Cinderela Baiana

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Cinderela Baiana
Capa de um VHS do filme
 Brasil
1998 •  cor •  85 min 
Direção Conrado Sanchez
Produção A. P. Galante
Roteiro Conrado Sanchez
Elenco Carla Perez
Perry Salles
Lucci Ferreira
Lázaro Ramos
Alexandre Pires
Armindo Bião
Juliana Calil
Gênero comédia romântica, filme biográfico
Cinematografia Conrado Sanchez
Edição Éder Mazini
Companhia(s) produtora(s) Itanhandu Produções Cinema e Vídeo Ltda.
Galateia Produções Ltda.
Distribuição PlayArte Home Video
Lançamento 4 de setembro de 1998[1]
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Cinderela Baiana[nb 1] é um filme biográfico semi-ficcional de comédia romântica brasileiro, originalmente lançado em 1998. Dirigido por Conrado Sanchez (que também escreveu o roteiro, apesar de seu nome não ter sido listado nos créditos por isto) e produzido por A. P. Galante (em um de seus últimos trabalhos antes de sua aposentadoria no mesmo ano), é uma cinebiografia excessivamente ficcionalizada da dançarina Carla Perez, famosa por ser uma ex-integrante do grupo de axé É o Tchan!. O filme é notável por ser o primeiro trabalho de Perez, dos atores então desconhecidos Lázaro Ramos e Lucci Ferreira, e do músico Alexandre Pires (vocalista do grupo de samba Só pra Contrariar e à época namorado de Carla Perez) no cinema, e também conta com aparições especiais dos cantores Netinho e Cátia Guimma interpretando a si mesmos.

Cinderela Baiana foi um fracasso retumbante, não só de bilheteria como de crítica, e até os dias atuais é considerado um dos piores filmes já feitos pela indústria cinematográfica brasileira.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Carla Perez (interpretada por Carla Fabianny quando criança e por si mesma quando adulta) vive com o pai Raimundo (Armindo Bião) e com a mãe tuberculosa cujo nome nunca é mencionado (Juliana Calil) em uma pequena e pobre cabana localizada em algum lugar no meio do sertão da Bahia. Após a morte de sua mãe, Carla e seu pai se mudam para Salvador, onde têm esperanças de conseguir melhores condições de vida. Carla, tendo uma paixão inata pela dança, logo é avistada pelo excêntrico agente artístico Pierre (Perry Salles) e seu assistente Beto (Josevaldo Oliveira); ela inicialmente fica entusiasmada com sua fama recém-adquirida, mas logo descobre que Pierre é um homem inescrupuloso interessado somente nos lucros de sua exploração. Ajudada por seus dois amigos vagabundos, Bucha (Lucci Ferreira) e Chico (Lázaro Ramos), e por seu namorado, Alexandre Pires (interpretado por si mesmo), ela ganha forças para lutar contra Pierre e viver com a liberdade que deseja.

Recepção[editar | editar código-fonte]

O filme foi massacrado pelo público e pela crítica especializada, destacando entre os principais fatores a performance amadoresca e embaçada de Perez, o enredo clichê (comparado por um crítico a um "plágio pobre de Uma Linda Mulher"), inúmeras inconsistências narrativas e a atuação ridiculamente exagerada de Perry Salles como Pierre.[2] Ele tem uma nota de 2,3 de 10 no Internet Movie Database e de 2 de 5 no Filmow, com base em 741 votos.[3] Perez anunciou numa entrevista de 2008 que renegara o filme, dizendo que "se arrependia dele como atriz",[4] e a seu pedido foi retirado de circulação alguns anos depois de seu lançamento; assim sendo, cópias físicas do filme são extremamente raras e difíceis de se obter.[5] Entrementes, ele conseguiu sobreviver por intermédio de sites de compartilhamento de arquivos, e foi postado na íntegra no YouTube em 30 de janeiro de 2013. O filme acabou por adquirir um status de clássico cult entre apreciadores de filmes trash, e trechos dele são amplamente utilizados como fontes para YouTube Poops.

Em 15 de março de 2010, a revista Veja fez uma lista dos 10 piores filmes brasileiros de todos os tempos, e Cinderela Baiana apareceu em primeiro lugar. A autora da lista, Pollyane Lima e Silva, afirmou que "tudo já começou errado quando alguém pensou que uma dançarina de axé, por melhor que fosse, mereceria uma cinebiografia". Também se referiu ao filme como sendo uma "vergonha".[6]

O escritor, blogueiro e crítico de cinema Renzo Mora incluiu Cinderela Baiana em seu livro de 2009 25 Filmes que Podem Arruinar a Sua Vida!.[7][8] Comentando sobre o filme, disse que era "o pior entre os outros 24".[9]

Em dezembro de 2015, "fãs" do filme iniciaram uma petição virtual humorística para que ele passasse a ser exibido pelo Netflix.[10] A petição não obteve sucesso, porém.

Apesar da recepção unanimemente negativa que o filme recebeu, Lázaro Ramos afirmou numa entrevista de 2015 que "não se arrepende de ter participado dele" e que, graças ao salário que recebeu, foi capaz de deixar seu emprego como técnico de laboratório de patologia e pagar aulas de teatro.[11]

Em 2016, foi incluído na lista dos "20 piores filmes de todos os tempos" do Estadão, na 12ª posição.[12]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Nos créditos de abertura do filme, o título está erroneamente grafado como Cinderela Bahiana.

Referências

  1. «Carla Perez roda "Cinderela Baiana"». Folha de S.Paulo. 20 de junho de 1998. Consultado em 18 de setembro de 2016. 
  2. Blog do Heu: "Cinderela Baiana"
  3. Cinderela Baiana — Filmow
  4. «Eu era uma criança sem maldade, diz dançarina Carla Perez sobre É o Tchan!». Meio Norte. 14 de maio de 2008. Arquivado desde o original em 16 de maio de 2008. 
  5. Klein, Cristian (12-03-2001). «Cinema dos anos 90 deixa legado de dúvidas» Folha de S.Paulo [S.l.] Consultado em 01-04-2016. 
  6. Lima e Silva, Pollyane (15-03-2010). «Os 10 piores filmes da história do cinema brasileiro» Veja [S.l.] Consultado em 2016-01-04. 
  7. Todo Mundo Está Falando de Filmes Ruins. renzomora.wordpress.com. 4 de fevereiro de 2010
  8. Meneghini, Carla (09-09-2009). «Livro brasileiro lista os 25 piores filmes de todos os tempos» G1 [S.l.] Consultado em 08-06-2016. 
  9. Os 25 piores filmes do mundo. Brasilianas.org. 20 de maio de 2011
  10. Fochetto, Caio (27-12-2015). «Brasileiros querem Cinderela Baiana no Netflix» BOXPOP [S.l.] Consultado em 10-01-2016. 
  11. «Lázaro Ramos relembra filme com Carla Perez: "Não me arrependo"» iBahia [S.l.] 22-05-2015-. Consultado em 06-06-2016. 
  12. [1] Os 20 piores filmes de todos os tempos

Ligações externas[editar | editar código-fonte]