Conde de Saint-Simon

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde Novembro de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde setembro de 2012).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.
Conde de Saint-Simon

Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, (Paris, 17 de outubro de 1760Paris, 19 de maio de 1825), foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico.[1]

Criticou o liberalismo econômico e o que considerava a exploração dos trabalhadores pelos capitalistas. Defendia e extinção das diferenças de classes e a construção de uma "nova sociedade" em que cada um ganhasse de acordo com o real valor de seu trabalho.

Sua vida[editar | editar código-fonte]

Era sobrinho do Duque de Saint-Simon, memorialista do século de Luís XIV. Aos dezessete anos entrou para o exército, onde combateu como capitão da artilharia em Yorktown na Guerra de Independência dos Estados Unidos, de 1779 a 1783.

Quando retornou à França, abandonou o seu título nobiliárquico e aderiu à revolução. Acabou por se tornar contra a violência revolucionária, pois foi preso durante a fase do Terror. Após sua participação na Revolução, fundou o jornal L'Industrie. Acabou criticando o Iluminismo, pois dizia que não ia a fundo nas condições histórica e social da sociedade.

Aos 40 anos voltou a estudar na Escola de Medicina e na Politécnica, após ter obtido lucros consideráveis com a especulação imobiliária (lucros estes, que foram roubados, em boa parte, por um sócio). Só em 1802 começou a escrever sobre Política, Filosofia e Economia, e no mesmo ano publicou seu primeiro trabalho, no qual trazia a concepção de uma nova religião.

De 1805 a 1810 passou por sérios problemas financeiros, indo morar com um ex-empregado, mas ainda continuou a escrever, formando um grupo fervoroso denomimado Saint-simonista, do qual muitas pessoas influentes como Auguste Comte, Barthélemy Prosper Enfantin e Saint-Amand Bazard participaram.

Possui algumas obras de inspiração religiosa. Nesse final de sua vida obteve uma vida tranqüila economicamente, graças às pessoas que participavam de seu grupo, até sua morte.

Ideias[editar | editar código-fonte]

Para Saint-Simon, o avanço da ciência determinava a mudança político-social, além da moral e da religião. É considerado o precursor do Socialismo, pois, no futuro, a sociedade seria basicamente formada por cientistas e industriais. O pensamento saint-simoniano pode ser visto nas obras de 1807 a 1821, com o lema: "a cada um segundo sua capacidade, a cada capacidade segundo seu trabalho".

Em um dos seus primeiros livros, Lettres d'un habitant de Genève à ses contemporains, publicado em 1803, ele propõe que os cientistas tomem o lugar dos padres para conduzir a era Moderna. A violência da guerra napoleônica leva-o a se abrigar no Cristianismo, e de uma base Cristã construir as bases para uma sociedade socialista. Previu a industrialização da Europa e sugere uma união entre as nações para acabar com as guerras.

Quando Saint-Simon falou sobre a nova sociedade, imaginou uma imensa fábrica, na qual substituiria a exploração do homem pelo homem para uma administração coletiva. Assim, a propriedade privada não caberia mais nesse novo sistema industrial. Vale notar que existiria uma pequena desigualdade e a sociedade seria perfeita depois de reformar o Cristianismo. Ainda disse que o homem não é apenas algo passivo na História, pois sempre procura alterar o meio social no qual esta inserido. Essas alterações são importantes para que a sociedade seja desmembrada, quando esta sociedade funciona dentro das normas que a ela correspondam, pois não é possível colocar uma regra de uma sociedade em outra.

A regra deve combinar com a estrutura para que a sociedade industrial se desenvolva. Saint-Simon ainda mantém a ideia de uma sociedade hierarquizada, por isso a desigualdade, pois no topo estariam os diretores da indústria e de produção, engenheiros, artistas e os cientistas; na parte de baixo estariam os trabalhadores responsáveis pela execução dos projetos feito pelos inventores e diretores. Com isso, acaba prevendo o grau máximo da capacidade de produção. Este foi o primeiro a perceber que o conflito de classes estava relacionado com a economia e que seria nas mãos dos trabalhadores que o futuro seria construído, mas guiados por alguém.

Pode-se perceber que Saint-Simon estava adquirindo uma concepção anti-igualitária e antidemocrática, em se tratando do seu aspecto religioso, pois artgumentava que todos os homens deveriam ter os mesmos princípios. Por isso, o "novo Cristianismo" substituiria o "Cristianismo degenerado", e teria como imperativo a justiça social, pois o núcleo deveria se consolidar no que seria a fraternidade do homem, resultando num mundo de homens livres.

Influência[editar | editar código-fonte]

Saint-Simon é considerado um dos fundadores da Sociologia, que estaria sendo sustentada por duas forças opostas: orgânicas (estáveis) e críticas (mudam a história). Só a sociedade industrial poderia acabar com a crise que a França passava. Este autor ainda marca a ruptura com o Antigo Regime. Para Saint-Simon, a Política era agora a ciência da produção, porém a Política vê seu fim com a justiça social.

A obra principal de Saint-Simon é New Christianity (1825). Nele declara que a Religião tendia a melhorar a condição de vida dos mais necessitados. Ele morreu no ano da publicação desse livro, no dia 19 de maio. Em três anos seus seguidores tinham desenvolvido o que podemos chamar de um culto quase religioso baseado na interpretação das suas idéias, e difundiram as suas idéias através da Europa e América do Norte, influenciando socialistas e outros românticos do início do século XIX, como Sainte-Beuve, Victor Hugo e George Sand.

Outras obras[editar | editar código-fonte]

  • 1802 - Lettres d'un habitant de Genève à ses contemporains;
  • 1803 - Un rêve;
  • 1807 - Introduction aux travaux scientifiques du XIXème;
  • 1810 - Esquisse d'une nouvelle encyclopédie;
  • 1813 - Travail sur la gravitation universalle;
  • 1814 - De la réorganisation de la sociéte européene (em colaboração com A. Thierry);
  • 1813-1816 - Mémoires sur la science de l'homme;
  • 1817 - L'industrie ou discussions politiques, morales et philosophiques, dans l'intérêt de tous les hommes livrés à des travaux utiles et indépendants;
  • 1819-1820 - L'organisateur;
  • 1821 - Le système industriel;
  • 1823 - Le catéchisme des industriels;
  • 1825 - Opinions littèraires, philosophiques et industrielles.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • IONESCU, Ghita. El pensamiento politico de Saint-Simon. Tradução de: Carlos Melchor e Leopoldo Rodríguez Regueira. Título Original: The political thought of Saint-Simon. 1976. Oxford University Press. Primeira edição em espanhol, 1983. Fondo de Cultura Economica: México, D.F., 1983. ISBN: 968-16-1595-6.
  • NEWMAN, Michael. Socialism: A Very Short Introduction - Oxford University Press, ISBN 0-19-280431-6
  • TAYLOR, Keith. Henri Saint-Simon (1760-1825): selected writings on science, industry, and social organization. Croom Helm Ltd: London, 1975. ISBN: 0-85664-206-1. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=X8MOAAAAQAAJ&printsec=front cover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false. Último acesso: 10 de janeiro de 2011.
  • WILSON, Edmund - Rumo à Estação Finlândia - Cia das Letras.


Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]