Abdias Nascimento

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Abdias Nascimento
Abdias Nascimento na tribuna do Senado Federal
Nome completo Abdias Nascimento
Nascimento 14 de março de 1914
Franca, São Paulo
Morte 24 de maio de 2011 (97 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileiro
Cidadania brasileira
Etnia afro-brasileiro,
Cônjuge Léa Garcia
(1956 - 1958)
Elizabeth Larkin
(1958 - 1961)
Ocupação Ativista, político, escritor
Influências
Principais trabalhos O Quilombismo- 1980 /O Negro Revoltado - 1982 / Orixás: Os Deuses vivos da Africa - 1995.
Empregador Ministério da Cultura
Cargo Teatro Experimental do negro
Religião Afro-brasileira
Causa da morte doença cardiovascular, diabetes
Página oficial

Abdias Nascimento (Franca, 14 de março de 1914Rio de Janeiro, 24 de maio de 2011[1] ) foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras.

Foi professor emérito na Universidade do Estado de Nova York, em Buffalo, NY e professor titular de 1971 a 1981, fundando a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto Riquenhos; atuou como conferencista visitante na Escola de Artes Dramáticas da Universidade Yale; foi professor convidado do departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade de Ife, em Ile Ife, Nigéria.

Considerado um dos maiores expoentes da cultura negra no Brasil e no mundo, fundou entidades pioneiras como o Teatro Experimental do Negro (TEN), o Museu da Arte Negra (MAN) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Foi um idealizador do Memorial Zumbi e do Movimento Negro Unificado (MNU) e atuou em movimentos nacionais e internacionais como a Frente Negra Brasileira, a Negritude e o Pan-Africanismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil, nome de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento integralista, passando por atividade de poeta (com a Hermandad, grupo com o qual viajou de forma boêmia pela América do Sul), até ativista do Movimento Negro, ator (criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro) e escultor. Sobre o movimento integralista declarou: “No integralismo foi onde pela primeira vez comecei a entender a realidade social, econômica e política do país e as implicações internacionais que o envolviam. A juventude integralista estudava muito e com seriedade. Encontrei e conheci pessoas de primeira qualidade como um San Thiago Dantas, Gerardo Mello Mourão ou Roland Corbisier; assim como um Rômulo de Almeida, Lauro Escorel, Jaime de Azevedo Rodrigues (...), o bravo embaixador brasileiro num país europeu que se demitiu da carreira após o golpe militar de 1964 [sic]; ou ainda Dom Hélder Câmara, Ernani da Silva Bruno, Antônio Galloti, M. Mazei [sic] Guimarães e muitos outros. Conheci bem de perto o chefe integralista Plínio Salgado, de quem em certa época fui amigo”. Anos mais tarde, sobre as cobranças da UNE disse:“não tinha nada a declarar naquela espécie de autocrítica sob coação. Nada havia no meu passado para lamentar ou arrepender. Não me submeteria àquela chantagem.”[2] (p.30 no original[3] ).

Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999 assumindo a vaga após a morte de Darcy Ribeiro), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Autor de vários livros: "Sortilégio", "Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos", "O Negro Revoltado", e outros.[4]

Foi casado quatro vezes. Sua terceira esposa foi a atriz Léa Garcia, com quem teve dois filhos, e a última a norte-americana Elizabeth Larkin, com quem teve um filho.

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Africans in Brazil: a Pan-African perspective (1997)
  • Orixás: os deuses vivos da Africa (Orishas: the living gods of Africa in Brazil) (1995)
  • Race and ethnicity in Latin America - African culture in Brazilian art (1994)
  • Brazil, mixture or massacre? essays in the genocide of a Black people (1989)
  • Racial Democracy in Brazil, Myth or Reality?: A Dossier of Brazilian Racism (1977)
  • O Griot e as Muralhas, com Éle Semong. Rio de Janeiro, Pallas, 2006.[5]
  • O Quilombo. Edição em fac-smile do jornal dirigido por Abdias Nascimento.São Paulo, Editora 34, 2003.[6]
  • O Quilombismo,2a.ed Brasilia/ Rio de Janeiro. Centro de Estudos Afro-Orientais /Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.
  • O Brasil na Mira do Pan-Africanismo, Salvador, Centro de Estudos Afro- Orientais. Ed. EDUFBA, 2002.
  • Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Intituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/ Temple University Press, 1995.
  • A Luta Afro-Brasileira do Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.
  • Povo Negro: A sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.
  • Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
  • Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia.)
  • Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
  • O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.
  • Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro.)
  • Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.
  • Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.
  • O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. “
  • Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2ª ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977.
  • Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1ª ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976.
  • Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça de teatro.)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • Abdias Nascimento – memória negra (2008), de Antonio Olavo[7]
  • Abdias Nascimento (2013), de Aída Marques
  • Cinema de Preto (2005)
  • Cinco Vezes Favela (1962)
  • Terra da Perdição (1962)
  • O Homem do Sputnik (1959)

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Homenagens póstumas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Morre no Rio Abdias Nascimento, ativista do movimento negro (em português).
  2. NASCIMENTO, Abdias do. Entrevista. In CAVALCANTE, Pedro Celso Uchôa e RAMOS, Jovelino (orgs). Memórias do exílio. 1964/1978. De muitos caminhos. Vol. 1, cit., loc. cit.
  3. CAVALCANTE, Pedro Celso Uchôa e RAMOS, Jovelino (orgs). Memórias do exílio em PDF
  4. *Joseph A. Page (1995), The Brazilians. Da Capo Press. ISBN 0-201-44191-8.
  5. Nascimento, Abdias. O Griot e as Muralhas. [S.l.: s.n.], 2006. ISBN 8534703892
  6. Abdias Nascimento (1948 ate 1950). O Quilombo Teatro Experimental do Negro. Visitado em 22 de julho de 2015.
  7. http://www.ipeafro.org.br/home/br/acervo-digital/43/52/139/abdias-nascimento-memoria-negra-de-antonio-olavo ACERVO IPEAFRO
  8. Universidade de Brasília (2006). Universidade de brasília (em português) Resolução do CONSUNI 28. Visitado em 20/11/2014.
  9. University at Buffalo. Our Colleagues (em inglês) Obituaries. Visitado em 20/11/2014.
  10. Senado Federal (22/11/2013). Resolução nº 47 (em português). Visitado em 20/11/2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]