Foundation and Earth

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Foundation and Earth
Foundation and Earth
Fundação e Terra (BR)
File:Foundation and Earth (book cover).jpg
capa da 1ª edição em inglês
Autor(es) Isaac Asimov
Idioma inglês
País  Estados Unidos
Assunto Evolução humana
Gênero ficção científica
Série Série Fundação
Linha temporal Futuro - Séculos após a Segunda Fundação
Localização espacial Sistema solar
Lançamento 1986
Cronologia
Limites da Fundação

Foundation and Earth (pt: "Fundação e Terra") é uma novela de ficção científica escrita por Isaac Asimov, a quinta novela da Série Fundação e a última segundo a cronologia do universo da história. Ela foi publicada em 1986, quatro anos após Limites da Fundação.


Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Introdução[editar | editar código-fonte]

Vários séculos após os eventos de Segunda Fundação, dois cidadãos da Fundação vão em busca da Terra, o lendário planeta donde se diz que o homem se originou. Curiosamente, parece que muita informação sobre a Terra se perdeu no intervalo entre a época da primeira novela Fundação, quando alguns estudiosos ainda lembravam onde ficava a estrela 'Sol', e a época desta.

A história continua a trama interrompida em Limites da Fundação, mas pode ser lida como uma obra separada. (O leitor que assim fizer, contudo, verá a solução de mistérios sem saber que eles eram mistérios de Fundação II em primeiro lugar.)

Resumo do enredo[editar | editar código-fonte]

Parte I: Gaia[editar | editar código-fonte]

O membro do Conselho Golan Trevize, o historiador Janov Pelorat, e a sua companheira Bliss (apelido derivado do nome completo Blissenobiarella) do planeta Gaia (todos dos quais se fez a introdução em Limites da Fundação) partem numa jornada para encontrar o planeta ancestral da humanidade — a Terra. O propósito da jornada é descobrir a razão por trás da intuição de Travize que em Limites da Fundação o levou a decidir que a galáxia se tornasse à semelhança de Gaia.

Parte II: Comporellon[editar | editar código-fonte]

Primeiro, eles viajam a Comporellon, um planeta que reclama ser a colônia habitada mais antiga da galáxia. Apesar de outros planetas fazerem tal afirmação, Comporellon é único cuja história se perde no tempo e assim faz jus ao reclame. Ao chegar, eles são aprisionados, mas negociam suas solturas. Lá, eles encontram as coordenadas de três outros planetas espaciador. Os chamados Espaciais foram os primeiros a deixar a Terra e a colonizar o espaço nos dias das primeiras viagens interestelares; Trevize apreende que esses planetas devem estar próximos da origem e talvez contenham pistas para lá.

Parte III: Aurora[editar | editar código-fonte]

O primeiro planeta espaciador que eles visitam é Aurora, onde não parece ter havido presença humana há milênios, e onde Trevize quase é morto por uma matilha de cães selvagens — presumivelmente os descendentes dos cães domésticos há muito abandonados pelos donos. Ele escapa graças a Bliss, que manipula mentalicamente as emoções dos cães para que fujam de terror.

Parte IV: Solaria[editar | editar código-fonte]

Em seguida, eles vão a Solaria, onde descobrem que os solarianos — os quais sobreviveram à Guerra Espaciador-Colonizador ao realizar um recuo estratégico, detalhado na novela Os Robôs e o Império — manipularam os próprios genes e evoluíram em hermafroditas auto-reprodutores. Os solarianos continuam tão intolerantes à presença e ao contato humano como os seus antepassados espaciadores. Eles também evoluíram a capacidade mentálica de canalizar ("transduzir") grandes quantias de energia, e lhes basta a transdução como única fonte energética. Os solarianos intencionalmente evitam fazer qualquer contato entre si, exceto via holografia à distância, e usam reprodução clonada e engenharia genética para substituir quem morrer e assim manter a população no mesmo patamar. Bliss, Pelorat e Trevize quase são mortos pelo solariano Sarton Bander. Bliss, contudo, deflete a força letal que Bander estava prestes a transduzir de volta contra Bander. Bliss só queria fazê-lo desmaiar, mas, sem saber exatamente como funcionava a transdução, o acaba matando. Ao procurar uma saída da mansão enorme e sinuosa de Bander, eles encontram uma criança que julgam ser um clone engenhado por Bander, chamado Fallom. A criança está desesperada porque a sua babá robô, assim como todos os robôs e mecanismos da mansão, deixou de funcionar assim que Bander morrera e deixara de transduzir energia. Segundo os costumes solarianos, Fallom é jovem demais para herdar a mansão. Não há uso para ele em Solaria, o que significa a morte para ele, que vem na forma de robôs-vigias despachados para ver o que há de errado na mansão de Bander. Durante a fuga final e a corrida de volta para a nave, Bliss percebe que os robôs pretendem se livrar da criança e a leva consigo apesar da oposição de Trevize.

Parte V: Melpomenia[editar | editar código-fonte]

Eles seguem então para Melpomenia, o planeta da terceira e última coordenada. O planeta é desabitado, e mais, tem uma atmosfera rarefeita e irrespirável. Usando trajes espaciais, Travize e Pelorat entram numa biblioteca, e lá encontram, gravadas numa estátua, coordenadas para todos os planetas espaciadores. Ao voltar para a nave, eles percebem que um estranho musgo de rápido crescimento havia-se prendido nas juntas dos seus trajes, aparentemente se alimentando de minúsculas porções vazadas de gás carbônico. Caso não tivessem percebido, eles teriam levado o musgo para dentro da nave, onde havia uma abundância bem maior de gás carbônico; uma vez na nave, o seu crescimento sairia de controle e todo mundo em que eles pousassem seria também infectado. Usando pistolas de calor e radiação ultravioleta, eles se desinfectam conseguem evitar tal desastre.

Com as coordenadas de mais 47 planetas Espaciais, pode-se traçar uma esfera, no centro da qual deveria estar a origem, a Terra. Dois sistemas estão próximos do centro. Um é uma estrela binária, marcada no mapa como um sistema habitado, embora haja uma interogação onde deveria estar marcado o seu status. O outro não é um sistema mapeado, e portanto bem mais provável de ser o Sol, especialmente ao se considerar que nenhuma das lendas dizia que a estrela da Terra era binária. Eles decidem, porém, por visitar primeiro o sistema binário, porque lá podem obter mais dados antes de confrontar a própria Terra.

Parte VI: Alpha[editar | editar código-fonte]

Eles seguem para o sistema binário, que se revela ser Alpha Centauri. Eles encontram uma colônia formada por habitantes que abandoram a Terra há milênios. Uma referência a isso pode ser achada no romance Pebble in the Sky: tentu-se e falhou-se em recuperar o solo terrestre; devido à falha, tentou-se então recriar a Terra no planeta Alpha. Esta tentativa tampouco foi levada a cabo; a única terra firme é uma ilha de 250 km de comprimento e 65 km de largura, ou uma área menor do que a da ilha da Sicília. Não se sabe por certo se todos os sobreviventes da Terra foram viver em Alpha.

Os nativos, que chamam seu planeta e lar de Nova Terra, são amigáveis, e Bliss, Trevize, Pelorat e Fallom decidem relaxar um pouco. A verdade crua é que os nativos secretamente planejam matá-los, para prevenir que qualquer brisa da existência da Nova Terra chegue aos ouvidos do resto da galáxia — os nativos tem paranoia de ser conquistados e saqueados por outros planetas. Eles são avisados por uma mulher nativa que ficara maravilhada pela música que Fallom podia produzir com sua transdução, e então escapam na calada da noite.

Com a certeza de que, se Alpha não era a Terra, era pelo menos muito próxima desta, eles se dirigem ao sistema vizinho.

Parte VII: Terra[editar | editar código-fonte]

Ao entrar no sistema solar, eles percebem que algumas lendas sobre a Terra eram reais. De fato, o sexto planeta do sistema tem anéis muito proeminentes, muito mais do que qualquer outro gigante gasoso. Além disso, o terceiro planeta, o único à distância certa do Sol para abrigar vida, possui uma Lua anormalmente grande para um pequeno planeta rochoso. É óbvio que esta tem que ser a Terra.

Ao se aproximar da Terra, eles detectam que ela emite muita radiação, sendo assim incapaz de suportar vida. Eles são surpreendidos por uma força de tração que os puxa para dentro duma enorme caverna lunar. Ao pousar, são recebidos por R. Daneel Olivaw, que lhes explica como ele tem paternalisticamente manipulado a humanidade em segredo por muitos milênios — de fato, desde a época de Elijah Baley, muito antes de haver Fundação ou Império Galáctico. Ele era responsável pela colonização de Alpha, pela criação de Gaia, e pela criação da Psico-história (como detalhado em Prelúdio à Fundação e em Crônicas da Fundação). Foi ele também quem guiou Trevize até o impasse no final de Limites da Fundação (embora a decisão propriamente dita tenha sido toda de Trevize).

Após ouvir Daneel, Trevize confirma a decisão de então. Ele percebe, após escapar por pouco de tantos perigos causados por habitantes desequilibrados de planetas isolados, que a humanidade precisa de união como há em Gaia.

Daneel diz que o seu cérebro positrônico está se deteriorando. Ele explica que chegou ao limite da miniaturização positrônica; ele é capaz de grande sofisticação mental, mas ao custo de uma vida muito curta. Para prosseguir na tarefa de liderar e proteger a galáxia, ele precisa fundir o seu cérebro positrônico com o cérebro biológico avançado de Fallom. Isto lhe daria o tempo necessário para supervisionar a criação de uma Gaia galáctica, a Galaxia.

Daneel explica que a Psico-história e Gaia foram instrumentos para atar a divisão que sempre houve entre os indivíduos. Esta é a única maneira de pôr fim à longa guerra fratricida da humanidade e de lhe dar força e união para repelir uma invasão de seres inteligentes doutras galáxias que há-de vir um dia. Este perigo de invasão faz parte da conclusão da novela O Fim da Eternidade, em que viajantes do tempo percebem a invasão no futuro e realizam mudanças na história da humanidade para que esta deixe de buscar o conforto na Terra e vá buscar as estrelas.

No fim no livro, faz-se a terrível sugestão de que talvez o inimigo já esteja entre nós, na forma da estranha criança Fallom.

Ausência de uma sequência[editar | editar código-fonte]

Fundação e Terra dá-se cerca de 500 anos após a origem da Fundação, ou a meio caminho dos 1 000 anos previstos pelo Plano Seldon para a formação do Segundo Império. A se ver pelo final do livro, uma sequência trataria do "inimigo entre nós". Segundo detalhes contados pela sua esposa em A Vida Tem Sido Boa, Asimov pretendia escrever uma sequência, mas suas tentativas não deram fruto. Ele não sabia o que fazer em seguida. Por isso, ele partiu para escrever, em vez disso, as prequelas (Prelúdio à Fundação e Crônicas da Fundação).

Trevize menciona que nenhuma nave humana jamais penetrou as Nuvens de Magalhães, nem a Galáxia de Andrômeda, nem galáxias além. Alienígenas inteligentes são retratados em Blind Alley (que no final fogem para as Nuvens de Magalhães). Não é dada razão nenhuma do porquê de ninguém haver jamais se aventurado para fora da Via Láctea, o que parece possível para os motores espaciais do Império e da Fundação.

O livro diz várias vezes que o Plano Seldon não inclui predições para a contingência de contato alienígena. Juntando as peças, pode-se inferir que, para a sequência, Asimov planejava introduzir alienígenas doutra galáxia que perturbariam o Plano. É também possível que fossem os solarianos, ou talvez o novo Daneel-Fallom fundido, quem acabaria sendo o inimigo da humanidade (como se sugere nos dois últimos parágrafos). Entretanto, todas as citações fictícias da Enciclopédia Galáctica são datas após a formação do Segundo Império Galáctico. Isto significa que o Plano apesar de tudo viria a cabo e levaria ao Segundo Império. As mesmas citações também dão pistas para o futuro. Bliss diz a Trevize que Gaia não mantém registros escritos. Então a própria existência da Enciclopédia Galáctica parece indicar que Galaxia (a Gaia em escala galáctica) não veio ainda a existir por volta de 1 000 anos depois da Fundação.

Notas adicionais[editar | editar código-fonte]

Embora houvesse pistas em Limites da Fundação, este livro foi o primeiro a fundir a Série Fundação com a Série Robôs, ambas criadas por Asimov no mesmo universo imaginário. O tema da Terra-radiotiva tomou forma pela primeira vez em 827 Era Galáctica, que se passa milênios antes de Fundação. O papel de R. Daneel Olivaw é melhor descrito nas prequelas.

Este livro serve como um tipo de epílogo para a Série Rôbos. Asimov nele descreve o que se fez dos mundos espaciadores de Solaria e Aurora, tratadas extensivamente em Os Robôs e em Os Robôs do Amanhecer, respectivamente. O autor também descreve o que se fez da Terra, como tratado em Os Robôs e o Império.

O livro Nemesis, que trata de eventos anteriores ainda à Série Fundação e à Série Robôs, traça os motivos para a criação de Gaia. Os seres humanos foram cedo confrontados com a lua viva Erythro, uma forma de vida alienígena inteligente.

Em O Triunfo da Fundação, o último livro da Segunda Trilogia Fundação autorizada pela Estate of Isaac Asimov (que cuida das propriedades do falecido), outro possível futuro para a galáxia é discutido. Numa conversa entre Hari Seldon e Daneel Olivaw, Seldon discute a possibilidade de que a Fundação irá de fato incorporar Gaia como parte do Segundo Império Galáctico. Ele então aposta que em mil anos, tempo mais que suficiente para a Galaxia pudesse se firmar e eliminar a necessidade de educação formal, ainda se publicarão edições da Enciclopédia Galáctica. Que duas versões da Enciclopédia foram publicadas após mil anos se passarem parece dar crédito à visão de que Seldon ganhou a aposta.

Precedida de: Série:
Seguida de:
Fundação II
por Isaac Asimov
Série Fundação
Não há sequência