Oxóssi

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Etimologia[editar | editar código-fonte]

Oxóssi
Escultura no Parque da Catacumba, no Rio de Janeiro, representando Oxóssi
Odé
deus da caça
Pais Oxalá e Iemanjá
Irmãos Ogum e Exu
Cônjuge Otin[1]
Filhos Logunedé e Ibeji[1]
Instrumentos ofá, eruquerê, capanga e chapéu de couro[2]
Sincretismo São Sebastião, na Região Centro-Sul
São Jorge, na Bahia

Os nomes dos orixás costumam estar intimamente ligados á sua personalidade ao seu propósito de ser e seus feitos. No caso de Oxóssi não seria diferente dos demais, pois seu nome está totalmente ligado ao seu campo de domínio que é a floresta, a mata, a caça, e o ato de caçar.

O nome Oxóssi vem do termo iorubá Osoosi que é derivado de Osowusi, que significa "o guardião noturno é popular", "caçador ou guardião popular". Após ter matado o grande pássaros das feiticeiras Eleyés que ameaçava o povo durante a festa da colheita dos inhames apenas com uma flecha só e ter livrado o povo de Ketu do feitiço, foi nomeado como Oxóssi e ganhou também o título de deus da caça e o responsável por todo o conhecimento adquirido através da arte de caçar. Devido a esse feito é chamado de Odé, que vem do termo iorubá odẹ, que significa "caçador". Com a chegada dos africanos escravizados ao Novo Mundo as divindades africanas foram sendo sincretizadas com santidades do cristianismo, e assim seus nomes foram sendo resignificados. Isso se deve é claro ao contato da cultura africana com a cultura europeia presente na colonização da américa como um todo e também com a cultura dos nativos, que no caso, são os índios.

Mitologia[editar | editar código-fonte]

Ofá (arco e flecha), o símbolo de Oxóssi

A Lenda de Oxóssi conta que ele é irmão mais novo de Ogum. Certa vez Ogum saiu para guerrear e Oxóssi ficou na tribo, porém diz a lenda, que enquanto Ogum estava fora a tribo foi atacada e Oxóssi não sabia lutar, por isso não pôde defender a tribo do ataque dos invasores. Após o retorno de Ogum, o mesmo viu toda a destruição causada a tribo e foi a procura do irmão. Ogum viu que era preciso treinar seu irmão para proteger a vila enquanto ele estivesse fora, pois Ogum é o orixá da guerra e sempre que fosse preciso sair para guerrear era necessário que alguém cuidasse da tribo. Oxóssi foi então treinado pelo seu irmão Ogum a fim de defender a sua tribo de ataques que pudessem ser feitos a ela. Por esse motivo ele é considerado como o guardião popular, pois ele mesmo guarda a sua tribo.

Oxóssi (no candomblé) ou Oxosse (no omolocô) é o orixá da caça, das florestas, dos animais, da fartura, e do sustento. Sua mitologia tem origem na África assim como todos os orixás cultuados pelo candomblé ou umbanda. É atribuído a Oxóssi a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça, ou seja, todos os atributos necessários para um caçador. É considerado o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.

Na África antiga, Oxóssi era considerado o guardião dos caçadores, pois cabia a eles trazer o sustento para a tribo. Hoje, Oxóssi é quem protege aquelas pessoas que saem todos os dias para o trabalho, para trazer o sustento.

Oxóssi também rege o revoar dos pássaros, a evolução das pequenas aves. Em seu lado negativo, pode estar presente também a falta de alimento; no pouco plantio; no apodrecimento de frutas, legumes e verduras.

Oxóssi é considerado também como a expansão dos limites, do seu campo de ação, enquanto a caça é uma metáfora para o conhecimento, a expansão maior da vida. Ao atingir o conhecimento, Oxóssi acerta o seu alvo. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador penetrar o mundo "de fora", a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além disso, eram os caçadores que descobriam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Assim, o orixá da caça extensivamente é responsável pela transmissão de conhecimento, pelas descobertas. O caçador descobre o novo local, mas são os outros membros da tribo que instalam a tribo neste mesmo novo local. Assim, Oxóssi representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia.

África[editar | editar código-fonte]

Os orixás representam as forças da natureza e suas manifestações, por isso, cada orixá tem sua ligação com o mundo e as pessoas, e assim se manifestam. Acredita-se que o mundo fora criado por Olorum e os orixás também foram criados por ele. Olorum é eterno e onipotente está relacionado ao firmamento, a força maior que existe e por isso não se manifesta aos homens, nem tem filhos como os orixás. Embora ele tenha sua origem no panteão negro-africano o mesmo não é cultuado nem na África nem no Brasil, pois somente os orixás se relacionam com os homens. Se Olorum precisa revelar algo ele o transmite aos orixás que por sua vez faz notório aos humanos. O homem africano está sempre em contato com a natureza e suas forças, por isso é atribuído para as entidades os poderes dela. Na cultura africana não há a necessidade de escrita para a transmissão do conhecimento religioso, por isso talvez a crença nos orixás tenham suas particularidades referentes a cada tribo, pois se apoiam na transmissão oral de suas crenças.

Histórias como essa eram contadas para celebrar e transmitir a cultura dos povos africanos aos seus descendentes é importante lembrar também que alguns dos povos africanos não se baseavam na escrita para a transmissão ou preservação de suas crenças, simplesmente o ato de contar varias vezes essas histórias já se torna eficaz para a compreensão dos mais novos do contexto em que estão inseridos e de sua introdução na sociedade.

Pierre Verger, em seu livro Orixás, diz que o culto de Oxóssi foi praticamente extinto na região de Ketu, na Iorubalândia, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foi escravizada, tendo sido enviados à força para o Novo Mundo ou mortos. Aqueles que permaneceram em Ketu deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades.

Hoje em dia, sabemos que esta informação é falsa. Se trata de o culto de Osoosi ser de locais e linhagens específicos que mantem o culto dele em varios lugares de terra Yoruba no estado Oyo, estado Ekiti, estado Ogun, etc. é um mito que Osoosi se conservou na Diaspora e ser perdeu na África. Um mito que já foi desmentido.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Durante a diáspora, muitos escravos que cultuavam Oxóssi não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no Brasil e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Oxóssi se transformou, no Brasil, num dos orixás mais populares, tanto no candomblé, onde se tornou o rei da nação Keto, quanto na umbanda, onde é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião.

Ibualama, Inlè ou Erinlè - escultura de Carybé em madeira (Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, no Brasil)

Seu habitat é a floresta, sendo simbolizado pela cor verde na umbanda, e recebendo a cor azul clara no candomblé, mas podendo usar, também, a cor prateada nesse último. Sendo assim, roupas, guias e contas costumam ser confeccionadas nessas cores, incluindo, entre as guias e contas, no caso de Oxóssi e, também, seus caboclos, elementos que recordem a floresta, tais como penas e sementes.

Seus instrumentos de culto são o ofá (arco e flecha), lanças, facas e demais objetos de caça. É um caçador tão habilidoso que costuma ser homenageado com o epíteto "o caçador de uma flecha só", pois atinge o seu alvo no primeiro e único disparo tamanha a precisão. Conta a lenda que um pássaro maligno ameaçava a aldeia e Oxóssi era caçador, como outros. Ele só tinha uma flecha para matar o pássaro e não podia errar. Todos os outros já haviam errado o alvo. Ele não errou, e salvou a aldeia. Daí o epíteto "o caçador de uma flecha só".

Come tudo quanto é caça e o dia a ele consagrado é quinta-feira.

Oxossi Ibualama (ou Odé Ibo) é uma das maiores qualidade de Oxóssi (é a qualidade do Oxóssi de Mãe Stella de Oxóssi), marido de Oxum Ipondá e pai de Logunedé. Como os demais Oxóssis, é caçador, rei de Ketu e usa ofá (arco e flecha), mas se veste de couro, com chapéu e chicote.

Um Oxóssi azul, Otin, usa capanga e lança. Vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça, mas gosta muito de búfalo.

Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Oxóssi para as mais diversas facetas da vida, é justamente pelas características de expansão e fartura desse orixá, que os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Afinal, a busca pelo pão de cada dia, a alimentação da tribo, costumeiramente cabe aos caçadores.

Por suas ligações com a floresta, pede-se a cura para determinadas doenças e, por seu perfil guerreiro, proteção espiritual e material. É o senhor da inteligência, do conhecimento, da sabedoria e da curiosidade. Dizem os mais antigos que Oxóssi é o único orixá que conhece o segredo do mundo fora os Funfuns e Onilé, pois quebrou todos os tabus do mundo. Por isso, nada passa desapercebido por Oxóssi.

Arquétipo[editar | editar código-fonte]

O filho de Oxóssi é pouco conservador, possui múltiplos interesses, não analisa qualquer assunto por um tempo maior, sua atuação seria, partindo do interesse que algo lhe provoca, observar, emitir um conceito próprio e ir adiante, atrás de novidade. Não consegue se deter tempo suficiente para conhecer profundamente algum assunto, mais conhece um pouco de tudo. Gosta de companhia, faz parte do seu temperamento alegre. As crianças o adoram, dá bastante liberdade e as estimula a variar a suas atividades, embora seja falho no lado disciplinar. Não é ciumento e não quer ser alvo de ciúmes nem quer que sua liberdade seja tolhida por causa dele, alguns filhos de Oxóssi com problemas emocionais e prossionais passam por períodos de depressão, pode ser vitima de tramas traiçoeiras e pode ter atos e palavras mal interpretados.

A filha de Oxóssi é uma intelectual, embora administre bem o seu lar passa pouco tempo dentro dele, prefere o ambiente profissional ou a vida em sociedade. O homem que se casa com essa mulher casa com muitas mulheres diferentes ao mesmo tempo, pode surpreender sempre é criativa divertida, curiosa por qualquer novidade, fiel e dedicada, variar é seu ponto forte a parte física de uma relação é a que menos interessa a mulher de Oxóssi ela se aproxima de alguém que a atraia mental e espiritualmente. Gosta de discutir, é muito temperamental é petulante e fala para ferir quando está brigando. Como mãe, é maravilhosa. Ensinará aos filhos a independência, será imaginativa e amorosa e organizará para eles muitas atividades estimulantes . A traição não está na natureza da filha de Oxóssi ela jamais sacrificaria lar e filhos por uma aventura.

Qualidades de Oxóssi[editar | editar código-fonte]

Cada filho de Oxóssi é iniciado com uma qualidade especifica desse orixá, de acordo com sua personalidade. Essa personalidade será aprimorada, intensificada podendo o individuo obter resultados mais satisfatório dentro das qualidades do seu orixá. Oxóssi expande os limites, sendo a caça uma metáfora para a obtenção de conhecimento, Oxóssi conduz ao exito do objetivo. Estas são as qualidades encontradas e oque cada uma significa:

  • ÍBUÀLÁMÒ – É de idade avançada e caçador. Nasce nas águas mais profundas do rio Irinlé. Sua vestimenta é branca com bandas, saiote e capacete de palha da costa.  Tem ligação com Omolú e Oxun. Seu assentamento se difere de todos.
  • ÍNLÈ – É novo e caçador, tem seu culto as margens do rio Irinlé, conhecido com caçador de Elefantes, o marfin é a sua conta, tem ligação com Oxuns, Oxaguiã e Yemanjá.
  • DANA DANA – Tem fundamento com Exu e Ossain. É ele o Òrixá que entra na mata da morte e sai sem temer Egun e a própria morte. Veste azul claro, muito impetuoso e foge à toa.
  • AKUERAN – Tem fundamento com Ogun e Ossain. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são verdes claras.
  • OTIN – Guerreiro e muito agressivo, vive intocado na mata, ligado a Ogun. Usa azul claro, leva capangas, roupas de couro de leopardo.
  • KÒIFÉ – Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Ossain e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto.
  • KÀRÉ –  é ligado as águas e a Oxum e Logun Edé e com eles exercem as mesmas forças e funções. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.
  • ÍNSÈÈWÉ ou Oni Sèwè – É o senhor da floresta, ligado as folhas e a Ossain, com quem vive nas matas. Veste azul claro, e banda de palha da costa, usa capacete quase tapando o seu rosto.
  • ÍNKÚLÈ ou Oni Kulé- Odé das montanhas, de culto no platô das serras, muito ligado a Oxaguiã e Jagun, veste verde claro, turquesa.
  • ÌNFAMÍ ou Infaín Odé funfun, ligado a Oxaguiã e Oxalufã, só usa branco e come abado.
  • AJÉNÌPAPÒ- Odé ligado as Iyamis Osorongá, aquele que pode se aproximar e também a Oyá, o dono do Irukere.
  • ODÉ ORÉLÚÉRÉ- Ligado aos Iobôs, odé de culto antigo.
  • Poderemos encontrar ainda: Odé Etetú; Odé Edjá, Odé Isanbò, Odé Ominòn, Odé Oberun’Já.

Sete folhas mais usadas para Oxóssi[editar | editar código-fonte]

Na crença das religiões africanas cada orixá tem suas folhas que lhe são oferecidas nos ritos e cultos. Todas as folhas tem o seu poder e são extremamente necessárias para o orixá, pois se torna impossível realizar qualquer tipo de ritual sem elas, existe até um termo que diz: ko si ewe, ko si Orixa traduzindo significa sem folha, sem orixá. Estas são as sete folhas mais usadas para as oferendas á Oxóssi:

Sincretismo[editar | editar código-fonte]

Pierre Verger explica que por tempos o sincretismo foi utilizado como mascara para a sobrevivência dos cultos afro-brasileiros, os africanos mantinham essa relação com os santos católicos, após serem "evangelizados", como um disfarce para manter sua cultura. O que acontecia na época era somente um sincretismo aparente, termo usado por Verger, Oxóssi era a entidade cultuada, os santos relacionados a ele não tinham espaço nos seus rituais nem nas suas cantigas. Na Bahia foi relacionando a São jorge, e no centro-sul com São Sebastião. Em Salvador, no dia de Corpus Christ, é realizada uma missa chamada de "missa de Oxóssi", com a participação das ialorixás do candomblé da Casa Branca do Engenho Velho da Federação.

Referências

1. PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. 22ª ed. São Paulo. Editora Schwarcz S.A. 2017.

2. VERGER, Pierre. Orixás: deuses iorubas na África e no Novo Mundo. 5ª ed. Salvador (BA). Corrupio. 1997.

3. NINA RODRIGUES, Raymundo. Os africanos no Brasil. Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, Rio de Janeiro, n. 303, p. 239-287, 2010. Disponível em: http://books.scielo.org/id/mmtct/pdf/rodrigues-9788579820106.pdf

  1. a b CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos. 1979. p. 9.
  2. CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos. 1979. p. 26.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]