Língua mirandesa

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Língua mirandesa (Lhéngua mirandesa)
Falado em:  Portugal
Região: concelhos de Miranda do Douro, Vimioso, Bragança e Mogadouro
Total de falantes: 15 000
Família: Indo-europeia
 Itálica
  Românica
   Ítalo-ocidental
    Ocidental[desambiguação necessária]
     Galo-ibérica
      Ibero-românica
       Ibero-ocidental
        Asturo-leonês
         Língua mirandesa
Regulado por: Anstituto de la Lhéngua Mirandesa
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: mwl
ISO 639-3: mwl
Placa de informação, na Sé de Miranda, com o texto em mirandês
Placa de identificação de arruamento, em Genísio, com o nome da rua em mirandês e em português

A língua mirandesa é um idioma pertencente ao grupo asturo-leonês (ocidental), com estatuto de segunda língua oficial em Portugal, reconhecida oficialmente em 1999 e assim protegida. É falada por mais de 7 000 pessoas e por menos de 10 000, no concelho de Miranda do Douro e nas freguesias de Angueira, Vilar Seco e Caçarelhos, no concelho de Vimioso, num espaço de 484 km², estendendo-se a sua influência por outras freguesias dos concelhos de Vimioso, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Bragança.

O mirandês tem três subdialetos (central ou normal, setentrional ou raiano, meridional ou sendinês); os seus falantes são em maior parte bilíngues, trilíngues ou até mesmo quadrilingues falando muitos deles o mirandês, o português e o castelhano, e até por vezes o galego.

Os textos recolhidos em mirandês mostram a envolvência de traços fonéticos, sintácticos ou vocabulares das diferentes línguas; o português é mais cantado pelos mirandeses, porque é considerado língua culta, fidalga, importante.

Situação actual[editar | editar código-fonte]

A língua mirandesa, tal como já foi referida anteriormente, é falada por, sensivelmente, 7 000 a 10 000 pessoas no extremo nordeste de Portugal, sendo desde 1999 a segunda língua oficial do país. A preservação da língua mirandesa deve-se à geografia e ao isolamento das designadas Terras de Miranda. Os rios ou cordilheiras são muitas vezes factores cruciais para a criação de uma "fronteira linguística". No caso das Terras de Miranda, o rio Sabor teve uma influencia, que convém realçar, isolando a área da influência da língua portuguesa. Outro factor para a preservação da língua é a proximidade e a acessibilidade a Espanha, tendo assim um comércio virado para o turismo espanhol, uma actividade crucial na cidade de Miranda do Douro. Convém realçar que Miranda do Douro tem uma grande vertente comercial destinada aos espanhóis que outrora faziam parte do Reino de Leão, isto é, que ainda, muitos deles, falam o asturiano, língua de origem do mirandês. Isto fez com que o mirandês chegasse aos nossos dias quase intacto, a acessibilidade e o contacto constante a uma Espanha que fala, essencialmente, o asturiano e um isolamento face ao português. Há muitos anos que o mirandês não se falava no coração da comarca, Miranda do Douro, mas nos últimos anos, devido à deslocação das pessoas das aldeias para a cidade, trouxe o mirandês de volta, isto porque nas aldeias era onde se conservava o mirandês e este êxodo rural trouxe a língua mirandesa novamente à cidade. A língua mirandesa está numa situação de diglossia, isto é, quando duas línguas coexistem mas uma prevalece sobre a outra, por razões extra-linguísticas. Neste caso o português tem conquistado os habitantes das Terras de Miranda pelo seu prestígio e difusão global. A atitude dos falantes em relação à sua língua autóctone também leva a uma relação de diglossia. Como exemplo, temos "Lição de Mirandês: You falo como bós i bós nun falais como you" de Manuela Barros Ferreira (do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa) em que é evidente a desvalorização da língua mirandesa face ao português. Segundo os entrevistados (pp. 150) não falam o mirandês quando estão em situações formais, como por exemplo, a relação professor-aluno (como é o caso do entrevistado) é, duma forma geral, a língua portuguesa que prevalece. Têm também alguns complexos com a língua, reservando-a a contextos mais familiares, do quotidiano ou mesmo contextos de extrema intimidade. Todos estes factores levam a língua a uma situação de diglossia.[1] [2]

Medidas de defesa[editar | editar código-fonte]

O mirandês é ameaçado actualmente pelo desenvolvimento, a vida moderna, a televisão, e as pressões do português e do castelhano. Em sua defesa, foram tomadas as medidas:

  • ensino em mirandês, como opção, nas escolas do ensino básico do concelho de Miranda do Douro, desde 1986/1987, por autorização ministerial de 9 de Setembro de 1985.
  • publicação de livros sobre e em mirandês, pela Câmara Municipal de Miranda do Douro.
  • realização anual de um festival da canção e de um concurso literário, pela Câmara Municipal.
  • uso do mirandês em festas e celebrações da cidade e, ocasionalmente, nos meios de comunicação social.
  • publicação de dois volumes da série de banda desenhada Asterix.
  • tradução de todas as placas toponímicas da cidade de Miranda do Douro, efectuada em 2006 pela Câmara Municipal.
  • estudo por centros de investigação portugueses como o centro de linguística da Universidade de Lisboa com o projecto "Atlas Linguístico de Portugal", e a Universidade de Coimbra, com o "Inquérito Linguístico Bolêo".
  • criação de uma Wikipédia em mirandês, a Biquipédia.
  • disponibilização de sítios em mirandês, entre eles Photoblog e WordPress em mirandês.

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Características comuns ao português, ao galego e ao asturo-leonês ocidental (origem linguística da língua mirandesa):

  • Manutenção de F- inicial latino: FILIU (Lat.) = FILHO (Port.)
  • Evolução do grupo latino -CT- em -it-: NOCTE (Lat.) = NOITE (Port.)
  • Evolução dos grupos latinos PL-, CL- e FL- em africada /tʃ/.
  • Conservação dos ditongos ei e ou.

Algumas diferenças fonológicas em relação ao português são:

  • palatização da consoante inicial L: língua = lhéngua
  • manutenção das consoantes l e n em posição intervocálica: lua = lhuna, mau = malo
  • palatização das consoantes duplas ll/nn/mn: castelo = castielho, ano = anho, dano = danho
  • ditongação da vogal breve e em posição tónica: Ferro = fierro

Texto amostra[editar | editar código-fonte]

Segue-se um texto amostra em língua mirandesa publicado no jornal Público, a 24 de Julho de 2007. Para comparação, apresentam-se as traduções do texto para leonês, asturiano, português e castelhano.

Mirandês: Leonês: Asturiano: Português: Castelhano:

Muitas lhénguas ténen proua de ls sous pergaminos antigos, de la lhiteratura screbida hai cientos d'anhos i de scritores hai muito afamados, hoije bandeiras dessas lhénguas. Mas outras hai que nun puoden tener proua de nada desso, cumo ye l causo de la lhéngua mirandesa.

Muitas llinguas tien arguyu de los sous pergaminos antigos, de la lliteratura escrita hai cientos d'años y d'escritores enforma famosos; guei bandeiras d'eisas llinguas. Peru hai outras que nun pueden tenere arguyu de nada d'eisu, comu ye'l casu de la llingua mirandesa.

Munches llingües tienen arguyu de los sos pergaminos antiguos, de la lliteratura escrito hai cientos d'años y d'escritores perfamosos, anguaño banderes d'eses llingües. Pero hai otres que nun puen tener arguyu de nada d'eso, como ye'l casu de la llingua mirandesa.

Muitas línguas têm orgulho dos seus pergaminhos antigos, da literatura escrita há centenas de anos e de escritores muito famosos, hoje bandeiras dessas línguas. Mas há outras que não podem ter orgulho de nada disso, como é o caso da língua mirandesa.

Muchos idiomas tienen orgullo de sus antiguos pergaminos, de literatura escrita hace cientos de años y de escritores muy famosos, hoy banderas de esas lenguas. Pero hay otras que no pueden tener orgullo de nada de eso, como es el caso de la lengua mirandesa.

Referências

  1. Sítio de L Mirandês do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa
  2. Licão de Mirandês: "You falo como bós i bós nun falais como you" de Manuela Barros Ferreira (CLUL)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Variantes ocidentais da língua leonesa
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