Língua asturiana
| Asturiano asturianu | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | astuˈɾjanu | |
| Outros nomes: | Bable | |
| Falado(a) em: | Espanha e Portugal | |
| Região: | Astúrias, Leão, Samora e Miranda do Douro | |
| Total de falantes: | c. 709 000 (2017)[1] | |
| Família: | Indo-europeia Itálica Românica Ítalo-ocidental Galo-ibérica Ibero-românica Asturo-leonês Asturiano | |
| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Nenhum (Protegida por lei nas Astúrias) | |
| Regulado por: | Academia de la Llingua Asturiana | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | --
| |
| ISO 639-2: | ast | |
| ISO 639-3: | ast
| |

A língua asturiana (endônimo: asturianu; AFI: [astuˈɾjanu]), historicamente também conhecido como bable (AFI: [ˈbaβle]), é uma língua indo-europeia pertencente ao ramo das línguas românicas. O termo designa a variedade falada no Principado das Astúrias do diassistema asturo-leonês, um contínuo linguístico ocidental da Península Ibérica que inclui ainda o leonês e o extremenho (castúo). O asturiano desenvolveu-se a partir do latim vulgar introduzido na região durante a romanização e apresenta traços fonológicos, morfológicos e lexicais próprios.
A língua é utilizada principalmente nas Astúrias, bem como em zonas limítrofes de Castela e Leão, e conta com cerca de 709 mil usuários, número que inclui tanto falantes nativos quanto aqueles que possuem competência passiva ou que a utilizam com diferentes graus de fluência.[2] A variedade padrão contemporânea baseia-se, por razões históricas e linguísticas, nos dialetos centrais das Astúrias. O asturiano dispõe de ortografia, gramática e dicionário próprios, estabelecidos e regulados pela Academia da Llingua Asturiana, criada em 1980.[3]
Existem três variedades dialectais dentro das Astúrias — oriental, central e ocidental, esta última partilhada com a região leonesa. O idioma não possui caráter de língua oficial plena na Espanha (ao contrário do galego, basco ou catalão), mas é protegido juridicamente sob o Estatuto de Autonomia das Astúrias e é de inclusão opcional no currículo escolar daquela comunidade, sendo ofertado como disciplina eletiva.[4]
No século X, o centro político do Reino se deslocou das Astúrias para Leão e, à medida que a Reconquista se deslocava para o sul, o asturiano expandiu-se territorialmente, embora tenha começado a distanciar-se administrativamente dos centros de poder com o passar dos séculos.[5] O ramo mais meridional do domínio linguístico é o extremenho.
Etimologia
[editar | editar código]O termo asturiano deriva de "Astúrias", topônimo histórico que tem origem no etnônimo latino Astures, usado pelos autores clássicos para designar os povos pré-romanos do noroeste da Península Ibérica. A origem de Astures é incerta, sendo associada por alguns estudiosos a um elemento hidronímico pré-indoeuropeu *ast/*stur encontrado em nomes antigos de rios e lugares, o que sugere uma raiz geográfica anterior à romanização. Com a romanização, o adjetivo asturianus passou a qualificar o que pertencia ou estava relacionado às Astúrias, incluindo a língua falada na região.[6][7]
O principal endônimo da língua é asturianu, usado pelos falantes e documentado em dicionários etimológicos do próprio idioma. Historicamente, também se utilizou o nome bable para as variedades coloquiais asturianas. A origem de bable é debatida por filólogos, pois algumas fontes ligam o termo a usos populares antigos e a conotações de fala coloquial, do latim "fabula" (fala), enquanto outras indicam que o termo adquiriu sentido pejorativo, já que pode vir do latim "balbus" (gago, dissimulado), motivo pelo qual é hoje evitado em normas linguísticas oficiais.[8][9] Entre os exônimos, asturiano é usado em português e em muitas outras línguas para se referir tanto à língua quanto a aspectos culturais e geográficos das Astúrias, formado a partir de Astúrias com o sufixo românico -ano.[10]
Distribuição
[editar | editar código]O asturiano é falado sobretudo no Principado das Astúrias (norte da Espanha) e em áreas contíguas das províncias de Leão e Samora (Castela e Leão). Estima-se que cerca de 700 000 pessoas falam o idioma, sendo como língua nativa ou segunda língua. Pequenas comunidades de falantes existem também em Miranda do Douro (Trás-os-Montes, Portugal, onde a variedade local – o mirandês – é cooficial) e em algumas zonas do leste da Cantábria e do norte de Estremadura, além de centros de emigrantes na América Latina (especialmente Argentina e Uruguai). Geograficamente, o asturiano está delimitado ao norte pelo Mar Cantábrico e ao sul pela Cordilheira Cantábrica (rios como o Nalón e o Sella formam fronteiras naturais entre variantes); a região de maior uso concentra-se nas terras montanhosas centrais das Astúrias. A língua não tem status oficial, mas é protegida pelo Estatuto de Autonomia das Astúrias e pode ser ensinada como disciplina opcional na rede escolar daquela comunidade.[11] [12][13][14][15]
Dialetos e Línguas relacionadas
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O asturiano pertence ao conjunto asturo-leonês ocidental das línguas românicas. Tradicionalmente divide-se em três grandes variedades regionais:[16][17]
- Asturiano ocidental: compreende as áreas entre os rios Návia e Nalón, estendendo-se pelas províncias de Leão e Samora. A sua característica mais marcante é a pronúncia, nas comarcas da zona de Laciana, da fricativa surda /t͡s/ no lugar da lateral palatal sonora /ʎ/; por exemplo, tsíngua ao invés de llíngua "língua". Igualmente, no dialeto ocidental ocorre a conservação dos ditongos decrescentes /ou/ e /ei/ (ex: cousa, veiga), um traço arcaizante que o aproxima das soluções fonéticas do galego e do português, diferenciando-se da monotongação típica do castelhano e do asturiano padrão para os fonemas /o/ e /e/. Forma um continuum dialetal com o leonês das áreas limítrofes.
- Asturiano central: serve de base à norma padrão. Abrange a zona central das Astúrias (da foz do Nalón até o rio Sella) e parte do norte de Leão. É relativamente homogêneo e partilha a maior parte dos traços comuns do asturiano sem as pronúncias mais conservadoras do ocidental (reduz os ditongos /ou/ e /ei/ para /o/ e /e/).
- Asturiano oriental: falado a leste do Sella (Llanes, Cabrales, etc.), próximo do dialeto montanhês da Cantábria. Em alguns lugares preserva a aspiração [h] do fonema latino inicial /f/ (como em habil[haβil]), e em termos gerais aproxima-se foneticamente do espanhol padrão, fechando as vogais finais (ex: perru > pirru).
Outras línguas intimamente relacionadas incluem:
- Leonês: variedade asturo-leonesa falada no centro-leste de Castela e Leão (província de Leão). Filogeneticamente, muito próxima do asturiano; estudiosos como Ramón Menéndez Pidal demonstraram em 1906 que o leonês não é um dialeto do castelhano, mas sim o resultado da evolução direta do latim na região do antigo Reino de Leão, mantendo continuidade estrutural com o asturiano.[12]
- Mirandês: variante falada em Miranda do Douro (Trás-os-Montes, Portugal), cooficial naquele município desde 1999. Mantém elevada inteligibilidade com o asturiano e compartilha grande parte do léxico e da gramática, sendo parte do mesmo grupo linguístico (asturo-leonês).
- Estremenho (castúo): falado em áreas ocidentais da província de Salamanca e norte da Estremadura, é considerado o ramo meridional do asturo-leonês, apresentando traços de transição para o espanhol sul-peninsular.
- Montanhês (cántabro): falado em partes montanhosas da Cantábria, apresenta traços de transição entre o asturiano oriental e o espanhol setentrional.
Comparação dialectal
[editar | editar código]Comparação de textos entre variedades dialectais e outras línguas
[editar | editar código]| Localização | Bloco linguístico | Texto | |
|---|---|---|---|
| Dialetos asturo-leoneses | |||
| Fala de Carreño | Astúrias | Central | Tolos seres humanos nacen llibres y iguales en dignidá y drechos y, pola mor de la razón y la conciencia de so, han comportase fraternalmente los unos colos otros.[18] |
| Fala de Somiedo | Astúrias | Ocidental | Tódolos seres humanos nacen ḷḷibres ya iguales en dignidá ya dreitos ya, dotaos cumo tán de razón ya conciencia, han portase fraternalmente los unos conos outros.[19] |
| Paḷḷuezu | Leão | Ocidental | Tódolos seres humanos nacen ḷḷibres ya iguales en dignidá ya dreitos ya, dotaos cumo tán de razón ya conciencia, han portase fraternalmente los unos conos outros.[19] |
| Cabreirês | Leão | Ocidental | Tódolos seres humanos ñacen llibres y iguales en dignidá y dreitos y, dotaos cumo están de razón y concéncia, han portase fraternalmente los unos pa coños outros.[20] |
| Mirandês | Trás-os-Montes | Ocidental | Todos ls seres houmanos nácen lhibres i eiguales an denidade i an dreitos. Custuituídos de rezon i de cuncéncia, dében portar-se uns culs outros an sprito de armandade.[21] |
| Falas de transição | |||
| Estremenho | Estremadura / Salamanca | Falas de transição entre o asturo-leonês e o castelhano | Tolos hombris nacin libris i egualis en digniá i derechus i, comu gastan razón i concéncia, ebin comportal-se comu hermanus los unus conos otrus.[22] |
| Cântabro ou montanhês | Cantábria | Tolos seris humanos nacin libris y eguales en dignidá y drechos y, dotaos comu están de razón y conciencia, tién de comportase comu hermanos los unos conos otros.[23] | |
| Outras línguas romances | |||
| Português | Portugal | Português | Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. |
| Galego | Galiza | Galego | Todos os/tódolos seres humanos nacen ceibes e iguais en dignidade e dereitos e, dotados como están de senso e consciencia, deben de se comportar fraternalmente uns cos outros. |
| Castelhano | Castela | Castelhano | Todos los seres humanos nacen libres e iguales en dignidad y derechos y, dotados como estão de razón y conciencia, deben comportarse fraternalmente los unos con los otros. |
Comparação lexical (Atlas Linguístico da Península Ibérica - ALPI)
[editar | editar código]Comparação de termos recolhidos pelo questionário ALPI[24] em diferentes pontos do domínio linguístico:
| Palavra | Navelgas (Tineo) |
Villanueva (Teberga) |
Llantones (Castrillón) |
Felechosa (Aller) |
Folledo (Leão) |
Los Carriles (Llanes) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Bloco Dialetal | Ocidental | Ocidental | Central | Central (Aller) | Leonês | Oriental |
| olho | güeyu | güechu | güeyu | güiyu | güetyu | 'oyu
[oʝu] |
| orelha | ureya
[u'rea] |
uretʃa
[u'ret͡ʃa] |
oreya
[o'reʝa] |
oreya
[o'reʝa] |
oreye
[o'reʝe] |
oreíya
[ore’iʝa] |
| ouvido | ouyíu
[ou'ʝju] |
ouidu
[ou’iðu] |
oyidu | oyíu
[oʝ'iu] |
uyíu
[u'ʝju] |
oídu
[o'iðu] |
| égua | yeugua
['ʝeugwa] |
yeugua
['ʝeugwa] |
yegua
['ʝegwa] |
yegua
['ʝegwa] |
yegua
['ʝegwa] |
yegua
['ʝegwa] |
| eixo | el eis
['eis] |
l'exe
[l'exe] |
la eixa
[la 'eiʃa] |
el exe
['eʃe] |
el exi
['eʃi] |
la exa
[la 'eʃa] |
| lobo | tsobu
['ʈʂobu] |
tsobu
['ʈʂobu] |
llobu
['ʎobu] |
tsu
['ʈʂu] |
tsobu
['ʈʂobu] |
llobu
['ʎobu] |
| nó | noyu
['noʝu] |
nodiu
['noðju] |
nuedu
['nweðu] |
nuibu
['nuibü] |
nuedu
['nueðu] |
nudu
['nuðu] |
| leite | tseiti
['ʈʂeiti] |
tseichi | llechi | tsetse | tseichi | lleche |
| ponte | ponti
['ponti] |
ponti
['ponti] |
puenti
['puenti] |
una ponte
['ponte] |
puenti
['puenti] |
puente
['puente] |
| chover | chover | tsover | llover | yover | tyover | llover |
| chama | chama
['t͡ʃama] |
tsaparada
[tsapa'rada] |
llama
['ʎama] |
yama
['ʝama] |
tyama
['ʈʂama] |
llaparada
[ʎapa'rada] |
| neve | nievi
[njeβi] |
nievi
[njeβi] |
ñevi | nieve
[njeβe] |
nievi
[njeβi] |
nieve
[njeβe] |
| uma colher | una cuyar
['kuʝaR] |
cuchare
[ku’t͡ʃare] |
cuyar
[ku'ʝaR] |
cuyar
[ku'ʝaR] |
cutyar
[ku'ʈʂaR] |
un cuchar
[un cu’t͡ʃar] |
| vespa | gueiespa
[gei'espa] |
abiespa
[a’βjespa] |
abiéspera
[a’βjespera] |
biéspra
['βjespRa] |
yespra
['ʝespRa] |
abiéspara
[a’βjespara] |
| bailar | beitsar
[bei’t͡saR] |
beitsar
[bei’t͡saR] |
bailar
[bai’laR] |
baitsaR
[bai’t͡saR] |
baitsar
[bai’t͡saR] |
baillar
[bai’ʎaR] |
| mulher | muyer
[mu’ʝeR] |
mucher
[mu’t͡ʃeR] |
muyer
[mu’ʝeR] |
muyer
[mu’ʝeR] |
mutyer
[mu’ʈʂeR] |
muyer
[mu’ʝeR] |
| farinha | farina
[fa’rina] |
Farina
[fa’rina] |
fariña
[fa’riɲa] |
fariña
[fa’riɲa] |
varina
[ba’rina] |
h.arina
[ha’rina] |
| tudo | todu
[toðu] |
tou
[tou] |
todo
[toðo] |
too
['to:] |
too
['to:] |
tou
[tou] |
| trouxeram | trouxienun
[tRou’ʃienun] |
trouxierun
[tRou’ʃierun] |
trixeron
[tRi'ʃeron] |
trixoren
[tRi'ʃoren] |
trouxorin
[tRou'ʃorin] |
trayeron
[tra'ʝeron] |
| foram | fonun
['fonun] |
fuerun...
['fuerun] |
fueron
['fueron] |
foren
['foren] |
vorin
['borin] |
h.oron
['horon] |
| assobiar | xiplar
[ʃi'plar] |
xiblar
[ʃi'blar] |
xiblar
[ʃj'blar] |
xieblar
[ʃje'blar] |
xiblar
[ʃi'blar] |
chiflar
[t͡ʃi'flar] |
| louro | xoreiru
[ʃo’reiru] |
tsaurel
[t͡sau’rel] |
lloreu
[ʎo’reu] |
laurel
[lau’rel] |
laurel
[lau’rel] |
lloru
[ʎo’ru] |
Plurilinguismo
[editar | editar código]O asturiano é distinto do espanhol. Há aproximadamente 80% de inteligibilidade com o espanhol — o suficiente para provocar uma ruptura na capacidade comunicativa. Nas zonas rurais isoladas, o espanhol é usado em ocasiões formais e com estrangeiros, nomeadamente pela população mais idosa. Durante um discurso formal, é comum ouvir frases formadas por palavras castelhanas misturadas com palavras asturianas, usando a gramática asturiana, que se assemelha mais à portuguesa que à gramática espanhola, isto passa-se pela afinidade linguística.
História
[editar | editar código]História da língua
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A formação do asturiano remonta à romanização tardia do território dos ástures, iniciada no século I a.C. após as Guerras Cantábricas. O latim vulgar implantado na região sobrepôs-se a um substrato linguístico pré-indoeuropeu e céltico, absorvendo vocabulário relacionado à orografia, à flora e à vida rural (como vega, cotoya, cuetu, cachiparru e artu) que persiste no léxico atual.[25][26] A evolução do idioma foi condicionada pela geografia montanhosa, que favoreceu o isolamento e a conservação de traços arcaicos, e pelas invasões germânicas dos suevos e visigodos, que contribuíram com um superstrato lexical, embora sem alterar a estrutura românica em formação. Com a criação do Reino das Astúrias (718–910), o idioma nascente expandiu-se geograficamente para o sul, acompanhando o repovoamento e a Reconquista, ultrapassando a Cordilheira Cantábrica e alcançando as atuais províncias de Leão, Zamora, Salamanca e o nordeste de Portugal. Durante a Alta Idade Média, o asturiano (ou asturo-leonês) consolidou-se como a língua vernácula do reino, coexistindo em situação de diglossia com o latim, que permanecia como língua da liturgia e da alta cultura escrita.[27][28]
Em 1230, com a união definitiva das coroas de Leão e Castela sob Fernando III, a perda da independência política do reino leonês, deslocando o centro de poder para Castela, inicou um processo de centralização administrativa que favoreceu o castelhano. [29] No século XIV, este processo foi drasticamente acelerado por intervenções eclesiásticas, especificamente sob a influência do bispo Gutierre de Toledo. De origem castelhana, Gutierre impôs reformas que tornaram o castelhano a língua da documentação eclesiástica nas Astúrias e obrigou o clero local a formar-se fora da região, interrompendo a transmissão culta do idioma nativo.[30] Este evento marcou o início da marginalização social do asturiano, inaugurando o período historiograficamente denominado "Séculos Escuros" (do século XIV ao XVII), onde o idioma desapareceu dos registos formais e da administração, ficando restrito à oralidade e às classes populares, enquanto o português e o castelhano se desenvolviam como línguas de Estado e cultura.[31]

A estrutura social dos falantes sofreu novas alterações com a Revolução Industrial no século XIX e início do século XX, que transformou as Astúrias numa região mineira e siderúrgica. Ocorreu um êxodo rural massivo para as bacias mineiras e centros urbanos como Oviedo e Gijón. Diferente do que ocorreu na Catalunha ou no País Basco, a burguesia industrial asturiana não adotou a língua local como símbolo de identidade, mas rejeitou-a como marca de "aldeanismo" (rústico/atrasado) e falta de cultura.[32] O sistema escolar, universalizado nessa época, e o serviço militar obrigatório funcionaram como veículos estatais de castelhanização forçada.[33] Simultaneamente, a emigração asturiana para a América Latina (especialmente Cuba, Argentina e Uruguai) levou o idioma para o exterior, onde se manteve vivo em redes comunitárias de emigrantes, embora sem transmissão intergeracional a longo prazo. Durante a ditadura franquista (1939–1975), a repressão linguística intensificou-se, com o asturiano sendo ridicularizado publicamente e banido da vida pública, o que acelerou a ruptura da transmissão familiar e diminuiu drasticamente o número de falantes maternos.[34]
A recuperação do prestígio social do idioma ganhou força durante a transição democrática espanhola com o movimento cultural conhecido como Surdimientu (Surgimento). Rompendo com a visão estigmatizada de "dialeto rural", intelectuais e ativistas agrupados na associação Conceyu Bable (1974) impulsionaram uma renovação literária e reivindicaram a presença do asturiano no ensino e na administração pública sob o lema "Bable nes escueles". A criação da Academia de la Llingua Asturiana em 1980 foi fundamental para dotar o idioma de normas ortográficas e gramaticais modernas, permitindo sua entrada no sistema educacional e nos meios de comunicação. Embora o Estatuto de Autonomia e leis posteriores de 1998 tenham garantido a proteção e promoção do idioma, o asturiano não alcançou a cooficialidade plena nas Astúrias, diferentemente do que ocorreu com o mirandês (variante do mesmo domínio linguístico) em Portugal, oficializado em 1999.[35]
Em contraste, a variante do mesmo domínio linguístico falada em Portugal, o mirandês, obteve reconhecimento oficial pela Assembleia da República Portuguesa através da Lei n.º 7/99, garantindo direitos linguísticos plenos no concelho de Miranda do Douro. Diacronicamente, a evolução do asturiano moderno em relação ao latim caracteriza-se pela perda da gramaticalização dos casos nominais, mas distingue-se do castelhano pela conservação de traços arcaicos e soluções fonéticas próprias. Destacam-se a manutenção do fonema inicial /f/ (ex: facere > facer, contra o espanhol hacer), a palatalização do fonema inicial /l/ (ex: luna > lluna) e, singularmente na Península Ibérica, a sobrevivência funcional do neutro de matéria, que permite distinguir entre substantivos contáveis e não contáveis (ex: la carne tienro [matéria/neutro] vs. el neñu tienru [masculino]), uma característica que define a sua identidade no contínuo ibero-românico.[17]
História literária
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Embora traços linguísticos do asturiano já sejam identificáveis em documentos do século X, é a partir do século XIII que os registros escritos — como contratos, testamentos e escrituras notariais — se tornam abundantes.[4][36] Entre os testemunhos mais antigos destacam-se o Fuero de Avilés de 1085 (o pergaminho mais antigo preservado nas Astúrias)[37], o Fuero de Oviedo do século XIII e a versão leonesa do Fueru Xulgu.
Durante o século XIII, tais documentos regulavam a vida legal das vilas e da população geral.[36] Contudo, a partir da segunda metade do século XVI, sob a influência da dinastia de Trastâmara, a administração civil e eclesiástica do principado adotou o castelhano. Seguiu-se o período conhecido como sieglos escuros (séculos escuros), no qual o idioma desapareceu da escrita, sobrevivendo apenas na oralidade. A única exceção conhecida desse período é uma menção na obra de 1555 de Hernán Núñez sobre provérbios, que lista o asturiano ao lado de línguas como o português, galego e catalão.[38] Este documento contém uma referência única, supostamente em asturiano: "Quien passa por Ruycande y no bebe, o muere de hambre, o no ha sede", Hernán Nunez, Refranes o Proverbios en romance..., Lérida, ano 1621, p. 81.
O renascimento literário, ou literatura moderna asturiana, iniciou-se em 1605 com o clérigo Antón González Reguera. Essa tradição manteve-se até o século XVIII, período em que, segundo Ruiz de la Peña, a produção literária em asturiano rivalizava com a em espanhol na região.Sobre o caráter desta literatura, o filólogo sueco Åke W:son Munthe em 1868 observa o seguinte: "parece subsistir nesta literatura uma mistura arbitrária de elementos da língua castelhana... Esta literatura em 'bable' não pode ser considerada como uma língua literária, porque não tem qualquer corpo unificado...". [39] Em 1744, Gaspar Melchor de Jovellanos defendeu o valor cultural do idioma, propondo a criação de uma academia, de uma gramática e de um dicionário. Entre os escritores de destaque figuram Francisco Bernaldo de Quirós Benavides (1675), Xosefa Xovellanos (1745), Xuan González Villar y Fuertes (1746), Xosé Caveda y Nava (1796), Xuan María Acebal (1815), Teodoro Cuesta (1829) e Fernán Coronas (1884), entre outros. Durante o século XIX e início do XX, a imprensa regional publicava frequentemente poemas e sátiras em asturiano, e o teatro costumbrista gozava de popularidade, por mais que o primeiro periódico integralmente no idioma só tenha surgido em 1901.
No campo lexicográfico, o pioneirismo coube a Carlos González de Posada, autor do Diccionario de algunas voces del dialecto asturiano em 1788.[40][41] Quanto aos textos religiosos, o Evangelho de Mateus foi traduzido em 1861, em Londres, pelo padre Manuel Fernández de Castro y Menéndez Hevia sob os auspícios de Louis Lucien Bonaparte, embora a tradução completa da Bíblia só tenha sido concluída em 2021 (começada em 1988).[42] [43]



O primeiro livro impresso e publicado em asturiano foi Llos Trabayos de Chinticu (1843), de Juan Junquera Huergo, uma obra de 372 versos satíricos lançada em Gijón.[44][45] Junquera Huergo também redigiu a primeira gramática asturiana em 1869 (que permaneceu inédita por falta de recursos)[46] e dois dicionários. Em 1880, atribui-se a "Pepín Quevedo" a autoria de um pequeno vocabulário de termos em bable.[41][47]
Na prosa de ficção, o marco inicial é o romance Viaxe del Tíu Pacho el Sordu a Uviedo (1875), de Enriqueta González Rubín, escrito no dialeto oriental.[48][49] Já no jornalismo, o poeta Francisco González Prieto fundou em 1901 o Ixuxú, um semanário ultracatólico e o primeiro inteiramente em asturiano,[50] seguido pelo periódico L'Astur em 1904.[51]
A partir da década de 1930, e agravando-se com a vitória franquista na Guerra Civil Espanhola, as políticas repressivas contra as línguas regionais reduziram drasticamente a produção escrita em asturiano, perdurando até o surgimento do movimento de recuperação cultural na década de 1974, quando a associação Conceyu Bable iniciou um movimento pela dignificação e uso do idioma, culminando na criação da Academia da Língua Asturiana em 1980, aprovada pelo conselho regional.
Os autores do chamado Surdimientu (Surgimento), como Manuel Asur, Xuan Bello, Adolfo Camilo Díaz, Pablo Antón Marín Estrada e Xandru Fernández, romperam com a tradição literária anterior, abandonando os temas rurais e moralistas em favor de uma estética moderna. Atualmente, publicam-se cerca de 150 obras anuais em asturiano.[52]
Mais recentemente, despontou uma nova geração literária denominada "l'Espardimientu" (o Espalhamento),[53] focada em gêneros como fantasia, ficção científica e terror, distanciando-se do Surdimientu.[54][55] Segundo a crítica Marta Mori, este grupo caracteriza-se por narrativas ágeis, visuais e dialogadas, utilizando arquétipos próximos da literatura tradicional[56] e revisitando a mitologia local.[57] Entre os nomes associados a esta vertente estão Nicolás Bardio,[58] Adrián Carbayales[59], Xon de la Campa e Blanca Fernández Quintana, configurando um verdadeiro boom da literatura fantástica em língua asturiana.[60][61][62]
História do ensino
[editar | editar código]Historicamente excluído do sistema educacional e estigmatizado como marca de incultura durante a ditadura franquista, o ensino do asturiano tornou-se uma reivindicação central na Transição Espanhola, impulsionada pela campanha popular "Bable nes escueles" iniciada em 1974 pela associação Conceyu Bable.[63][64]
A introdução formal no currículo ocorreu no ano letivo de 1984-1985, inicialmente como projeto piloto em seis escolas públicas. A consolidação legal veio com a Lei 1/1998 de Uso e Promoção, que obriga todos os centros de ensino fundamental e médio das Astúrias a ofertarem a disciplina de Língua Asturiana e Literatura, embora a matrícula permaneça voluntária para os alunos, competindo como optativa.[65] A formação específica dos professores é realizada pela Universidade de Oviedo, que oferece a especialização através de um Minor e menções na graduação em Magistério.[66]
No contexto do mesmo domínio linguístico, o ensino do mirandês em Portugal iniciou-se no ano letivo de 1986-1987, também em caráter facultativo, obtendo suporte institucional pleno após o reconhecimento oficial da língua em 1999.[67]
Fonologia
[editar | editar código]A fonologia do asturiano é descrita pela Academia da Língua Asturiana através da distinção entre as unidades funcionais (fonemas) e as suas realizações materiais (fones). O sistema fonológico asturiano é constituído por um inventário vocálico de cinco unidades e um inventário consonantal de dezenove fonemas. A estrutura silábica organiza-se em torno de um núcleo vocálico obrigatório, podendo apresentar margens consonantais complexas.[68] O asturiano não é uma língua tonal, não utilizando variações de altura para distinção lexical ou gramatical de palavras. Ocorre, no entanto, o uso da entonação (signo entonativo) como elemento suprassegmental para distinguir modalidades de enunciados (ver seção Prosódia).
Consoantes
[editar | editar código]O sistema consonantal do asturiano conta com 19 fonemas. O inventário organiza-se em três ordens de localização para as obstruentes (labial, dental e velar) e apresenta oposições de sonoridade (surdo/sonoro) nas oclusivas. Entre as particularidades do sistema, destaca-se a distinção fonológica entre a lateral alveolar /l/ e a lateral palatal /ʎ/, bem como a presença de uma fricativa palatal surda /ʃ/.[69]
Existem fenômenos de neutralização que levam à formação de arquifonemas em posição final de sílaba. As consoantes oclusivas sonoras /b/, /d/ e /g/ possuem alofones fricativos ou aproximantes em contextos intervocálicos, embora sejam fonologicamente classificadas como oclusivas.[70]
| Bilabial | Labiodental | Dental | Alveolar | Pós-alveolar | Palatal | Velar | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p b | t d | k g | ||||
| Africada | tʃ | ||||||
| Nasal | m | n | ɲ | ||||
| Vibrante | r | ||||||
| Tepe ou flepe | ɾ | ||||||
| Fricativa | f | θ | s | ʃ | ʝ | ||
| Aproximante lateral | l | ʎ |
Vogais
[editar | editar código]O sistema vocálico do asturiano é composto por cinco fonemas, definidos por três graus de abertura (mínima, média e máxima) e três graus de localização ou anterioridade (anterior, central e posterior). Este sistema manifesta-se plenamente em posição tônica, onde o valor distintivo é claro (ex: sacu / secu; pisu / posu). Em posição átona, a frequência de oposições diminui, especialmente entre as vogais médias e fechadas (/e/ vs. /i/ e /o/ vs. /u/).[71]
O idioma possui três tipos de ditongos: crescentes (vocal fechada na margem prenuclear + núcleo), decrescentes (núcleo + vocal fechada na margem posnuclear) e indiferentes (duas vogais fechadas).[72]
↓ Altura |
Anterior | Posterior |
|---|---|---|
| Fechada | i | u |
| Semifechada | e | o |
| Aberta | a |
Transformações fonológicas
[editar | editar código]A realização dos fonemas asturianos sofre diversas modificações dependendo do contexto fonético (alofonia) e da posição na sílaba.
- Assimilação do arquifonema nasal: A nasal em final de sílaba adapta-se ao ponto de articulação da consoante seguinte. Realiza-se como bilabial [m] antes de /p/, /b/, /m/; como labiodental[ɱ] antes de /f/; como interdental[n̟] antes de /θ/; como dental[n̪] antes de /t/, /d/; como alveolar [n] antes de /s/, /n/, /l/, /ɾ/; como palatal [ɲ] antes de consoantes palatais; e como velar[ŋ] antes de /k/, /g/ ou em final absoluto de palavra.[73]
- Neutralização de líquidas: Os fonemas laterais /l/ e /ʎ/ neutralizam-se num fonema comumente /l/ em final de sílaba e nos grupos consonantes (pl, tl, cl, etc.). Da mesma forma, as vibrantes /r/ e /ɾ/ neutralizam-se no fonema /r/ nessas posições. A realização fonética varia conforme o contexto (ex: a lateral realiza-se como interdental[l̟] antes de /θ/, como em calce).[74]
- Lenição das oclusivas sonoras: Os fonemas /b/, /d/, /g/ realizam-se como oclusivos [b], [d],[g] apenas após pausa ou consoante nasal (e /d/ também após /l/). Em todos os outros contextos, especialmente entre vogais, realizam-se como fricativas ou aproximantes [β], [ð],[ɣ].[75]
- Elisão vocálica: Na cadeia falada, especialmente na conversação rápida, é comum a elisão de vogais em encontros entre palavras (ex: la enxigua pronunciado como lanxigua). Na escrita, este fenômeno é regulado pelo uso do apóstrofo e das contrações.[76]
Fonotática
[editar | editar código]A sílaba em asturiano é constituída por um núcleo obrigatório e margens opcionais. O núcleo silábico é sempre ocupado por uma vogal.
- Ataque (Margem prenuclear): Pode ser simples (qualquer consoante, exceto /ɾ/ vibrante simples em início de palavra) ou complexo. Os grupos consonantais admitidos no ataque são formados por oclusiva ou fricativa seguida de líquida: /pl/, /tl/, /kl/, /bl/, /gl/, /fl/, /pɾ/, /tɾ/, /kɾ/, /bɾ/, /dɾ/, /gɾ/, /fɾ/, /θɾ/.[77]
- Coda (Margem posnuclear): No asturiano patrimonial, a coda admite apenas os fonemas /θ/, /s/ e /ʃ/, as nasais e as líquidas. Em palavras de origem culta, podem aparecer outras neutralizações de oclusivas, como as labiais /p/-/b/, as dentais /t/-/d/ e as velares /k/-/g/ (ex: aptu, arácnidu).[78]
- Adaptação de cultismos: Grupos consonantais estranhos à fonotática patrimonial tendem a ser adaptados. Por exemplo, o grupo inicial ⟨ps⟩ pode simplificar-se para o fonema /s/ (sicoloxía), e a sequência /kt/ em coda pode vocalizar para /ut/ (caráuter).[79]
Prosódia
[editar | editar código]A prosódia do asturiano engloba o acento de intensidade e a entonação.
- Acentuação: O acento é um traço distintivo que recai sobre o núcleo silábico, permitindo diferenciar palavras (ex: xinte / xinté). O acento é livre, podendo recair na última sílaba (agudas ou oxítonas), na penúltima (llanes ou paroxítonas) ou na antepenúltima (esdrúxules ou proparoxítonas). Existem também palavras átonas (clíticos) que se apoiam na palavra seguinte ou anterior.[80]
- Entonação: O signo entonativo possui uma função distintiva ao nível do enunciado. A parte final da curva melódica, chamada tonema, é a mais significativa. A gramática distingue cinco tonemas principais que caracterizam os enunciados: cadência (descendente, para asserções), semicadência, anticadência (ascendente, para interrogações totais), semianticadencia e suspensão.[81]
Ortografia
[editar | editar código]O sistema de escrita do asturiano baseia-se no alfabeto latino. A direção da escrita é horizontal, da esquerda para a direita e de cima para baixo. A ortografia moderna foi normatizada em 1981 pela Academia da Língua Asturiana (ALLA), visando uma representação fonológica coerente com as variedades centrais do idioma, mas com soluções gráficas que acomodam particularidades dialetais. O alfabeto asturiano padrão conta com 23 letras (a, b, c, d, e, f, g, h, i, l, m, n, ñ, o, p, r, s, t, u, v, x, y, z), além de cinco dígrafos (ch, gu, ll, qu, rr). As letras ⟨j⟩, ⟨k⟩ e ⟨w⟩ são utilizadas apenas em estrangeirismos e empréstimos não adaptados.[82]
Tabela de grafemas e fonemas
[editar | editar código]A tabela abaixo apresenta a correspondência entre os grafemas (letras e dígrafos) do asturiano e os seus valores fonêmicos no AFI, bem como exemplos aproximados de pronúncia em português ou outras línguas.
| Grafema | Nome | Fonema (AFI) | Exemplo de pronúncia | Nota |
|---|---|---|---|---|
| ⟨A a⟩ | a | /a/ | como em arca (PT) | |
| ⟨B b⟩ | be | /b/ | como em bola (PT) | |
| ⟨C c⟩ | ce | /θ/ | como em think (EN) | Antes de e, i. Sem correspondente no português. |
| /k/ | como em casa (PT) | Antes de a, o, u. | ||
| ⟨Ch ch⟩ | che | /t͡ʃ/ | como em tchau (PT) | |
| ⟨D d⟩ | de | /d/ | como em dado (PT) | |
| ⟨E e⟩ | e | /e/ | como em você (PT) | |
| ⟨F f⟩ | fe | /f/ | como em faca (PT) | |
| ⟨G g⟩ | gue | /g/ | como em gato (PT) | Antes de a, o, u. |
| - | Apenas em dígrafos. | Antes de e, i (ver ⟨gu⟩). | ||
| ⟨Gu gu⟩ | - | /g/ | como em guerra (PT) | Antes de e, i. O ⟨u⟩ não é pronunciado. |
| ⟨H h⟩ | hache | - | (mudo) | Não possui valor fonético no padrão. |
| ⟨I i⟩ | i | /i/ | como em ilha (PT) | |
| ⟨L l⟩ | ele | /l/ | como em lua (PT) | Nunca velarizado em fim de sílaba (como no português do Brasil). |
| ⟨Ll ll⟩ | elle | /ʎ/ | como em lhama (PT) | |
| ⟨M m⟩ | eme | /m/ | como em mato (PT) | |
| ⟨N n⟩ | ene | /n/ | como em nave (PT) | |
| ⟨Ñ ñ⟩ | eñe | /ɲ/ | como em banho (PT) | |
| ⟨O o⟩ | o | /o/ | como em avô (PT) | |
| ⟨P p⟩ | pe | /p/ | como em pato (PT) | |
| ⟨Qu qu⟩ | cu | /k/ | como em queijo (PT) | Antes de e, i. O ⟨u⟩ não é pronunciado. |
| ⟨R r⟩ | erre | /ɾ/ / /r/ | como em caro (PT) | Vibrante simples entre vogais; vibrante múltipla no início. |
| ⟨Rr rr⟩ | erre doble | /r/ | como em carro (PT) | Vibrante múltipla entre vogais. |
| ⟨S s⟩ | ese | /s/ | como em sapo (PT) | |
| ⟨T t⟩ | te | /t/ | como em tatu (PT) | Nunca africada (como em "tia" no sudeste do Brasil). |
| ⟨U u⟩ | u | /u/ | como em uva (PT) | |
| ⟨V v⟩ | uve | /b/ | como em bola (PT) | Não existe o fonema /v/ no asturiano; pronuncia-se como /b/. |
| ⟨X x⟩ | xe | /ʃ/ | como em chave (PT) | |
| ⟨Y y⟩ | ye | /ʝ/ / /j/ | como em ioiô (PT) | Consoante fricativa ou aproximante palatal. |
| ⟨Z z⟩ | zeta | /θ/ | como em think (EN) | Sem correspondente no português. |
Grafias dialetais
[editar | editar código]A norma asturiana permite o uso de grafemas especiais para representar sons específicos de variantes dialetais, especialmente quando se transcrevem textos orais ou literários dessas zonas.[83]
- Che vaqueira (grafema ⟨ḷḷ⟩ ou ⟨l.l⟩): Representa uma consoante africada ou oclusiva retroflexa ou apico-alveolar (variando entre[ʈʂ],[t͡s], [ɖ]), típica dos dialetos do ocidente (área Paḷḷuezu). Exemplo: ḷḷuna (lua).
- H aspirado (grafema ⟨ḥ⟩ ou ⟨h.⟩): Representa uma fricativa glotal surda[h] ou velar [x], comum no asturiano oriental onde o fonema latino inicial /f/ foi aspirado. Exemplo: ḥou (cova), guaḥe (menino).
- Outras grafias dialetais: O dígrafo ⟨ts⟩ é utilizado para representar uma africada alveolar[t͡s] em zonas onde o padrão usa ⟨ch⟩. Exemplo: cutsu (cucho/esterco). O dígrafo ⟨yy⟩ serve para representar uma africada palatal[kʲ] ou [c], variante de ⟨y⟩ ou ⟨ll⟩ em certas áreas.
Diacríticos e pontuação
[editar | editar código]O asturiano utiliza três diacríticos principais sobre as vogais e um sinal de elisão:[84]
- Acento agudo ( ´ ): Utilizado para marcar a sílaba tônica quando a palavra foge às regras gerais de acentuação (similar ao espanhol), para marcar hiatos (ex: tíu) e como acento diacrítico para distinguir monossílabos homônimos (ex: pá "pai" vs. pa "para"; él "ele" vs. el "o").
- Trema ( ¨ ): Utilizado sobre a letra ⟨u⟩ nas sequências ⟨güe⟩ e ⟨güi⟩ para indicar que o /u/ deve ser pronunciado e não é apenas parte do dígrafo (ex: güelu, avô).
- Apóstrofo ( ' ): Indica a elisão de uma vogal, fenómeno muito comum no asturiano entre artigos, preposições e pronomes átonos. Exemplo: l'home (o homem), d'Asturies (de Astúrias).
- Hífen ( - ): Utilizado para unir pronomes enclíticos ao verbo (ex: dixo-y, disse-lhe) e em palavras compostas.
Além destes, o asturiano utiliza os sinais de pontuação invertidos no início de frases interrogativas (¿) e exclamativas (¡), característica compartilhada com o castelhano.
Gramática
[editar | editar código]O asturiano é uma língua flexiva, fundindo múltiplas categorias gramaticais em uma única palavra (sintética), e apresenta uma ordem de constituintes básica do tipo Sujeito-Verbo-Objeto (SVO), embora possua flexibilidade pragmática. A sua estrutura gramatical partilha muitas características com outras línguas ibero-românicas, como o gênero gramatical e o número, mas distingue-se por traços específicos como o neutro de matéria e a posição dos clíticos pronominais.[85]
Artigos
[editar | editar código]O asturiano possui artigos definidos e indefinidos que antecedem o substantivo e concordam com ele em gênero e número. Existe também uma forma específica para o neutro.
| Masculino | Feminino | Neutro | |
|---|---|---|---|
| Definido Singular | el | la | lo |
| Definido Plural | los | les | - |
| Indefinido Singular | un | una | uno |
| Indefinido Plural | unos | unes | - |
Contrações
[editar | editar código]Uma característica marcante da morfologia asturiana é a fusão sistemática de certas preposições com os artigos definidos. Enquanto preposições como a, de, pa (para) e so (sob) contraem apenas com o artigo masculino singular (el), as preposições con, en, per e por contraem com todas as formas do artigo.[86]
| Preposição | EL | LA | LO | LOS | LES |
|---|---|---|---|---|---|
| A | al | — | |||
| DE | del | — | |||
| PA | pal | — | |||
| SO | sol | — | |||
| CON | col | cola | colo | colos | coles |
| EN | nel | na | no | nos | nes |
| PER | pel | pela | pelo | pelos | peles |
| POR | pol | pola | polo | polos | poles |
Uso do apóstrofo
[editar | editar código]O asturiano utiliza o apóstrofo ( ’ ) para representar graficamente a elisão da vogal do artigo singular quando este se encontra com uma palavra iniciada por vogal, refletindo a pronúncia natural:[87]
- Artigo el: Apostrofa-se como l' quando a palavra seguinte começa por vogal ou h- mudo (ex: l'home, l'osu). Também pode perder a vogal se a palavra anterior terminar em vogal (ex: comió'l pan).
- Artigo la: Apostrofa-se como l' apenas quando a palavra seguinte começa por a- ou ha- (ex: l'agua, l'habitación). Diante de outras vogais, mantém-se a forma plena (ex: la islla).
- Artigo lo: Nunca se apostrofa (ex: lo escrito).
Pronomes
[editar | editar código]Os pronomes no asturiano constituem uma classe de palavras especializada na referência direta às pessoas gramaticais ou na substituição de sintagmas nominais, apresentando flexões de gênero, número e, especificamente nos pronomes pessoais, de caso gramatical e pessoa.
Pronomes pessoais
[editar | editar código]Os pronomes pessoais dividem-se em duas séries morfossintáticas distintas: tônicos (independentes, com acento próprio) e átonos (clíticos, dependentes do verbo). O sistema distingue três pessoas gramaticais e dois números (singular e plural), com distinções de gênero específicas no plural da primeira e segunda pessoas, e uma forma neutra na terceira pessoa do singular.[88]
| Pessoa | Gênero | Tônicos (Sujeito / Prep.) | Átonos (Objeto) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Sujeito | Com preposição | Direto (OD) | Indireto (OI) | ||
| 1.ª Sing. | - | yo | min / mi (conmigo) |
me (m') | |
| 2.ª Sing. | - | tu | ti (contigo) |
te (t') | |
| 3.ª Sing. | Masc. | él / elli | él / elli | lu (llu) | -y |
| Fem. | ella | ella | la (lla) | ||
| Neut. | ello | ello | lo (llo) | ||
| 1.ª Pl. | Masc. | nós / nosotros | nós / nosotros | nos / mos | |
| Fem. | nós / nosotres | nós / nosotres | |||
| 2.ª Pl. | Masc. | vós / vosotros | vós / vosotros | vos | |
| Fem. | vós / vosotres | vós / vosotres | |||
| 3.ª Pl. | Masc. | ellos | ellos | los (llos) | -yos (-ys) |
| Fem. | elles | elles | les (lles) | ||
| Reflex. | - | sí (consigo) | se (s') | ||
Características dos pronomes pessoais:
- Distinção de gênero: Diferentemente do castelhano, o asturiano diferencia gênero na primeira e segunda pessoas do plural (nosotros/nosotres, vosotros/vosotres). As formas nós e vós são neutras quanto ao gênero ou usadas genericamente.
- Neutro: O pronome tônico neutro ello é usado para referir-se a conceitos abstratos, orações ou elementos não contáveis, funcionando também como elemento de coesão discursiva (ex: ello yera una vez..., era uma vez...). O átono neutro lo opõe-se ao masculino lu: usa-se lu para objetos contáveis masculinos (el llibru lleílu, o livro li-o) e lo para neutros ou matérias (lo que dizes nun lo creo, o que dizes não o creio; el lleche bebílo, o leite bebi-o).[89]
- Cortesia: As formas de tratamento formal são usté (singular) e ustedes (plural), que concordam com o verbo na 3.ª pessoa.
- Variantes fonéticas:
- Os pronomes me, te, se apostrofam-se (m', t', s') diante de verbos iniciados por vogal ou h- (ex: tengo que me secar > tengo que m'ensugar).
- A preposição en contrai-se com os pronomes de 3.ª pessoa: en + él > nél, en + ellos > nellos.[90]
- Quando enclíticos a um infinitivo, o verbo perde o -r final (comer + lu > comelu). Na 1.ª pessoa do plural, o verbo perde o -s final antes do enclítico nos (llavamos + nos > llavámonos).[91]
Colocação e combinação: Os pronomes átonos podem aparecer em posição enclítica (pós-verbal) ou proclítica (pré-verbal). A ênclise é a norma geral (dixéron-yos, disseram-lhes), enquanto a próclise é obrigatória em orações negativas (nun-yos dixeron, não lhes disseram) e na maioria das subordinadas. Quando combinados, a ordem é sempre Indireto + Direto (ex: diome el llibru > diómelu, deu-me ele).[92]
Pronomes possessivos
[editar | editar código]Os pronomes possessivos indicam posse e variam em gênero e número concordando com a coisa possuída. Diferenciam-se pelo número de possuidores (um ou vários).
- Um possuidor: el mio, la mio, lo mio, los mios, les mios (meu/s, minha/s); el to... (teu); el so... (seu).
- Vários possuidores: el nuesu... (nosso); el vuesu... (vosso); el so... (seu).
Uma característica sintática do asturiano é que os possessivos são quase sempre precedidos pelo artigo definido (ex: la mio casa, a minha casa), exceto em certos parentescos próximos ou vocativos (ex: mio pá, meu pai). Existem também formas pospostas tónicas (míu, tuyu, suyu) usadas em função de atributo (ex: ye míu, é meu).[93]
Pronomes demonstrativos
[editar | editar código]Os demonstrativos apontam a distância espacial ou temporal em relação aos falantes, dividindo-se em três graus:
- 1.º Grau (Proximidade do falante): esti (masc.), esta (fem.), esto (neut.). Plurais: estos, estes.
- 2.º Grau (Proximidade do ouvinte): esi, esa, eso. Plurais: esos, eses.
- 3.º Grau (Distância de ambos): aquel, aquella, aquello. Plurais: aquellos, aquelles.
As formas masculinas singulares terminam caracteristicamente em -i (esti, esi), distinguindo-se claramente das formas neutras terminadas no grafema ⟨o⟩ (esto, eso), usadas para referir-se a ideias completas ou objetos indeterminados.[94]
Pronomes indefinidos
[editar | editar código]Os indefinidos referem-se a seres ou coisas de maneira vaga ou imprecisa. O asturiano possui um sistema complexo que distingue entre formas variáveis e invariáveis.
- Existenciais: daquién (alguém), naide (ninguém), daqué (algo), nada (nada).
- Quantificadores: dalgún/dalguna (algum/a), nengún/nenguna (nenhum/a), munchu (muito), pocu (pouco), bastante, tou (todo).
- Identificadores: mesmu (mesmo), otru (outro), cada (cada).
Destaca-se o pronome partitivo neutro dello (ou della dialectalmente), usado para indicar uma quantidade indeterminada de uma matéria (ex: dame dello, dá-me um pouco disso).[95]
Substantivos e adjetivos
[editar | editar código]Os substantivos em asturiano variam em gênero e número. O gênero gramatical divide-se fundamentalmente em masculino e feminino. Geralmente, os substantivos terminados no grafema ⟨u⟩ são masculinos (ex: el llobu, o lobo) e os terminados no grafema ⟨a⟩ são femininos (ex: la casa).
Um traço distintivo fundamental da gramática asturiana é a existência do neutro de matéria (neutru de materia). Diferente do gênero neutro latino (que se aplicava a substantivos), o neutro asturiano manifesta-se na concordância de adjetivos e pronomes quando se referem a substantivos incontáveis (massa, substância ou conceitos abstratos), independentemente de o substantivo ser morfologicamente masculino ou feminino.
- Exemplo de concordância masculina: El neñu ta malu (O menino está doente).
- Exemplo de concordância feminina: La neña ta mala (A menina está doente).
- Exemplo de concordância neutra: La carne ta malo (A carne está estragada/ruim).
Neste último caso, embora carne seja um substantivo feminino (leva o artigo la), o adjetivo malo adota a morfologia neutra (terminação em ⟨o⟩) porque se refere a uma matéria, não a uma entidade contável.[96]
Número
[editar | editar código]O número é uma categoria morfológica fundamental no asturiano que afeta substantivos, adjetivos, pronomes e verbos, estabelecendo concordância entre eles. O idioma distingue dois números: singular e plural. O singular não possui marca formal específica (morfema zero), enquanto o plural é marcado por diferentes desinências dependendo da terminação da palavra no singular.[97]
Formação do plural
[editar | editar código]As regras de formação do plural no asturiano apresentam particularidades distintivas em relação a outras línguas ibéricas, especialmente no tratamento das palavras terminadas no grafema ⟨a⟩.
- Palavras terminadas no grafema ⟨u⟩:
- O plural forma-se substituindo ⟨u⟩ por ⟨os⟩. Esta regra aplica-se a todos os masculinos singulares, incluindo aqueles com ditongos decrescentes.
- Exemplo: el llobu > los llobos (o lobo); el deu > los deos (o dedo).
- Palavras terminadas no grafema ⟨a⟩:
- O plural forma-se substituindo ⟨a⟩ por ⟨es⟩. Esta é uma das características mais marcantes do asturiano. A regra aplica-se tanto a substantivos femininos quanto a masculinos terminados em ⟨a⟩.
- Exemplo (feminino): la casa > les cases; la neña > les neñes.
- Exemplo (masculino): el cura > los cures; el problema > los problemes.
- Nota: Esta mudança provoca alterações ortográficas para manter o som das consoantes antecedentes (ex: vaca > vaques; llarga > llargues; raza > races).
- Palavras terminadas no grafema ⟨e⟩:
- O plural forma-se acrescentando ⟨s⟩.
- Exemplo: el monte > los montes; la fonte > les fontes.
- Palavras terminadas em consoante:
- Geralmente, acrescenta-se ⟨es⟩.
- Exemplo: l'animal > los animales; la muyer > les muyeres; el cantar > los cantares.
- Exceções notáveis incluem palavras terminadas em -ín (plural em -inos) e -án (plural em -anos): el camín > los caminos; el ventán > los ventanos.
- Palavras terminadas no grafema ⟨o⟩:
- Palavras como abreviações ou empréstimos terminados em ⟨o⟩ fazem o plural em ⟨os⟩.
- Exemplo: la foto > les fotos; l'auto > los autos. A exceção é la mano, que faz les manes.
- Palavras terminadas em vogal tônica:
- Geralmente acrescentam ⟨s⟩, embora alguns substantivos abstratos terminados em vogal tônica possam admitir ⟨es⟩.
- Exemplo: el xalé > los xalés; la bondá (bondade) > les bondaes (bondades).
Casos especiais de número
[editar | editar código]A gramática asturiana identifica categorias de substantivos com comportamentos específicos quanto ao número:
- Invariáveis (Indiferentes ao número): Substantivos cuja forma singular e plural é idêntica, geralmente terminados em ⟨s⟩ na forma singular. O número é distinguido apenas pelos determinantes.
- Exemplo: el llunes / los llunes (segunda-feira); el paragües / los paragües (guarda-chuva); la ñariz / les ñarices (neste último caso, há variação dialetal, mas a forma invariável é comum na fala).
- Pluralia tantum (Apenas plural): Substantivos que se empregam exclusivamente no plural, muitas vezes referindo-se a objetos compostos por duas partes iguais ou conjuntos.
- Exemplo: les gafes (os óculos); les tixeres (a tesoura); les cosques (cócegas).
- Singularia tantum (Apenas singular): Substantivos que só se usam no singular, como nomes próprios, conceitos abstratos ou entidades únicas.
- Exemplo: la sede (a sede); el norte; la salú (a saúde).
No caso dos nomes próprios de pessoas, o plural é usado apenas para referir-se a uma família ou conjunto de pessoas com o mesmo nome (ex: los Fernández). Já os topônimos (nomes de lugares) não têm plural, exceto em expressões fixas ou quando há várias localidades com o mesmo nome (ex: les Asturies).
Para substantivos não contáveis (massa), o singular refere-se à substância em geral ou a um tipo, enquanto o plural (menos comum, mas possível) refere-se a variedades ou porções (ex: el vinu / los vinos - tipos de vinho).
Verbos
[editar | editar código]O verbo é a categoria gramatical que funciona como núcleo da oração e apresenta a maior complexidade morfológica do idioma. O sistema verbal asturiano organiza-se em três conjugações, definidas pela vogal temática do infinitivo: a 1.ª conjugação (infinitivos terminados no grafema ⟨ar⟩), a 2.ª conjugação (infinitivos em ⟨er⟩) e a 3.ª conjugação (infinitivos em ⟨ir⟩). A estrutura interna de uma forma verbal compõe-se de um lexema (raiz), que porta o significado léxico, e de desinências que indicam as categorias gramaticais de pessoa, número, modo, tempo, aspeto e anterioridade.[98]
Categorias de conjugação
[editar | editar código]As desinências verbais amalamam diversas informações gramaticais que estruturam a conjugação:
Pessoa e número
O morfema de número distingue o singular do plural. Diferentemente dos substantivos, onde o plural indica soma de unidades iguais, no verbo a 1.ª e a 2.ª pessoas do plural indicam um conjunto heterogéneo (nós = eu + outras pessoas; vós = tu + outras pessoas). A pessoa refere-se aos intervenientes no ato comunicativo: o falante (1.ª), o ouvinte (2.ª) ou terceiros (3.ª). A 3.ª pessoa pode ser utilizada para expressar impessoalidade ou indefinição do sujeito (ex: dizse, diz-se).[99]
Modo (mou)
O modo reflete a atitude do falante em relação à realidade da ação. A gramática normativa do asturiano classifica os tempos em quatro modos distintos:[100]
- Indicativo: Modo da realidade, usado para afirmar ou negar a existência de um facto.
- Subjuntivo (suxuntivu): Modo da irrealidade, usado para expressar factos fictícios, desconhecidos, desejados ou dependentes sintaticamente.
- Potencial: Expressa a possibilidade condicionada. Na tradição gramatical asturiana, este modo engloba o Futuro e o Condicional.
- Imperativo: Modo apelativo, usado para ordens e rogos. Possui apenas formas de 2.ª pessoa (singular e plural). A negação é incompatível com o imperativo, recorrendo-se ao presente do subjuntivo para proibições (ex: fala vs. nun fales).
Tempo e anterioridade
O tempo situa a ação na perspectiva do falante (presente ou passado). O traço de anterioridade marca se a ação ocorre dentro ou fora de um limite temporal estabelecido. Este traço é exclusivo do indicativo e manifesta-se na oposição entre o Pretérito Indefinido (ação pontual) e o Pretérito Mais-que-perfeito (ação anterior a outra passada).[101]
- Nota sobre o pretérito mais-que-perfeito: O asturiano conserva a forma latina em -ra (ex: cantara, comiera) com o seu valor original de indicativo de passado anterior, distinguindo-se do espanhol, onde esta forma passou para o subjuntivo.
Aspeto
Indica se a ação é vista como terminada ou em curso. Opõe o aspeto terminativo (perfecivo), presente no Pretérito Indefinido e no Particípio, ao aspeto não terminativo (imperfecivo), presente nos demais tempos e no Gerúndio.[102]
Usos dos tempos e evidencialidade
[editar | editar código]Embora não possua marcas morfológicas exclusivas para evidencialidade, o asturiano utiliza os tempos do modo Potencial para expressar a fonte da informação ou o grau de certeza (probabilidade):
- O Futuro pode expressar probabilidade no presente (ex: agora serán les dos, devem ser duas horas agora).
- O Condicional pode expressar probabilidade no passado (ex: seríen les dos, deviam ser duas horas).
- O Pretérito Imperfeito pode ser usado com valor de cortesia ou modéstia (ex: quería un café).[103]
Formas não pessoais
[editar | editar código]As formas não pessoais do verbo possuem o lexema verbal mas funcionam sintaticamente como outras classes de palavras e carecem de sujeito gramatical.[104]
- Infinitivo: Funciona como substantivo verbal. Pode ser determinado por artigos e possessivos (ex: el mio falar). Quando seguido de pronome enclítico, perde o -r final (ex: falar + lu = falalu; comer + lo = comelo).
- Gerúndio: Funciona como advérbio ou verbo em perífrases durativas. Tem valor não terminativo. Terminações: -ando (1.ª conj), -iendo (2.ª e 3.ª).
- Particípio: Funciona como adjetivo verbal. Varia em gênero e número. Apresenta uma forma específica para o neutro de matéria (terminação -ao na 1.ª conj. e -ío na 2.ª/3.ª), usada nos tempos compostos e quando se refere a conceitos abstratos ou incontáveis (ex: tengo comío, tenho comido; ropa tendío, roupa estendida).[105]
Paradigmas e particularidades
[editar | editar código]A conjugação regular apresenta tempos simples. A língua patrimonial tende a não usar tempos compostos com haber (como he cantado), preferindo o Pretérito Indefinido para o passado recente. No entanto, a norma culta admite os tempos compostos.
- Alternância vocálica: Verbos como gobernar ou ferver ditongam a vogal tónica (o > ue, e > ie) nas formas fortes (ex: gobiérnase, fierves), mas mantêm a vogal nas formas fracas (ex: gobernamos, fervemos).
- Verbos copulativos (ser e tar): O asturiano mantém a distinção ibero-românica entre ser (identidade, essência) e tar (estado, localização). O verbo tar (estar) não possui a vogal inicial e- em nenhuma forma (toi, tas, ta, tamos, tais, tán).
Perífrases verbais
[editar | editar código]O idioma possui um rico sistema de perífrases verbais que matizam o aspeto verbal:[107]
- Tener + particípio: Aspeto perfecivo ou reiterativo. O particípio concorda com o objeto direto (ex: tengo lleíes les cartes, tenho as cartas lidas).
- Dir + infinitivo: Futuro imediato (ex: voi dicir, vou dizer).
- Haber de / Tener de + infinitivo: Obrigação ou probabilidade.
- Tar pa + infinitivo: Iminência de um evento (ex: ta pa nevar, está para nevar).
Sentenças
[editar | editar código]A sintaxe asturiana estrutura-se através de uma ordem de constituintes flexível, regida por critérios pragmáticos e informativos, e por um sistema de alinhamento nominativo-acusativo. As relações gramaticais são estabelecidas pela concordância verbal, pela posição relativa dos elementos, pelo uso de preposições funcionais e, fundamentalmente, pelo complexo sistema de colocação dos clíticos pronominais.[108]
Ordem da frase
[editar | editar código]A ordem não marcada (neutra) na oração declarativa é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO). Contudo, a língua permite variações frequentes para fins de focalização (destaque de informação nova) ou topicalização (destaque de informação conhecida).
- Posição do sujeito:
- O sujeito léxico tende a ocupar a posição inicial (ex: El picador baxó al tayu). No entanto, a inversão Verbo-Sujeito é gramatical e comum, frequentemente usada para apresentar o sujeito ou em narrativas (ex: Baxó el picador al tayu). O asturiano é uma língua de sujeito nulo (pro-drop), omitindo o pronome sujeito quando este é dedutível pela desinência verbal.[109]
- Reduplicação de clíticos:
- Um fenómeno sintático obrigatório é a reduplicação do objeto através de pronomes átonos quando o objeto léxico é deslocado para antes do verbo (topicalização à esquerda).
- Exemplo: El güelu atopélu en parque (O avô, encontrei-o no parque).
- Se o objeto direto anteposto não for retomado pelo pronome átono correspondente (*El güelu atopé en parque), a frase é considerada agramatical. Para o Objeto Indireto, a reduplicação é frequente e aceita mesmo quando o objeto está na sua posição canônica pós-verbal (ex: Da-yos melecines a les families).[110][111]
- Colocação pronominal (ênclise e próclise):
- A posição dos pronomes átonos em relação ao verbo segue regras estritas que diferem do castelhano e aproximam o asturiano do galego-português arcaico ou do mirandês.
- Ênclise (padrão): A posição natural do pronome é enclítica (após o verbo), ocorrendo em inícios de frase, orações afirmativas principais e imperativos.
- Ex: Díxome que sí (Disse-me que sim); Llavámonos les manes (Lavamo-nos as mãos); Bebéilo (Bebei-o).[112]
- Próclise (condicionada): O pronome move-se para a posição proclítica (antes do verbo) quando atraído por elementos específicos que precedem o verbo na mesma oração. Os principais atratores são:
- A partícula de negação nun ou non. (Ex: Nun me dixo nada).
- Pronomes e advérbios interrogativos ou exclamativos. (Ex: ¿Cuándo vos lo dieron?).
- Conjunções subordinativas e o relativo que. (Ex: Quiero que lu veas; cuando te llamen).
- Advérbios e indefinidos com valor negativo ou focalizados antes do verbo. (Ex: Siempres lu atopamos en chigre).[113]
Alinhamento
[editar | editar código]O asturiano apresenta um alinhamento morfossintático do tipo nominativo-acusativo. O sujeito de verbos transitivos e intransitivos é tratado da mesma forma (caso nominativo não marcado), enquanto o objeto direto e indireto recebem tratamento distinto através de preposições ou formas pronominais.[114]
- Sujeito (suxetu): Concorda obrigatoriamente com o verbo em número e pessoa. Nunca é introduzido por preposição.
- Objeto direto (complemento direto): Quando realizado por pronomes pessoais, assume as formas do caso acusativo (me, te, lu/la/lo...). Quando é um substantivo animado e determinado, ou para evitar ambiguidade com o sujeito, recebe a preposição funcional a (Acusativo Preposicionado).
- Ex: Llamaron a Pedru (Chamaram o Pedro); El llobu quixo matar al otru cazador.
- Objeto indireto (complemento indireto): É sempre introduzido pela preposição a e, nos pronomes, assume as formas do caso dativo (-y, -yos), que no asturiano não distinguem gênero (dio-y llimosna, deu-lhe [a ele ou a ela] esmola).[115]
Tipos de sentenças
[editar | editar código]A gramática classifica as sentenças segundo a atitude do falante e a estrutura do predicado.
- Negativas: A negação verbal padrão realiza-se com a partícula átona nun colocada imediatamente antes do verbo (e antes dos clíticos, se houver, provocando próclise). A forma tónica non utiliza-se para respostas isoladas, coordenação adversativa ou posposta ao verbo em ênfase.
- Ex: Xuan nun yos da mazanes (João não lhes dá maçãs).[116]
- Interrogativas: Podem ser totais (resposta sim/não) ou parciais (introduzidas por pronomes interrogativos). Nas parciais, o elemento interrogativo (qué, cuándo, ónde, quién...) ocupa a posição inicial ("foco") e atrai o clítico.
- Ex: ¿Qué vos contó? (O que vos contou?).
- Passivas: Embora exista a passiva analítica (ser + particípio + por), o asturiano prefere largamente a passiva reflexa com o pronome se. Nesta construção, o objeto lógico converte-se em sujeito gramatical e o verbo concorda com ele.
- Ex: Viéndense pisos (Vendem-se apartamentos) é preferível a Pisos son vendíos.[117]
- Impessoais: Verbos meteorológicos (llover, nevar) e o verbo haber (na forma hai, había, etc.) não possuem sujeito. No caso de haber, o sintagma nominal que o segue é o objeto direto, não o sujeito, e portanto o verbo não deve ir para o plural.
- Ex: Hai munchos neños (Há muitas crianças), e não *Han munchos neños.[118]
- Atributivas (copulativas): Formadas com verbos como ser, tar, paecer, exigem um atributo que concorde com o sujeito. Se o sujeito for neutro ou uma oração, o atributo adota a morfologia neutra (ex: Eso ye malo).[119]
Vocabulário
[editar | editar código]O léxico asturiano é predominantemente de origem latina, partilhando uma base comum significativa com as outras línguas românicas da Península Ibérica, especialmente o leonês, o galego e o castelhano. No entanto, conserva um número relevante de pré-romanismos (substrato) e possui empréstimos históricos e modernos. A seguir, apresentam-se exemplos de uso prático, textos ilustrativos e o sistema numérico.
Expressões do dia a dia
[editar | editar código]Para uma comunicação básica em asturiano, utilizam-se fórmulas de cortesia e expressões pragmáticas que, embora semelhantes ao espanhol e ao português, possuem particularidades fonéticas e lexicais. Destaca-se o uso do verbo prestar com o sentido de "gostar" ou "agradar" (ex: préstame, gosto disto), uma das características mais emblemáticas da fala asturiana.[120][121]
| Asturiano | Português | Notas |
|---|---|---|
| ¡Bonos díes! | Bom dia! | |
| ¡Bones tardes! | Boa tarde! | |
| ¡Bones nueches! | Boa noite! | |
| ¿Cómo tas? / ¿Cómo tamos? | Como estás? / Como estamos? | "Como estamos?" é usado informalmente como cumprimento genérico. |
| ¿Cómo te llames? | Como te chamas? | |
| Llámome... | Chamo-me... | |
| ¡Munchu gusto! | Muito prazer! | |
| Gracies / Munchísimes gracies | Obrigado / Muitíssimo obrigado | |
| De nada / Nun hai de qué | De nada / Não há de quê | |
| Perdón / Desculpa | Perdão / Desculpa | |
| Préstame muncho | Gosto muito (disso) | Lit: "Presta-me muito". Verbo prestar (agradar). |
| ¡Puxa Asturies! | Viva as Astúrias! | Interjeição comum de apoio ou celebração. |
| ¿Qué hora ye? | Que horas são? | Lit: "Que hora é?". |
| Ta llulios / Hasta llueu | Até logo | Llueu advérbio temporal (logo/depois). |
Texto de exemplo (Pai Nosso)
[editar | editar código]Abaixo apresenta-se o "Pai Nosso" nas três principais variantes dialetais do asturiano, permitindo observar as diferenças na vocalização final, nos possessivos e em traços como o "h aspirado" (ḥ) do oriental.
| Asturiano ocidental | Asturiano central (base normativa) | Asturiano oriental | Português |
|---|---|---|---|
| Pá nuesu que tas nel cielu, santificáu seya'l to nome. Amiye'l to reinu, fágase la to voluntá, lo mesmo na tierra que'n cielu. El nuesu pan de tolos díes dánoslu güei ya perdónanos les nueses ofenses, lo mesmo que nós facemos colos que nos faltaron. Nun nos dexes cayer na tentación, ya llíbranos del mal. Amén. | Padre nuesu que tas en cielu, santificáu seya'l to nome. Amiye'l to reinu, fáigase la to voluntá lo mesmo na tierra qu'en cielu. El nuesu pan de tolos díes dánoslo güei y perdónamos les nueses ofenses lo mesmo que nós facemos colos que mos faltaren. Y nun mos dexes cayer na tentación, y llíbramos del mal. Amén. | Padre nuestru que tas en cielu, santificáu seya´l tu nome. Amiye´l tu reinu, ḥágase la tu voluntá lu mesmu ena tierra qu´en cielu. El nuestru pan de tolus días dánuslu güei y perdónanus las nuestras tentaciones lu mesmu que nosotros ḥacemus colus que nus faltaren. Y nun nus dexes cayer ena tentación, y líbranus del mal. Amén. | Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém. |
Numerais
[editar | editar código]Os numerais em asturiano classificam-se em cardinais, ordinais, multiplicativos, fracionários e coletivos. Apresentam regras específicas de concordância de gênero e apócope que os distinguem em certos aspetos do castelhano.
Cardinais
[editar | editar código]Os numerais cardinais expressam quantidade exata. Os números de 0 a 15 possuem formas simples, enquanto a partir do 16 iniciam-se formas compostas (embora 16-19 sejam escritas numa só palavra).[122]
| Número | Asturiano | Notas |
|---|---|---|
| 0 | cero | Requer plural (ex: cero pesetes). |
| 1 | un / unu / una | Un (masc. anteposto), unu (masc. pronominal), una (fem). |
| 2 | dos | Invariável em gênero no padrão (embora existam formas femininas dialetais). |
| 3 | tres | Acentua-se (trés) para distinguir da preposição tres (trás), se necessário. |
| 4 | cuatro | |
| 5 | cinco | |
| 6 | seis / seyes | |
| 7 | siete | |
| 8 | ocho | |
| 9 | nueve | |
| 10 | diez | |
| 11-15 | once, doce/dolce, trece/trelce, catorce, quince | Alternância l/r em 12 e 13. |
| 16-19 | dieciséis, diecisiete, dieciocho, diecinueve | |
| 20 | venti | |
| 100 | cien / cientu | Cien antes de substantivos; Cientu isolado ou de 101-199. |
Particularidades:
- Concordância de gênero: O numeral un/una e as centenas (200 em diante) concordam em gênero com o substantivo.
- Masc: doscientos llobos.
- Fem: doscientes cases.
- Apócope de un: A forma un é usada quando precede um substantivo masculino (un neñu). A forma unu é usada quando o numeral funciona como pronome ou em contagens abstratas (tengo unu, tenho um).
- Conjunção y: Utiliza-se a conjunção y entre dezenas e unidades a partir do 30 (trenta y dos), mas não entre 20 e 29 (ventidos).
Ordinais
[editar | editar código]Os ordinais indicam ordem ou sucessão. Possuem variação de gênero e número. Do 1.º ao 10.º possuem formas próprias de uso corrente; a partir do 11.º, é comum o uso dos cardinais na fala corrente.[123]
- 1.º primeru (apocopa para primer ante substantivo: el primer pisu).
- 2.º segundu
- 3.º terceru (apocopa para tercer).
- 4.º cuartu
- 5.º quintu
- 6.º sestu
- 7.º séptimu
- 8.º octavu
- 9.º novenu (ou nonu)
- 10.º décimu (ou decenu)
Existem formas específicas para postreru (o que está antes do último) e caberu (último), muito usadas no idioma.
Multiplicativos e Fracionários
[editar | editar código]- Multiplicativos: Formam-se geralmente com a terminação -ble ou -plu (doble/doblu, triple/triplu). Frequentemente substitui-se por perífrases como "dos vezes más".[124]
- Fracionários: Usam-se substantivos como metá ou mediu (metade), terciu (terço), cuartu. Para frações menores, usa-se o sufixo -avu (doceavu).[125]
Coletivos
[editar | editar código]O asturiano possui substantivos que indicam conjuntos numéricos específicos, como par ou pareya (2), docena (12), quincena (15), ventena (20) e cientu (100, usado como substantivo: un cientu de pexes).[126]
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