Cronologia de Jesus

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ícone Medieval russo representando a Vida de Cristo

A cronologia de Jesus procura estabelecer uma linha do tempo entre os principais eventos da vida de Jesus. Os evangelhos cristãos, foram escritos na sua essência em um formato de documento teológico ao invés de crônicas narrativas e seus autores mostravam pouco interesse em manter uma cronologia precisa da vida de Jesus. Entretanto, é possível estabelecer uma relação entre documentos judeus e greco-romanos com os relatos do Novo Testamento, possibilitando estimar as datas dos acontecimentos mais importantes da vida de Jesus.[1][2][3][4]

Duas metodologias têm sido utilizadas para estimar o ano de nascimento de Jesus, a primeira, baseada nos relatos de seu nascimento nos evangelhos e uma segunda, traçando uma retrospectiva, tendo como base a idade indicada do início de sua pregação. A maioria dos estudiosos dessa teoria admitem como o ano de nascimento entre 6 e 4 a.C.[5] Três detalhes são utilizados para estimar o ano que Jesus iniciou sua pregação: uma menção de sua idade durante um ano específico no reinado de Tibério, a data da construção do Templo de Jerusalém e a morte de João Batista.[6][7][8][9][10][11] Os acadêmicos estimam que Jesus iniciou sua pregação e reuniu seus seguidores entre os anos 27 e 29 d.C., continuando por pelo menos mais um ou três anos dependendo da fonte considerada.[6][8][12][13]

Duas abordagens principais são usadas para estimar a data da crucificação de Jesus. Uma utiliza fontes não-cristãs como Flávio Josefo e Tácito.[14][15] Outra abordagem traça um paralelo entre o bem documentado julgamento do Apóstolo Paulo em Acaia para estimar a data de sua conversão.[16][16][17][18] Os estudiosos, em geral, tendem a concordar que a crucificação de Jesus aconteceu entre os anos 30 e 36 D.c.[8][16][19][20]

Contexto e linhas gerais[editar | editar código-fonte]

Antiguidades Judaicas por Flávio Josefo, uma fonte da cronologia de Jesus.[21]

Os evangelhos cristãos não têm como objetivo apontar uma lista completa de todos os eventos da vida de Jesus.[3][22][23] Eles foram escritos como documentos teológicos no contexto do cristianismo primitivo ao invés de narrativas históricas e seus autores mostram pouco interesse em manter uma cronologia exata da vida de Jesus ou em sincronizar os acontecimentos de sua vida com a história secular da idade.[1][2] Uma demonstração do fato que os evangelhos foram concebidos como documentos teológicos em detrimento das narrativas históricas é o fato de que cerca de um terço de seu texto é dedicado a apenas setes dias, a última semana da vida de Jesus em Jerusalém.[24]

Embora apresentem poucos detalhes sobre os eventos que possam ser efetivamente datados, é possível estabelecer alguns intervalos entre as datas dos eventos de maior importância de sua vida através da correlação com outras fontes.[1][2][25] Um bom número de documentos não-cristãos históricos de fontes greco-romanas e judaicas são utilizados na análise histórica da cronologia de Jesus.[26] De certa forma, a maioria dos historiadores modernos concordam que Jesus existiu e consideram seu batismo e sua crucificação como eventos históricos e que o intervalo aproximado entre essas datas podem ser estimados.[27][28][29]

Com o uso desses métodos, a maioria dos estudiosos, estimam que o nascimento de Jesus aconteceu entre os anos 6 e 4 a.C.,[5] que sua pregação começou por volta de 27-29 d.C. e durou pelo menos três anos[6][8][12][13] e calculam que a morte de Jesus ocorreu entre os anos 30 e 36 d.C..[8][16][19][20]

Data de nascimento[editar | editar código-fonte]

As duas abordagens principais para estimar o ano de nascimento de Jesus envolvem a comparação de relatos dos evangelhos canônicos com fontes históricas para determinar um intervalo. Existe ainda um intervalo maior de datas obtidos através de teorias especulativas que também são considerados.

Relatos do nascimento: Lucas e Mateus[editar | editar código-fonte]

Vista atual de Belém

Uma método para determinar o ano de nascimento de Jesus baseia-se na análise dos relatos do seu nascimento nos Evangelhos de Lucas e Mateus em conjunto com as fontes históricas correspondentes.[8][30]

A maioria dos acadêmicos não acreditam que os relatos de Lucas e Mateus sobre o nascimento de Jesus sejam historicamente corretos.[31] Por essa razão eles não os consideram como uma forma confiável para determinar o ano de nascimento.[32] Karl Rahner afirma que os autores dos evangelhos geralmente se detêm nos elementos teológicos em detrimento à cronologia histórica.[33] No entanto, Lucas e Mateus associam o nascimento de Jesus com a época de Herodes.[33] Como resultado, os historiadores em geral aceitam que a data de nascimento está entre os anos 6 e 4 a.C.[5][34][35][36] É consenso geral que Herodes morreu em 4 a.C., situando desta forma o nascimento de Jesus antes deste fato.[30][33]

Uma passagem no Evangelho de Mateus, «E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes» (Mateus 2:1), pode ser um indicativo de que Jesus teria cerca de dois anos na época da visita dos Três Reis Magos, antes da morte de Herodes.[37] Lucas 1:5 menciona o reinado de Herodes pouco antes ao nascimento de Jesus,[30] porém situa o nascimento durante o Censo de Quirino, dez anos depois. Atentos as contradições entre os dois relatos, os historiadores acreditam que Lucas cometeu um erro ao mencionar o censo, embora, tradicionalmente os estudiosos tentem conciliar as duas narrativas.[38][39][40][41][42]

Os relatos dos evangelhos não mencionam a época do ano que ocorreram os eventos descritos. Entretanto, o relato do Evangelho de Lucas de pastores levando suas ovelhas para pastar nos campos foi levado em consideração para supor que o nascimento ocorreu durante a primavera, verão ou início do outono.[43][44][45]

O dia do nascimento de Jesus, celebrado como o Natal, é baseado em uma festividade em vez de uma análise histórica. Nos Séculos I e II, o Dia do Senhor (Domingo) foi uma das primeiras celebrações cristãs e incluia um certo número de temas teológicos. No século II, a Ressurreição de Jesus tornou-se uma festividade separada, como a Páscoa e no mesmo século a Epifania do Senhor passou a ser celebrada nas igrejas do oriente em 6 de janeiro.[46] A festa da Natividade que mais tarde tornou-se o Natal era uma festividade do século IV na tradição cristã ocidental, notoriamente de Roma e do Norte da África, entretanto é incerto onde e quando foi celebrado pela primeira vez.[47]

Uma das primeiras fontes afirmando que 25 de dezembro é a data do nascimento de Jesus é creditada a Hipólito de Roma que chegou a essa conclusão no início do século III baseado no pressuposto de que a concepção de Jesus aconteceu no equinócio da primavera em 25 de março e seu nascimento ocorrera exatamente nove meses depois.[48] No final do século IV João Crisóstomo também concorda com a data de 25 de dezembro, baseando seu argumento no hipótese de que a oferta do incenso em Lucas 1:8-11 foi na verdade a oferta do incenso por um sumo sacerdote no Yom Kipur (início de outubro), e tal como acima, somando-se 15 meses a essa data. Entretanto, essa forma se assemelha mais como a justificativa de uma retrospectiva de uma data escolhida do que a tentativa genuína de determinar a correta data de nascimento.[49]

Retrospectiva a partir do início da pregação de Jesus[editar | editar código-fonte]

Disputa entre Jesus e os Fariseus, por James Tissot, c. 1890

Outra abordagem para determinar o ano de nascimento é feita a partir da retrospectiva do início da pregação de Jesus, baseada em Lucas 3-23 que diz que ele tinha "quase 30 anos" na época.[8][19]

O período mais aceito para descrever a época dos trabalhos de João Batista, com base na referência do reinado de Tibério em Lucas 3:1-2 é entre 28-29 d.C., com Jesus começando sua pregação pouco depois.[6][7][19][50][51] De acordo com João 2:20 o Templo já contava com quarenta e seis anos desde sua construção, sendo assim, os estudiosos estimam que a visita de Jesus ao templo aconteceu entre 27-29 D.c, quando Jesus tinha "quase 30 anos".[6][52]

Retrocedendo a partir desta data, é possível determinar que Jesus teria nascimento por volta de 1 A.c. No entanto, alguns historiadores calculam que a frase "quase 30 anos" pode ser interpretada como 32 anos, o que ajustaria a data de nascimento com o reinado de Herodes, que morreu em 4 A.c.[8][19][50]

Anos de pregação[editar | editar código-fonte]

Reinado de Tibério e o Evangelho de Lucas[editar | editar código-fonte]

Parte do Mapa de Madaba mostrando Bethabara (Βέθαβαρά), local do batismo de João

Um método para estimar a data do começo do ministério de Jesus é baseada no relato específico do Evangelho de Lucas em Lucas 3:1-2, sobre o ministério de João Batista, o qual precedeu Jesus:[6][7]

E no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos presidente da Judéia, e Herodes tetrarca da Galiléia, e seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

O reinado de Tibério começou após a morte de seu predecessor, Augusto em 14 d.C., mostrando que o ministério de João Batista teve início em 29 d.C.[53][54]

O Novo Testamento mostra João Batista como o precursor de Jesus e o batismo de Jesus marca o começo de seu ministério.[55][56][57] No seu sermão em Atos 10:37-38, feito na casa de Cornélio, o Centurião, o Apóstolo Pedro se refere ao que "veio por toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo que João pregou" e que Jesus andou "fazendo bem".[58]

Templo de Jerusalém e Evangelho de João[editar | editar código-fonte]

Modelo do Templo de Herodes, no Museu de Israel, citado em John 2:13

Outro método para determinar o começo do ministério de Jesus sem depender dos evangelhos sinópticos pode ser feito através dos relatos do Evangelho de João sobre a visita de Jesus ao Templo de Herodes em Jerusalém com os dados históricos sobre a construção do Templo.[6][8][13]

John 2:13 diz que Jesus foi ao Templo em Jerusalém no início de seu ministério e em John 2:20 a Jesus é dito: "Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu o levantarás em três dias?".[6][8]

O templo de Herodes em Jerusalém foi uma ampla construção localizada no Monte do Templo, que nunca foi completamente finalizada e acabou sendo destruída pelos romanos em 70 D.c.[59][60][61] Herodes ficou conhecido como um dos maiores construtores da antiguidade, sendo responsável por erguer cidades como Cesareia Marítima, Sebaste e obras como um grande palácio em Massada, um palácio de verão em Jericó, um palácio fortificado em Herodium.[60]

Flávio Josefo (Ant 15.11.1) relata que a reconstrução do templo teve início no 18º ano do reinado de Herodes.[6][19][62] Porém existem algumas incertezas sobre o modo como Flávio se referia e computava essas datas, qual evento marcou o início do reinado de Herodes e qual data se refere ao templo interior ou a subsequente construção.[8][13][55] Levando-se em conta que a construção levou quarenta e seis anos, a melhor estimativa dos estudiosos para o início da pregação de Jesus gira por volta do ano 29 D.c.[63][64][6][8][12][13][65]

Referência de Flávio Josefo a João Batista[editar | editar código-fonte]

Em Antiguidades Judaicas, o historiador Flávio Josefo menciona a prisão e execução de João Batista por Herodes Antipas e que Herodíade  deixou seu marido para se casar com Herodes Antipas, contrariando a lei judaica..[9][10][11][66]

João Batista repreende Herodes. Afresco por Masolino, 1435

Os historiadores concordam que os relatos de Flávio Josefo são autênticos.[9][67] Sua referência ao casamento entre Herodes e Herodíade, que também é mencionado nos evangelhos estabelece uma relação com os episódios narrados.[9]

No entanto, embora os evangelhos e Flávio mencionem que Herodes Antipas matou João Batista, eles divergem nos detalhes e no motivo do fato, como por exemplo se isto aconteceu em consequência do casamento entre Herodes Antipas e Herodíade (como mencionado em Matthew 14:4, Mark 6:18), ou foi uma medida preventiva de Herodes, o que possivelmente ocorreu antes do casamento para reprimir uma possível revolta com base nos comentários de João, como Flávio sugere em Ant 18.5.2.[21][68][69][70]

O ano exato do casamento de Herodes Antipas e Herodíade é objeto de debate entre os historiadores.[10] Alguns acreditam que o casamento aconteceu entre os anos 27 e 31 D.c, enquanto outros acreditam que seria por volta de 35 D.c, embora esta última data apresente menor apoio dos estudiosos.[10] Em sua análise da vida de Herodes, Harold Hoehner acredita que a prisão de João Batista aconteceu entre 30 e 31 D.c.[71] A International Standard Bible Encyclopedia estima que João Batista morreu entre os anos 31 e 32 D.c.[11]

Flávio afirma (Ant 18.5.2) que a derrota de Herodes Antipas no conflito com Aretas IV da Nabatea foi considerado pelo povo judeu da época uma infelicidade provocada pela execução injusta de João Batista.[70][72][73] Uma vez que João Batista foi executado antes da derrota de Herodes frente a Aretas e baseado nas estimativas dos historiadores na data de casamento entre Herodes Antipas e Herodíade, a última fase do ministério de João Batista, assim como partes do ministério de Jesus acontecem no intervalo histórico entre 28 e 35 D.c, tendo este último menor apoio entre os estudiosos.[10][73][74]

Data da morte[editar | editar código-fonte]

Administração de Pôncio Pilatos[editar | editar código-fonte]

O historiador romano Tácito

Todos os quatro Evangelhos Canônicos concordam que Jesus foi crucificado durante a administração de Pôncio Pilatos, o governador romano da Judeia.[75][76]

Em Antiguidades Judaicas (escrito por volta de 93 d.C.) Flávio Josefo, afirma (Ant 18.3) que Jesus foi crucificado por ordem de Pilatos.[77] A maioria dos estudiosos concordam, que embora essas citações incluam algumas interpolações cristãs posteriores, ela originalmente possui uma referência a execução de Jesus por Pilatos.[78][79][80][81][82]

No século II, o historiador romano Tácito[83][84] em sua obra Anais (Tácito) descreve a perseguição aos cristãos por Nero e afirma (Annals 15.44) que Jesus foi executado sob as ordens de Pilatos,[77][85][85] uma referência, geralmente, considerada genuína e com o valor de uma fonte independente.

Pôncio Pilatos foi o governador da Judeia a partir de 26 D.c até ser substituído por Marcelo por volta de 36 a 37 D.c, estabelecendo a data da morte de Jesus entre 26 e 37 D.c.[86][87][88]

Reinado de Herodes Antipas[editar | editar código-fonte]

No Evangelho de Lucas, enquanto Jesus estava na sua corte, Pilatos percebeu que Jesus era uma Galileu e como tal estava sob a jurisdição de Herodes Antipas.[89][90] Uma vez que Herodes estava em Jerusalém na época, Pilatos decidiu enviar Jesus para ser julgado por Herodes.[89][90]

O episódio somente é descrito no evangelho de Lucas (23:7-15).[91][92][93][94] Alguns estudiosos questionam a autenticidade deste relato, uma vez que este é mencionado exclusivamente no Evangelho de Lucas, porém a International Standard Bible Encyclopedia julga que a passagem é coerente com o tema tratado no evangelho.[11]

Herodes Antipas, um filho de Herodes o Grande, nasceu antes de 20 A.c e foi enviado ao exílio no verão de 39 D.c após uma disputa envolvendo Calígula e  Agrippa I, o neto de seu pai.[95][96] Embora esse episódio forneça um amplo período de tempo para a morte de Jesus, ele está de acordo com outras estimativas que indicam que a morte de Jesus ocorreu antes de 39 D.c.[97][98]

Conversão de Paulo[editar | editar código-fonte]

O Templo de Apolo em Delfos, Grécia, onde foi descoberta a Inscrição de Gálio no começo do século XX[99][100]

Outra abordagem para determinar o limite máximo para o ano da morte de Jesus é estimada de acordo com a data da Conversão do Apóstolo Paulo, que de acordo com o Novo Testamento ocorreu pouco tempo depois da morte de Jesus.[16][17][18] A conversão de Paulo é apresentada em ambas as Cartas de Paulo e nos Atos dos Apóstolos.[16][101]

Na Primeira Epístola aos Coríntios (15:3-8), Paulo menciona sua conversão. Os Atos dos Apóstolos incluem três referências a sua experiência de conversão, em Acts 9, Acts 22 e Acts 26.[102][103]

É possível determinar a data da conversão de Paulo, fazendo a regressão a partir do seu julgamente perante Junius Gallio em Acaia, Greece (Acts 18:12-17) por volta de 51-52 D.c, uma data que ganhou credibilidade histórica a partir da descoberta de quatro fragmentos de pedra em Delfos na Grécia, que faziam parte da Inscrição de Gálio.[100][104]

A maioria dos historiadores calculam que Gálio (irmão de Seneca o Jovem) tornou-se Procônsul entre a primavera de 51 d.C. e o verão de 52 d.C., renunciando ao posto em 53 d.C..[99][100][104][105][106] No entanto, o julgamento de Paulo é comumente atribuído ao início do mandato de Gallio, baseado na referência (Acts 18:2) de seu encontro no Corinto com Priscilla and Aquila, que recentemente tinham sido expulsos de Roma pelo Imperador Cláudio entre os anos 49-50 d.C..[104][107]

Conforme o Novo Testamento, Paulo permaneceu dezoito meses em Corinto, aproximadamente, dezessete anos após sua conversão.[100][108] Galatians 2:1-10 afirma que Paulo retornou a Jerusalém após sua conversão e várias missões (na época com Barnabas) como em Acts 11:25-26 e 2 Corinthians 11:23-33 aparecem no Livro dos Atos.[16][17] A data mais comumente aceita para a conversão de Paulo é entre 33 a 36 D.c, estando a morte de Jesus antes deste intervalo.[16][17][18]

Análise astronômica[editar | editar código-fonte]

Uma abordagem possível para datar a morte de Jesus seria utilizar as evidências astronômicas para estabelecer as datas da Páscoa. A dificuldade aqui é que o calendário judaico não é baseado em cálculos astronômicas mas sim em observações. É possível estabelecer se a Lua estava visível em um determinado dia mas não se ela foi realmente avistada.[109] De acordo com E. P. Sanders, não é possível recriar as condições atmosféricas locais de dois mil anos atrás: "a cronologia sonóptica não pode ser confirmada pela astronomia, mas também não pode ser desmentida".[110] Todavia, alguns escritores como o astrônomo Colin Humphreys tentou confirmar a data da crucificação utilizando esse método, obtendo a data de 3 de abril de 33[111] ou 1 de abril de 33.[112][113]

Método de Newton[editar | editar código-fonte]

Em 1733,[114] Isaac Newton calculou a data da crucificação pelo cálculo da visibilidade relativa do crescente da lua nova e concluiu que o evento teria acontecido em 23 de abril de 34 D.c..[115][116][117] Ele restringiu a probabilidade aos anos 33 e 34 d.C. e escolheu este último ano usando a "regra da postergação" do calendário Hebreu.[115][117][118]

Outros cientistas utilizaram métodos similires, com a versão desenvolvida por J. K. Fotheringham virando padrão na metade do século XX.[116][119] Fotheringham restringiu as possibilidades as datas de 7 de abril de 30 e 3 de abril de 33 e preferiu a última data com base na sua coincidência com um eclipse lunar.[120][121] Em 1990 o astrônomo Bradley E. Schaefer, através de outro método parecido chegou a mesma data.[122] J. P. Pratt também obteve a mesma conclusão, indicando ainda que a "regra da postergação" usada por Newton não fora utilizada desta vez.[115]

Método do eclipse[editar | editar código-fonte]

Um eclipse solar, agosto de 2008

Outro estudo envolve a referência nos Evangelhos Sinópticos ao período de escuridão sobre todo o mundo[123] no dia da crucificação, começando por volta do meio dia ("a nona hora").[124] No entanto, historiadores modernos veem isso como um artifício literário comum entre os escritores antigos, em vez de uma descrição de um evento real,[125][126] alguns escritores tentaram identificar algum fenômeno astronômico que poderia ter alguma relação com este acontecimento.

Pode ser que esse fenômeno não seja um eclipse solar, uma vez que este não poderia ocorrer durante a crucificação na Páscoa:[127] eclipses solares somente ocorrem durante a fase nova da lua e o 14 de Nisan sempre corresponde a lua cheia. Além disso, um eclipse solar duraria cerca de uma hora para a Lua cobrir o Sol, com a cobertura total não durando mais do que quatro a seis minutos.[128][129] Em 1983, os astrônomos Humphreys e Waddington concluiram que a referência atualmente fosse a um eclipse lunar, que pode durar poucas horas, com a cobertura total podendo chegar a uma hora de duração.[130][131] Seus argumentos são baseados na especulação de que a referência no Evangelho de Lucas sobre o escurecimento do Sol fosse um "erro de escriba", uma afirmação que o historiador David Henige descreve como  'desprotegida' e 'indefensável'.[132] O astrônomo Bradley indica que a lua eclipsada poderia não estar visível no momento do seu nascer.[133][134][135]

Dia da morte[editar | editar código-fonte]

Um Papyrus 90 fragmento de John 19

Nos relatos dos evangelhos sinópticos, a Última Ceia aconteceu na primeira noite da Páscoa, que de acordo com o Torá a Páscoa aconteceu após o escurecer do 14 of Nisan.[136] No entanto, no evangelho de João, o julgamento de Jesus ocorreu antes dos líderes judaicos comerem a ceia da páscoa[137] e a sentença foi feita no dia da preparação da páscoa. João relata que a crucificação em 14 Nisan, uma vez que a lei ordena que o cordeiro deva ser sacrificado entre as 15:00 e as 17:00 e antes da meia noite do mesmo dia.[138][139][140] Este entendimente se ajusta bem com a tipologia do Velho Testamento, onde Jesus entrou em Jerusalém para se identificar como o cordeiro pascal no 10 Nisan, foi crucificado e morto as 15:00 na tarde de 14 Nisan no mesmo momento que o sumo-sacerdote deveria sacrificar o cordeiro pascal e elevou ao antes do amanhecer de 16 Nisan, como uma espécie de oferta dos Primeiros Frutos.

É problemático conciliar a cronologia apresentada por João com as passagens sinópticas e a tradição de que a Última Ceia foi a Ceia da Páscoa,[141] colocando a crucificação em 15 Nisan. Alguns historiadores tentam explicar a contradição postulando as diferenças em como os judeus pós-exílio reconheciam o tempo:[142] para Jesus e seus discípulos, a Páscoa poderia ter começado no amanhecer da quinta-feira, enquanto que para os judeus tradicionais (seguindo Leviticus 23:5), ela não poderia começar até o anoitecer do mesmo dia.[143][144]

Um relógio de sol romano em um museu na Turquia

A estimativa da hora da morte de Jesus baseada nos relatos do Novo Testamento tem sido objeto de vários debates entre os estudiosos.[145][146] A narrativa da paixão de Marcos mostra três horários diferentes: um primeiro momento a crucificação aconteceu na terceira hora (09:00) em Mark 15:25, a escuridão aparece na sexta hora (meio-dia) e a morte de Jesus na nona hora (15:00).[147] No entanto, in John 19:14 Jesus ainda está na presença de Pilatos na sexta hora.[145]

Alguns estudiosos apresentam argumentos para conciliar os relatos,[145] embora Raymond E. Brown, revisando-os, concluiu que eles não podem ser facilmente conciliados.[146] Alguns argumentam que a precisão moderna em marcar a hora do dia pode não ser a mesma dos relatos dos evangelhos, escritos quando não havia uma padronização nos horários ou registros exatos das horas e minutos.[145][148] Andreas Köstenberger argumenta que as horas no século I eram frequentemente estimadas de acordo com a proximidade da terceira hoar e a intenção do autor do evangelho de Marcos foi o de fornecer a configuração para as três horas de escuridão, enquanto o Evangelho de João visa sublinhar a duração do processo, a partir do início da manhã.[#cite_note-Kellum538-152 [152]]

Em 1881, Brooke Foss Westcott sugeriu que os dois relatos poderiam ser conciliados assumindo que João seguia a prática romana de calcular o início do novo dia a meia noite, ao invés da tradição judaica, no entanto ele admite que isso não seria usual na época.[149] Na época do Novo Testamento, os judeus consideravam o dia como começando no por do sol quando a precisão era necessária, mas por outro lado, para fins práticos, ao nascer do sol. O evangelhista João em carta aos Gentis sugere que a escolha da forma romana de reconhecimento do tempo contando o dia a partir da meia noite. Alguns estudiosos afirmam que o reconhecimento dos romanosThe Evangelist John, writing primarily to Gentiles, it is suggested, chose the Roman legal use of time of reckoning, of counting the new day from midnight. Some scholars have postulated that the Roman reckoning was used by John, and that this is the reason for the apparent discrepancy with the other Gospel writers. Leon Morris, however, points out that this Roman practice was used only for dating contracts and leases, and days were normally counted from sunrise: "It is difficult to understand why this Evangelist alone should have such an unusual method of reckoning time".[150][151] William Barclay diz que a representação da morte de Jesus no Evangelho de joão é uma construção literária, colocando a crucificação no mesmo momento do dia da Páscoa quando deveria acontecer o sacrifício do cordeiro, retratando desta forma Jesus como o Cordeiro de Deus.[152]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Encyclopedia of theology: a concise Sacramentum mundi by Karl Rahner 2004 ISBN 0-86012-006-6 pages 730-731
  2. a b c Interpreting Gospel Narratives: Scenes, People, and Theology by Timothy Wiarda 2010 ISBN 0-8054-4843-8 pages 75-78
  3. a b Brown, Raymond E. (1994). The Death of the Messiah: from Gethsemane to the Grave: A Commentary on the Passion Narratives in the Four Gospels. Nova Iorque: Doubleday, Anchor Bible Reference Library. p. 964. ISBN 978-0-385-19397-9 
  4. Paula Fredriksen, 1999, Jesus of Nazareth, King of the Jews, Alfred A. Knopf Publishers, pages=6–7, 105–10, 232–34, 266
  5. a b c Dunn, James DG (2003). «Jesus Remembered». Eerdmans Publishing: 324 
  6. a b c d e f g h i j Eerdmans Dictionary of the Bible 2000 Amsterdam University Press ISBN 90-5356-503-5 page 249
  7. a b c The Bible Knowledge Background Commentary: Matthew-Luke, Volume 1 by Craig A. Evans 2003 ISBN 0-7814-3868-3 pages 67-69
  8. a b c d e f g h i j k l Paul L. Maier "The Date of the Nativity and Chronology of Jesus" in Chronos, kairos, Christos: nativity and chronological studies by Jerry Vardaman, Edwin M. Yamauchi 1989 ISBN 0-931464-50-1 pages 113-129
  9. a b c d Craig Evans, 2006 "Josephus on John the Baptist" in The Historical Jesus in Context edited by Amy-Jill Levine et al. Princeton Univ Press ISBN 978-0-691-00992-6 pages 55-58 [1]
  10. a b c d e Herodias: at home in that fox's den by Florence Morgan Gillman 2003 ISBN 0-8146-5108-9 pages 25-30 [2]
  11. a b c d International Standard Bible Encyclopedia: E-J by Geoffrey W. Bromiley 1982 ISBN 0-8028-3782-4 pages 694-695 [3]
  12. a b c The Riddles of the Fourth Gospel: An Introduction to John by Paul N. Anderson 2011 ISBN 0-8006-0427-X pages 200
  13. a b c d e Herod the Great by Jerry Knoblet 2005 ISBN 0-7618-3087-1 page 183-184
  14. Funk, Robert W.; Jesus Seminar (1998). The acts of Jesus: the search for the authentic deeds of Jesus. San Francisco: Harper 
  15. The Word in this world by Paul William Meyer, John T. Carroll 2004 ISBN 0-664-22701-5 page 112
  16. a b c d e f g h Jesus & the Rise of Early Christianity: A History of New Testament Times by Paul Barnett 2002 ISBN 0-8308-2699-8 pages 19-21
  17. a b c d The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 978-0-8054-4365-3 pages 77-79
  18. a b c Paul's early period: chronology, mission strategy, theology by Rainer Riesner 1997 ISBN 978-0-8028-4166-7 page 19-27 (page 27 has a table of various scholarly estimates)
  19. a b c d e f The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 978-0-8054-4365-3 page 114
  20. a b Sanders (1993). : 11, 249.  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  21. a b Jesus in history, thought, and culture: an encyclopedia, Volume 1 by James Leslie Houlden 2003 ISBN 1-57607-856-6 pages 508-509 [4]
  22. Christology: A Biblical, Historical, and Systematic Study of Jesus por Gerald O'Collins 2009 ISBN 0-19-955787-X pages 1-3
  23. Jesus as a Figure in History: How Modern Historians View the Man from Galilee by Mark Allan Powell 1998 ISBN 0-664-25703-8 pages 168-173
  24. Matthew by David L. Turner 2008 ISBN 0-8010-2684-9 page 613
  25. Sanders, EP (1995). «The Historical Figure of Jesus». London: Penguin Books: 3 
  26. Jesus and the Gospels: An Introduction and Survey by Craig L. Blomberg 2009 ISBN 0-8054-4482-3 pages 431-436
  27. In a 2011 review of the state of modern scholarship, Bart Ehrman wrote: "He certainly existed, as virtually every competent scholar of antiquity, Christian or non-Christian, agrees" B. Ehrman, 2011 Forged : writing in the name of God ISBN 978-0-06-207863-6. page 285
  28. Ramm, Bernard L (1993). «An Evangelical Christology: Ecumenic and Historic». Regent College Publishing: 19. There is almost universal agreement that Jesus lived 
  29. Borg, Marcus (1999). «The Meaning of Jesus: Two Visions». HarperCollins: 236. some judgements are so probable as to be certainimagem: for example, Jesus really existed  |contribuição= ignorado (ajuda)
  30. a b c New Testament History by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0-310-31201-9 pages 121-124
  31. Marcus Borg, 'The Meaning of the Birth Stories' in Marcus Borg, N T Wright, The Meaning of Jesus: Two Visions (Harper One, 1999) page 179: "I (and most mainline scholars) do not see these stories as historically factual."
  32. Sanders, E. P. The historical figure of Jesus. Penguin, 1993 pages 85-88
  33. a b c Encyclopedia of theology: a concise Sacramentum mundi by Karl Rahner 2004 ISBN 0-86012-006-6 page 731
  34. Some of the historians and Biblical scholars who place the birth and death of Jesus within this range include D. A. Carson, Douglas J. Moo and Leon Morris. An Introduction to the New Testament. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1992, 54, 56
  35. Michael Grant, Jesus: An Historian's Review of the Gospels, Scribner's, 1977, p. 71.
  36. Ben Witherington III, "Primary Sources," Christian History 17 (1998) No. 3:12–20.
  37. Freed, Edwin D (2004). «Stories of Jesus' Birth». Continuum International: 119 
  38. Archer, Gleason Leonard. Encyclopedia of Bible Difficulties. Grand Rapids, Mich.: Zondervan Pub. House. p. 366. ISBN 0-310-43570-6  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  39. Frederick Fyvie Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable? (1943imagem: republished Eerdman, 2003), page 87-88.
  40. Steven L. Cox, Kendell H Easley, 2007 Harmony of the Gospels ISBN 0-8054-9444-8 pages 289-290
  41. Nikos Kokkinos, 1998, in Chronos, kairos, Christos 2 by Ray Summers, Jerry Vardaman ISBN 0-86554-582-0 pages 121-126
  42. C.F. Evans, Tertullian's reference to Sentius Saturninus and the Lukan Census in the Journal of Theological Studies (1973) XXIV(1): 24-39
  43. "New Testament History" by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0-310-31201-9 pp. 121-124
  44. Luke: an introduction and commentary by Leon Morris 1988 ISBN 0-8028-0419-5 page 93
  45. Stories of Jesus' Birth by Edwin D. Freed 2004 ISBN 0-567-08046-3 pages 136-137
  46. An introductory dictionary of theology and religious studies by Orlando O. Espín, James B. Nickoloff 2007 ISBN 0-8146-5856-3 page 237
  47. Christian worship in Reformed Churches past and present by Lukas Vischer 2002 ISBN 0-8028-0520-5 pages 400-401
  48. Mercer Dictionary of the Bible by Watson E. Mills, Edgar V. McKnight and Roger A. Bullard 2001 ISBN 0-86554-373-9 page 142
  49. Roger T. Beckwith (2001). Calendar and chronology, Jewish and Christian: biblical, intertestamental and patristic studies, p. 72
  50. a b Christianity and the Roman Empire: background texts by Ralph Martin Novak 2001 ISBN 1-56338-347-0 pages 302-303
  51. Hoehner, Harold W (1978). Chronological Aspects of the Life of Christ. [S.l.]: Zondervan. pp. 29–37. ISBN 0-310-26211-9 
  52. Jack V. Scarola, "A Chronology of the nativity Era" in Chronos, kairos, Christos 2 by Ray Summers, Jerry Vardaman 1998 ISBN 0-86554-582-0 pages 61-81
  53. Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum, Charles L Quarles, The Cradle, the Cross, and the Crown (B&H Publishing, 2009), page 139-140.
  54. Luke 1-5: New Testament Commentary by John MacArthur 2009 ISBN 0-8024-0871-0 page 201
  55. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Kellum140
  56. Jesus and the Gospels: An Introduction and Survey by Craig L. Blomberg 2009 ISBN 0-8054-4482-3 page 224-229
  57. Christianity: an introduction by Alister E. McGrath 2006 ISBN 978-1-4051-0901-7 pages 16-22
  58. Who is Jesus?: an introduction to Christology by Thomas P. Rausch 2003 ISBN 978-0-8146-5078-3 page
  59. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Roller67
  60. a b The Temple of Jerusalem: past, present, and future by John M. Lundquist 2007 ISBN 0-275-98339-0 pages101-103 [5]
  61. The biblical engineer: how the temple in Jerusalem was built by Max Schwartz 2002 ISBN 0-88125-710-9 pages xixx-xx
  62. Encyclopedia of the historical Jesus by Craig A. Evans 2008 ISBN 0-415-97569-7 page 115
  63. J. Dwight Pentecost, The Words and Works of Jesus Christ: A Study of the Life of Christ (Zondervan, 1981) pages 577-578.
  64. Andreas J. Köstenberger, John (Baker Academic, 2004), page 110.
  65. Jesus in Johannine tradition by Robert Tomson Fortna, Tom Thatcher 2001 ISBN 978-0-664-22219-2 page 77
  66. Ant 18.5.2-4
  67. The new complete works of Josephus by Flavius Josephus, William Whiston, Paul L. Maier ISBN 0-8254-2924-2 pages 662-663
  68. Women in scripture by Carol Meyers, Toni Craven and Ross Shepard Kraemer 2001 ISBN 0-8028-4962-8 pages 92-93 [6]
  69. Herod Antipas in Galilee: The Literary and Archaeological Sources by Morten H. Jensen 2010 ISBN 978-3-16-150362-7 pages 42-43 [7]
  70. a b The Emergence of Christianity: Classical Traditions in Contemporary Perspective by Cynthia White 2010 ISBN 0-8006-9747-2 page 48
  71. '&#39imagem:Herod Antipas'&#39imagem: by Harold W. Hoehner'&#39imagem: 1983 ISBN 0-310-42251-5 page 131. [S.l.]: Books.google.com. Consultado em 18 de julho de 2012 
  72. The relationship between John the Baptist and Jesus of Nazareth by Daniel S. Dapaah 2005 ISBN 0-7618-3109-6 page 48 [8]
  73. a b Herod Antipas by Harold W. Hoehner 1983 ISBN 0-310-42251-5 pages 125-127
  74. International Standard Bible Encyclopedia: A-D by Geoffrey W. Bromiley 1995 ISBN 0-8028-3781-6 pages 686-687
  75. Bromiley, Geoffrey W. (1995), International Standard Bible Encyclopedia. Wm. B. Eerdmans Publishing. vol. K-P. p. 929.
  76. Matthew 27:27-61, Mark 15:1-47, Luke 23:25-54 and John 19:1-38
  77. a b Theissen 1998, pp. 81-83
  78. The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament by Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum 2009 ISBN 978-0-8054-4365-3 page 104-108
  79. Evans, Craig A. (2001). Jesus and His Contemporaries: Comparative Studies ISBN 0-391-04118-5 page 316
  80. Wansbrough, Henry (2004). Jesus and the oral Gospel tradition ISBN 0-567-04090-9 page 185
  81. James Dunn states that there is "broad consensus" among scholars regarding the nature of an authentic reference to the crucifixion of Jesus in the Testimonium.Dunn, James (2003). Jesus remembered ISBN 0-8028-3931-2 page 141
  82. Skeptic Wells also states that after Shlomo Pines' discovery of new documents in the 1970s scholarly agreement on the authenticity of the nucleus of the Tetimonium was achieved, The Jesus Legend by G. A. Wells 1996 ISBN 0812693345 page 48: "... that Josephus made some reference to Jesus, which has been retouched by a Christian hand. This is the view argued by Meier as by most scholars today particularly since S. Pines..." Josephus scholar Louis H. Feldman views the reference in the Testimonium as the first reference to Jesus and the reference to Jesus in the death of James passage in Book 20, Chapter 9, 1 of the Antiquities as "the aforementioned Christ", thus relating the two passages.Feldman, Louis H.imagem: Hata, Gōhei, eds. (1987). Josephus, Judaism and Christianity ISBN 978-90-04-08554-1 page 55
  83. Van Voorst, Robert E (2000). Jesus Outside the New Testament: An Introduction to the Ancient Evidence Eerdmans Publishing ISBN 0-8028-4368-9 pages 39-42
  84. Backgrounds of early Christianity by Everett Ferguson 2003 ISBN 0-8028-2221-5 page 116
  85. a b Green, Joel B. (1997). The Gospel of Luke : new international commentary on the New Testament. Grand Rapids, Mich.: W.B. Eerdmans Pub. Co. p. 168. ISBN 0-8028-2315-7 
  86. Pontius Pilate: portraits of a Roman governor by Warren Carter 2003 ISBN 0-8146-5113-5 pages 44-45
  87. The history of the Jews in the Greco-Roman world by Peter Schäfer 2003 ISBN 0-415-30585-3 page 108
  88. Backgrounds of early Christianity by Everett Ferguson 2003 ISBN 0-8028-2221-5 page 416
  89. a b New Testament History by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0-310-31201-9 page 172
  90. a b Pontius Pilate: portraits of a Roman governor by Warren Carter 2003 ISBN 978-0-8146-5113-1 pages 120-121
  91. The Synoptics: Matthew, Mark, Luke by Ján Majerník, Joseph Ponessa 2005 ISBN 1-931018-31-6 page 181
  92. The Gospel according to Luke by Michael Patella 2005 ISBN 0-8146-2862-1 page 16
  93. Luke: The Gospel of Amazement by Michael Card 2011 ISBN 978-0-8308-3835-6 page 251
  94. «Bible Study Workshop - Lesson 228» (PDF). Consultado em 18 de julho de 2012 
  95. Herod Antipas by Harold W. Hoehner 1983 ISBN 0-310-42251-5 page 262
  96. All the people in the Bible by Richard R. Losch 2008 ISBN 0-8028-2454-4 page 159
  97. The Content and the Setting of the Gospel Tradition by Mark Harding, Alanna Nobbs 2010 ISBN 0-8028-3318-7 pages 88-89
  98. The Emergence of Christianity by Cynthia White 2010 ISBN 0-8006-9747-2 page 11
  99. a b The Cambridge Companion to St Paul by James D. G. Dunn (Nov 10, 2003) Cambridge Univ Press ISBN 0521786940 page 20
  100. a b c d Paul: his letters and his theology by Stanley B. Marrow 1986 ISBN 0-8091-2744-X pages 45-49
  101. Bromiley, Geoffrey William (1979). International Standard Bible Encyclopedia: A-D Wm. B. Eerdmans Publishing Company. pp. 689. ISBN 0-8028-3781-6.
  102. Paul and His Letters by John B. Polhill 1999 ISBN 0-8054-1097-X pages 49-50
  103. The Blackwell Companion to Natural Theology by William Lane Craig, James Porter Moreland 2009 ISBN 1-4051-7657-1 page 616
  104. a b c Christianity and the Roman Empire: background texts by Ralph Martin Novak 2001 ISBN 1-56338-347-0 pages 18-22
  105. The Greco-Roman world of the New Testament era by James S. Jeffers 1999 ISBN 0-8308-1589-9 pages 164-165
  106. The Bible Knowledge Background Commentary: Acts-Philemon by Craig A. Evans 2004 ISBN 0-7814-4006-8 page 248
  107. The Bible Knowledge Commentary: New Testament edition by John F. Walvoord, Roy B. Zuck 1983 ISBN 0-88207-812-7 page 405
  108. Eerdmans Dictionary of the Bible Amsterdam University Press, 2000 ISBN 90-5356-503-5 page 1019
  109. C. Philipp E. Nothaft, Dating the Passion: The Life of Jesus and the Emergence of Scientific Chronology (200–1600) page 25.
  110. E. P. Sanders, The Historical Figure of Jesus (Penguin, 1993) 285-286.
  111. "The Date of the Crucifixion", Colin Humphreys and W. Graeme Waddington, March 1985. American Scientific Affiliation website. Retrieved 17 January 2014.
  112. Colin Humphreys, The Mystery of the Last Supper Cambridge University Press 2011 ISBN 978-0-521-73200-0, page 37
  113. Staff Reporter (18 de abril de 2011). «Last Supper was on Wednesday, not Thursday, challenges Cambridge professor Colin Humphreys.». International Business Times. Consultado em 18 de abril de 2011 
  114. [9]
  115. a b c Pratt, J. P. (1991). «Newton's Date for the Crucifixion». Journal of the Royal Astronomical Society. 32 (3): 301–304. Bibcode:1991QJRAS..32..301P  [10]
  116. a b Colin Humphreys, The Mystery of the Last Supper Cambridge University Press 2011 ISBN 978-0-521-73200-0, pages 45-48
  117. a b Newton, Isaac (1733). "Of the Times of the Birth and Passion of Christ", in Observations upon the Prophecies of Daniel and the Apocalypse of St. John: "Thus there remain only the years 33 and 34 to be consideredimagem: and the year 33 I exclude by this argument... "
  118. Pratt refers to S. Zeitlin's 1966 work "The Judean Calendar during the Second Commonwealth and the Scrolls," Jewish Quar. Rev 57, 28-45 regarding the use of the postponement rule.
  119. Fotheringham, J.K., 1910. "On the smallest visible phase of the moon," Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 70, 527-531.
  120. Fotheringham, J.K. 1910 "Astronomical Evidence for the Date of the Crucifixion," Journal of Theological Studies 12, 120-127.
  121. Fotheringham, J.K. 1934. "The Evidence of Astronomy and Technical Chronology for the Date of the Crucifixion," Journal of Theological Studies 35, 146-162.
  122. Schaefer, B. E. (1990). «Lunar Visibility and the Crucifixion». Journal of the Royal Astronomical Society. 31 (1): 53–67. Bibcode:1990QJRAS..31...53S 
  123. Matthew 27:45, Mark 15:33, Luke 23:44
  124. The Bible Knowledge Commentary: New Testament by John F. Walvoord, Roy B. Zuck 1983 ISBN 978-0-88207-812-0 page 88
  125. David E. Garland, Reading Matthew: A Literary and Theological Commentary on the First Gospel (Smyth & Helwys Publishing, 1999) page 264.
  126. Geza Vermes, The Passion (Penguin, 2005) page 108-9.
  127. Exploring Ancient Skies: A Survey of Ancient and Cultural Astronomy by David H. Kelley, Eugene F. Milone 2011 ISBN 1-4419-7623-X pages 250-251
  128. Astronomy: The Solar System and Beyond by Michael A. Seeds, Dana Backman, 2009 ISBN 0-495-56203-3 page 34
  129. Meeus, J. (2003, December). The maximum possible duration of a total solar eclipse. Journal of the British Astronomical Association, 113(6), 343-348.
  130. http://www.crh.noaa.gov/fsd/astro/suneclipse.php
  131. Colin J. Humphreys and W. G. Waddington, The Date of the Crucifixion Journal of the American Scientific Affiliation 37 (March 1985)[11]
  132. Henige, David P. (2005). Historical evidence and argument. [S.l.]: University of Wisconsin Press. p. 150. ISBN 978-0-299-21410-4 
  133. Schaefer, B. E. (1990, March). Lunar visibility and the crucifixion. Royal Astronomical Society Quarterly Journal, 31(1), 53-67
  134. Schaefer, B. E. (1991, July). Glare and celestial visibility. Publications of the Astronomical Society of the Pacific, 103, 645-660.
  135. Marking time: the epic quest to invent the perfect calendar by Duncan Steel 1999 ISBN 0-471-29827-1 page 341
  136. [[:s:Tradução Brasileira da Bíblia//Erro: tempo inválido#Lev:23:5-6| Lev:23:5-6-he]]
  137. Paul Barnett, Jesus & the Rise of Early Christianity: A History of New Testament Times, page 21 (InterVarsity Press, 1999). ISBN 978-0-8308-2699-5
  138. Philo. «De Specialibus Legibus 2.145» 
  139. Josephus. The War of the Jews 6.9.3
  140. Mishnah, Pesahim 5.1.
  141. Matthew 26:17-19imagem: Mark 14:12-16imagem: Luke 22:7-8
  142. Stroes, H. R. (outubro de 1966). «Does the Day Begin in the Evening or Morning? Some Biblical Observations». BRILL. Vetus Testamentum. 16 (4): 460–475. JSTOR 1516711. doi:10.2307/1516711 
  143. Ross, Allen. «Daily Life In The Time Of Jesus» 
  144. Hoehner, Harold (1977). Chronological Aspects of the Life of Christ. Grand Rapids: Zondervan 
  145. a b c d Steven L. Cox, Kendell H Easley, 2007 Harmony of the Gospels ISBN 0-8054-9444-8 pages 323-323
  146. a b Death of the Messiah, Volume 2 by Raymond E. Brown 1999 ISBN 0-385-49449-1 pages 959-960
  147. The Gospel of Mark, Volume 2 by John R. Donahue, Daniel J. Harrington 2002 ISBN 0-8146-5965-9 page 442
  148. New Testament History by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0-310-31201-9 pages 173-174
  149. Brooke Foss Westcott, The Gospel according to St. John : the authorised version with introduction and notes (1881, page 282).
  150. Hunt, Michal - The Passover Feast and Christ's Passion - Copyright © 1991, revised 2007 - Agape Bible Study. Retrieved 17 January 2014.
  151. Leon Morris - The New International Commentary on the New Testament - The Gospel According to John (Revised) - William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan/Cambridge, U.K. - 1995, pages 138 and 708.
  152. William Barclay (2001). The Gospel of John. [S.l.]: Westminster John Knox Press. p. 340. ISBN 978-1-61164-015-1