Haight-Ashbury

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Haight-Ashbury
Bairro dos Estados Unidos Flag of the United States.svg
Esquina das ruas Haight e Ashbury.
Esquina das ruas Haight e Ashbury.
Informação geral
Estado  Califórnia
Cidade Flag of San Francisco.svg São Francisco
Região Upper Market
Localização Delimitado pela Stanyan Street e Golden Gate Park à oeste, Oak Street e Panhandle ao norte, Baker Street e Buena Vista Park à leste e Frederick Street ao sul.
Limita-se com Alamo Square  · Buena Vista Park  · Cole Valley  · Hayes Valley  · North Panhandle
Área 1 km²
População aproximada 10.551 (em 2008)
Localização do bairro destacado em vermelho no mapa de São Francisco.
Localização do bairro destacado em vermelho no mapa de São Francisco.
Portal Portal Estados Unidos

Haight-Ashbury é um distrito da cidade de São Francisco, na Califórnia, localizado em torno da esquina das ruas Haight e Ashbury, famoso por seu papel como centro difusor do movimento hippie na década de 1960 nos Estados Unidos. É popularmente chamado de The Haight.

A área engloba suas vizinhanças, sendo dividida em baixa-Haight e alta-Haight, tendo seu limite oeste no parque da ponte Golden Gate e a leste no Buena Vista Park. Uma área dentro do parque, exatamente ao oeste, conhecida como Hippie Hill, também faz parte de Haight-Ashbury. O nome das duas ruas homenageia figuras de projeção na antiga cidade de São Francisco, como o banqueiro Henry Haight[1] , e Munroe Ashburn,[2] um dos primeiros políticos da comunidade, ainda no século XIX.[3]

Ícone da contracultura[editar | editar código-fonte]

Desde os anos 1960 e de anos anteriores, quando era ligado à cultura beat, Haight-Ashbury era procurado como moradia de pessoas que não tinham condições de morar em locais mais nobres do norte da cidade, e ali encontravam imóveis e aluguéis mais baratos numa área menos densamente povoada. Desde esta época, o lugar e a cidade de São Francisco tornaram-se a referência física do movimento hippie e da contracultura.

Estética do psicodelismo da contracultura hippie nascida na área

São Francisco e The Haight ganharam reputação como centro de uma cultura de drogas ilegais, notadamente maconha e LSD, além de outras drogas alucinógenas. Em 1967, a área ganhou fama internacional como o paraíso de drogados e habitat natural de diversos músicos e grupos de rock'n'roll psicodélico da época, como Janis Joplin, Jefferson Airplane e Grateful Dead, cujos integrantes viviam há pouca distância da famosa interseção e que eternizaram a cena local em diversas canções. Grupos performáticos de teatro de rua e todo tipo de cultura underground também faziam parte do clima efervescente e hippie da área.

Durante o 'Verão do Amor', em 1967, o psicodelismo e a música ligada a este conceito de vida e artístico, estava se tornando moda em todos o mundo, e dominava as paradas das estações de rádio dos Estados Unidos. Canções como San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair) lideravam as paradas e tornavam-se um hit. Monterey Pop, o primeiro dos festivais de rock, realizado em junho daquele ano, cimentava o rock psicodélico como parte da cultura dominante e elevava bandas do Haight, como Big Brother and the Holding Company (que lançou Janis Joplin como vocalista) ao estrelato nacional.

Hippies nos anos 1960, o movimento nascido em torno de Haight-Ashbury

Em 7 de julho de 1967, a reportagem de capa da revista TIME, "The Hippies: Philosophy of a Subculture," e uma matéria na rede de televisão CBS em agosto, "The Hippie Temptation",[4] além de outros focos da mídia na cultura hippie, expuseram o local a uma enorme atenção nacional, e popularizaram o movimento da contracultura no país e através do mundo. Milhares de jovens migraram de todas as partes dos Estados Unidos para Haight-Ashbury, mudando definitivamente a estrutura social das vizinhanças e a visão do mundo sobre São Francisco.

Em consequência desta nova população migratória e de uma crescente crise na saúde devido ao aumento de consumo de drogas e a falta de seguro saúde, fundou-se no Haight a primeira clínica médica grátis do país, cujo lema era 'Saúde é um direito, não um privilégio'. A clínica funcionou até 2007, quando foi transferida para outro local da cidade.[5]

Atualmente[editar | editar código-fonte]

A famosa esquina, em 2006.

Hoje a área ainda mantém o ar boêmio que a caracterizava. Apesar da esquina famosa ser hoje ocupada por uma prosaica sorveteria, as áreas em volta continuam cheias de comércio independente, pequenas butiques de roupas e acessórios artesanais, lojas de discos e livrarias. A coabitação entre remanescentes dos anos 1950, da era do psicodelismo da década seguinte, do punk rock dos anos 1970 com os moradores que ali chegaram após a época yuppie dos anos 1980, é um dos aspectos mais interessantes da diversidade existente.

A Feira de Rua Haight-Ashbury (Haight-Ashbury Street Fair) é realizada anualmente todo segundo domingo de junho, e para a qual a rua Haight é fechada, entre alguns quarteirões, por dois palcos de som de cada lado, sendo um evento bastante frequentado e populoso, devido principalmente ao grande número de turistas que comparece à feira.

As propriedades da região, tanto residenciais quanto comerciais, tem um grande valor imobiliário e alta procura de compradores e inquilinos, como um testemunho da longa história, da fama e das atrações de Haight-Ashbury e da cidade de São Francisco.[6]

Referências

  1. San Francisco Streets Named for Pioneers. Museum of the City of San Francisco.
  2. Loewenstein, Louis. Streets of San Francisco: The Origins of Street & Place Names. [S.l.: s.n.], 1984.
  3. Loewenstein, Louis. Streets of San Francisco: The Origins of Street & Place Names. [S.l.: s.n.], 1984.
  4. CBS News:The Hippie Temptation
  5. Haight Ashbury Free Clinics website
  6. John M. Glionna, There's not a lot of love in the Haight, Los Angeles Times 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Haight-Ashbury