Celeste Rodrigues

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Celeste Rodrigues
ComIH
Celeste Rodrigues
Informação geral
Nome completo Maria Celeste Rebordão Rodrigues
Nascimento 14 de março de 1923 (93 anos)
Local de nascimento Fundão
País  Portugal
Género(s) Fado
Instrumento(s) vocal
Período em atividade 1951–actualidade
Editora(s) Movieplay, CoastCompany
Afiliação(ões) Amália Rodrigues (irmã)

Maria Celeste Rebordão Rodrigues ComIH, celebrizada como Celeste Rodrigues (Fundão[1], 14 de Março de 1923) é uma fadista portuguesa, irmã mais nova de Amália Rodrigues.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Celeste Rodrigues nasceu a 14 de Março de 1923 no Fundão, (Castelo Branco).[2]

Começou a cantar naturalmente na infância, tal como fazia a irmã, e por vezes na rua, quando iam vender fruta para o Cais da Rocha. Porém, Amália e Celeste seguiriam caminhos diferentes no fado.

O início da sua carreira é impulsionada pelo empresário José Miguel, à data proprietário de várias casas de fado, que depois de a ter ouvido cantar na Adega Mesquita (onde Celeste se deslocara para acompanhar a sua irmã), insiste na sua profissionalização. É assim que Celeste Rodrigues se estreia no Casablanca, em 1945[3], tendo José Miguel como empresário e a irmã Amália como madrinha. Com uma carreira de décadas, um pouco à margem dos grandes palcos e mais dada à vida de fadista dos bairros típicos de Lisboa, é hoje uma referência incontornável do fado castiço, ao contrário da irmã, apogeu do fado moderno ou canção. É também uma das fadistas mais antigas no ativo, como Argentina Santos, Anita Guerreiro e Maria Amélia Proença.

Dois meses depois de se estrear, Celeste Rodrigues ingressa numa companhia teatral e parte para o Brasil, acompanhando Amália no elenco da opereta Rosa Cantadeira e da revista Bossa Nova, numa digressão que acaba por durar cerca de um ano. Outros convites receberá Celeste Rodrigues para integrar peças de teatro, mas recusa-os sempre[4].

No regresso a Lisboa dá continuidade à sua carreira de fadista, apresentando-se em diversos retiros e casas de fado da capital: Café Latino, Marialvas, Urca (na Feira Popular), Café Luso ou Adega Mesquita, onde se mantém por quatro anos, e, posteriormente, a Tipóia e a Adega Machado. Entretanto, no início da década de 1950, regressa ao Brasil, atuando na rádio, na televisão e no restaurante Fado, que Tony de Matos abrira em Copacabana.

Depois de, por volta dos 17 anos, ter vivido um romance com o toureiro José Casimiro, Celeste Rodrigues casou, aos 30, com o ator Varela Silva. Juntos, abriram prontamente uma casa de fados, à Rua das Taipas: A Viela. Mas o casal, pouco dado às tarefas relacionadas com a gerência da casa, resolve fechar as suas portas ao fim quatro anos, ingressando Celeste no elenco da Parreirinha de Alfama, de Argentina Santos.

Na década de 1950 Celeste Rodrigues era já uma figura destacada no meio do Fado, levando-a além fronteiras, além do Brasil, a Espanha, Congo Belga, África Inglesa, Angola e Moçambique. Foi também das primeiras artistas a actuar no período experimental da RTP, quando as emissões do canal público funcionavam no teatro da Feira Popular e a primeira a enfrentar as câmaras, quando os estúdios do Lumiar passaram da fase de experiências para as emissões regulares (cf. Álbum da Canção, 1 de maio de 1967).

Apesar das sucessivas comparações com a sua irmã Amália, Celeste Rodrigues possui uma autenticidade única, uma forma singular de interpretação, patente nos temas do seu repertório, como os populares A lenda das algas (Laierte Neves/ Jaime Mendes), Saudade vai-te embora (Júlio de Sousa), O meu xaile (Varela Silva), ou o tema de Manuel Casimiro Olha a mala, que se tornou o seu maior êxito de vendas, entre os quase 60 discos que gravou, além do simbólico Fado Celeste.

Depois da Revolução dos Cravos, viaja para o Canadá, onde se divorciou do marido que lhe dera duas filhas.[5]

Continua a cantar n' A Parreirinha, em Alfama. Entre as mais célebres salas em que já actuou encontram-se a Cité de la Musique, Paris, o Auditório de Roma e a Casa da Música, no Porto. Em 2005 Ricardo Pais levou-a a integrar o elenco do espetáculo Cabelo branco é saudade, atuando ao lado de Argentina Santos e o jovem Ricardo Ribeiro. Já em 2007 integra a colectânea de fado Eles e Elas, da Som Livre, e que junta interpretações de fadistas de gerações tão diversas como Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha, Hermínia Silva, Amália e Celeste Rodrigues, Fernando Maurício, Carlos do Carmo ou Mariza; Celeste canta o tema Fado das Queixas. O seu último trabalho discográfico a ser lançado foi o CD Fado Celeste e foi editado na Holanda em 2007[2]. Em 2010 é apresentado o documentário Fado Celeste, realizado pelo seu neto, Diogo Varela Silva, abordando a vida e a obra de Celeste Rodrigues[6].

Condecorações[editar | editar código-fonte]

A 8 de Junho de 2012 Aníbal Cavaco Silva atribuiu-lhe o grau de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.[7]

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 2007 Fado Celeste (CD, CoastCompany)[2]

Compilações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Apesar de haver confusão entre o Fundão e Alcântara, a fadista confirmou que nasceu no Fundão.
  2. a b c «Personalidades: Celeste Rodrigues». Lisboa: Museu do Fado. Novembro de 2009. Consultado em 20 de março de 2016 
  3. Museu do Fado - Celeste Rodrigues
  4. Museu do Fado
  5. Catarina Rocha (2 de janeiro de 2011). «Celeste Rodrigues». Portal do Fado. Consultado em 20 de março de 2016 
  6. Fado Celeste (em inglês) no Internet Movie Database
  7. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Celeste Rodrigues". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de março de 2016 
  8. «Catálogo - Detalhes do registo de "Celeste Rodrigues; O melhor dos melhores; 55"». Fonoteca Municipal de Lisboa. Consultado em 20 de março de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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