Barqueiros (Barcelos)

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 Portugal Barqueiros  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Barqueiros
Brasão de armas
Barqueiros está localizado em: Portugal Continental
Barqueiros
Localização de Barqueiros em Portugal
Coordenadas 41° 28' 52" N 8° 43' 03" O
País  Portugal
Concelho BCL.png Barcelos
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente António Cardoso da Silva
Área
 - Total 8,07 km²
População (2011)
 - Total 1 957
    • Densidade 242,5/km2 
Código postal 4740-676
Orago São João Baptista
Sítio www.barqueiros.pt
Freguesia de Barqueiros
Santuário de Nossa Senhora das Necessidades

Barqueiros é uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 8,07 km² de área e 1 957 habitantes (2011)[1] . Densidade: 242,5 hab/km².

Ficou célebre durante a década de 1980 pelos protestos da população contra a extracção de caulino a céu aberto no centro da localidade, um episódio longo que ficou conhecido como a Guerra do Caulino ou Guerra dos Caulinos. Iniciado em 1986 este conflito foi-se arrastando até se saldar na morte de um rapaz em 1989.[2]

População

População da freguesia de Barqueiros (1864 – 2011) [3]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
758 792 889 1 029 1 069 1 044 1 227 1 365 1 560 1 573 1 646 1 863 1 881 2 033 1 957

Evolução da População  1864 / 2011 Variação da População  1864 / 2011 A População em 2001 A População em 2011;

Formação da freguesia[editar | editar código-fonte]

A atual freguesia de Barqueiros formou-se da junção dos antigos territórios de Barqueiros, Lagoa Negra e parte da povoação de Bassar do Couto de Apúlia.

A paróquia de S. João de Barqueiros já aparece referenciada em 1059 no livro de D. Mumadona, no inventário das igrejas de Guimarães. Porém, somente abrangeria os atuais lugares de Barqueiros, Jouve e parte de Prestar. A maior parte da área da atual freguesia pertencia ao território de Lagoa Negra. A razão de existir uma tão minúscula paróquia só se justificará pela sua importância económica e estratégica na época romana, na altura em que ainda existiria o lago alimentado pelo rio Cávado.

Barqueiros não aparece nas inquirições de 1220. Contudo, aparece nas de 1258 (D. Afonso III) e 1288 (D. Dinis). Nestas é referido o lugar de Jouve. Lagoa Negra (Lacona Nigra) aparece referenciada em 1108 no Liber Fidei, na localização de uma propriedade nas proximidades de Criaz (Apúlia) e Contriz (Estela). Também não aparece nas inquirições de 1220. Aparece nas inquirições de 1258, nas quais, curiosamente, os inquiridores propuseram a constituição de uma paróquia. Nas inquirições de 1288 aparece com a descrição dos seus limites que iam para sul da atual estrada da velha igreja paroquial ao atual Santuário de N.ª Sr.ª das Necessidades até Laúndos.

No reinado de D. Dinis, em 1292, o Lugar de Vilares (pertencente a Lagoa Negra) é dividido em quatro casais que perduraram durante séculos. Ainda eram referidos em 1700.

Nesta altura, desses quatro casais, eram referidos, por exemplo, o Casal do Testudo e o Casal do Direito.

Nas inquirições de D. Afonso IV há referência a duas quintas em Jouve, foreiras ao Mosteiro de Santo Tirso. Uma delas, dos Teixeira Montenegro, ainda o era em 1828. Nestas inquirições deste último rei já se englobava Lagoa Negra, ou seja: Barqueiros configurou-se neste reinado. Contudo, os limites atuais só foram definidos em 1862, com a extinção da povoação meeira de Bassar e respetiva alternativa eclesiástica, ao dividir-se entre as freguesias de Barqueiros e de Cristelo.

Durante séculos a freguesia estruturou-se ao longo dos vales periféricos: lugares de Prestar, Jouve, Barqueiros (ou Igreja), Vilares e Lagoa Negra. O núcleo mais povoado na atualidade: Necessidades, Terreiro das Necessidades, Abelheiros, Telheiras e Godo eram territórios despovoados e baldios. Mesmo o alto do Monte de Bassar do Couto de Apúlia – onde está o Santuário das Necessidades – era despovoado e com muitos baldios no séc. XVIII.

Note-se que o Monte de Bassar ou Aldeia de Bassar englobava os lugares de Cerqueiras, Bassar e Talhos. Era administrado pela Câmara do Couto de Apúlia e era meeiro entre as paróquias de S. João de Barqueiros e Salvador de Cristelo.

O Santuário de N.ª Sr.ª das Necessidades[editar | editar código-fonte]

A primitiva igreja de Barqueiros situava-se no povoado de origem romana que existiu na colina hoje denominada Adro Velho. Esse povoado viveria da atividade fluvial junto ao lago que existiu entre Gemeses, Fonte Boa e Rio Tinto, alimentado pelo rio Cávado. Nos extremos desse lago situavam-se, estrategicamente, a Barca do Lago e Barqueiros.

No início do séc. XVIII, no local do primitivo povoado romano de Barqueiros só existia a igreja paroquial. Como estava decadente e em sítio ermo foi ordenada a sua transposição, em 1720, para a colina imediata a poente, para junto do povoado. Aí se situava o centro cívico de Barqueiros.

A velha igreja de Barqueiros manteve-se igreja matriz até 1931. Neste ano passou para o Santuário das Necessidades, após uma década de lutas entre fações a favor e contra essa passagem.

A deslocação do centro da freguesia, do lugar de Igreja ou Barqueiros para as Necessidades, iniciou-se com a divulgação local do culto a Nossa Senhora das Necessidades e consequente construção do respetivo Santuário. A iniciativa deveu-se a Frei João Veloso de Miranda Matos Godinho e Noronha que trouxe de Lisboa uma imagem e a colocou num nicho próximo à Quinta da Torre de Bassar, quinta dos seus antepassados Velosos de Miranda que durante gerações foram escrivães do Couto de Apúlia.

Apregoadas as graças e virtudes gerou um grande movimento de peregrinos e avultadas esmolas que deu para iniciar a construção do Santuário por volta de 1746. A sagração deu-se em 1762, ainda sem retábulo-mor. Este foi projetado em 1774 pelo conhecido arquiteto bracarense, Carlos Amarante.

Construído em Bassar, junto aos limites de Barqueiros, num local de bouças pouco produtivas, era constantemente visitado por devotos, sendo o maior afluxo por ocasião da romaria, nos dias 7 e 8 de setembro e domingo seguinte a estes dias. Tal facto motivou a doação de uma vasta área de terreno – o atual Terreiro – para as romarias, por parte do Arcebispo D. Gaspar de Bragança. Estas festas foram, na segunda metade do séc. XVIII e séc. XIX, das mais afamadas da região, havendo registos de romeiros vindos da região costeira entre a Maia e Viana do Castelo.

A partir de 1800 inicia-se a construção de moradias na orla norte do Terreiro em lotes de terreno pertencente ao Santuário, denominado Bouça da Senhora das Necessidades.

Em 1812 o Terreiro aparece referenciado como rodeado de casas, havendo algumas destinadas ao apoio dos viajantes. Nas proximidades, aproveitando oportunidades de negócio com o movimento de peregrinos e romeiros, surgiu um importante centro produtor de telha e tijolo que deu origem ao atual lugar de Telheiras.

O Santuário, a nível regional, influenciou também o desenvolvimento de novas estradas. Logo em 1759, a confraria que ainda administrava o Santuário (ainda em construção) pede ao rei D. José uma ponte para a lagoa das Necessidades, entre Rio Tinto e Cristelo, em direção a Vila Seca e Barcelos. Mais tarde a importância desta via foi realçada com a nova estrada real (n.º 30), da Póvoa de Varzim a Valença, passando pelas Necessidades e Barcelos. Esta, em 1868, andava em construção na zona das Necessidades.

Fontes:

*Araújo, António Veiga – Barqueiros retalhos da sua história, Barqueiros, 2001

  • Araújo, António Veiga – Rumo à Barca do Lago, Esposende, 2013
  • Sottomayor-Pizarro, José Augusto – Portvgaliae Monvmenta Historica, Lisboa, 2012
  • ANTT – Inquirições Gerais

Política[editar | editar código-fonte]

Eleições autárquicas (Junta de Freguesia)[editar | editar código-fonte]

Partido % M % M % M % M % M % M % M % M % M % M % M
1976 1979 1982 1985 1989 1993 1997 2001 2005 2009 2013
PS 38,5 4 45,1 6 37,8 5 35,9 3 35,2 3 41,3 4 47,9 5 53,7 5 55,3 5 56,7 5
PPD/PSD 34,2 3 22,6 3 45,6 7 54,0 6 78,4 8 58,2 6 49,2 5 45,2 4 42,6 4 40,9 4
CDS-PP 24,0 2 25,9 4 9,5 1 6,1 4,0
APU/CDU 3,5 4,9 16,3 1 3,8 1,5 0,9 1,7 1,1
PSD-CDS-PPM 29,3 3
IND 11,1 1

Referências

  1. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Norte". Instituto Nacional de Estatística. Arquivado desde o original em 4 de Dezembro de 2013. Consultado em 5 de Março de 2014. 
  2. Schmidt, L. (s.d.) (25 de Janeiro de 2010). «Ambiente e políticas ambientais: escalas e desajustes» (PDF). Universidade de Lisboa. 
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
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