Bahadur I

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Xá Bahadur I
7.º Imperador Mogol
Período 19 de junho de 1707 –
27 de fevereiro de 1712
Coroação 19 de junho de 1707 em Deli
Antecessor(a) Alamgir
Sucessor(a) Xá Jahandar
 
Consortes Nur-un-Nissa Begum
Mihr-un-Nissa Begum
Amat-ul-Habib Begum
Begum Nizam Bai
Begum Amrita Bai
Descendência Oito filhos e uma filha, incluindo:
Casa Mogol
Nome completo
Abul-nasr Sayyid Qutb-ud-din Muhammad Xá Alam Bahadur Xá Badshah
Nascimento 14 de outubro de 1643
  Burhanpur, Império Mogol
Morte 27 de fevereiro de 1712 (68 anos)
  Lahore, Império Mogol
Enterro Moti Masjid, Deli
  15 de maio de 1712
Pai Aurangzeb
Mãe Begum Nawab Bai
Religião Sunismo

Bahadur (em urdu: بہادر شاه اولBahādur Shāh Awwal) (Burhanpur, 14 de outubro de 1643 – Lahore, 27 de fevereiro de 1712), o sétimo imperador mogol da Índia, governou de 1707 até sua morte em 1712. Nascido Mu'azzam, era o terceiro filho de Aurangzeb com sua esposa rajput muçulmana Nawab Bai e neto do xá Jahan. Em sua juventude, conspirou inúmeras vezes para derrubar seu pai e ascender ao trono. Seus planos foram todos interceptados pelo imperador, que o mandou prender várias vezes. De 1696 até 1707, Bahadur foi governador de Akbarabad (mais tarde conhecida como Agra), Cabul e Lahore.

Após a morte de Aurangzeb, o irmão de Bahadur, o xá Muhammad Azam, declarou-se sucessor mas, foi derrotado por este na Batalha de Jajau. Durante o seu governo, Bahadur conseguiu, sem derramamento de sangue, anexar os estados rajputs de Jodhpur e Amber e causou polêmica na khutba ao inserir a declaração de Ali como uale. Uma rebelião liderada pelo líder sique Banda Singh Bahadur, iniciada durante o governo do xá, continuou até depois de sua morte. O xá Bahadur foi enterrado na Moti Masjid (Mesquita Pérola), no interior do complexo do Forte Vermelho em Deli.

Juventude[editar | editar código-fonte]

O príncipe Mu'azzam em sua juventude.

Mu'azzam nasceu em 14 de outubro de 1643 em Burhanpur, filho do sexto imperador mogol, Aurangzeb, e de sua esposa Begum Nawab Bai.[1] Em 1663, quando tinha vinte anos de idade, foi nomeado governador da província do Decão.[2] Mu'azzam viu o surgimento de Shivaji, que conquistou a atual Bombaim e seus arredores do Império Mogol. Naquele ano, ele atacou Pune, onde foi derrotado e ficou preso por oito anos.[3]

Em 1670, Mu'azzam organizou uma insurreição para derrubar Aurangzeb e proclamar-se imperador mogol. Porém, Aurangzeb ficou sabendo de seus planos e enviou Begum Nawab Bai para dissuadi-lo. Nawab Bai trouxe Mu'azzam de volta para a corte mogol, onde permaneceu os sete anos seguintes sob a supervisão de Aurangzeb. Em 1680, Mu'azzam se revoltou novamente, sob o pretexto de que era contrário ao tratamento que Aurangzeb dispensava aos chefes rajputs. Aurangzeb mais uma vez adotou sua política anterior de dissuadir Mu'azzam e aumentou a vigilância sobre ele.[4]

Pelos sete anos seguintes, de 1681 até 1687, Mu'azzam era um "filho obediente a contragosto". Em 1681 ele recebeu ordens para esmagar uma revolta contra Aurangzeb iniciada por seu irmão, o sultão Muhammad Akbar, no Decão. Segundo o historiador Munis Faruqui, Mu'azzam deliberadamente fracassou em sua missão. Em 1683 ele recebeu ordens para invadir a costa do Concão e evitar que Akbar o fizesse, mas novamente a sua missão "tímida" não conseguiu atingir a meta atribuída.[4]

Em 1687 Aurangzeb ordenou que Mu'azzam marchasse contra o sultanato de Golconda, e espiões do imperador interceptaram mensagens entre Mu'azzam e governante do sultanato, Abul Hasan.[5] Depois de ficar sabendo das intenções do filho, Aurangzeb o acusou de traição e o mandou prender; seu harém foi transferido para longe de Deli,[6] e também acusado de traição.[7] Os servos leais a Mu'azzam foram enviados por seu pai para o serviço imperial, e os servos restantes foram dispensados.[6] Aurangzeb proibiu Mu'azzam de cortar as unhas e o cabelo por seis meses, de receber "boa comida e água fresca" e de encontrar-se com pessoas sem a permissão do governante.[8]

Por volta de 1694, Aurangzeb reabilitou Mu'azzam e permitiu-lhe "reconstruir a sua casa", com a recontratação de alguns de seus servos que haviam sido dispensados.[9] Aurangzeb continuou a espionar seu filho, colocou homens de sua confiança dentro da casa de Mu'azzam, enviou informantes para seu harém e escolheu seus representantes na corte imperial.[6] Mu'azzam e seus filhos foram transferidos do Decão para o norte da Índia, e foram proibidos de comandarem expedições militares na região enquanto durasse o governo de Aurangzeb.[8]

Em 1695, Aurangzeb enviou Mu'azzam para a região de Panjabe a fim de lutar contra os chefes locais e subjugar uma rebelião liderada pelo sique Guru Gobind Singh. Apesar de Mu'azzam concordar que os chefes impunham uma "tributação pesada" sobre os rajás, achou que era necessário deixar os siques imperturbáveis em sua cidade fortificada de Anandpur e se recusou a travar uma guerra contra eles devido a seu "respeito genuíno" por sua religião.[10]

Naquele ano Mu'azzam foi nomeado governador de Akbarabad, e em 1696 foi transferido para Lahore. Após a morte de Amin Khan (governador de Cabul), ele assumiu esse cargo em 1699, mantendo-o até a morte de seu pai em 1707.[11]

Governo[editar | editar código-fonte]

Guerra de sucessão[editar | editar código-fonte]

Sem nomear um príncipe herdeiro, Aurangzeb morreu em 1707, quando Mu'azzam era governador de Cabul e seus meios-irmãos (Muhammad Bakhsh Kam e Muhammad Azam) eram os governantes do Decão e Gujarate, respectivamente. Todos os três filhos queriam herdar o império, e Kam Bakhsh começou a cunhagem de moedas em seu nome. Azam preparou-se para marchar até Agra e se declarar sucessor,[12] mas foi derrotado por Mu'azzam na Batalha de Jajau em junho de 1707. Azam e seu filho, Ali Tabar, foram mortos na batalha.[13] Mu'azzam subiu ao trono mogol quando tinha sessenta e três anos de idade, em 19 de junho de 1707, com o título de xá Bahadur I.[14]

Anexações[editar | editar código-fonte]

Amber[editar | editar código-fonte]

Em sua marcha para Amber, Bahadur visitou o túmulo de Salim Chishti em Fatehpur Sikri.

Jaswant Singh era o líder da Rathore em Jodhpur durante o governo de Aurangzeb. Durante uma guerra de sucessão, Singh tomou o partido do irmão mais velho de Aurangzeb, Dara Shikoh, que foi morto por Aurangzeb. Singh foi perdoado, tornou-se governante titular da região e foi nomeado governador da província de Cabul antes de sua morte em 18 de dezembro de 1678. Após sua morte, Aurangzeb ordenou que as viúvas de Singh e seu filho fossem levados para Deli para tentar "obter as propriedades" do filho "pela força". Durgadas Rathore travou uma guerra mal sucedida para evitar isso, e as viúvas e o jovem Ajit Singh fugiram de Jodhpur.[15] Após a morte de Aurangzeb, Singh marchou para Jodhpur e libertou-a do governo mogol.[16]

Depois de subir ao trono, Bahadur fez da retomada de Jodhpur e de outras cidades perdidas da Rajputana o seu objetivo principal. Em outubro de 1707 o governante de Udaipur, Amar Singh II, enviou seu irmão, Bakht Singh, para Agra com oferendas de cem moedas de ouro, dois cavalos e um elefante.[16] Em 10 de novembro, Bahadur começou sua marcha para Amber, visitando o túmulo de Salim Chishti em Fatehpur Sikri em 21 de novembro. Nesse meio tempo, Mirabe Cã recebeu ordens para tomar posse de Jodhpur.[17]

Bahadur chegou em Amber em 20 de janeiro de 1708. Seu trono era disputado por dois irmãos: Jai Singh e Bijai Singh. Bahadur declarou que devido à disputa, a região se tornaria parte do império mogol e da cidade renomeada Islamabad. Os bens e propriedades de Jai Singh foram confiscados;[17] Bijai Singh foi nomeado seu governador em 30 de abril de 1708; Bahadur deu-lhe o título de Mirza Rajá, e ele recebeu presentes no valor de cem mil rúpias. Amber passou para o domínio mogol sem uma guerra.[18]

Jodhpur[editar | editar código-fonte]

Em Amber, Bahadur anunciou sua intenção de marchar para Jodhpur quando Mirabe Cã derrotou Ajit Singh em Mairtha, e chegou à cidade em 21 de fevereiro de 1708. Os filhos do vizir Asad Khan — Khan Zaman, Budh Singh e Hejebat Khan — foram enviados para trazer Singh para a cidade para uma conversa com Bahadur, onde Singh recebeu "vestes especiais de honra" e um cachecol ornamentado.[19] Bahadur chegou a Jodhpur em 24 de março, e visitou o xarife Dargah.[20] Em 23 de abril, o xarife Dargah foi nomeado governador da província, com o título de Marajá, e recebeu três mil cavalos. Assim como em Amber, Jodhpur passou para o controle mogol sem derramamento de sangue.[19]

Em Jodhpur, Bahadur ouviu que Amar Singh II tinha fugido de Udaipur para as montanhas. De acordo com a crônica Bahadur Shah Nama, por causa disso, Bahadur chamou Amar Singh de incrédulo. Bahadur travou uma guerra contra o rei até que a insurgência de seu irmão Muhammad Bakhsh Kam desviasse a sua atenção para o sul.[20]

Insurreição de Kam Bakhsh[editar | editar código-fonte]

Rivalidade na corte[editar | editar código-fonte]

Kam Bakhsh estabeleceu seu governo em Bijapur.

O meio-irmão de Bahadur, Muhammad Bakhsh Kam, marchou em direção a Bijapur em março de 1707 com seus soldados. Quando a notícia da morte de Aurangzeb se espalhou pela cidade, o rei Sayyid Niyaz Khan entregou sua fortaleza para ele sem luta. Depois de subir ao trono, Kam Bakhsh nomeou Ahsan Khan bakshi (chefe geral), Taqarrub Khan, ministro-chefe[21] e deu a si mesmo o título de Padshah Kam Bakhsh-i-Dinpanah (Imperador Kam Bakhsh, Protetor da Fé). Em seguida, conquistou Kulbarga e Wakinkhera.[22]

A rivalidade se estabeleceu entre Taqarrub Khan e Ahsan Khan. Ahsan Khan criou um mercado em Bijapur, onde, sem a permissão de Kam Bakhsh, não cobrava taxas das lojas. Taqarrub Khan relatou o fato para Kam Bakhsh, que ordenou que a prática fosse encerrada.[22] Em maio de 1707, Kam Bakhsh enviou Ahsan Khan para conquistar os estados de Golkonda e Hyderabad. Embora o rei de Golconda tenha se recusado a se render, o governante de Hyderabad, Rustam Dil Khan, o fez.[23]

Taqarrub Khan conspirou com Sayyid Ahmed para eliminar Ahsan Khan, alegando que as reuniões de Ahsan Khan, Saif Khan (professor de arco e flecha de Kam Bakhsh), Arsan Khan, Ahmad Khan, Nasir Khan e Rustam Dil Khan para discutir negócios públicos era na verdade uma conspiração para assassinar Kam Bakhsh "quando este estivesse a caminho da grande mesquita para orar na sexta-feira".[24] Kam Bakhsh convidou Rustam Dil Khan para jantar; preso enquanto se dirigia para o encontro, Rustam Dil Khan foi morto, esmagado sob os pés de um elefante. As mãos de Saif Khan foram amputadas, e língua de Arshad Khan foi cortada.[25] Ahsan Khan ignorou os avisos dados por amigos próximos de que Kam Bakhsh iria prendê-lo, e ele foi preso e suas propriedades confiscadas.[25] Em abril de 1708, o enviado de Bahadur, Maktabar Khan, chegou à corte de Kam Bakhsh. Quando Taqarrub Khan contou a Kam Bakhsh que Maktabar Khan pretendia destroná-lo,[26] Kam Bakhsh convidou o enviado e sua comitiva para uma festa e os executou.[13]

A marcha de Bahadur para o sul da Índia[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1708, Bahadur escreveu uma carta para Kam Bakhsh na qual ele esperava ser esta "um aviso" contra ele proclamar-se um soberano independente e iniciou uma jornada para o Túmulo de Aurangzeb para prestar seus respeitos a seu pai.[13] Kam Bakhsh agradeceu-lhe em uma carta, "sem dar qualquer explicação ou justificativa [para suas ações]".[27]

Quando Bahadur chegou em Hyderabad em 28 de junho de 1708, ele ficou sabendo que Kam Bakhsh atacou Machhlibandar para roubar mais de três milhões de rúpias de um tesouro escondido em sua fortaleza. O subahdar da província, Jan Sipar Khan, se recusou a entregar o dinheiro.[27] Enfurecido, Kam Bakhsh confiscou suas propriedades e ordenou o recrutamento de quatro mil soldados para o ataque.[28] Em julho, a guarnição no forte de Kulbarga declarou sua independência e o comandante da guarnição, Daler Khan Bijapuri, "reportou que não recebia mais ordens de Kam Bakhsh". Em 5 de novembro de 1708 a comitiva de Bahadur chegou a Bidar, 108 quilômetros ao norte de Hyderabad. O historiador William Irvine escreveu que quanto mais o grupo de Bahadur se aproximava, "as deserções no exército de Kam Bakhsh tornaram-se mais e mais frequentes".[28]

Quando o general de Kam Bakhsh lhe disse que a falta de pagamento de seus soldados era o motivo das deserções, ele respondeu: "Que necessidade tenho eu de pagá-los? Minha confiança está em Deus, e tudo o que for de bom acontecerá".[29]

Achando que Kam Bakhsh pudesse fugir para a Pérsia, Bahadur ordenou que o primeiro-ministro mogol Zulfiqar Khan Nusrat Jung fizesse um acordo com o governador da Presidência de Madras, Thomas Pitt, de pagar-lhe duzentas mil rúpias pela captura de Kam Bakhsh. Em 20 de dezembro, foi relatado que Kam Bakhsh possuía uma cavalaria de 2500 homens e uma infantaria de 5000.[29]

Morte de Kam Bakhsh[editar | editar código-fonte]

Em 20 de dezembro de 1708 Kam Bakhsh marchou em direção a Talab-i-Mir Jumla, nos arredores de Hyderabad, com "trezentos camelos, [e] vinte mil foguetes" para a guerra contra Bahadur. Bahadur fez de seu filho Jahandar o comandante da guarda avançada, mais tarde, substituindo-o por Khan Zaman. Em 12 de janeiro 1709, Bahadur chegou a Hyderabad e posicionou suas tropas. Embora Kam Bakhsh tivesse deixado pouco dinheiro e alguns soldados, o astrólogo real havia previsto que ele iria "milagrosamente" ganhar a batalha.[30]

Ao nascer do sol no dia seguinte, o exército de Bahadur seguiu em direção a Kam Bakhsh. Seus 15.000 soldados estavam divididos em dois corpos: um liderado por Mumin Khan, assistido por Rafi-ush-Shan e Jahan Shah, e o segundo sob o comando de Zulfiqar Khan Nusrat Jung. Duas horas mais tarde o acampamento de Kam Bakhsh foi cercado, e Khan impacientemente o atacou com sua "pequena força".[31]

Com seus soldados em menor número e incapaz de resistir ao ataque, Kam Bakhsh se juntou à batalha e disparou duas aljavas de flechas contra seus oponentes. Ainda de acordo com Irvine, quando ele estava "enfraquecido pela perda de sangue", Bahadur levou ele e seu filho Bariqullah prisioneiros. Surgiu uma disputa entre Mumin Khan e Zulfikar Khan Nusrat Jung sobre quem os teria capturado, com Rafi-us-Shan decidindo em favor deste último.[32] Kam Bakhsh foi trazido em um palanquim para o acampamento de Bahadur, onde morreu na manhã seguinte.[33]

Rebelião sique[editar | editar código-fonte]

O imperador Bahadur em uma expedição contra os siques.

Diferentemente de governantes mogóis anteriores que dividiram o poder entre mogóis e chefes rajputs, durante o reinado de Bahadur todo o poder residia nele.[34] A khalsa sique, sob a liderança de Banda Singh Bahadur, e seu exército derrotou os mogóis nas batalhas de Samana, Sirhind e Rahon. Tomaram as cidades de Samana, Sirhind, Malerkotla, Saharanpur, Rahon, Behat, Ambheta, Ropar e Jalandar de 1709 a 1712. Com um exército de oitenta mil soldados, Bahadur também sitiou a cidade de Jalalabad no atual Afeganistão.[35]

Esforços para a supressão[editar | editar código-fonte]

Bahadur assinou tratados de paz com Ajit Singh de Jodhpur e Man Singh de Amber, que anteriormente haviam lutado contra Banda Singh. Ordenou também que o nababo de Awadh, Asaf-ud-Daula, o governador provincial, Khan-i-Durrani, o faujdar de Moradabad, Muhammad Amin Khan Chin, o subahdar de Deli, Asad Khan e o faujdar de Jammu, Wazid Khan, o acompanhassem nas batalhas. Bahadur deixou Ajmer em direção ao Panjabe em 17 de junho de 1710, mobilizando pelo caminho grupos que se opunham a Banda Singh.[36] Quando soube dos planos de Bahadur, Banda Singh sem sucesso apelou para Ajit Singh e Man Singh pedindo ajuda.[36] Nesse meio tempo, Bahadur havia reocupado Sonipat, Kaithal e Panipat em seu trajeto. Em outubro, seu comandante Feroze Khan escreveu-lhe que tinha "cortado trezentas cabeças de rebeldes"; Khan enviou-as para o imperador, que as exibiu montadas em lanças.[37]

Em 1 de novembro de 1710 Bahadur chegou à cidade de Karnal, onde o cartógrafo mogol Rustam Dil Khan entregou-lhe um mapa de Thanesar e Sirhind. Seis dias depois, um pequeno grupo de siques foi derrotado em Mewati e Banswal.[37] A cidade de Sirhind se rendeu aos mogóis em 7 de dezembro; seu sitiante, o general Mohammad Amin Khan Bahadur, entregou ao imperador Bahadur um porta-chaves de ouro para comemorar a vitória. Depois de não conseguir retomar Sadaura, Bahadur marchou em direção a Lohgarh, onde Banda Singh estava escondido. Em 30 de novembro atacou o forte de Lohgarh, capturando três canhões, fechos de mechas e três trincheiras dos rebeldes. Com pouca munição se retirou, Banda Singh e "algumas centenas de seguidores fugiram" .[38] Seu seguidor, Gulab Singh (que estava "vestido como" Banda Singh, entrou na luta e foi morto.[38] Bahadur emitiu ordens imperiais para os governantes de Kumaon e Srinagar para que se caso Banda Singh tentasse entrar em suas províncias, que ele deveria ser preso e "enviado para o imperador".[39]

Suspeitando que Banda Singh fosse aliado de Bhup Prakash, o rei de Nahan, Bahadur mandou prender Prakash em janeiro de 1711; sua mãe implorou em vão por sua libertação. Depois que ela lhe enviou seguidores de Banda Singh capturados, ele ordenou que "ornamentos no valor de cem mil rúpias fossem confeccionados" para ela, e Prakash foi libertado um mês depois.[39] Shukan Khan Bahadur e Himmet Diler Khan foram enviados para Lahore pondo fim à rebelião de Banda Singh e sua tentativa mal sucedida foi reforçada por uma guarnição de cinco mil soldados. Bahadur pressionou também Rustam Dil Khan e Muhammad Amin Khan para se juntar a eles.[40]

Banda Singh ficou escondido em Alhalab, onze quilômetros de Lahore. Quando os trabalhadores mogóis chegaram para reparar uma ponte da aldeia, seus seguidores os informaram que ele estava se preparando para atacar Deli via Ajmer. Banda Singh recebeu soldados do governante da aldeia, Ram Chand, para a sua marcha contra os mogóis e sitiou Fatehabad em abril de 1711. Depois de ficar sabendo, através do mensageiro de Rustan Jung, que ele cruzou a rio Ravi, Bahadur atacou com a artilharia liderada por Isa Khan.[41] Na batalha de julho, Banda Singh foi derrotado e fugiu para as montanhas de Jammu. As forças lideradas por Isa Khan e Mohammad Amin Khan o seguiram, mas não conseguiram capturá-lo. Bahadur emitiu um édito para os zamindares de Jammu para, se possível, prenderem o sique.[42]

Banda Singh foi atacado por Muhammad Amin Khan no rio Sutlej, e fugiu para as montanhas do Himalaia. Considerando-o "invencível", Bahadur pediu ajuda para Ajit Singh e Jai Singh. Em outubro de 1711, uma força conjunta mogol-rajput marchou em direção a Sadaura. Banda Singh escapou do cerco que se seguiu, desta vez refugiando-se em Kulu na atual Himachal Pradesh.[43] Durante o governo de Bahadur, Banda Singh o atormentou, e a administração mogol em Deli não conseguiu reprimir a rebelião sique.

Polêmica na khutba[editar | editar código-fonte]

Depois de subir ao trono, Bahadur alterou a oração pública (ou khutba) dita ao monarca toda sexta-feira, dando o título uale para Ali — o quarto califa sunita e primeiro xiita. Devido a isso, os cidadãos de Lahore se negaram a recitar a khutba.[44]

Para tentar resolver o problema, Bahadur foi até Lahore em setembro de 1711 e dialogou com Haji Yar Muhammad, Muhammad Murad e "outros homens bem conhecidos". Nessa reunião, ele leu "livros de autoridades" para justificar o uso da palavra uale. Bahadur teve uma discussão acalorada com Yar Muhammad, dizendo que o martírio por um rei era a única coisa que ele queria. Yar Muhammad (apoiado pelo filho do imperador, Azim-ush-Shan) recrutou tropas contra Bahadur, mas nenhuma luta foi travada.[44] Bahadur culpou o khatib (recitador chefe) da mesquita Badshahi como responsável pela polêmica, e mandou prendê-lo. Em 2 de outubro, embora o exército estivesse posicionado na mesquita, a antiga khutba (a que não chamava Ali de "uale") foi lida.[45]

Morte[editar | editar código-fonte]

Moti Masjid, local de sepultamento de Bahadur I.

Segundo o historiador William Irvine, Bahadur se encontrava em Lahore, em janeiro de 1712, quando sua "saúde debilitou". Em 24 de fevereiro, ele fez sua última aparição pública,[46] e morreu durante a noite de 27 para 28 de fevereiro; de acordo com o nobre mogol Kamwar Khan, ele morreu de "aumento do baço". Em 11 de abril, o corpo de Bahadur foi enviado para Deli sob a supervisão de sua viúva Mihr-Parwar e Chin Qilich Khan. Ele foi sepultado em 15 de maio no pátio da Moti Masjid (Mesquita Pérola) em Mehrauli, que ele construiu perto do dargah de Qutbuddin Bakhtiar Kaki.[47]

Moedas[editar | editar código-fonte]

Bahadur emitiu moedas de ouro, prata e cobre, apesar das moedas de seus predecessores também serem usadas para pagar funcionários do governo e no comércio. As moedas de cobre do reinado de Aurangzeb foram re-cunhadas com o seu nome.[48] Ao contrário de outros imperadores mogóis, as moedas de Bahadur não apresentam o seu nome em um dístico; o poeta Danishmand Khan compôs duas linhas para as moedas, mas elas não foram aprovadas.[49]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Nome, títulos e linhagem[editar | editar código-fonte]

O nome completo de Bahadur, incluindo seus títulos, era "Abul-Sayyid Qutb nasr-ud-Din Muhammad Xá Alam Xá Bahadur Badshah". Após sua morte, os historiadores contemporâneos começaram a chamá-lo de "Khuld-Manzil" (Partiu para o Paraíso).[47] Ele foi o único imperador mogol que teve o título Sayyid, usado por descendentes do profeta Maomé. De acordo com William Irvine, seu avô materno foi Sayyid Xá Mir (cuja filha, Begum Nawab Bai, casou com Aurangzeb).[50]

Descendentes[editar | editar código-fonte]

Nome Nascido Morto Filhos
Jahandar 1661 1713 Alamgir II, Izz-ud-din, Azz-ud-din
Azz-ud-din 1664 na infância Nenhum
Azim-ush-Shan 1665 1712 Muhammad Karim, Farrukhsiyar, Humayun Bakht, Ruh-ul-Quds, Ahsan-ullah
Daulat-Afza 1670 1689 Nenhum
Rafi-ush-Shan 1671 1712 Jahan II, Rafi ud-Darajat, Muhammad Ibrahim
Jahan I 1674 1712 Farkhunda Akhtar, Muhammad
Muhammad Humayun 1678 na infância

Fonte: Irvine, pp. 143–144[51][52]

Notas

  1. Irvine, p. 2.
  2. Faruqui, p. 303.
  3. Faruqui, p. 304.
  4. a b Faruqui, p. 305.
  5. Irvine, p. 3.
  6. a b c Faruqui, p. 286.
  7. Faruqui, p. 306.
  8. a b Faruqui, p. 307.
  9. Faruqui, p. 285.
  10. Singh, Patwant, The Sikhs, ISBN 9788171676248, Rupa Publications, p. 46 
  11. Irvine, p. 4.
  12. Puri, p. 198.
  13. a b c Irvine, p. 57.
  14. Puri, p. 199.
  15. Irvine, p. 44.
  16. a b Irvine, p. 45.
  17. a b Irvine, p. 46.
  18. Irvine, p. 47.
  19. a b Irvine, p. 48.
  20. a b Irvine, p. 49.
  21. Irvine, p. 50.
  22. a b Irvine, p. 51.
  23. Irvine, p. 52.
  24. Irvine, p. 53.
  25. a b Irvine, p. 55.
  26. Irvine, p. 56.
  27. a b Irvine, p. 58.
  28. a b Irvine, p. 59.
  29. a b Irvine, p. 60.
  30. Irvine, p. 61.
  31. Irvine, p. 62.
  32. Irvine, p. 63.
  33. Irvine, p. 64.
  34. Singh, p. 57.
  35. Singh, p. 55.
  36. a b Singh, p. 58.
  37. a b Singh, p. 59.
  38. a b Singh, p. 60.
  39. a b Singh, p. 61.
  40. Singh, p. 62.
  41. Singh, p. 63.
  42. Singh, p. 64.
  43. Singh, p. 66.
  44. a b Irvine, p. 130.
  45. Irvine, p. 131.
  46. Irvine, p. 133.
  47. a b Irvine, p. 135.
  48. Irvine, p. 141.
  49. Irvine, p. 140.
  50. Irvine, p. 136.
  51. Irvine, p. 143.
  52. Irvine, p. 144.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Bahadur I
Nascimento: 14 de outubro de 1643 Morte: 27 de fevereiro de 1712
Precedido por
Aurangzeb
Imperador Mogol
1707–1712
Sucedido por
Jahandar