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Campanha (Minas Gerais)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Campanha
Vista parcial da cidade
Vista parcial da cidade
Vista parcial da cidade
Hino
Gentílicocampanhense[1]
Localização de Campanha em Minas Gerais
Localização de Campanha em Minas Gerais
Localização de Campanha em Minas Gerais
Campanha está localizado em: Brasil
Campanha
Localização de Campanha no Brasil
Mapa
Mapa de Campanha
Coordenadas: 21° 50′ 20″ S, 45° 23′ 29″ O
PaísBrasil
Unidade federativaMinas Gerais
Municípios limítrofesCambuquira, Monsenhor Paulo, São Gonçalo do Sapucaí, Lambari e Três Corações
Distância até a capital316 km
Fundação2 de outubro de 1737 (288 anos)[2]
Governo
  Prefeito(a)Lázaro Roberto da Silva[3][4] (PT, 2025–2028)
Área
  Total [1]335,587 km²
Altitude840 m
População
  Total (Censo IBGE/2022) [1]15 935 hab.
  Estimativa (estimativa IBGE/2025[1])16 372 hab.
Densidade47,5 hab./km²
ClimaTropical
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP37400-000 a 37404-999[5]
IDH (PNUD/2010) [6]0,709 alto
PIB (IBGE/2023) [7]R$ 561 947 mil
  Per capita (IBGE/2023[7])R$ 35 264,92
Sítiocampanha.mg.gov.br (Prefeitura)
camaracampanha.mg.gov.br (Câmara)

Campanha é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2022, sua população naquele ano era de 15 935 habitantes.[1] Tem como seu padroeiro Santo Antônio.[8]

Campanha é o município mais antigo do sul de Minas Gerais, tendo sido elevada à categoria de vila em 1798 e dela tendo se originado a maioria dos municípios da região.[2]

História

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Origens e fundação

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As primeiras expedições a percorrerem o território da Campanha foram as dos bandeirantes, no início do século XVIII, que descobriram o ouro na região. As jazidas foram exploradas clandestinamente pelos paulistas e seus descendentes, mas só ganhariam fama décadas mais tarde.[9][10][11]

Em 23 de setembro de 1737, o ouvidor de São João del-Rei, Cipriano José da Rocha, deixou aquela cidade para uma expedição militar com o objetivo de desbravar os vales dos rios Verde e Sapucaí, tomando posse formal das terras em nome da Coroa Portuguesa. Em 2 de outubro daquele ano, Cipriano chegou a um local com solos férteis e riquezas minerais, dentre elas o ouro, fundando, naquele dia, o arraial de São Cipriano, que dará origem à cidade da Campanha.[9][10]

A povoação logo prosperou com a mineração de ouro e, em 1739, devido à importância social e religiosa da localidade, foi elevada à categoria de paróquia, com o nome de Santo Antônio do Vale da Campanha do Rio Verde e, em 1752, como freguesia.[10][11]

Diferente de outros núcleos auríferos mineiros que entraram em declínio com o esgotamento das lavras, Campanha manteve sua relevância econômica ao se posicionar como ponto estratégico nas rotas comerciais entre as províncias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, com o esgotamento das jazidas, Campanha recebeu muitos migrantes vindos de decadentes núcleos mineradores, como Vila Rica, Mariana e Sabará.[12]

Elevação à Vila e Período Imperial

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Em 1795, a população campanhense enviou um ofício à Coroa Portuguesa para a elevação da povoação e freguesia de Santo Antônio do Vale da Campanha do Rio Verde à categoria de freguesia, devido à sua expressiva população e à distância da sede da vila de São João del-Rei, à qual Campanha pertencia. Apesar dos protestos são-joanenses, em 20 de outubro de 1798, a Rainha Maria I de Portugal elevou a freguesia à categoria de vila, com o nome de Campanha da Princesa, em homenagem à sua neta, Princesa da Beira, primogênita do futuro rei Dom João VI. Com isso, foi conferida autonomia à vila, que passou a contar com Câmara Municipal e jurisdição própria para a arrecadação de tributos e execução de obras públicas.[10][12]

Durante o século XIX, a estrutura social de Campanha era marcada por uma sólida economia que realizou a transição da mineração para a agropecuária e o comércio. Registros paroquiais e judiciais do período indicam que a vila detinha uma das maiores populações de escravizados do Sul de Minas, sustentada por uma elite burocrática e proprietária de terras.[10][13]

A vila foi elevada à categoria de cidade, tendo seu topônimo simplificado para Campanha, pela Lei Provincial nº 163, de 9 de março de 1840.[11]

Centralidade cultural e científica

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No decorrer do período imperial, Campanha consolidou-se como um polo intelectual e educacional na província. A riqueza acumulada pela elite regional permitiu o financiamento de instituições de ensino de prestígio, o que atraía estudantes de diversas localidades.[13] Foi neste contexto que nasceu, em 1865, o cientista Vital Brazil, renomado internacionalmente por suas pesquisas biomédicas e a fundação do Instituto Butantan.[2]

Em 1907, a criação da Diocese de Campanha consolidou a cidade como o principal centro de influência religiosa e política da região, preservando sua alcunha de "cidade mãe" do Sul de Minas.[2]

Geografia

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O município da Campanha está localizado no sul de Minas Gerais, possuindo uma área de 335,587 km².[14]

Campanha está localizada entre colinas circundadas por extensas campinas, daí seu nome.[9]

Entre as atrações, está o Museu Regional do Sul de Minas. Entretanto, o local é alvo de furtos. Em 1994, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, em madeira e vulto quadrangular representando Nossa Senhora e o Cristo mortos, foi furtada juntamente com outras 27 peças, como imagens, oratórios e alfaias.[15]

Também se destaca pelo artesanato, com grande variedades de objetos, principalmente em artigos de decoração, como tapetes e imagens religiosas talhadas em madeira.

Possui grandes belezas naturais como cachoeiras e pousadas no campo. Seu turismo religioso é muito forte. Na cidade se encontra uma das mais antigas catedrais do estado de Minas Gerais, a Catedral de Santo Antônio, tendo sua pedra fundamental colocada em 1787.[16]

Euclides da Cunha escreveu os primeiros capítulos de seu famoso livro "Os Sertões" em Campanha, onde nasceu um de seus filhos.[17] Em algumas ruas, ainda se preservaram casarões antigos onde muitos desses importantes nomes passaram, nasceram ou residiram. No prédio hoje ocupado pelo Museu Regional do Sul de Minas e pela Biblioteca Municipal da cidade, no ano de 1868, hospedou-se a Princesa Isabel e seu consorte, o Conde d'Eu.[18]

Feira do Livro da Campanha

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A FLIC – Feira do Livro da Campanha é um evento realizado anualmente na cidade desde 2001, que a cada edição procura homenagear personalidades, sobretudo do município, que de alguma forma registraram contribuições para a educação e cultura, de um modo geral.[19]

A ONG Sebo Cultural é uma Associação Civil sem fins lucrativos que iniciou suas atividades em 17 de fevereiro de 2001 no município da Campanha. Reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, Lei nº 2670, de 16 de julho de 2008 e de Utilidade Pública Estadual, Lei nº 19.309, de 22 de dezembro de 2010. A FLIC fez parte do Calendário 2012 do Circuito Nacional de Feiras de Livros, MinC/FBN/CBL.[20]

Campanhenses notórios

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Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Campanha». Consultado em 27 de agosto de 2026
  2. 1 2 3 4 Prefeitura Municipal de Campanha. «O Município: História». Consultado em 14 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 28 de julho de 2025
  3. «A Prefeitura». Prefeitura Municipal de Campanha. Consultado em 27 de agosto de 2026
  4. «Eleições 2024: Roberto Silva, do PT, é eleito prefeito de Campanha no 1º turno». G1. 7 de outubro de 2024. Consultado em 27 de agosto de 2026
  5. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 1 de fevereiro de 2019
  6. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. «IDHM Municípios 2010». Consultado em 27 de agosto de 2026
  7. 1 2 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2023). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2023». Consultado em 27 de agosto de 2026
  8. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). «Lista por santos padroeiros» (PDF). Descubra Minas. p. 4. Consultado em 14 de setembro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 14 de setembro de 2017
  9. 1 2 3 «História». Câmara Municipal da Campanha. Consultado em 13 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2024
  10. 1 2 3 4 5 ANDRADE, Marcos Ferreira de; CARDOSO, Maria Tereza Pereira. «A Vila da Campanha da Princesa: fontes para a História do Sul de Minas» (PDF). Revista do Departamento de História da UFF / Centro de Memória Cultural do Sul de Minas. Consultado em 14 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 2 de março de 2026
  11. 1 2 3 Enciclopédia dos Municípios Brasileiros 🔗 (PDF). 24. Rio de Janeiro: IBGE. 1958. pp. 300–301. Cópia arquivada (PDF) em 27 de maio de 2026
  12. 1 2 Arquivo Nacional. «Campanha da Princesa». Glossário de História Colonial. Consultado em 14 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 31 de maio de 2025
  13. 1 2 FONSECA, Marcus Vinícius; BATISTA, Vanessa Souza (2019). «O espaço e a história da educação em Minas Gerais: uma análise a partir de Campanha da Princesa, no século XIX». Cadernos de História da Educação. 18 (3). Consultado em 14 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 21 de abril de 2025
  14. «Campanha (MG) - Panorama». IBGE Cidades. Consultado em 13 de julho de 2026. Cópia arquivada em 10 de janeiro de 2026
  15. «Bens desaparecidos: Nossa Senhora da Piedade». Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2025 - IEPHA, 20 de fevereiro de 2010 (visitado em 3-3-2010)
  16. «Catedral de Santo Antônio – Campanha, Minas Gerais». Patrimônio Espiritual - Histórias, fotografias e significados das igrejas mais bonitas do Brasil. 14 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 11 de julho de 2018
  17. «Euclides da Cunha: a cidade da Campanha, os amigos e o direito». Migalhas. 29 de junho de 2009. Cópia arquivada em 21 de setembro de 2019
  18. Rangel, Alberto (1935). Gastão de Orléans, o ultimo conde d'Eu. [S.l.]: Companhia Editora Nacional. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2025
  19. «Prefeitura Municipal da Campanha - FLIC - Feira do Livro da Campanha». campanha.mg.gov.br. Prefeitura Municipal da Campanha. Consultado em 30 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 29 de junho de 2022
  20. «FLIC no Circuito Nacional de Feiras de Livros | Sebo Cultural». www.sebocultural.org.br. Consultado em 30 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2017

Ligações externas

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