Chico Diabo
| Chico Diabo | |
|---|---|
| Nome completo | José Francisco Lacerda |
| Nascimento | |
| Morte | 1893 (45 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | Militar |
| Serviço militar | |
| País | |
| Serviço | |
| Anos de serviço | 1865 - 1870 |
| Patente | cabo |
| Conflitos | Guerra do Paraguai |

José Francisco Lacerda, vulgo Chico Diabo (Camaquã, c. 1848 — Cerro Largo, 1893), foi um militar (cabo) brasileiro que lutou na Guerra do Paraguai. Tornou-se célebre por ter matado o ditador paraguaio Francisco Solano López, na batalha de Cerro Corá (1º de março de 1870)[1].
Biografia
[editar | editar código]Infância e juventude
[editar | editar código]Pouco se sabe da vida de Chico Diabo. Nasceu na vila de São João Batista do Camaquã quando esta ainda era um distrito distante da capital Porto Alegre. Seu ano de nascimento é apenas aproximado e as histórias de sua infância e juventude vêm, em sua maioria, dos relatos orais de seus descendentes.[2]
Chico nasceu numa família de poucos recursos e, ainda menino, empregou-se na carniçaria de propriedade de um italiano, em São Lourenço do Sul, município vizinho a Camaquã, sua terra natal. Nesta carniçaria fabricava produtos como charque, linguiça e salame.
Em 1863, quando contava apenas quinze anos, Chico descuidou-se da vigilância e um cão entrou no recinto onde estava guardada a carne, devorando alguns pedaços. Ao tomar conhecimento do ocorrido pelo próprio Chico, o italiano passou a agredi-lo. O menino tomou de uma faca usada no seu trabalho e matou seu patrão. De imediato, fugiu a pé para a casa de seus pais, onde chegou na manhã do dia seguinte, portanto caminhando um dia e uma noite sem parar para descanso.
Ao ver um vulto, ao longe, a mãe de Chico exclamou:
| “ | Garanto que é aquele diabinho que vem vindo | ” |
Por causa desta frase, ganhou a alcunha de Chico Diabo que o acompanharia pelo resto da vida.
Os pais, com medo de que o filho sofresse represálias, providenciaram sua mudança para a propriedade de seu tio Vicente Lacerda, em Bagé.

Guerra do Paraguai
[editar | editar código]Em 1865, passou pelo local um destacamento dos Voluntários da Pátria, comandado pelo então Coronel Joca Tavares, que ia se juntar às forças brasileiras que combatiam no Paraguai. Convidado a integrar ao contingente, Chico aceitou.
Na Guerra do Paraguai, Chico, já então promovido a cabo, celebrizou-se por haver matado, na Batalha de Cerro Corá, o presidente paraguaio, Francisco Solano López, com um certeiro golpe de lança na virilha. O golpe foi aparentemente fatal, embora, na sequência, o soldado gaúcho João Soares, tenha alvejado López com um tiro de revólver.
Ao matar Solano, Chico teria descumprido ordens superiores, que determinavam que ele fosse capturado vivo. Mas não há consenso entre os historiadores quanto a este fato. Alguns autores inclusive afirmam que havia uma recompensa de cem libras de ouro para quem o matasse. Segundo fontes da época o Imperador Dom Pedro II não autorizou que Lacerda recebesse a medalha por bravura em combate, porque temia que na Europa pensassem que Solano López teria sido morto após ser preso. Outras fontes revelam que Joca Tavares fazia parte da Maçonaria, da qual Solano era membro e no combate este se recusou a enfrentá-lo.[3]

Depois da guerra
[editar | editar código]No entanto, Chico recebeu como recompensa cem vaquilhonas (vacas que ainda não deram cria). Tomou ainda para si a faca de prata e ouro que López levava quando foi morto e na qual constavam, gravadas em ouro, as iniciais FL, coincidentemente as mesmas do nome de Chico. A lança usada pelo militar brasileiro no episódio encontra-se no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Ao retornar do Paraguai, em 1871, Chico casou-se com uma prima, Isabel Vaz Lacerda, com quem teve quatro filhos, e trabalhou como capataz em várias estâncias.
O nome de Chico ficou consagrado popularmente em uma quadrinha muito em voga na época: "O Cabo Chico Diabo, do diabo Chico deu cabo".
Faleceu repentinamente, em 1893, quando se encontrava no Uruguai a serviço de Joca Tavares. Para receber os restos mortais do marido, anos depois, a viúva Isabel teve que contratar um uruguaio para roubá-los. Seu corpo foi sepultado novamente no Cemitério da Guarda, em Bagé. Em 2002, foi colocada uma lápide sobre o túmulo, por iniciativa do núcleo de pesquisas históricas daquela cidade gaúcha.
Personalidade
[editar | editar código]Como dito anteriormente, pouco se sabe da vida pessoal de Chico Diabo. Seus descendentes, contudo, descrevem-no como um homem calado, taciturno. Ele não gostava de falar sobre seus tempos de guerra, e costumava se abrir apenas em privado com a esposa.[2]
Galeria
[editar | editar código]-
Guampa e faca usadas por Chico Diabo, expostas no Museu Dom Diogo de Souza (Bagé)
-
Sua gravata de casamento, também exposta no museu.
Referências
- ↑ Mario Maestri. «Quem matou o Mariscal? Cerro Corá, 1º de março de 1870: entre a história e o mito». Revista Unioeste - Tempos Históricos · Volume 18 · 1º Semestre de 2014 · p. 354 -387. 2014. Consultado em 30 de agosto de 2025
- ↑ a b Botelho, Francisco; Lima, Laura Ferrazza de (12 de março de 2021). «O homem que matou Solano López». Guerra do Paraguai: Vidas, personagens e destinos no maior conflito da américa do sul. [S.l.]: HarperCollins
- ↑ Solano caiu nas margens do Arroio de Aquidabã, com os pés dentro d'água e, estando nesta posição o General Câmara intimou-o a render-se, obtendo como resposta a frase .."não lhe entrego a minha espada; morro com minha espada e pela minha pátria ..". Um soldado brasileiro tentou tirar-lhe a espada, caindo novamente o ditador na água e, neste momento um outro soldado que estava atrás de Câmara disparou um tiro a revelia acelerando a sua morte. MAGNOLI, Demetrio. História das Guerras : Contexto, 2009. p. 281.
Bibliografia
[editar | editar código]- Botelho, Francisco; Lima, Laura Ferrazza de (12 de março de 2021). Guerra do Paraguai: Vidas, personagens e destinos no maior conflito da américa do sul. Rio de Janeiro: HarperCollins
- DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra, São Paulo: Companhia das Letras, 2002
- LEMIESZEK, Bagé, relatos de sua história – ed.Martins Livreiro, Porto Alegre
- LIMA, A.G. – Cronologia da História rio-gandense, ed. Globo, Porto Alegre
- MAGNOLI, Demetrio. História das Guerras : Contexto, 2009
- MATTOS, Eron Vaz – Aqui: memorial em Olhos d’Água, - ed. do autor, 2003
- STANISLAW, Francisco L.: Dóssie Chico Diabo.
