Corita Kent

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Corita Kent
Nome completo Frances Elizabeth Kent
Nascimento 20 de novembro de 1918
Fort Dodge, Iowa
Morte 18 de setembro de 1986 (67 anos)
Boston, Massachusetts
Nacionalidade Estados Unidos estadunidense
Área Serigrafia
Formação
Movimento(s) Pop art

Corita Kent, nascida Frances Elizabeth Kent, conhecida também como Irmã Mary Corita Kent (Fort Dodge, 20 de novembro de 1918 - Boston, 18 de setembro de 1986) foi uma freira católica, artista e educadora que viveu e trabalhou em Los Angeles e Boston.[1]

Seu trabalho era quase que exclusivamente com silkscreen, ou serigrafia, repelindo as limitações do meio bidimensional pelo desenvolvimento de métodos inovadores. Corita reiterava a prática da impressão para democratizar o acesso à sua arte, que ela desejava ser acessível para a população.[2] Sua arte com mensagens de amor e de paz foram particularmente populares durante a contracultura dos anos 1960 e começo dos anos 1970.[3]

A arte de Corita era seu ativismo, e através de seu trabalho social e espiritual, promovia amor e tolerância.[2]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Frances Elizabeth Kent nasceu em Fort Dodge, Iowa, em 1918.[4] Depois de ingressar na ordem das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, em Los Angeles, em 1936, ela adotou o nome de Irmã Mary Corita.[5] Formou-se no Otis College of Art and Design e no Chouinard Art Institute com bacharelado em 1941.[6] Fez mestrado pela Universidade do Sul da Califórnia em História da Arte em 1951.[1] Lecionou na Faculdade do Coração Imaculado, com a cátedra do Departamento de Arte. Sua aulas eram disputadas por artistas proeminentes avant-garde e inventores, como [Alfred Hitchcock]], John Cage, Saul Bass, Buckminster Fullere Charles e Ray Eames[7] e Corita teve papel fundamental em suas formações.[8]

Por volta de 1950, sua estética singular e era bem conhecida entre os membros do clero, que foram enviados de todo o país para terem aulas com ela. Na década seguinte, Corita rodou o mundo. Depois do Concílio Vaticano Segundo, Corita transformou a procissão anual do Dia de Maria da Imaculado Coração em uma celebração comunitária que fazia parte da campanha da irmã para reunir as pessoas. Seu trabalho, por volta dessa época, se tornou bastante politizado, com temas que falavam sobre a Guerra do Vietnã e a crise humanitária. As tensões entre a ordem e a liderança da igreja estavam aumentando, assim Corita deixou a igreja em 1968. A maioria das irmãs seguiu o exemplo e a Faculdade do Imaculado Coração fechou em 1980.[4][9]

Após deixar a ordem, Corita se mudou para Boston e se dedicou à arte. A decisão de deixar a ordem do Imaculado Coração foi muito difícil para ela, já que sua fé era um elemento central de sua vida por muitas décadas.[4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Corita criou centenas de trabalhos de serigrafia como pôsteres, murais e capas de livros. Seu trabalho incluiu selos para o Serviço Postal dos Estados Unidos, como Amor[10] e o Rainbow Swash a maior obra de arte do mundo, cobrindo uma área de 46m de largura de um tanque de gás natural em Boston.[11] Seu trabalho de 1951, O Senhor É Convosco ganhou o primeiro prêmio na Feira da Califórnia e do Museu de Arte, Ciência e História do Condado de Los Angeles.[9]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Seu estilo era uma interseção entre influências culturais, políticas e religiosas. Inspirada nos trabalhos de Andy Warhol, ela passou a usar a cultura pop como material de trabalho em 1962.[9] Suas impressões em tela frequentemente incorporavam o produto arquetípico de marcas do consumismo norte-americano ao lado de textos espirituais. Seu design envolvia se apropriar de um gráfico original de uma propaganda para serir sua ideia sobre ela; por exemplo, ela rasgaria, picotaria ou desintegraria a imagem, a seguir recomporia com seu trabalho sobre ela. Usou frequentemente a sinalização de lojas de departamentos, textos das escrituras, recortes de jornal, poemas líricos e grandes textos literários de autoras como Gertrude Stein, E. E. Cummings, e Albert Camus como o ponto focal e textual de seu trabalho.[12]

Criando uma justaposição entre a "arte" formalmente reconhecida (ou respeitada) e a arte que Corita via em seu mundo cotidiano - no supermercado, num passeio, na sala de aula - ela amorosamente elevou o banal ao sagrado. Segundo Harvey Cox, amiga de Corita Kent:

A maioria de seus primeiros trabalhos eram iconográficos, desenhos e materiais bíblicos e de outras religiões. Seu estilo era baseado em texto, passagens das escrituras e citações positivas, muitas vezes abrangendo composições inteiras em negrito e tipografia altamente saturadas. Apesar das composições frequentemente surreais ou desorientadoras de suas obras, suas peças sempre possuíam um propósito. Foi a partir dos anos 60 que seu trabalho se tornou cada vez mais político.[14] Seu trabalho stop O Bombardeio(1967) é um grande protesto contra o uso de armamento nuclear. Corina também produziu bastante no convento em resposta à reforma católica de 1960 pelo Concílio Vaticano II, bem como em resposta a vários assuntos políticos e sociais da época, o que levou a vários problemas com a arquidiocese, o que a fez largar a ordem religiosa.[15]

Morte[editar | editar código-fonte]

Corita Kent foi diagnosticada com câncer em 1974. Após o diagnóstico, Corita restringiu sua arte a aquarelas e apenas usava a serigrafia quando precisava de algo mais permanente.[16] Mesmo doente, ela produziu grandes obras, como a Rainbow Swash.[17] Ela faleceu em 18 de setembro de 1986 em Boston, Massachusetts, aos 67 anos.[16] Seu corpo foi cremado e não há informações sobre a localização de suas cinzas.[18]

Legado[editar | editar código-fonte]

Recentemente, Corita Kent vem ganhando reconhecimento e admiração por seu trabalho no movimento Pop Art. Como mulher e freira, criando arte no século XX, muitos tentaram colocar seu trabalho à margem, mas pesquisas recentes a colocam como uma das grandes expoentes do Pop Art.[16] Seu trabalho vem ganhando exposições ao redor do mundo, como a Someday is Now: The Art of Corita Kent,[19] no Museu Tang e There Will Be New Rules Next Week[20] no Dundee Contemporary Arts.

Uma galeria e arquivo foi criado, o Centro Corita de Arte, para promover o trabalho e o espírito de Corita Kent, no campus do Colégio do Imaculado Coração, em Los Feliz, em Los Angeles. Em 2016, Corita Kent foi homenageada com a Medalha de Artes Gráficas do Instituto Americano de Arte.[21]

Lista parcial de publicações[editar | editar código-fonte]

  • 1967 Footnotes and Headlines: A Play-Pray Book, Irmã Corita
  • 1968 To Believe in God, poema de Joseph Pintauro, colorido por Irmã Corita
  • 1969 city, uncity, poemas de Gerald Huckaby, ilustrações de Corita Kent
  • 1970 Damn Everything but the Circus, Corita Kent
  • 1990 Primary Colors: The Story of Corita, Jeffrey Hayden
  • 1992 Learning By Heart: Teachings to Free the Creative Spirit, Corita Kent (póstumo) e Jan Steward
  • 2000 "Life Stories of Artist Corita Kent (1918–1986): Her Spirit, Her Art, the Woman Within" tese de doutorado, Gonzaga University), Barbara Loste
  • Eye, No. 35, Vol. 9, editado por John L. Walters, Quantum Publishing, 2000.
  • 2006 Come Alive! The Spirited Art of Sister Corita, Julie Ault

Referências

  1. a b Eye, Number 35, Volume 9, Spring 2000.
  2. a b Dammann, April (2015). Corita Kent: Art and Soul. The Biography. Santa Monica, California: Angel City Press. pp. 10–92. ISBN 978-1626400207 
  3. Kurhi, Eric (14 de fevereiro de 2011). «Work of pop art icon Corita Kent coming to Hayward, Castro Valley galleries». Oakland Tribune. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  4. a b c «Corita Kent, Warhol's Kindred Spirit in the Convent». The New York Times. 10 de abril de 2015. ISSN 0362-4331. Consultado em 26 de junho de 2016 
  5. Tigerman, Bobbye. Handbook of California Design. Cambridge, Massachusetts; London, England: The Los Angeles County Museum Art and The MIT Press. pp. 142–143. ISBN 0262518384 
  6. «Corita Kent oral history transcript». Archives of American Art. Oral History Program, University of California, Los Angeles. 1977. Consultado em 26 de novembro de 2014 
  7. «Tang hosts retrospective of artist, activist, and educator Corita Kent». Skidmore College. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  8. Tigerman, Bobbye. Handbook of California Design. Cambridge, Massachusetts; London, England: The Los Angeles County Museum Art and The MIT Press. pp. 142–143. ISBN 0262518384 
  9. a b c Dammann, April (2015). Corita Kent: Art and Soul. The Biography. Santa Monica, California: Angel City Press. pp. 10–92. ISBN 978-1626400207 
  10. «Love (1985)». Smithsonian National Postal Museum. Consultado em 26 de junho de 2015 
  11. Phillip Martin (3 de novembro de 2001). «Wartime Visions». National Public Radio. Consultado em 26 de junho de 2015 
  12. Axell, Evelyne, and Angela Stief. "Sister Corita." Power up - Female Pop Art: Evelyne Axell, Sister Corita, Christa Dichgans, Rosalyn Drexler, Jann Haworth, Dorothy Iannone, Kiki Kogelnik, Marisol, Niki De Saint Phalle ; Kunsthalle Wien, 5. November 2010 Bis 20. Februar 2011, Phoenix Art. Köln: Dumont, 2010. 151.
  13. «Someday is Now: The Art of Corita Kent». www.warhol.org. Consultado em 2 de abril de 2016. Arquivado do original em 11 de novembro de 2016 
  14. «Corita Kent». Corita.org. Consultado em 2 de abril de 2016. Arquivado do original em 1 de setembro de 2016 
  15. Newhouse, Kristina (2000). «Sister Corita, David Moffett: UCLA Hammer Museum, Los Angeles». Artext: 87 
  16. a b c Kennelly, Karen M. (2004). KENT, Corita. November 20, 1918-September 18,1986. Cambridge, MA: Harvard University Press. 
  17. Winick, Les (7 de abril de 1985). «Usps Sends Its Fourth Message Of Love To Avid `Special Regular`». Chicago Tribune. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  18. Find a grave (ed.). «Corita Kent». Find a grave. Consultado em 25 de fevereiro de 2017 
  19. «Someday Is Now: The Art of Corita Kent». 15 de maio de 2010. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  20. «There Will Be New Rules Next Week». Dundee Contemporary Arts. Consultado em 25 de novembro de 2014 
  21. Susan Dackerman (ed.). «AIGA Medalist: Corita Kent: Biography». American Institute of Graphic Arts. Consultado em 30 de novembro de 2016