Fuzil de assalto

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Dois militares americanos com seus fuzis M-16.
Dois calibres usados em fuzis de assalto - o 7.62×51mm NATO e o 5.56×45mm NATO, comparados com uma pilha AA.

Um fuzil de assalto como conhecido no Brasil, ou espingarda de assalto como conhecido em Portugal, é qualquer rifle de fogo seletivo que utilize um calibre médio e um carregador descartável.[1] O primeiro uso destas armas se deu na Segunda Guerra Mundial.[2][3][4] Lentamente ao longo do século XX, se tornou a arma de escolha para a maioria dos exércitos ao redor do mundo, substituindo as submetralhadoras e outras armas.[4] Exemplos de armas classificadas como fuzis de assalto incluem a StG 44, a AK-47 e a M16.[4]

O termo "fuzil de assalto" é geralmente atribuído a Adolf Hitler, que, por motivos de propaganda, utilizou a palavra alemã "Sturmgewehr" (que se traduz como "fuzil de assalto", ou mais literalmente "fuzil de tempestade"), como o nome para a nova arma alemã MP43, subsequentemente conhecida como Sturmgewehr 44 ou StG 44.[2][4][5][6] O grau de envolvimento de Hitler na escolha do nome é, todavia, disputado.[7] Atualmente, o termo "fuzil de assalto" é utilizado para designar armas com características semelhantes à StG 44.[2][4]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Um soldado demonstrando uma variante da StG44, em outubro de 1943. O fuzil está equipado com uma visão telescópica ZF 4.

Nascido nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, o fuzil de assalto passou por uma grande evolução a partir de 1970, ao adaptar-se aos mais diversos usos na guerra moderna. Ele surgiu quando estrategistas e engenheiros militares alemães perceberam que — diferentemente da Primeira Guerra Mundial, que foi travada com exércitos inteiros em linhas estáticas, ou seja, combates em trincheiras e com disparos a longas distâncias — a Segunda Guerra não permitia o estacionamento de tropas devido à grande mobilidade dos veículos blindados apoiados pela artilharia e infantaria.

Em fins de 1944, os alemães apareceram nos campos de batalha com uma nova e revolucionária arma: o casamento entre o poder e a precisão do fuzil com o fogo automático da metralhadora, o Sturmgewehr 44 (Fuzil de Assalto, nome usado até hoje), o termo foi cunhado por Adolf Hitler.[8]

Os fuzis de assalto representam um salto enorme no campo bélico, e até hoje são a principal arma de todos os exércitos do mundo. Ele surgiu em circunstâncias nas quais o infante combatia a curtas distâncias, sendo que muitas vezes o embate ocorria em áreas urbanas, ou seja, em um campo de batalha que não havia sido explorado até o momento ou tido a devida atenção; diferentemente do combate em campo aberto, não havia o apoio instantâneo do fogo das metralhadoras, as quais necessitavam ser montadas. Além disso, o encontro com o inimigo era inesperado. Esse panorama fez com que armas fossem modificadas para se adaptarem a essa nova realidade, e as metralhadoras exemplificam tal mudança: receberam bipés e coronhas, ficando os tripés e outros reparos para outras situações; também nesse novo cenário de guerra as submetralhadoras tornaram-se uma das melhores armas a serem empregadas devido ao seu poder de fogo, grande capacidade de munição e portabilidade, tendo como destaques a alemã MP-40, americana Thompson e a inglesa Sten; também se destacaram armas como a Carabina M1 e os fuzis BAR e M1 Garand que possuíam um maior poder de fogo e velocidade de tiro quando comparadas com os fuzis de repetição.

Contudo essas armas ainda não eram consideradas ideais: os fuzis eram grandes e pesados e seu uso nas áreas urbanas e de selva era difícil, enquanto que as submetralhadoras tinham uma boa portabilidade, mas calçavam um tipo de munição que não possuía um poder de parada apropriado, nem eram adequadas para combates a médias distâncias. Foi justamente para suprir as qualidades dessas armas que nasceu o fuzil de assalto, inicialmente o FG-42 (FG de Fallschirmjägergewehr - Fuzil para pára-quedistas) o qual tinha uma boa portabilidade, porém o calibre 7,92x57mm tornava o tiro automático preciso quase impraticável. Ele foi seguido pelos MP-43 e MP-44 (MP de MachinenPistole – Submetralhadora) tendo finalmente surgido o Stg. 44 (“Stg.” de SturmGewehr – Fuzil de Assalto), o qual é considerado de fato o primeiro fuzil de assalto, pois tinha como características a portabilidade, a grande capacidade de munição, o funcionamento automático e semi-automático e um calibre intermediário, o 7,92x33mm.

Em 1947, com a invenção do fuzil russo Avtomat Kalashnikov AK-47, o fuzil de assalto mais famoso do mundo e uma das armas portáteis mais bem sucedidas entre as já produzidas,[9] é usado até hoje graças ao seu baixo preço e sua devastadora performance. Os EUA, para não ficarem em desvantagem em relação à União Soviética, criaram então seus próprios fuzis de assalto. O primeiro deles foi o Colt AR-10. A este, seguiu-se o revolucionário Colt AR-15, a primeira arma a substituir o ferro e a madeira por alumínio e plástico.

Seguiram-se outros tipos de fuzis de assalto, como o estadunidense M16, o russo AKS-74U, o alemão HK G3, o austríaco Steyr AUG, o israelense IMI Galil e o brasileiro Imbel MD-2. Alguns fuzis se especializaram, como fuzil de precisão Barret M82, e o fuzil-metralhador francês FAMAS 5,56 mm.

Alguns modelos[editar | editar código-fonte]

Um militar britânico armado com um fuzil SA80.
Um soldado dos Estados Unidos com seu fuzil de assalto M16A2 (a gás).
Soldados americanos testando fuzis G36 durante um exercício de treinamento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. *«"Assault rifle." Encyclopædia Britannica. 2010. Encyclopædia Britannica Online. 3 July 2010». Britannica.com. Consultado em 26 de agosto de 2012. 
    • C. Taylor The Fighting Rifle: A Complete Study of the Rifle in Combat, ISBN 0-87947-308-8
    • F.A. Moyer Special Forces Foreign Weapons Handbook, ISBN 0-87364-009-8
    • R.J. Scroggie, F.A. Moyer Special Forces Combat Firing Techniques, ISBN 0-87364-010-1
    • Musgave, Daniel D., and Thomas B. Nelson, The World's Assault Rifles, vol. II, The Goetz Company, Washington, D.C. (1967): 1
  2. a b c Firearms: The Life Story of a Technology. by Roger Pauly. Greenwood Publishing Group. 2004. page 145 & 146
  3. Jane's Guns Recognition Guide, Ian Hogg & Terry Gander, HarperCollins Publisher, 2005, p.287 Sturmgewehr 44 "This is the father of all assault rifles, developed in Germany in 1941–42 an using a new short cartridge. Originally known as the MP 43 (Machine Pistol) for Nazi political reasons, it was renamed the "Sturmgewehr 44" after its successful introduction into battle on the Eastern Front. It introduced the concept of using a short cartridge with limited range in order to permit controllable automatic fire and a compact weapon, and because experience showed that most rifle fire was conducted at ranges under 400 meters. After the war it was examined and dissected by almost every major gunmaking nation and led, in one way and another, to the present-day 5.56mm assault rifles."
  4. a b c d e https://www.theatlantic.com/technology/archive/2016/06/a-brief-history-of-the-assault-rifle/489428/ The Atlantic. A Brief History of the Assault Rifle. The gun’s name may have been coined by Adolf Hitler. by MICHAEL SHURKIN. JUN 30, 2016
  5. «Machine Carbine Promoted: MP43 Is Now Assault Rifle StG44, WWII Tactical and Technical Trends, No. 57, April 1945». Lone Sentry. 10 de maio de 2007. Consultado em 23 de agosto de 2012. 
  6. * Musgave, Daniel D., and Thomas B. Nelson, The World's Assault Rifles, vol. II, The Goetz Company, Washington, D.C. (1967)
    • Myatt, Major Frederic, Modern Small Arms, Crescent Books, New York (1978): 169
    • Hogg, Ivan, and John Weeks, Military Small Arms of the 20th Century, third ed., Hippocrene Books, New York (1977): 159
    • Chris Bishop, The Encyclopedia of Weapons of World War II, Sterling Publishing Company, Inc., 2002, p. 218<
    • Military Small Arms of the 20th Century, 7th Edition, Ian V. Hogg, page 243
  7. Rottman, Gordon. The AK-47: Kalashnikov-series assault rifles. [S.l.]: Osprey Publishing. p. 9. ISBN 978-1-84908-835-0 
  8. "Machine Carbine Promoted," Tactical and Technical Trends, No. 57, April 1945.
  9. De acordo com o sítio: www.militarypower.com.br - Military Power Review