Caroline Otero

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Caroline Otero
La Belle Otero, por Léopold-Émile Reutlinger
Nome completo Agustina del Carmen Otero Iglesias
Pseudônimo(s) La Belle Otero
Caroline Otero
Nascimento 4 de novembro de 1868
Valga, Galiza, Império Espanhol
Morte 10 de abril de 1965 (96 anos)
Nice, França
Nacionalidade espanhola
Progenitores Mãe: Carmen Otero Iglesias
Pai: Carasson
Ocupação Dançarina, atriz e cortesã

Caroline Otero, nome artístico de Agustina del Carmen Otero Iglesias (Valga, 4 de novembro de 1868Nice, 10 de abril de 1965), foi uma cantora e dançarina de cabaré, além de cortesã da Belle Époque. Também era conhecida como "La Belle Otero". Era conhecida por sua beleza e pelo grande número de amantes.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Caroline nasceu em Valga, na Galiza, em 1868. Era filha de uma mãe solo, Carmen Otero Iglesias (1844–1903), e um oficial do Exército grego chamado Carasson. Sua família era muito pobre e sua mãe trabalhava como prostituta parar poder alimentar a filha.[1][2] Ainda criança, se mudou para Santiago de Compostela, onde começou a trabalhar como empregada.[1][3] Foi violada aos 10 anos de idade por um sapateiro, e devido as complicações ficou estéril e acabou expulsa de casa aos 14 anos. Foi morar com seu namorado e parceiro de dança, Paco, com quem começou a trabalhar como cantora e dançarina em Lisboa.[2][3]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1888 Caroline encontrou um patrocinador em Barcelona, que se mudou com ela para Marselha a fim de promover sua dança pela França. Ela o deixou pouco depois e adotou o nome artístico de La Belle Otero, vestindo-se e se comportamento como se fosse uma cigana da Andaluzia.[3] Era uma mulher que chamava a atenção dos homens, uma figura muito atraente, que cativava rapidamente a audiência.[1][4][5]

Foi a principal estrela das produções do cabaré Folies Bergère, em Paris.[3] Uma de suas roupas mais provocantes era composta de pedrarias coladas na pele, ressaltando as curvas do corpo.[3][6] Logo Caroline se tornaria a mulher mais desejada da Europa. Em poucos anos já era cortesã de um grande número de homens ricos e poderosos e Caroline escolhia seus amantes com cuidado.[1][3][5]

Logo ela estava atendendo o kaiser Guilherme II da Alemanha, Alberto I, Príncipe de Mônaco, Eduardo VII do Reino Unido, a nobreza sérvia, espanhola, bem como os grão-duques do Império Russo, como o grão-duque Pedro Nikolaevich da Rússia, o Duque de Westminster e o escritor Gabriele D'Annunzio.[5][7] Seus diversos casos amorosos a tornaram famosa, mas despertaram uma grande inveja em várias personalidades femininas na época, bem como as esposas de seus amantes. Conta uma famosa lenda, porém sem comprovação, é de que ao menos seis homens teriam cometido suicídio após o término de seu relacionamento com Caroline.[2][3] Sabe-se que ao menos dois homens brigaram por ela.[1][3]

Estátua em homenagem à La Belle Otero, em Valga, Pontevedra

Filme[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1898, em São Petersburgo, o cinegrafista Félix Mesguich, empregado da companhia de Auguste e Louis Lumière, gravou um vídeo de um minuto de uma performance de Caroline, dançando a "Valse Brillante". A exibição do curta causou um escândalo, pois um oficial do exército do czar aparece na cena. Félix acabou expulso da Rússia por conta do filme.[8]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Caroline se aposentou depois da Primeira Guerra Mundial, comprando uma mansão que hoje vale o equivalente a 15 milhões de dólares[3], tendo acumulado uma fortuna de cerca de 25 milhões de dólares em valores atuais. Caroline, porém, gostava de apostas e acabou gastando boa parte de sua fortuna para sustentar seu estilo de vida luxuoso. Era figura conhecida nos cassinos de Monte Carlo.[3][7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Empobrecida, Caroline foi morar em um pequeno apartamento no Hotel Novelty, em Nice, onde teve um infarto e morreu em 10 de abril de 1965, aos 96 anos.[1][3][7]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Liesel Schiffer, Femmes remarquables du xixe siècle, préface de Jean Tulard, Vuibert, 2008 (ISBN 2711744426, ISBN 9782711744428);
  • Félix Bonafé, Une rencontre avec la Belle Otero in Rythmes et couleur, novembro de 1962.

Referências

  1. a b c d e f André Nogueira (ed.). «La Belle Otero, a cortesã de Paris que seduzia a realeza da Belle Époque». Aventuras na História. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  2. a b c «Les Souvenirs et la Vie Intime de la Belle Otero». Place des Libraires. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  3. a b c d e f g h i j k «Caroline "La Belle" Otero». Lockkeeper. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  4. «La Belle Otero». Brasil Cult Foundation. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  5. a b c Pedro Corrêa do Lago (ed.). «Ascensão e queda da bela Otero». Revista Piauí. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  6. «La Belle Otero». Multimania. Consultado em 12 de setembro de 2019 
  7. a b c «La Bella Otero». Catalunya Vanguardista. Consultado em 13 de setembro de 2019 
  8. Rittaud-Hutinet, Jacques (1990). Le cinéma des origines: Les frères Lumière et leurs opérateurs. Paris: Champ Vallon. p. 176–177. ISBN 978-2903528430 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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