Cecília Prada

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Escritora e jornalista Cecília Prada
Nome completo Cecília Maria do Amaral Prada
Nascimento 23 de novembro de 1929 (92 anos)
Bragança Paulista, São Paulo
Nacionalidade brasileira

Cecília Maria do Amaral Prada (Bragança Paulista, 23 de novembro de 1929) é uma escritora, jornalista, dramaturga, tradutora e diplomata brasileira[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de um professor com uma dona de casa, Cecília foi uma das primeiras jornalistas formadas no Brasil na década de 1950.[2] Formou-se em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, em 1951. É uma das mais antigas jornalistas e escritoras do país, tendo iniciado carreira de dupla qualificação aos 19 anos , no dia 3 de setembro de 1949, no jornal A Gazeta, de São Paulo – com a publicação de um conto premiado em concurso, Ponto Morto, e passando a trabalhar na Página Literária. . É considerada pela crítica especializada uma pioneira do conto moderno no Brasil , com reputação inclusive no exterior ( Itália, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Suécia ). Tem 18 livros publicados, sendo 8 de ficção ( romance, contos, crônicas) e 9 de jornalismo e ensaios, Pelo seu livro O Caos na Sala de Jantar, recebeu 3 prêmios literários,inclusive o Revelação de Autor da APCA, em 1978.

Em 1994, seu conto La Pietà  – reconhecido internacionalmente como “um dos mais belos contos em língua portuguesa” – foi traduzido para o alemão por Curt Meyer-Clason (tradutor de Guimarães Rosa e de Gabriel Garcia Marques ) e escolhido para abrir o evento inaugural da Feira Internacional de Livros de Frankfurt, visto ser o Brasil naquele ano país-tema, sendo lido e transmitido por toda a rede radiofônica  alemã. ,

Pelo seu conjunto de obra , Cecilia Prada foi indicada em 2020 como candidata ao Prêmio Nobel de Literatura pela  Academia Campinense de Letras, secundada por duas outras instituições culturais.

Foi também professora concursada de Português da rede estadual de ensino, tendo atuado na profissão de 1951 a 1955, quando pediu demissão para prestar vestibular no Curso de Preparação à Carreira de Diplomata (no Instituto Rio-Branco, Ministério das Relações Exteriores, Rio de Janeiro). Formada com a turma de 1957 como Cônsul de Terceira, exerceu a profissão até 1958. Então, na ocasião de seu casamento com um colega diplomata, Sergio Paulo Rouanet, foi obrigada pelo Itamaraty a demitir-se, sob alegação de preceito legal que proibia o exercício da Carreira à mulher ,nesse caso - ato abusivo , inteiramente anticonstitucional .

Trabalhou em jornais do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, O Globo) e de São Paulo ( A Gazeta, O Estado de São Paulo, revistas Visão, Istoé, Problemas Brasileiros) Em 1979, publicou na Folha de S.Paulo a reportagem-denúncia Clínica de Repouso Congonhas, pela qual foi a primeira mulher a receber sozinha o Prêmio Esso da categoria, em âmbito nacional[3].

Mesmo após ser obrigada pelo Ministério das Relações Exteriores (Brasil) a abandonar sua carreira diplomática, continuou prestando serviços à política externa brasileira. Foi leitora de Literatura e Cultura Brasileira no Instituto Universitário Bérgamo, na Itália, em 1984, ajudando na divulgação de escritores brasileiros no exterior.

Desde o divórcio, na década de 1970, tenta voltar para o serviço diplomático, pelo qual poderia estar aposentada hoje, como embaixadora.. .Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade reconheceu sua história como “Caso emblemático nacional de discriminação contra a mulher”. Seguiu-se uma rumorosa ação de reintegração na carreira e indenização , que ainda não teve seu desfecho definitivo.2

A terceira tentativa de Cecília retomar o cargo ocorreu em 2001, quando, aos 70 anos, ela candidatou-se e foi aprovada para um cargo comissionado dentro do Itamaraty, o de diretora do Instituto de Estudos Brasileiros em Montevidéu. Ela atendia a todos os requisitos do concurso: era diplomata formada, professora e tinha experiência no serviço público. Em seguida, teve a aprovação retirada por causa de sua idade, que estaria dentro da aposentadoria compulsória dos quadros de pessoal do Itamaraty. Foi à Justiça para assegurar a posse, e perdeu, mais uma vez, a chance de exercer a carreira diplomática.

,Durante quase 20 anos (1962 a 1981) Cecilia manteve também um grande interesse por teatro, tendo iniciado sua carreira como dramaturga em Nova York, após ter feito cursos em dramaturgia, direção e crítica,  na The New School for Social Research  e no Gene Frankel´s Theatre Workshop. Participou ativamente da vanguarda, como adviser, em um grupo que se tornaria muito famoso, o Open Theatre dirigido por Joe Chaikin  –  para o qual escreveu  uma “ Plataforma de Dramaturgia”, reproduzida no Brasil no jornal O Estado de São Paulo, por empenho do crítico  Décio de Almeida Prado.  Teve também peça produzida , em novembro de 1964  – Central Park Bench  Number 33, Flight 207 - , no Judson Poets´Theatre, considerado como o mais importante centro teatral experimental da cidade de Nova  York . Dirigida por Peter Feldman, um jovem diretor que viria também a ser famoso,  obteve críticas muito favoráveis nos jornais The New York Post e The Village Voice.

De seu casamento com Sergio Paulo Rouanet, Cecilia tem dois filhos, Marcelo Rouanet , nascido em 1961 e Luiz Paulo Rouanet, nascido em 1964. Tem três netos, Flora, Henrique e Laura.

Desde 2007 Cecilia vive em Campinas (SP) , em plena atividade ainda até hoje , como jornalista e como escritora. Pertence atualmente à equipe de pesquisadores do Instituto Hercule Florence, que tem sedes em São Paulo e Lisboa. Está terminando um romance baseado em fato real de violência contra a mulher, e tem inédito, um grande acervo : além de cinco livros de contos e de ensaios, tem cerca de 1000 páginas de diários críticos, em 23 volumes, correspondentes aos anos de 1993 a 2020.

Diretora da União Brasileira de Escritores (UBE) no período 1998-2000. É sócia-titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (desde 2003). É desde 2008 membro da Academia Campineira de Letras e Artes. Desde 2015 é membro da Academia Campinense de Letras.

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

Desde 1955 conta com 17 livros próprios, sendo 8 de ficção e 9 de ensaios e jornalismo

  • O Caos na Sala de Jantar (Moderna, 1978 / Amazon Kindle, 2016)
  • Profissionais da Solidão (Senac, 2013)
  • Entre o Itinerário e o Desejo (Scortecci, 2012)
  • Faróis Estrábicos na Noite (Bertrand, 2009)
  • A Pena e o Espartilho (Atalanta, 2007)
  • O País dos Homens de Gelo (Atalanta, 2007)
  • Atrás da porta da História (Atalanta, 1998)
  • Diários de Viagem - Franz Kafka(edição, organização, notas, Atalanta, 1997)
  • Estudos de Interiores para uma Arquitetura da Solidão (DBA, 2004)
  • Menores do Brasil: a louca nua (Alternativa, 1981-Atalanta, 1998)
  • Ponto Morto (Edigraf, 1955)

Traduções[editar | editar código-fonte]

Mais de 39 livros traduzidos (de 1972 a 2016) de diversas áreas, principalmente de literatura, filosofia e história:

  • Um chute na rotina: Os quatro papéis essenciais do processo criativo, de Roger Von Oech. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1994.
  • Ciência e vida civil no Renascimento italiano, de Eugénio Garin. [tradução Cecília Prada]. São Paulo: Editora UNESP, 1996.
  • A cidade polifônica: ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana, de Massimo Canevacci. São Paulo: Studio Nobel, 1997.
  • O valor das emoções (Valuing emotions), de Michael Stocker e Elizabeth Hegeman. São Paulo: Editora Palas Athena, 2001.
  • Arte Grega, de Mark D. Fullerton. São Paulo: Odysseus, 2002.
  • Joseph Campbell - vida e obra - a jornada do herói, de Phil Cousineau. biografia. São Paulo: Editora Ágora, 2003.
  • A sabedoria de Carl Jung (The wisdow of Carl Jung), de Edward Hoffman. São Paulo: Editora Palas Athena, 2005.
  • Sujeito Medieval/Moderno: texto e governo na idade media (Subject medieval/modern), de Peter Haidu.Coleção Ideias. São Leopoldo RS: Editora Unisinos, 2006.
  • A conquista da abundância: uma história da abstração versus a riqueza do ser (Conquest of abundance: a tale abstration versus the richness of being), de Paul Feyerabend. Coleção Filosofia e ciência. São Leopoldo RS: Editora Unisinos, 2006.
  • Arquimedes: uma porta para a ciência (Archimedes and the door of science), de Jeanne Bendick. Coleção Imortais da Ciência. São Paulo: Odysseus, 2ª ed., 2006.
  • Eu, Claudio (I, Claudius), de Robert Graves. São Paulo: Editora A Girafa, 2007.
  • Isaac Babel: contos escolhidos (The collected stories of Isaac Babel), de Isaac Babel. São Paulo: Editora A Girafa, 2008.
  • Amo Paris: minha Paris do sabor em 200 endereços, de Alain Ducasse. São Paulo: Editora SENAC, 2011.
  • Compreender o mundo (comprendre le monde), de Pascal Boniface. São Paulo: Editora SENAC, 2011
  • Do cinematográfico ao televisivo (De lo cinematografico a lo televisico: metalevision, lenguaje & temporalidad), de Mario Carlon. São Leopoldo RS: Editora Unisinos, 2012.
  • O livro das coisas perdidas (The book of lost things), de John Connolly. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2012.
  • A nova arte, de Gregory Battcock. Coleção Debates. São Paulo: Editora Perspectiva, 2ª ed., 2013.
  • Um longo caminho (A long long way), de Sebastian Barry. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014
  • O último verão, de Cesarina Vighy. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2014.
  • A perfeita ordem das coisas (The perfect order of things), de David Gilmour. Selo Jardim dos livros. São Paulo: Geração Editorial, 2014.
  • A imaginação liberal, de Lionel Trilling. São Paulo: Editora É Realizações, 2015.
  • O uso da poesia e o uso da crítica (The user of poetry and the use of criticism), de T. S. Eliot. São Paulo: Editora É Realizações, 2015.

Teatro[editar | editar código-fonte]

Tem sete peças escritas, em português e em inglês, tendo estreado em Nova York (“Central Park Bench number 33, flight 207 – Judson Poet´s Theatre, 1964). Escreveu também uma adaptação do livro “Retrato do artista quando jovem”,de James Joyce. No Brasil, foram encenadas adaptações de contos seus e também de seu livro (reportagem premiada com o ESSO) “Menores no Brasil: a loucura nua”:

  • La Pietà (1986)
  • A Clínica ao lado (1984)
  • A loucura nua (1984)
  • Cia. Século XX de Responsabilidade Ltda. (1966)
  • Central Park Bench Number 33, Flight 207 (1964)

Prêmios Literários[editar | editar código-fonte]

1) Revelação de Autor-APCA/1978 ao livro ” O Caos na Sala de Jantar” ( novela e contos; 2) Ao mesmo livro, quando ainda inédito, Prêmio Governador do Estado de São Paulo/1962 – (Segundo lugar, Menção Honrosa), e ao livro de contos As raízes predatórias, Prêmio José Lins do Rego de Ficção de 1965 (Segundo lugar, Menção Honrosa).

De jornalismo: Menores no Brasil: a loucura nua (1981 e 1998) (reportagem ganhadora do Prêmio ESSO de Reportagem/1980); A pena e o espartilho (2007 e 2010), Atrás da porta da História (2007). (Mais três livros organizados para a Secretaria Municipal de Cultura de SP (“O escritor nas bibliotecas: diálogos e debates”, entre 1993 e 2000).

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Idiomas[editar | editar código-fonte]

(Domínio completo) Português, Inglês, Francês, Italiano, Espanhol. Residência no exterior: 12 anos (Washington D.C e Nova York, Roma e Milão, Genebra). No período de 1984 a 1986 exerceu, indicada pelo Itamaraty, a função de Leitora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Instituto Universitário de Bérgamo (Itália).

Foi crítica de teatro da Revista ISTOÉ nos anos 1970 (membro da APCA).

Referências

  1. Cecília Prada. Tiro de Letra
  2. Marchao, Talita (26 de outubro de 2019). «A ex-diplomata de quase 90 anos que luta há décadas para ser readmitida no Itamaraty» (em inglês) 
  3. Cecília Prada. Portal dos Jornalistas

(09/Março/2020) https://matheuspichonelli.blogosfera.uol.com.br/2020/03/09/sou-autora-ha-70-anos-e-ate-hoje-me-chamam-de-ex-mulher-de-embaixador/ JORNAL CORREIO: (26/Janeiro/2020) https://correio.rac.com.br/_conteudo/2020/01/campinas_e_rmc/895577-cecilia-prada-uma-mulher-a-frente-de-seu-tempo.html INSTITUTO DE FORMAÇÃO E EDUCAÇÃO: (15/Novembro/2018) http://ife.org.br/tag/cecilia-prada/ BLOG: (28/Setembro/2013-10/Dezembro/2014) http://calatemulher.blogspot.com Jornal Folha de S.Paulo: (14/Março/2011) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1403201113.htm