AR-10

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Armalite Assault Rifle 10
AR-10 in the National Firearms Museum.jpg

O AR-10 no Museu Nacional de Armas de Fogo
Tipo Rifle de batalha
Local de origem  Estados Unidos
História operacional
Em serviço 19601976 (Portugal)

19581985 (Sudão)

Histórico de produção
Criador Eugene Stoner
Data de criação 1955-1956
Fabricante Fairchild ArmaLite
Artillerie Inrichtingen (AI)
Colt's Manufacturing Company
Período de
produção
1956-presente
Quantidade
produzida
10.000
Especificações
Peso 3.29–4.05 kg c/carregador
Comprimento 1050 mm
Calibre 7,62×51mm NATO
Cadência de tiro 700 tpm
Velocidade de saída 820 m/s
Alcance efetivo 630 m
Sistema de suprimento 20 tiros carregador de caixa descatável
Mira Mira traseiro com abertura ajustável, mira frontal fixa
Flash Supressor/Compensador no adiantado modelo "AR-10" "Hollywood"

O Armalite AR-10 é um rifle de batalha[1], arrefecida a ar, alimentada por carregador, operada a gás, de fogo seletivo, que dispara a munição 7,62x51 mm NATO (calibre .308 Winchester). Desenvolvido por Eugene Stoner no final dos anos 50[1] na ArmaLite, então uma divisão da Fairchild Aircraft Corporation. Quando introduzido pela primeira vez em 1956, o AR-10 usou um inovador cano de linha reta/projeto de estoque com composto fenólico e peças de liga forjada resultando em um braço pequeno significativamente mais fácil de controlar em fogo automático e mais de 1 lb (0,45 kg) mais leve do que outros rifles de infantaria do dia.[2] Sendo construídos apenas cerca de 10.000 exemplares.[3]

Em 1957, o projeto básico do AR-10 foi reescalado e substancialmente modificado pela ArmaLite para acomodar o cartucho .223 Remington, e dado a designação AR-15.[4] ArmaLite licenciou os desenhos AR-10 e AR-15 para Colt Firearms.[5] O AR-15 acabou se tornando o M16.[6][7][8]

História e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A Armalite foi criada inicialmente como uma divisão da Fairchild em 1954, especificamente destinada à criação de novos materiais e projetos no ramo das armas de fogo. Nesse mesmo ano entrou para a empresa Eugene Stoner, um talentoso engenheiro de armamento ligeiro. A Armalite depressa colocou no mercado vários projetos de armas ligeiras.

Por essa altura o Exército dos Estados Unidos estava a testar várias armas para substituirem o obsoleto M1 Garand. Foram testados os Springfield T44E4 e T44E5 (essencialmente versões do M1 adaptadas para o calibre 7,62 mm) e o Fabrique Nationale T48 (o famoso FN FAL). A Armalite entrou tarde na competição, submetendo dois AR-10 para testes em 1956. Os testes foram favoráveis e, segundo algumas opiniões, o AR-10 foi a melhor espingarda automática testada.

Infelizmente, para a Armalite, o cano da arma, feito de uma liga de alumínio e aço experimental, falhou num teste de resistência. A Armilite depressa o substituiu por um cano de aço convencional, mas o mal estava feito e o AR-10 foi preterido em relação ao Springfield T44, que foi adoptado como M14 em 1957.

A Fairchild Armalite nesse mesmo ano vendeu a licença de fabricação do AR-10 à Artillerie Inrichtingen, uma produtora de armamento dos Países Baixos. Esta empresa construiu um número relativamente reduzido de exemplares do AR-10 para serviço da Guatemala, Birmânia, Itália, Cuba, Sudão e Portugal. Também a Alemanha, Áustria, Países Baixos, Finlândia e África do Sul compraram alguns exemplares para testes. Algumas das 100 AR-10 comprados pelo regime cubano de Fulgêncio Baptista, foram depois cedidos pelo regime de Fidel Castro aos guerrilheiros comunistas da República Dominicana.

Em 1958 a Armalite desenvolveu o AR-15, uma versão do AR-10 adaptada à munição 5,56 x 45 mm NATO. Contudo o insucesso das tentativas de venda do AR-10 e do AR-15 fizeram com que os seus direitos fossem vendidos à Colt. Esta conseguiu fazer com que as Forças Armadas dos EUA adoptassem o AR-15, tornando-se o famoso M16. A Fairchild acabou por dissolver a sua associação com a Armalite em 1962.

Legado de produção AR-10[editar | editar código-fonte]

Em 1995, antigo oficial do exército de Munições, Mark Westrom, dono da Eagle Arms, comprou a marca ArmaLite e a companhia se tornou ArmaLite Inc. Pouco tempo após, ArmaLite Inc. introduziu um rifle completamente novo, conhecido coletivamente de série AR-10B de rifles. Notavelmente, o AR-10B não foi projetado utilizando o desenho original do AR-10, mas ao invés disso, foi baseado na Colt AR-15A2, com partes ampliadas ou reprojetadas como necessário para atirar com o cartucho de 7.62x51mm NATO (.308 Winchester). O protótipo AR-10B foi composto de sub-componentes individuais, testados num receptor especial menor, feito de duas placas de alumínio equipados em um SR-25, da empresa Knights Armament Company, montado num receptor superior, e prototipado utilizando análises de computador. O protótipo completo do AR-10B foi o primeiro rifle fora da linha de produção. Desde 1995, a nova companhia ArmaLite também incorporou vários outros projetos e melhoramentos de engenharia para o AR-10, incluindo um novíssimo cartucho de metal, derivado do modelo dos Estados Unidos, rifle M14. A atual ArmaLite AR-10 é oferecida em diversas versões, incluindo um rifle A2 e A4 ou carabina com armazenamento desmontável, um alvo modelo (AR-10T), uma AR-10B retro com estilo sudanês de punho e alavanca de armar (produção limitada) e uma versão de calibre 300, Remington SAUM. Atuais usuários incluem a Polícia Tática de Ontario e a Unidade de Resgate.

Enquanto ArmaLite Inc. detém a marca americana de nome "AR-10", outros produtores de rifles produzem automáticas de 7.62x51mm que são baseadas no design do AR-10: o DPMS LR-308, KAC SR-25, Rock River Arms LAR-8, American Spirit Arms ASA .308, Fulton Armory Titan, LWRC's R.E.P.R., Bushmaster MOE 16 .308 e Smith & Wesson M&P10.

Utilização em Portugal[editar | editar código-fonte]

Páraquedistas portugueses armados de AR-10 saltam de um helicóptero na Guerra de Angola no início da década de 1960
Páraquedistas portugueses armados com rifles AR-10 durante a Guerra de Angola de 1961-1974.

Em 1960, a Força Aérea Portuguesa procurava uma espingarda automática para equipar as suas recém formadas Tropas Pára-quedistas, até então equipadas com o armamento padrão em uso no Exército Português (pistolas-metralhadora FBP e espingardas de repetição Mauser m/938), considerado inadequado para aquelas tropas de elite. Através da empresa belga SIDEM Internacional, foram adquiridas AR-10 fabricadas pela Artillerie Inrichtingen. Estas armas vieram a conhecer, pouco tempo depois, um intenso serviço em combate, equipando os Batalhões de Caçadores Pára-quedistas empenhados na Guerra do Ultramar, em Angola, Guiné e Moçambique. A AR-10 ganhou uma reputação de precisão e confiabilidade, apesar das más condições a que estava sujeita em África.

Algumas AR-10 portuguesas foram adaptadas de modo a poderem montar miras telescópicas de 3x ou 3,6x. Estas armas eram utilizadas por atiradores especiais em pequenas patrulhas para eliminarem guerrilheiros inimigos a grande distância. Outras AR-10 eram utilizadas pelos páraquedistas para o lançamento de granadas montadas na boca do cano.

Os planos para aumentar o número de AR-10 em serviço foram gorados em virtude do embargo holandês de armas a Portugal. As tropas pára-quedistas começaram então a ser equipadas com uma versão de coronha rebatível da espingarda automática G3 já em uso nas outras forças portuguesas. Apesar disso, alguns exemplares da AR-10 mantiveram-se em serviço e ainda equiparam o Destacamento de Pára-quedistas enviado para Timor em 1975.

Utilização no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil o AR-10 está sendo utilizado pelo BOPE do Rio de Janeiro, em substituição ao FN FAL e ParaFAL, ambos produzidos nacionalmente pela IMBEL. Foram encomendados 600 novos fuzis (acompanhados de miras, lunetas e grips)[9] de coronha, punho e outras partes verdes; que é para compor o novo uniforme camuflado que será utilizado no combate ao crime nas favelas e nas matas do estado.[10]

Também é utilizado pelo Grupo de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás - GRAer / PMGO, sendo empregado tanto nas aeronaves quanto nas viaturas terrestres. Além do Grupo Tático 3 (GT-3) da Policia Civil de Goiás e BOPE-TO.

Sabe-se também, que traficantes do Rio de Janeiro tem acesso a esse fuzil.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «ArmaLite AR-10 Battle Rifle» (em inglês) 
  2. Pikula, Major Sam. The ArmaLite AR-10. Regnum Fund Press, 1998. ISBN 9986-494-38-9. pp. 27-29
  3. "Armalite AR-10 (USA)". Página acessada em 10 de agosto de 2014.
  4. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Pikula88-90
  5. ArmaLite History
  6. Ezell, Edward Clinton (1983). Small Arms of the World. New York: Stackpole Books. pp. 46–47. ISBN 978-0-88029-601-4 
  7. Peter G. Kokalis Retro AR-15. nodakspud.com
  8. Danford Allan Kern The influence of organizational culture on the acquisition of the m16 rifle. m-14parts.com. A thesis presented to the Faculty of the US Army Command and General Staff College in partial fulfillment of the requirements for the degree MASTER OF MILITARY ART AND SCIENCE, Military History. Fort Leavenworth, Kansas 2006
  9. «600 fuzis para o BOPE do Rio de Janeiro - Noticias Infodefensa América». Infodefensa.com (em espanhol). 2 de agosto de 2014. Consultado em 5 de março de 2016 
  10. «Os "homens de verde" do Bope». revistaepoca.globo.com. Consultado em 5 de março de 2016