Enéas Camargo

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Enéas
Informações pessoais
Nome completo Enéas Camargo
Data de nasc. 18 de março de 1954
Local de nasc. São Paulo (SP), Brasil
Nacionalidade brasileiro
Falecido em 27 de dezembro de 1988 (34 anos)
Local da morte São Paulo (SP), Brasil
Informações profissionais
Seleção nacional
1974–1976 Brasil Brasil 3 (1)
Times/Equipas que treinou

Enéas Camargo (São Paulo, 18 de março de 1954 — São Paulo, 27 de dezembro de 1988) foi um futebolista brasileiro, tendo jogado muitos anos na Portuguesa (1971 a 1980), clube do qual foi o segundo maior artilheiro, com 179 gols,[1] e maior artilheiro em campeonatos brasileiros, com 46 gols.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Enéas começou no infantil da Portuguesa, mas desistiu e ficou um ano afastado, exercendo a profissão de office-boy.[2] Voltou pela insistência do técnico dos juvenis Nena[2] e lá profissionalizou-se em 1972, lançado pelo técnico Cilinho.[3] Seu início foi irregular, e ele chegou a entrar em uma possível lista de dispensas do clube,[4] mas, rápido e driblador,[1] passou a ser um dos melhores jogadores do time[2] durante o Campeonato Paulista de 1973, quando o técnico Oto Glória resolveu colocá-lo na posição de Basílio, que foi deslocado para o meio-campo. "Quando vi Enéas treinando na Portuguesa, eu tive quase certeza de que era um craque", explicou Glória. "[Com o recuo de Basílio] ganhei um grande meia-armador e um ponta-de-lança sensacional."[5] Depois da vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, quando marcou um gol e infernizou a defesa adversária, seu nome passou a ser cogitado para a seleção brasileira.[5] Foi campeão paulista naquele ano, na final em que o árbitro Armando Marques errou a contagem de pênaltis, o que acabou fazendo com que o título fosse dividido entre Lusa e Santos.

Sua primeira convocação para a Seleção dar-se-ia em 18 de fevereiro de 1974.[6] Ele estreou aos 18 minutos do segundo tempo na partida contra o México, em 31 de março, ao substituir Mirandinha. Não se destacou e não teve outras chances de conseguir uma vaga no grupo que foi para a Copa do Mundo de 1974. Voltaria a ser convocado em 1976, para o jogo contra o Paraguai pela Taça do Atlântico. Foi titular e marcou o gol do Brasil, aos 31 minutos do primeiro tempo, mas sua atuação não agradou,[7] sendo substituído por Palhinha aos 19 minutos do segundo tempo. Ainda foi convocado para o jogo seguinte, contra o Uruguai, que começou como titular, mas foi substituído logo no começo do segundo tempo por Roberto Dinamite. Nunca mais seria convocado.

Deixou o Canindé em 1980, depois de 179 gols em 376 jogos.,[8] para mudar-se para a Itália, onde foi defender o Bologna. Voltou ao Brasil com problemas no joelho direito,[9] mas, sem saber disso, o Palmeiras contratou-o por 50 milhões de cruzeiros[10] como grande esperança para a temporada.[11] Nos dois anos que passou por lá, disputou apenas 93 partidas, marcando 28 gols, mas perdeu espaço depois de brigar com o técnico Carlos Alberto Silva. "Um técnico que não quero nem dizer o nome me encostou e acabei perdendo a motivação", explicou, em 1984.[10]

Com vistas a uma possível valorização de seu passe, foi emprestado sem custo para o XV de Piracicaba em 1984, com os salários pagos pelo Palmeiras, embora oficialmente fosse divulgado que ele recebia uma fração dos vencimentos, mais a hospedagem no melhor hotel de Piracicaba.[10] Depois, passou ainda por Juventude, Atlético Goianiense, Desportiva Ferroviária e Operário Ferroviário, antes de encerrar a carreira em Central Brasileira de Cotia, na terceira divisão paulista, onde também era dirigente.[9]

Em 22 de agosto de 1988, sofreu um grave acidente de carro na Avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, e foi internado, em coma, com uma luxação na coluna cervical. Morreria quatro meses depois, em 27 de dezembro, aos 34 anos, vítima de uma broncopneumonia.[8]

Clubes em que atuou[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b "Craque esquecido", Invicto número 11, 2009, Editora Esfera BR Mídia, págs. 20-21
  2. a b c "A Portuguesa sempre deu apoio aos meninos", Jornal da Tarde, 14 de agosto de 1973, pág. 22
  3. "Uma jogada de risco", Ari Borges, Placar número 807, 8 de novembro de 1985, Editora Abril, pág. 6
  4. "Deu a louca na Portuguesa", Ronaldo Kotscho, José Campos e Carlos Maranhão, Placar número 132, 22 de setembro de 1972, Editora Abril, pág. 7
  5. a b "O ano dos 2 campeões", Michel Laurence, Placar número 198, 28 de dezembro de 1973, Editora Abril, pág. 25
  6. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 284
  7. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 302
  8. a b "Meu nome é Enéas", Dagomir Marquezi, Placar número 1.318, maio de 2008, Editora Abril, pág. 106
  9. a b "O craque que desligava", Dagomir Marquezi, Placar número 1.283, junho de 2005, Editora Abril, pág. 27
  10. a b c "O novo Eneas", Placar número 746, 7 de setembro de 1984, Editora Abril, pág. 55
  11. Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do Palmeiras Placar, Editora Abril, 2004, pág. 463

Ligações externas[editar | editar código-fonte]