Patrianovismo

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Ação Imperial Patrianovista Brasileira
Lema "Sem Rei não há União Nacional"
Tipo Organização monárquica
Fundação 3 de março de 1928
Extinção 1964
Paralisação 10 de novembro de 1937
Propósito Instaurar uma nova monarquia no Brasil, baseada numa filosofia política conservadora
Fundador(a) Arlindo Veiga dos Santos
Antigo nome Centro Monarquista de Cultura Social e Política Pátria-Nova

A Ação Imperial Patrianovista Brasileira ou simplesmente Patrianovismo foi uma organização monarquista que esteve presente em vários estados brasileiros e que expressou as ideias nacionalistas do final da década de 1920 e início da década de 1930. Idealizada por Arlindo Veiga dos Santos, visava instaurar uma nova monarquia no Brasil, baseada numa filosofia política tradicionalista.

O patrianovismo propugna a instalação de um "Império Orgânico",[1] pautado na monarquia tradicional, que é por sua vez caracterizada como um regime apoiado no monarca, na Igreja Católica e nas corporações de ofício. Seu programa coloca em primeiro plano o credo católico, defendendo a obrigatoriedade da religião "nas escolas públicas, nos quartéis, institutos hospitalares e correcionais etc". O Estado deve ser organizado sob bases municipalistas e corporativistas sindicalistas. Em matéria de política internacional, defendiam uma política internacional "nacionalista, altiva e cristã".[2]

A AIPB mantinha em seus quadros formação miliciana armada, voltada a combater o comunismo. Tal como a saudação integralista "Anauê", os patrianovistas possuíam também uma saudação própria, constituída no leve erguimento do braço direito, com os dedos polegar, médio e indicador levantados. Este gesto era acompanhado da saudação oral "Glória!", uma contração de "Glória à Santíssima Trindade!". Todavia, a AIPB não possuía as características de um movimento de massas, sendo um movimento de cunho vanguardista.[3]

História[editar | editar código-fonte]

"Ideias que Marcham no Silêncio...", livro publicado por Arlindo Veiga dos Santos em 1962 e que expressava os ideais monárquico-conservadores do movimento.

Em 1928, um grupo de jovens católicos, liderados por Veiga dos Santos, fundou o Centro Monarquista de Cultura Social e Política Pátria Nova. Este uniu as ideias corporativistas ao monarquismo antiliberal, também em moda na época. 

Muitos patrianovistas ingressaram na Secretaria de Estudos Políticos (SEP), que viria a dar origem à Ação Integralista Brasileira (AIB), dentre eles, o próprio fundador da AIPB, Arlindo Veiga dos Santos. Tais patrianovistas acompanharam a fase inicial da AIB, rompendo com esta na ocasião em que foi definido o caráter republicano do Estado Integral pelo secretário de doutrina integralista, Miguel Reale.[2] Outro ponto a distanciar os dois movimentos foi a rejeição da Ação Integralista em aderir ao modelo de Estado confessional.[3]

Em 1935, a denominação "Pátria Nova" foi substituída por "Ação Imperial Patrianovista Brasileira".[4]

O Patrianovismo teve vida longa. Fundado em 1928, atuou até 1937, entrando em hibernação no período do Estado Novo, para renascer e novamente militar em 1945, tendo se prolongado até 1964.

O movimento esteve ligado a Pedro Henrique de Orléans e Bragança, então Chefe da Casa Imperial Brasileira e herdeiro do trono.

Referências

  1. Folheto, da Acção Imperial Patrianovista Brasileira, pregando a instauração do Império Brasileiro. São Paulo. - Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV)
  2. a b AÇÃO IMPERIAL PATRIONOVISTA - Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV)
  3. a b "DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA... MONARQUIA: AÇÃO IMPERIAL PATRIANOVISTA E AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA - CHOQUES E CONSONÂNCIAS" - Felipe A. Cazetta - UFS
  4. Victor Emanuel Vilela Barbuy (15 de setembro de 2006). «O negro e o Integralismo». Frente Integralista Brasileira. Consultado em 4 de março de 2018