sua loja ou tenda até longe dela, tentando vender os seus produtos. O afã dos vendedores pode chegar a parecer, senão mesmo sê-lo realmente, ter um tom algo agressivo, principalmente quando os abordados são turistas menos experientes.[nt 1]

Além de lugares de comércio, os zocos têm sido espaços de primeira importância na vida social, estando por isso muito presentes na literatura clássica e tradicional como cenário de grande parte das histórias. E também comum que os zocos estejam na origem dos nomes das localidades onde se realizam, seja pelo dia da semana (ex: Suq al-Arbaa, mercado de quarta-feira), seja pelo tipo de mercadorias (ex: Suq al-Dawabb, mercado das bestas de carga).[nt 2]

História[editar | editar código-fonte]

Nas sociedades islâmicas tradicionais, o zoco constituía um dos três centros funcionais das cidades, juntamente com o palácio dos governantes e com a mesquita. Ao contrário do palácio e da mesquita, o zoco raramente se situava no centro da cidade, devido à presença de certos ofícios poder causar problemas devido ao ruído ou aos odores desagradáveis.[nt 2]

Um dos zocos de têxteis Alepo, Síria

À semelhança das cidades medievais cristãs, a economia islâmica estava estruturada de forma corporativa, tendo cada ofício a sua corporação, que era representada junto do poder político pelo seu líder ou "mestre". Os zocos eram administrados por um muhtasib (superintendente) ou um sahib al-suq (senhor do mercado) que tinham, entre outras atribuições, a de zelar pelo uso correto dos pesos e medidas, reprimindo as fraudes recorrendo a uma força policial especial, a shurta, que podia impor multas ou deter os infratores.[nt 2]

Os zocos urbanos eram, e ainda são, e grande medida, organizados por mercadorias. Originalmente começaram por se desenvolver dentro no interior das muralhas, expandindo-se depois gradualmente de forma mais ou menos concêntrica, com as as profissões menos relacionadas com bens perecíveis no centro (que podiam ser, por exemplo, ourives e perfumistas), seguindo-se a área de produtos com impacto médio, como comida seca, têxteis e calçado e, na parte mais distante do centro, os ofícios e mercadorias mais "contaminantes", como os trabalhadores de metal em chapa, tintureiros, açougueiros, peixeiros, animais vivos, etc. Em cada género comercial, trabalhava-se junto dos concorrentes, a fim de facilitar a orientação dos clientes com pontos de referência.[nt 2]

A abertura e fecho das lojas e tendas eram marcados rigidamente por um horário fixo pelas autoridades, as quais também organizavam a admissão de aprendizes e a sua formação. O desempenho de um determinado ofício só era permitido aos filhos daqueles que a exerciam, ou por herança, exceto em casos expressamente autorizados pelo poder político ou pela corporação do ofício.[nt 2]

Notas

  1. a b c d Trechos baseados no artigo artigo «Souk» na Wikipédia em francês.
  2. a b c d e Trechos baseados no artigo artigo «Zoco» na Wikipédia em espanhol.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Mohaine, Abdel Kader. Les Souks et l'organisation de l'espace régional dans le Souss (Maroc) (em francês). Lille: Presses Univ. du Septentrion, 1997. 594 pp.
  • Lévi-Provençal, E. L'urbanisme musulman, in Mélanges d’histoire et d’archéologie de l’Occident musulman, Hommage à G. Marçais (em francês). Argel: [s.n.]. p. 219-231. vol. I.
  1. Zoco. www.Infopedia.pt. Porto Editora. Página visitada em 6 de dezembro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Zoco