Frente Negra Brasileira

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Frente Negra Brasileira (FNB) foi um movimento negro, fundado em outubro de 1931,[1] tendo sido reconhecido como partido político em 1936, vigendo até o golpe de 1937 que pretendia combater o racismo no Brasil e promover melhores condições de trabalho, saúde e educação para a população negra brasileira. Em Cássia, no Sul de Minas, onde a frente passou a se chamar Sociedade Negra Princesa Isabel, mesmo com a mudança do nome, foi fechada em março de 1938[2]. O partido político, Frente Negra Brasileira, foi declarado ilegal, sobrevivendo sob o nome União Negra Brasileira até maio de 1938.[3] Foi classificado pela Frente Integralista Brasileira em 2009 como o "maior e mais sadio movimento negro não apenas da História do Brasil, como da América Latina." Nas palavras da mesma organização, a FNB "teve o mérito de não combater apenas o racismo do branco contra o negro, mas também o racismo do negro contra o branco, hoje lamentavelmente presente na absoluta maioria dos ditos movimentos negros".[4]

Seus principais fundadores foram Arlindo Veiga dos Santos, José Correa Leite, Isaltino Veiga dos Santos, Gervásio de Moraes e Jaime de Aguiar, entre outros.

História[editar | editar código-fonte]

Nas palavras de Abdias do Nascimento:[5]

Alguns dos dirigentes da FNB desde a década de vinte se esforçavam tentando articular um movimento. Houve, assim, um projeto de reunir o Congresso da Mocidade Negra, em 1928, em São Paulo, o que não chegou a se concretizar. (...) As pessoas e as ideias já vinham de antes, mas foi no início dos anos trinta que o movimento se institucionalizou na forma da Frente Negra Brasileira. (...) Como movimento de massas, foi a mais importante organização que os negros lograram após a abolição da escravatura em 1888.


A Frente fazia protestos contra a discriminação racial e de cor em lugares públicos... sob a perspectiva de integrar os negros na sociedade nacional. Dessa forma combatia a FNB os hotéis, bares, barbeiros, clubes, guarda-civil, departamentos de polícia, etc. que vetavam a entrada ao negro, o que lembrava muito o movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Uma perspectiva que eu hoje critico. Minhas lembranças não são muito seguras, mas acho que o movimento ia além das reivindicações citadas. (...) Apesar da barreira da língua, da pobreza dos meios de comunicação, a FNB permanecia alerta a todos os gestos emancipacionistas acontecidos em outros países. Foi uma vanguarda com o objetivo de preparar o negro para assumir uma posição política e econômica na representação do povo brasileiro ao Congresso Nacional.

Para Abdias, o fracionamento da FNB se deveu à polarização política das lideranças do movimento. Enquanto Arlindo Veiga dos Santos liderava o Movimento Patrianovista, movimento nacionalista, tradicionalista, católico e monarquista alinhado à Ação Integralista Brasileira, José Correia Leite se filiava ao pensamento socialista.[5]

Relações com outros grupos[editar | editar código-fonte]

Integralismo[editar | editar código-fonte]

O dirigente da FNB, Arlindo Veiga dos Santos, manteve forte apoio à Ação Integralista Brasileira, movimento igualmente antirracista, tendo participado da Sociedade de Estudos Políticos (SEP), responsável por escrever o manifesto fundador do Integralismo, o Manifesto de Outubro de 1932. Arlindo foi amigo pessoal de Plínio Salgado e apoiou suas duas candidaturas à Presidência da República — 1938 e 1955 —, tendo participado do I Congresso Integralista de 1934, proferindo, na ocasião, um inflamado discurso em que manifestou seu apoio ao Integralismo, declarando que os membros da Frente Negra Brasileira lutariam ao lado dos Integralistas, se necessário fosse. Fato notável é que o jornal oficial da FNB, A Voz da Raça, chegou a ter como epígrafe o lema "Deus, Pátria, Raça e Família", claramente inspirado no lema integralista "Deus, Pátria e Família".[6]

Referências

  1. Frente Negra Brasileira comemora 80 anos, Onu Brasil
  2. Frente Negra Brasileira tem ideais sufocados por Alessandra Mello publicado pelo jornal "Estado de Minas" (2013)
  3. Frente Negra Brasileira (1931-1938) por Martins, Ana Nina em "BlackPast" (2007)
  4. BARBUY, Victor Emanuel Vilela (13 de maio de 2009). «Manifesto de 13 de Maio». Frente Integralista Brasileira. Consultado em 14 de outubro de 2017 
  5. a b Memórias do Exílio, Brasil 1964-19?? (PDF). São Paulo, SP: Editora e Livraria Livramento Ltda. pp. 27–28. Consultado em 14 de outubro de 2017 
  6. BARBUY, Victor Emanuel Vilela (26 de maio de 2011). «Reflexões na morte de Abdias do Nascimento». Frente Integralista Brasileira. Consultado em 14 de outubro de 2017 
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