Francesco Clemente

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Francesco Clemente
Nascimento 23 de março de 1952 (66 anos)
Nápoles
Cidadania Itália
Alma mater Universidade de Roma "La Sapienza"
Ocupação pintor, artista

Francesco Clemente (Nápoles, 23 de março de 1952) é um pintor italiano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Passou a infância na sua cidade natal onde estudou Latim, Grego, Literatura Moderna e Filosofia. Desde muito cedo se familiarizou com outras culturas e diferentes tradições artísticas, acompanhando os pais nas suas viagens.

Com oito anos decide começar a pintar. Já desde os seus quatro anos de idade, a sua mãe começou a recolher os poemas que ele escrevia e, apesar de se opor à ideia, acabaram por ser publicados em 1964. Em 1970 muda-se para Roma onde começa a estudar Arquitectura na Universidade de Roma e onde conhece Joseph Beuys, Cy Twombly e Alighiero Boetti (os três artistas que influenciaram o desenvolvimento do seu trabalho). Em 1973 viaja para a Índia e estabelece-se em Madras em 1978 adquirindo um estúdio. Na Índia estuda línguas orientais, religião e o trabalho de artistas locais com quem frequentemente colabora. Em 1974 empreende uma viagem através do Afeganistão com o seu amigo Alighiero Boetti. Clemente volta a Roma em 1979 mas decide começar a viver em Nova York quando para lá viaja em 1980 e adquire um estúdio em 1983. Divide o seu tempo entre Nova York, Roma e Madras com a sua esposa Alba e os seus quatro filhos.

Movimento e deslocação são de importância vital para Clemente. A sua existência nómada entre estas três cidades influencia largamente o seu trabalho. As viagens constantes alimentam a perpétua mudança do seu estilo e técnica.

A sua obra é maioritariamente autobiográfica. Consiste, na sua grande parte, em desenhos e pastéis, mas apresenta, também, pintura, escultura, mosaico, gravura e fotografia. O trabalho narrativo ou ilustrativo de Clemente não é criado de uma forma tradicional. Um motivo recorrente na sua obra é a ideia da transformação ou metamorfose. Normalmente, o próprio Clemente é o objecto dessas transformações e desenha-se num estádio intermédio entre homem e mulher, entre ser humano e animal, entre ser humano e objecto, ou como uma criatura híbrida. Para este resultado, aplica diversos estilos, variando entre livre e directo a extremamente depurado e sofisticado.

A urgência criativa atrás do seu trabalho é psicológica. Ele investiga, em geral, a condição humana, instintos básicos e experiências desde o nascimento à morte. A "depicturação" que faz do corpo humano é explicitamente sexual; dá ênfase a orifícios (como a boca) e a funções escatológicas. O ser humano físico surge como um intermediário entre o mundo psicológico interno e o universo exterior. As particularidades distorcidas dos seus retratos parecem espelhar a atitude de Clemente em relação à literatura e à filosofia. Ele confia principalmente "naqueles que pensam com o corpo". As imagens não podem, assim, ser literalmente consideradas como auto-retratos. O corpo é normalmente um meio de propor um tema filosófico dentro de uma estrutura complexa. A sua obra é uma rede de referências e relações entre a análise autobiográfica, auto-retratos mutantes, fantasias eróticas e excêntricas expressões anatómicas. Tudo isto combinado com uma fascinação pelos sistemas metafísicos (cristianismo, alquimia, astrologia e mitologia) todos eles sendo reinterpretados por variadas correntes artísticas (Antiguidade, Renascimento, Surrealismo, Hinduísmo, Expressionismo). Com todos estes elementos ele constrói um labirinto que nem sempre é fácil de decifrar.

O seu trabalho é construído com o que ele chama "lugares-comuns", isto é, fragmentos de experiências que convergem numa rede de relações. Clemente posiciona o seu trabalho entre a ideia e a imagem, uma atitude que não é determinada pela sociedade, pelo estilo ou pela união. É um discurso filosófico aberto. O seu trabalho tem sido submetido a numerosas exposições retrospectivas incluindo as exposições realizadas no Art Institute de Chicago (1987), no Kunstmuseum em Basileia (1991), no Centro Georges Pompidou, Museu Nacional de Arte Moderna em Paris (1994) e no Solomon R. Guggenheim Museum de Nova York (1999). A sua obra pertence às colecções dos mais importantes museus mundiais.