Codé di Dona

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Codé di Dona, de seu verdadeiro nome Gregório Vaz (Chaminé, São Domingos, 10 de julho de 1940[1]Praia, 5 de janeiro de 2010), foi um músico e compositor cabo-verdiano.

Considerado como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinado à ilha de Santiago e hoje com ressonância universal, Codé di Dona nasceu no concelho de São Domingos e viveu sempre na localidade de São Francisco,[2] no mesmo concelho onde nasceu e viveu outro expoente da música cabo-verdiana, Ano Nobo.[3]

Profissionalmente sempre ligado à agricultura e ao pastoreio, reformado como guarda-florestal, Codé di Dona compôs temas clássicos do repertório nacional cabo-verdiano, como "Febri Funaná", "Fomi 47", "Praia Maria", "Yota Barela", "Rufon Baré" e "Pomba", entre dezenas de outros. Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição "Fomi 47", por exemplo, refere-se a uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem de 1947, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio "Ana Mafalda" faz parte do imaginário coletivo dos cabo-verdianos, sendo essa música entoada, como um hino, pelos seus vários intérpretes.

Codé di Dona era também exímio tocador do acordeão (ou gaita), a concertina, um dos instrumentos paradigmáticos do funaná, a par do ferrinho. Nessa qualidade de instrumentista, Codé di Dona gravou dois álbuns: o primeiro, Kap Vert, em 1996, e o segundo, em 1998, Codé-di-Dona que foi disco de ouro em Portugal nesse mesmo ano.

Codé di Dona atuou nos principais palcos de Cabo Verde, mas também andou pela Europa, nomeadamente em Portugal, França e Suíça. A sua música faz parte da discografia dos Bulimundo, Finaçon, Simentera, Zeca di Nha Reinalda, Lura e Mário Lúcio Sousa, entre outros.

Como reação à sua morte, o ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, afirmou que "Codé di Dona é um trovador que marcou a cultura cabo-verdiana".[4] Por seu lado, o presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, acrescentou: "Este artista conseguiu interpretar o sentir mais profundo da alma cabo-verdiana, através das suas composições com destaque para o género funaná, de que foi um dos seus maiores expoentes".[5]

Referências