Duarte de Lemos

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Duarte de Lemos
3.º Senhor da Trofa e Senhor da ilha de Santo Antônio, no Brasil
Armas dos Lemos (Livro do Armeiro-mor, de 1509)
Nascimento 1485
Morte 1558 (73 anos)
Ocupação Fidalgo, Militar
Filho(s) João Gomes de Lemos, 4.º senhor da Trofa
Pai João Gomes de Lemos, 2.° Senhor da Trofa
Mãe Violante de Sequeira
Religião Católica

Duarte de Lemos (148527 de junho de 1558), 3.º Senhor da Trofa, etc, foi um fidalgo e militar português do século XV. No Brasil, foi senhor da ilha de Santo Antônio, atual ilha de Vitória, onde veio a ser fundada a capital do estado do Espírito Santo.

Duarte de Lemos, terceiro Senhor da Trofa (estátua no Panteão dos Lemos, Igreja da Trofa do Vouga).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de João Gomes de Lemos, 2.° Senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela de juro e herdade, e de sua mulher Violante de Sequeira; e irmão mais velho de Fernão Gomes de Lemos,[1] embaixador à Pérsia em 1515[2] e capitão-mor de Ceilão em 1522.

Duarte de Lemos iniciou aos vinte anos de idade a sua carreira militar e partiu pela primeira vez, em 1505, para o Índia na armada de D. Francisco de Almeida.

Em 1508, regressou à Índia como capitão de uma das 13 naus da armada de seu tio materno, Jorge de Aguiar. Quando este faleceu num naufrágio, abertas as vias de sucessão, Duarte de Lemos sucedeu-lhe como capitão-mor do Mar e da Costa da Etiópia e da Arábia, ou seja, de todo o terço ocidental da governação portuguesa no Oceano Índico[3].

Rapidamente se incompatibilizou com Afonso de Albuquerque[2], pois Duarte de Lemos era um defensor da chamada visão comercial do império, propugnada desde o início por D. Francisco de Almeida, que se contrapunha à estratégia imperial, mais militarizada, aplicada por Albuquerque.[2]

Regressou a Lisboa em 1510 e foi confirmado como 3.º senhor da Trofa, em 08.07.1514[4][5], sendo-lhe o padroado da respectiva Igreja confirmado em 30.10.1520[6]. Sucedeu também a seu pai como 5.º morgado do Calhariz e senhor da honra e torre de Silva. Era moço fidalgo desde 1489 e foi depois cavaleiro fidalgo da Casa Real. Foi também cavaleiro da Ordem de Cristo (desde 1512) e nesta ordem comendador de Castelejo[4]. Em 1518, já pertencia ao Conselho de Dom Manuel I, cargo que manteve com o novo rei Dom João III, que o fez capitão-mor de uma rica armada.

A 15 de junho de 1537, recebeu como doação a ilha de Santo António, a atual cidade de Vitória, no Brasil, do donatário da capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho:

“Ao Senhor Duarte de Lemos a ilha grande que está da barra para dentro, que se chama de Santo António, completamente livre e isenta para si e seus descendentes, por o muito que lhe devo e por me vir ajudar a suster a terra que sem a sua ajuda o não fizera.”[4]

Como senhor da ilha, doou a alguns moradores sesmarias das terras da dita ilha que futuramente seria capital da capitania do Espírito Santo. Duarte de Lemos adentrou-se num mangal e num morro construiu a sua residência e a capela de Santa Luzia, considerada a construção mais antiga da cidade.[7]

Em 1549, recebeu em Lisboa a confirmação da doação da ilha pelo rei e regressou ao Brasil, de imediato, como capitão de uma das três naus da armada que levou o 1.º governador-geral, Tomé de Sousa, que no novo continente o fez capitão-mor da Capitania de Porto Seguro (1550).

Morreu no dia 27 de junho de 1558, já perto dos oitenta anos de idade. Seus restos mortais encontram-se no Panteão dos Lemos, na Igreja da Trofa[8], na cidade homónima.

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Duarte de Lemos casou, cerca do ano de 1503, com D. Joana de Melo (1478 - 12.10.1529), filha herdeira e sucessora de Álvaro de Brito, fidalgo da casa real, e de Isabel Pacheco. Este Álvaro de Brito (ou Álvaro de Brito Nogueira) era filho segundogênito de Mem de Brito, senhor do morgado de Santo Estêvão, em Beja e de S. Lourenço ou Santa Ana[9], em Lisboa.

Teve geração, 2 filhas e 4 filhos, entre os quais João Gomes de Lemos, que sucedeu na casa do pai e veio a ser 4.º senhor da Trofa.[10]

Referências

  1. Soveral, Manuel Abranches de. «João Gomes de Lemos 2º senhor da Trofa (1497)». Consultado em 23 de maio de 2017 
  2. a b c Pelúcia, Alexandra (2016). Afonso de Albuquerque - Corte, Cruzada e Império. Lisboa: Círculo dos Leitores. pp. 256, 208 – 209, 220 – 221. ISBN 978-989-644-337-5 
  3. Crowley, Roger (2015). Conquerors: How Portugal Forged the First Global Empire. New York: Random House. p. 227. ISBN 978-0812994001 
  4. a b c Abranches de Soveral, Manuel. «Duarte de Lemos 3º senhor da Trofa (1514)». www.soveral.info. Consultado em 23 de maio de 2017 
  5. «A Duarte de Lemos, fidalgo da casa del-rei, confirmação, para logo serem trespassadas nele, das cartas confirmadas em Évora, a 7 de Novembro de 1497, a João Gomes de Lemos, seu pai, para as haver como haveria por seu falecimento. - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 29 de novembro de 2019 
  6. «Confirmação da doação do padroado da nossa igreja que he na sua terra da Trofa a Duarte de Lemos. - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 29 de novembro de 2019 
  7. «O primeiro "Dono da Ilha de Vitória" - Dom Duarte Lemos (1536)». De Olho na Ilha. www.soveral.info. Consultado em 23 de maio de 2017 
  8. «DGPC | Igreja da Trofa, compreendendo os túmulos dos Lemos.». www.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  9. «Morgado de Santa Ana - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 30 de outubro de 2019 
  10. «Casa da Trofa. Lemos. Genealogia.». www.soveral.info. Consultado em 30 de outubro de 2019