Batalhão de Operações Policiais Especiais (PMERJ)

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Batalhão de Operações Policiais Especiais
Batalhão de Operações Policiais Especiais COMPLETO.svg
Brasão
País  Brasil
Estado  Rio de Janeiro
Corporação Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
Subordinação Comando de Operações Especiais (COE)
Missão Operações Especiais
Sigla BOPE
Criação 19 de janeiro de 1978 (38 anos)
Aniversários 19 de janeiro (criação)
Sede
Sede Rio de Janeiro
Bairro Laranjeiras
Endereço Rua Campo Belo, 150
Internet página oficial

Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) é uma força de operações especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), subordinada diretamente ao Comando de Operações Especiais.

História[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

A ideia de um grupo de policiais que fossem especificamente treinados para atuar em situações de extremo risco surgiu após o trágico desfecho da ocorrência com reféns no Instituto Penal Evaristo de Moraes, em 1974. Na ocasião o diretor do presídio, o Major PM Darcy Bittencourt, que era mantido refém pelos criminosos que tentavam fuga, foi morto juntamente com alguns presos após a intervenção da força policial.[1] Foi criado em 19 de janeiro de 1978, pelo Boletim da Polícia Militar n° 014 da mesma data como Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), através de um projeto elaborado e apresentado pelo capitão PM Paulo César de Amendola de Souza, que presenciou a crise, ao então comandante-geral da PMERJ, coronel Mário José Sotero de Menezes. Funcionando nas instalações do CFAP-31 de voluntários e subordinado operacionalmente ao chefe do Estado-Maior da PMERJ.[2] O NuCOE funcionava em um acampamento nas dependências do Centro de Formação de Praças (CFAP), em Sulacap, na zona norte do Rio. Eram 12 barracas para cerca de 30 policiais.[3]

Em 1980 passou a ter como simbolo a caveira trespassada por um punhal, ornado por duas garruchas cruzadas.

Pelo Boletim da PM n° 33, de 7 de abril de 1982, por resolução do comandante-geral, o NuCOE passou a funcionar nas instalações do Batalhão de Polícia de Choque, fazendo parte da orgânica daquela unidade e recebendo a designação de Companhia de Operações Especiais (COE).[2]

Em 27 de junho de 1984, através da publicação em Boletim da PM n° 120, a COE passou a ser denominada Núcleo de Companhia Independente de Operações Especiais (NuCIOE), funcionando nas instalações físicas do Regimento Marechal Caetano de Farias, ficando subordinado apenas administrativamente ao BPChq, retornando sua subordinação operacional ao chefe do EMG.[2]

Pelo decreto-lei n° 11.094 de 23 de março de 1988, foi criada a Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE), com suas missões próprias em todo o Estado do Rio de Janeiro, que seriam determinadas pelo comandante-geral.[2]

Finalmente, pelo decreto n° 16.374 de 1 de março de 1991, deu-se a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), ficando extinto a CIOE.

Tragédia e recomeço (2000)[editar | editar código-fonte]

Em 12 de junho de 2000, oficiais do BOPE foram comunicados para negociar com Sandro Barbosa do Nascimento, um sequestrador aparentemente drogado que mantinha reféns no Jardim Botânico em um evento conhecido como Sequestro do ônibus 174. Os policiais passaram a tarde tentando negociar com o criminoso, e se comunicavam usando gestos, uma vez que não tivessem rádio. Coronel José Penteado, o comandante da unidade, estava no local e os atiradores de elite posicionados, mas a ordem para disparar um tiro fatal não veio. Após horas frustradas, o sequestrador deixou o ônibus com a professora Geísa Gonçalves, de 20 anos. Sem ordens, o soldado Marcelo Santos avançou pra alvejar Sandro com uma submetralhadora e errou o tiro, acertando a refém de raspão no queixo. Como resposta, Geísa levou três tiros nas costas disparados do revólver do sequestrador. Dentro do camburão, a caminho da prisão, os policiais asfixiaram Sandro. Santos entrou em depressão por anos e Penteado desapareceu.[4] [5] [6]

A morte de Geísa serviu de exemplo ao BOPE, que percebeu a falta de treinamento adequado, equipamento e autonomia funcional para decidir uma situação de crise, e se aperfeiçoou especialmente no resgate de reféns.[5] Em dezembro de 2000, ganhou instalações próprias, localizada no hotel cassino abandonado no alto da favela Tavares Bastos, no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul da capital fluminense, que era utilizado como ponto de observação do tráfico na região.[2] [1] [3] No mesmo mês, em decorrência do sequestro do 174, o BOPE criou a Unidade de Intervenção Tática (UIT), um núcleo para o resgate de reféns.[7]

Em 2001, o BOPE adotou veículos blindados batizados como Caveirões para proteger PMs em incursões em favelas. Com isso, o batalhão foi fortemente criticado pelas entidades de direitos humanos por ter estampada a insígnia da caveira trespassada por um punhal.[8]

Tropa de Elite (2007)[editar | editar código-fonte]

Em 2007, estreou nos cinemas a adaptação do livro Elite da Tropa, escrito pelo antropólogo e ex-Secretário de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares, Major do BOPE André Batista e ex-Capitão Rodrigo Pimentel: Tropa de Elite, dirigido por José Padilha. O filme, que fala sobre a missão de exterminação do tráfico nas favelas para aguardar a chegada do Papa e a substituição de dois capitães do BOPE, se tornou, com apenas duas semanas, a produção mais vista e comentada da história do cinema brasileiro, embora mais de 11 milhões (80%) dos espectadores tenham assistido sua versão pirata, vendida em camelôs. Com o filme, o BOPE se tornou um super-herói brasileiro e um sucesso estrondoso do público. A média de e-mails enviados à unidade, que até então era de 400 por semana, passou a 400 por dia (recados de felicitação do combate ao crime e pedidos de visita ao batalhão). Houveram universitários interessados em desenvolver teses acadêmicas sobre os policiais.[9] Vários canais insistiam em fazer documentários televisivos e reportagens sobre o BOPE.

Com o sucesso, vieram também as críticas. Era dito que Tropa de Elite fazia apologia à tortura e sua violência, verbal ou física, muito criticada. Mário Sérgio Brito Duarte, na época comandante do BOPE e depois comandante-geral da força, deplorou a obra, em artigo. Independente disso, o filme levou milhares a postularem uma vaga na PM e o esquadrão aproveitou para reinventar a imagem da tropa (quebrada após o 174) e angariar apoio no governo para obter equipamento e treinamento.[8]

Atualmente, o emprego do BOPE em situações criticas ou missões especiais está regulado pela nota de instrução n°004/02 – EMG, estando a unidade subordinada administrativamente e operacionalmente ao Comando de Operações Especiais da PMERJ.[2]

Unidade de Intervenção Tática[editar | editar código-fonte]

A UIT é a fração destinada exclusivamente a resgate de reféns e contraterrorismo do BOPE. Desde 2000 até 2012, mais de 200 reféns foram resgatados ilesos em casos de sequestro, tendo apenas dois casos com resultado letal. 80% dos casos são resolvidos com o uso da negociação.[10] Desde o sequestro do ônibus 174, o BOPE nunca perdeu um refém.[8]

Grupo de Negociação e Análise[editar | editar código-fonte]

O GNA é a equipe especializada em negociação numa situação de crise, em virtude de proporcionar uma solução pacífica. O BOPE possui uma psicóloga que desenvolve um importante papel de assessoramento ao negociador e ao gerente da crise, dando suporte técnico e definindo o perfil psicológico do causador da crise. O treinamento desse grupo é realizado a partir de estudos de casos e simulações de ocorrências.

Grupo de Atiradores de Precisão[editar | editar código-fonte]

O GAP é formado por policiais altamente especializados na área de tiros de precisão. Os atiradores são uma ferramenta fundamental de observação e coleta de informações do ambiente de crise. Os policiais que formam esse grupo utilizam armamento diferenciado, aferido meticulosamente.[11] Cada sniper possui um treinamento fixo de 4 horas por dia, mas só é considerado especializado após 5 anos de serviço, e treina para atingir uma moeda, uma bala ou um alvo a 100 metros. Em 2009, o BOPE contava com 15 atiradores.[7]

Grupo de Retomada e Resgate[editar | editar código-fonte]

O GRR é empregado quando as outras táticas alternativas não são suficientes para a resolução da crise. O treinamento e a execução das entradas táticas podem ocorrer em ambientes como edificações, ônibus, metrô, embarcações, trem, etc. A fim de contar com policiais militares altamente capacitados, o treinamento dos Operadores que compõem o Grupo é constante, pois trata-se de uma atividade de altíssimo risco.[11] Quando há necessidade de intervenção, o GRR usa armas não-letais.[10]

Unidade de Engenharia, Demolição e Transporte[editar | editar código-fonte]

A UEDT surgiu devido à necessidade de desobstrução dos acessos das comunidades para a entrada das viaturas durante as operações policiais. Ela é formada por policiais com conhecimento em mecânica de veículos pesados e explosivos. Eles são responsáveis por operar os maquinários na liberação dos acessos e por destruir as fortificações do tráfico. Quando se faz necessário eles também usam explosivos em suas missões. Com a atuação do BOPE no processo de pacificação, a equipe agregou uma nova função: montar os equipamentos desdobrados em terreno de difícil acesso, para servir de base avançada das tropas no local a ser pacificado. O treinamento da equipe é baseado em constantes estudos e pesquisas sobre demolição e engenharia de combate, o que lhes permite o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas.[12]

Veículos[editar | editar código-fonte]

Policiais militares do BOPE e do Batalhão de Ações com Cães em treinamento de resgate de reféns.
Veículo do BOPE durante a ocupação do Complexo do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, em 3 de março de 2013. Foto:Tânia Rêgo/ABr

O BOPE possui veículos blindados popularmente conhecidos como "caveirões", utilizados, principalmente, em operações onde há conflitos com narcotraficantes e optados somente em último caso (o BOPE progride, em situações normais e patrulhas, na viatura, até decidir usar o caveirão quando a situação torna-se crítica). Os blindados não possuem armamento próprio, sendo o seu poder de fogo constituído pelas armas da própria guarnição. O BOPE começou a utilizar os caveirões em 2001.

A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais ainda no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto.

Em 2014, o governo fluminense comprou oito novos Caveirões, denominados Maverick, que cujo preço individual pode chegar até R$ 1,5 milhão. Eles são fabricados pela empresa sul-africana Paramount e são capazes de resistir a explosivos embaixo do veículo, tiros de fuzis 7.6 mm, como o FAL e também calibres maiores, como 12,7 mm e 50 mm, é equipado com diversas câmeras do lado externo do carro, possui reforço na carroceria para derrubar bloqueios nas ruas, carrega um sistema de extintores automáticos nas rodas e tem espaço pra até 12 policiais (incluindo motorista e navegador). O novo Caveirão usa um motor turbodiesel de 300 cv e câmbio automático e possui diversos suportes para a colocação do armamento pesado usado pelo BOPE.[13] [14]

A partir de janeiro de 2012, o BOPE passou a contar com seis motos Yamaha XT 660R para acessar algumas vielas das comunidades e chegar nesses lugares mais rápido. Os veículos são pintados de preto e contêm adesivos com a bandeira do Estado do Rio de Janeiro.[15] [16]

Equipamento[editar | editar código-fonte]

O peso do equipamento de um combatente do BOPE varia entre 25 e 30kg. Eles usam um calçado com uma palmilha no calcanhar muito parecida com um tênis de corrida e ventilação. Há inúmeros bolsos pelo colete, além de uma mochila, cuja intenção é de se manter 48 horas sem parar. Neles, são carregados uma faca, um canivete multifuncional, um rádio comunicador com GPS, carregadores da pistola e fuzil, barrinhas de cereal e câmeras para gravação de ações táticas. Na mochila, seu carregamento pode incluir um aparelho de visão noturna (cedidos pela Marinha), um reservatório de água ou isotônico, um balaclava, dois kits de limpeza de armamento, granadas fumígenas, granadas de luz e som, kit de primeiros socorros, pasta de dente, um binóculo e roupas íntimas.[17]

Armamento[editar | editar código-fonte]

Fabricante
Classificação
Modelo
Calibre
Estados Unidos Colt Fuzil de assalto M4 COMMANDO 5.56×45mm NATO
Estados Unidos Colt Fuzil de assalto M16A2 5.56×45mm NATO
Alemanha Heckler & Koch Fuzil de precisão PSG1 7.62 × 51 mm NATO
Itália Benelli Escopeta M3 .12
Bélgica FN Submetralhadora P90 5.7×28mm NATO
Brasil Imbel Fuzil de assalto MD97 5.56×45mm NATO
Alemanha Heckler & Koch Metralhadora de mão MP5 9×19mm NATO
Alemanha Heckler & Koch Fuzil de assalto G3 7.62 × 51 mm NATO
Alemanha Heckler & Koch Metralhadora ligeira HK21 7.62 × 51 mm NATO
Brasil Taurus Pistola semi-automática PT92 9×19mm NATO
Brasil Imbel Pistola 9 M973 9×19mm NATO
Estados Unidos ArmaLite Fuzil de assalto AR-10 A4 7.62 × 51 mm NATO
Estados Unidos Carabina M1 Calibre .30

Além disso, o BOPE também conta com 30 armas de eletrochoque X2 produzidos pela marca Taser International para serem usados em resgate de reféns. O X2 é característico e eficiente por registrar todas as informações de uso, a possibilidade de acoplar câmeras no armamento para a filmagem das operações e trazer a possibilidade de dois disparos.[18] [19]

Canção do BOPE[editar | editar código-fonte]

Letra: Major PM Paulo Cesar Amêndola de Souza


Lealdade, destemor, integridade
Serão os primeiros lemas
Desta equipe sempre pronta a combater
Toda a criminalidade
A qualquer hora, a qualquer preço
Idealismo como marca de vitória.
Com extrema energia, combatemos todos
Os nossos inimigos
Criminosos declarados em igualdade
Derrotamos os omissos
Guerra sem trégua heróis anônimos
Operações especiais.
E o batalhão coeso e unido
Não recua ante a adversidade
Com ousadia enfrentamos realidade
Vitória sobre a morte é a nossa glória prometida. URRÁ!

Uniformes[editar | editar código-fonte]

Em 22 de junho de 2016, o BOPE estreou sua nova farda verde camuflada que passaria a ser seu uniforme principal. Estudos da Polícia Militar em 2009 pelo então major Fábio Souza demonstraram que, na prática, a cor acaba expondo seus integrantes na maioria dos terrenos e dificulta a camuflagem. Além disso, o preto acumula mais calor e provoca desidratação dos soldados em operações mais longas, sob o sol carioca. O novo uniforme é feito de um tecido moderno, resistente, mais leve e fresco que o antigo, além de permitir melhor circulação de ar e apresentar resistência maior às chamas.[20] O primeiro estoque com 930 fardas é semelhante ao usado pelos fuzileiros navais dos Estados Unidos, e custou R$ 283.600 (R$ 305 por conjunto). A mudança também é provocada pela intensificação da presença de criminosos em áreas de matas ao redor das favelas.[21] [22]

Treinamento[editar | editar código-fonte]

Para ingressar no BOPE, o candidato deve ser policial militar da PMERJ há pelo menos dois anos, possuir excelente condicionamento físico, assim como ser aprovado nas avaliações física, médica e psicológica. São oferecidas duas modalidades de curso, para as duas atribuições da unidade:

  • Curso de Operações Especiais (COEsp), com duração de três meses, visando preparar o policial para intervenções em áreas de conflito e ao resgate de reféns. Quem passa nesse curso é conhecido como "Caveira".
  • Curso de Ações Táticas (CAT), com duração de cinco semanas e mais de 340 horas de instrução, que é uma síntese do curso de operações especiais. Quem passa nesse curso é conhecido como "Raio".

COEsp[editar | editar código-fonte]

No COEsp, o treinamento pode incluir sessões de afogamento e choques elétricos, noites inteiras de imersão na água gelada de um rio e o golpe conhecido como "telefone", que por duas vezes já causou penetração nos tímpanos. Nele, o soldado ganha experiência em operações de alto risco em favelas, selvas ou em regiões montanhosas. O aluno dorme e alimenta-se muito pouco e é submetido a situações extenuantes, aprendendo a controlar melhor sua agressividade. Misturam-se instruções de atirador de elite, emboscada, defesa pessoal, conduta de patrulha, montanhismo, sobrevivência no mar, primeiros socorros, armamento, situações com reféns e diversas outras situações de risco. Apenas 20% dos que entram nesse curso vão até o fim.

Cada aspirante ao BOPE dá uma média de 2500 tiros no curso preparatório, aprende-se a usar 12 tipos diferentes de armas e seus atiradores de elite são capazes de acertar uma moeda de 5 centavos a uma distância de 100 metros.[9]

CAT[editar | editar código-fonte]

Através de instruções de alto padrão, o CAT busca colocar na vanguarda tecnológica e operacional policiais militares que irão atuar nas mais difíceis e arriscadas missões no campo de segurança pública. O curso é considerado o mais completo e difícil entre cursos de ações táticas em todo território nacional. Desde 1996, o ano de sua fundação, até 2015, o BOPE já formou 696 "raios" (designação aos que completam esse curso).[23]

Preparo[editar | editar código-fonte]

O policial do BOPE tem uma carga diária de mais de três horas de preparo físico, além de fazer treinamentos específicos de três dias (como ações na montanha ou em helicópteros) uma vez por mês.[24]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

O BOPE gerou notoriedade graças ao seu papel na violenta guerra contra o narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro e têm sido referidos internacionalmente como "Dead Squad" por muitos jornais.[25] [26] [27] Um aspecto que fora notado é o seu símbolo, que carrega uma faca em um crânio sobre garruchas cruzadas.[26] De acordo com o site do BOPE, a faca no crânio simboliza a "vitória sobre a morte" e as pistolas são o símbolo da Polícia Militar.[28]

Amnesty International declarou que "as forças policiais brasileiras adotam métodos violentos e repreensivos. Isso causa violações dos direitos fundamentais de grande parte da população em uma base regular",[29] e atribui um certo número de civis assassinados ao BOPE em particular. Em Março de 2006, Amnesty International especificamente condenou a utilização de vans blindadas, como o Caveirão. Ele afirmou que implantar agressivamente e indiscriminadamente o veículo visando comunidades inteiras destacou a ineficácia do uso excessivo da força.[30]

Desvios de conduta[editar | editar código-fonte]

Um relatório de 2005 sobre execuções sumárias pela Universidade de Direito de Nova York indicou que o BOPE estava envolvido na morte de quatro adolescentes sob o pretexto de que eles eram traficantes de drogas que haviam resistido à prisão: "oficiais do BOPE falsificaram a cena do crime, a fim de incriminar as vítimas. Esperando que essa maneira faça-lhes parecer ser membros de gangues. Nenhuma arma foi encontrada em nenhuma das vítimas. Nenhum deles tinha qualquer histórico prévio de atividade criminal".[31] Entre agosto e dezembro de 2012, o terceiro-sargento Arlen Santos da Silva, de 43 anos, forneceu instruções de uso de armas, fardas e acessórios (colete e coturno) do BOPE a membros da quadrilha do Terceiro Comando Puro do Complexo da Maré, em troca de propina. Além disso, ele dava orientações ao bando pra escapar de flagrantes, deixando armamentos pra trás.[32] Em 6 de dezembro de 2014, um sargento em atividade há pelo menos 14 anos antes do ocorrido foi acusado de desacatar militares da UPP da Vila Cruzeiro por um membro não ter trocado o pneu de seu carro.[33] Em julho de 2015, foi relatado que os Majores Marcelo de Castro Corbage e João Rodrigo Cezar Teixeira Sampaio, o Capitão Renato Roberto L. Soares Junior, o Cabo Álvaro Luiz do C. Ferreira e os Soldados Flavio da Silva Alves e Fabio Vidal Pedro teriam apreendido R$ 1,8 milhão de traficantes em uma operação no Morro da Covanca.[34] Em 30 de dezembro de 2015, uma mulher de 28 anos da Favela da Rocinha reportou que, ao voltar de uma festa, encontrou quatro policiais e um cadáver, foi pedida que entrasse no Beco do Seu Miro e, então, agarrada pelo cabelo por dois PMs do BOPE e estuprada.[35]

Operação Black Evil[editar | editar código-fonte]

Na manhã do dia 11 de dezembro de 2015, quatro policiais do BOPE foram presos suspeitos de receber propina de traficantes. Na casa de um quinto policial, Rodrigo Meleipe Vermelho Reis, preso três dias depois de deflagrada a operação, foram encontrados R$ 70 mil em dinheiro.[36] Ele estava fora do país. Os suspeitos, além de Rodrigo, eram Maicon Ricardo Alves da Costa, André Silva de Oliveira, Raphael Canthé dos Santos e Silvestre André da Silva Felizardo. Felizardo havia saído do BOPE em dezembro de 2014, mas arregimentou policiais para participar do esquema criminoso.[37]

Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais investigados, que atuaram entre agosto e dezembro daquele ano, recebiam propina semanal de uma facção criminosa, o Comando Vermelho, em troca de informações realizadas pelo BOPE nas comunidades Faz quem Quer, Covanca, Jordão, Barão, Antares, Vila Ideal, Lixão, Conjunto de Favelas do Lins e Conjunto de Favelas do Chapadão. O grupo ainda negociava com traficantes armas apreendidas em outras ações para uso da quadrilha e até fardas da tropa.

A investigação começou depois que, em uma operação no morro do Faz-quem-Quer, num sábado à noite, os policiais encontraram a favela vazia. Eles diziam bom dia, boa noite e pediam desculpas se algo desse errado no vazamento de informações.[38]

A gente estava desenvolvendo algumas operações que a gente percebia que não tinham qualquer tipo de resultado. Aí chegava na comunidade e simplesmente era notório que tinha sido avisado, né. A gente não observava qualquer tipo de movimentação, nem daqueles que são responsáveis eventualmente por avisar via rádio ou soltar fogos. Enfim, não havia qualquer tipo de sinalização de presença de marginais. Então, a partir daí, a gente começou a perceber que alguma coisa estava errada e que a gente precisava buscar o que estava acontecendo para que a gente encontrasse aquele quadro antagônico ao que era esperado.
 
Tenente-coronel Carlos Eduardo Sarmento, comandante do BOPE, sobre a investigação.

A propina variava entre R$ 2 mil e R$ 10 mil por comunidade. Segundo o MP, cada policial fazia parte de um grupo diferente, dos quatro do BOPE.

A operação, batizada "Black Evil", foi feita pela PM do Rio de Janeiro por meio do comando do BOPE, da Corregedoria Interna e da Coordenadoria de Inteligência, com o apoio da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (SSINTE) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público.

Como medidas, o BOPE transferiu 60 policiais para outros batalhões. Os transferidos, que não têm relação com o escândalo investigado pelo Ministério Público, vai atuar em batalhões com carência de efetivos e mais próximos de suas residências.[38]

Hoje, a gente chega ao fim dessa operação. Satisfeito. Não feliz, porque o Bope é um farol dentro da PM, e esses homens que foram presos estavam desonrando essa memória. E quem estiver cometendo esse tipo de crime será levado à justiça.
 
Declaração de Carlos Sarmento após a prisão dos envolvidos..

Filme[editar | editar código-fonte]

O filme "Tropa de Elite", do cineasta José Padilha, baseado no livro Elite da Tropa de autoria dos ex-integrantes do BOPE André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares, inspirado nas ações do BOPE, estreou nos cinemas brasileiros em 12 de outubro de 2007. Sua continuação, Tropa de Elite 2: o Inimigo agora É Outro, estreou em em 8 de outubro de 2010.

Referências

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  3. a b «Osso duro de roer: veja imagens dos 35 anos do Bope, a elite da PM do Rio - Fotos - UOL Notícias». UOL Notícias. Consultado em 2016-02-17. 
  4. «Ex-capitão: 'Atirador do Bope ficou em depressão durante anos'». Rio de Janeiro. Consultado em 2016-02-17. 
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  38. a b «Após escândalo no Bope, PM do RJ anuncia mudanças na tropa de elite». Rio de Janeiro. Consultado em 2016-02-21. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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