Língua gestual portuguesa

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Língua Gestual Portuguesa
Utilizado em: Portugal
Total de usuários: 100 000[1]
Família:
Códigos de língua
ISO 639-1: -
ISO 639-2: sgn
ISO 639-3: psr
Lista de Língua de Sinais

Língua Gestual Portuguesa (LGP) é uma linguagem gestual usada em Portugal, através da qual grande parte da comunidade surda comunica entre si. É processada através de gestos sistematizados e a sua captação é visual. É usada pela comunidade surda, de cerca de 30 000 indivíduos,[2] e também por toda a comunidade envolvente, como familiares de surdos, educadores, professores, técnicos, entre outros.[1]

História[editar | editar código-fonte]

No século XIX, o rei D. João VI chamou a Portugal Pär Aron Borg, um sueco que tinha fundado no seu país um instituto para educação de surdos e logo em 1823 foi criada a primeira escola portuguesa com essa valência. Assim embora o vocabulários línguas gestuais portuguesa e sueca sejam diferentes, o alfabeto tem uma origem comum.[3]

Nos termos da alínea h) do n.º 2 do artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa, «na realização da política de ensino incumbe ao Estado (...) proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades». Deste modo, desde 1997, a Língua Gestual Portuguesa passou a ser uma das línguas oficiais de Portugal, junto com a Língua Portuguesa e o Mirandês.

O Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa comemora-se a 15 de Novembro.[4] A comemoração deste dia originou-se dos esforços da Comissão Para o Reconhecimento e Proteção da Língua Gestual Portuguesa e Defesa dos Direitos Das Pessoas Surdas.

Aspetos linguísticos[editar | editar código-fonte]

Ao realizar a LGP, o gestuante terá uma 'mão dominante', cujo desempenho poderá diferir da 'mão não dominante'. Ao realizar o gesto, este deverá atender aos 5 parâmetros da LGP:

  • Configuração das mãos;
  • Local de articulação;
  • Movimento das mãos;
  • Orientação das mãos;
  • Componente não manual (expressão e movimento corporal).

Ao ser alterado um destes parâmetros, usualmente, o gesto perde o seu sentido.

Na LGP, a marcação do género ocorre unicamente no caso dos seres animados e geralmente o mesmo só é marcado quando ocorre no feminino, recorrendo-se ao gesto MULHER, como prefixo.

A fim de se marcar o número, na LGP existem vários métodos: por repetição, por redobro (realização do gesto por ambas as mãos) ou por incorporação (recurso a um numeral ou determinativo).

Relativamente à ordem dos elementos na frase em LGP, esta usa uma estrutura específica, não acompanhando a mesma ordem das frases da língua portuguesa. Não existe consenso quanto a qual a ordem predominante: alguns linguistas afirmam que pode ser 'sujeito-objeto-verbo' (S-O-V),[1] outros que é 'objeto-sujeito-verbo' (O-S-V).[5] Nas frases interrogativas, recorre-se à expressão facial, combinada com o recurso a pronomes interrogativos, que ocorrem no final da frase. As frases negativas pode ser elaboradas de diversas maneiras, por exemplo, recorre-se à expressão corporal, especialmente o movimento da cabeça, ou executa-se o gesto NÃO ou ainda utilizando uma forma específica de verbo na forma negativa, como por exemplo NÃO QUERER.[1]

Na LGP não existe discurso indireto. As mudanças do discurso indireto para o direto fazem-se através da expressão corporal, mais especificamente, à deslocação do gestuante no espaço, transferindo para cada uma das posições, papeis diferentes.[6]

Referências

  1. a b c d BALTAZAR, Ana Bela - Dicionário de Língua Gestual Portuguesa. Porto Editora. 2010
  2. Associação Portuguesa de Surdos. «Pessoas Surdas usuárias de Língua Gestual Portuguesa». Consultado em 14 de abril de 2021 
  3. O que todos devíamos saber sobre língua gestual (em dez pontos), Mariana Correia Pinto, Público, 14/11/2017, Fonte: Escola Virtual de Língua Gestual Portuguesa
  4. Educamais.com. «Dia Nacional da LGP». Consultado em 11 de novembro de 2014 
  5. AMARAL, Maria Augusta et al. Para uma Gramática de Língua Gestual Portuguesa (Colecção Universitária, série Linguística). Portugal, 1994. Editora Caminho. ISBN 972-21-0981-2.
  6. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome MESQUITA e SILVA

Ligações externas[editar | editar código-fonte]