União dos Estados Africanos

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com União Africana.



Union des États africains
Union of African States

União dos Estados Africanos

Organização regional

1958 – 1963

Bandeira de União dos Estados Africanos

Bandeira

Localização de União dos Estados Africanos
Continente África
Capital Não especificada
Língua oficial Francês e inglês
Governo Organização regional
História
 • 23 de novembro de 1958 Formação
 • 1 de julho de 1961 Renomeação e ingresso do Mali
 • maio de 1963 Dissolução

A União dos Estados Africanos (em francês: Union des États africains; em inglês: Union of African States), por vezes chamada União Gana-Guiné-Mali,[1] foi uma frágil organização regional de curta duração que existiu entre 1958 e 1963, inicialmente unindo Gana e Guiné na Conferência dos Estados Africanos Independentes, e posteriormente mudando de nome com o ingresso do Mali em 1960. A União planejava a adoção de uma moeda comum e de uma política externa unificada pelos países-membros; no entanto, nenhuma destas propostas foi implementada. A União foi a primeira organização na África a unir ex-colônias britânicas e francesas.[2] Embora a União fosse aberta a todos os Estados independentes da África, não houve ingresso de nenhum outro país além dos citados acima.[3]

A União teve um impacto limitado na política como nunca houve qualquer administração ou reuniões permanentes para ir junto com as demonstrações de unidade e de seu legado era muito limitado para as relações políticas de longa data entre Kwame Nkrumah (Presidente e Primeiro-Ministro de Gana 1957-1966), Ahmed Sékou Touré (Presidente da Guiné 1958 -1984), e Modibo Keïta (Presidente do Mali 1960-1968). A união novamente entrou na notícia com a nomeação "chocante" de Nkrumah como o co-presidente da Guiné depois que ele foi deposto como presidente de Gana por um golpe militar em 1966.[4][5]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

As colônias da Guiné Francesa (mais tarde Guiné), Costa do Ouro (mais tarde Gana) e Sudão Francês (mais tarde Mali) trilharam caminhos distintos no processo de descolonização da África. O Sudão e a Guiné eram colônias francesas e, portanto, após a Crise de Maio de 1958 tiveram a oportunidade de decidirem pela idependência imediata ou pelo ingresso no seio da Comunidade Francesa (que concederia autonomia doméstica, mas manteria a política econômica e a responsabilidade pela defesa francesas). A Guiné foi a única colônia francesa na África a optar pela independência imediata; o Sudão decidiu ingressar na nova Comunidade.[6] A Costa do Ouro, em contraste, foi uma colônia britânica que conquistou a independência como República do Gana em março de 1957 e ingressou na Comunidade de Nações.[7]

As diferenças entre esses países permaneceram após a independência. A França, com a exortação da Costa do Marfim, começou a retirar os funcionários franceses da administração colonial e suspendeu a ajuda quando a Guiné proclamou a independência. Isto resultou em turbulência econômica em todo o país e serviu de advertência contra a independência das demais colônias.[7] O Sudão Francês uniu-se com o Senegal para formar a Federação do Mali por apenas dois meses em 1960. Tensões políticas levaram a dissolução da Federação em agosto de 1960.[8] Gana, por outro lado, mostra-se como um exemplo bem-sucedido de descolonização e independência, apresentando uma economia dinâmica e em expansão e o reconhecimento por parte das organizações internacionais de sua gestão fiscal astuta.[2]

Apesar dessa diferenças, os líderes dos três países compartilhavam uma visão comum para o futuro da África. Kwame Nkrumah, Ahmed Sékou Touré e Modibo Keïta foram figuras anti-coloniais cruciais em seus países e seus primeiros líderes após a independência. Além disso, os três se tornaram figuras proeminentes dentro do movimento pan-africanista e foram arquitetos no desenvolvimento da teoria do socialismo africano.[9]

Unindo-se[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1968, com a cessação súbita da ajuda e de pessoal da França para a Guiné, Nkrumah e Touré encontaram-se em Conacri, capital guineana, para discutirem um empréstimo emergencial que Gana iria providenciar para o país. No dia 23 do mesmo mês os dois líderes anunciaram um plano para a criação de uma união de países africanos, para a qual os dois presidentes iriam trabalhar juntos em uma séries de encontros dos quais o empréstimo ganense seria o primeiro de muitos passos rumo à integração. Após essas negociações, a Conferência dos Estados Africanos Independentes foi formalmente declarada em 1 de maio de 1959.

Kwame Nkrumah, primeiro presidente do Gana e principal figura da União 
Ahmed Sékou Touré, primeiro presidente da Guiné 
Modibo Keïta, primeiro presidente do Mali 

Referências

  1. Asante & Chanaiwa 2010, p. 875.
  2. a b Howe 1959, p. A4.
  3. Kihss 1966, p. 12.
  4. DeLancey 1966, p. 35.
  5. The Boston Globe 1966, p. 1.
  6. Kurtz 1970, p. 405.
  7. a b The Washington Post 1959, p. A16.
  8. Foltz 1965, p. 182-183.
  9. DeLancey 1966, p. 35-36.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros e artigos acadêmicos

  • Asante, S. B. K.; Chanaiwa, David. O Pan-africanismo e a Integração Regional (2010). Mazrui, Ali A. (ed.), ed. História geral da África, VIII: África desde 1935. Brasília: UNESCO. ISBN 9788576521303 
  • DeLancey, Mark W (1966). «The Ghana-Guinea-Mali Union: A Bibliographic Essay». African Studies Bulletin. 9 (2): 35–51 
  • Foltz, William J (1965). From French West Africa to the Mali Federation. New Haven: Yale University Press 
  • Kurtz, Donn M (1970). «Political Integration in Africa: The Mali Federation». The Journal of Modern African Studies. 8 (3): 405–424. doi:10.1017/s0022278x00019923 

Jornais (em ordem cronológica)

  • «The Birth of UIAS». The Washington Post: A16. 1959 
  • Howe, Russell (1959). «Ghana, Guinea Build Federation Designed to Lure Other States». The Washington Post: A4 
  • Kihss, Peter (1966). «Ghana, Now in Dire Straits, Began as a Showcase». The New York Times: 12 
  • «Ousted Ghana Boss Now Rules Guinea: Unprecedented Shift in Africa Has World Capitals Stunned». The Boston Globe: 1-2. 1966