Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cirne Peixoto

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Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cyrne Peixoto
Nascimento 5 de dezembro de 1818
Lisboa
Morte 5 de dezembro de 1874 (56 anos)
Lisboa
Ocupação Político, oficial do exército e mestre-sala da Casa Real

Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cyrne Peixoto (ou Cirne Peixoto) (Lisboa, 5 de Dezembro de 18187 de Setembro de 1874). Recebeu oficialmente o título de 3.º conde de Almada, por Decreto de 20 de Setembro de 1841[1] até à data da sua morte.

Era tido, na altura, na corte real portuguesa e entre a nobreza tradicional, como o 15.º conde de Avranches em França[2] (Abranches em Portugal).

Exerceu o cargo de mestre-sala da Casa Real (o último e 7.º na sua família directa, por varonia, hereditário durante seis gerações) e, nessa qualidade, no Palácio de Queluz, ainda muito jovem, com apenas 5 anos de idade teve a honra de substituir seu pai, pela sua impossibilidade, a quando uma visita oficial dos Infantes de Espanha[3].

Foi capitão-mor de Vila Nova de Lanheses[4] e, como Comendador da Ordem de Cristo, foi alcaide-mor e comendador de Proença-a-Velha.

Apesar de ter direito a tomar assento na Câmara dos Pares do Reino, como sucessor de seu pai, não se aproveitou desta faculdade por oposição ao Governo, depois do decreto com força de lei de 23 de Maio de 1851[5][6]. Devido às suas fortes convicções miguelistas e antiliberais, pelas quais sempre batalhou, não o fez. Chegou a estar preso no Castelo de Viana do Lima por as defender[7]. Possivelmente por ter ingressado no Corpo de Voluntários Realistas, de Viana do Castelo, de que há conhecimento de ter continuado a luta de guerrilha mesmo depois da Convenção de Évoramonte e de acabar a guerra civil, com D. Miguel já refugiado no estrangeiro.

O que aconteceu é que o «desafortunado» D. Miguel e o seu governo no exílio, que nunca abdicou dos seus direitos, , de Bronnbach, lhe enviaram a Comenda de Torre e Espada[3].

Era igualmente senhor dos Lagares d´El-Rei, de Pombalinho, e da referida Lanheses no seu Paço de Lanheses, onde tinha metade do padroado da igreja paroquial, de Santa Leocádia, da mesma freguesia.

Era igualmente proprietário do hoje chamado Palácio da Independência, no Rossio, o qual cedeu as instalações para serem a sede da Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640, do qual foi membro da primeira hora logo em 1861, movimento patriótico que se tinha formado contra o iberismo[8].

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cirne Peixoto, nasceu em Lisboa a 5 de Dezembro de 1818, e faleceu na mesma cidade a 7 de Setembro de 1874. Aí foi também baptizado no dia 8 de Dezembro do mesmo ano, no oratório do Palácio Almada, na freguesia de Santa Justa (Lisboa), e teve como padrinho Salvador Correia de Sá e madrinha Nossa Senhora da Penha de França.

Filho de:

Casado, em 26 de Setembro de 1844, com:

Teve:

  • Antão José Maria de Almada, nasc. a 19 de Julho de 1845 e m. a 3 de Maio do 1863[10].
  • José Maria de Almada, nasc. a 14 de Agosto de 1846[10], que era demente[12] e m. a 1 de Abril de 1909, que foi sucessor[13] e herdeiro à morte de seu pai, mas, este ficou a cargo de seu irmão Miguel, seu tutor e administrador dos seus bens[14].
  • Maria Amália das Necessidades de Almada Pereira Cirne Peixoto nascida a 18 de Outubro de 1847 e casada na freguesia de Arroios a 19 de Outubro de 1869 com seu primo Sebastião Maria do Carmo Filomena Pereira da Cunha e Castro Lobo (n. 9 de Fevereiro de 1850 e m. 16 de Setembro de 1896[15]), fidalgo-cavaleiro da Casa Real, deputado da Nação, poeta, morador no palácio e castelo de Portuzelo na freguesia de Santa Marta de Portuzelo e 11.º senhor da Casa Grande em Paredes de Coura[16], filho de António Pereira da Cunha e Castro, Fidalgo da Casa Real (Alvará de 4 de Fevereiro de 1825), e herdeiro da Casa da Torre da Cunha, em Coura, e de sua mulher D. Maria Ana Machado de Castelo Branco, 3.ª filha dos 1.°s Condes da Figueira[10]. Morreu em 3 de Março de 1881, com geração[17].
  • Maria Francisca de Almada, nasc. a 17 de Novembro de 1848[10] e m. 12 de Janeiro de 1924[18].
  • Maria Rita de Almada, nasc. a 28 de Outubro de 1853 e m. a 26 de Setembro de 1872[10].
  • Miguel Vaz de Almada, , nasc. a 27 de Junho de 1859[5] e m. a 15 de Dezembro de 1916[19]. Casado em 27 de Julho de 1859 com D. Leocádia Silvana de Sant' Ana e Vasconcelos, filha de João de Sant' Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt e de D. Silvana Cândida de Freitas Branco, sem geração.
  • Maria José de Almada, nasc. a 18 de Fevereiro de 1862 e m. a 24 de Agosto de 1865[10].
  • Luís Vaz de Almada, nasc. a 4 de Abril de 1863[10], falecido a 24 de Setembro de 1919[20] e casado, a 30 de Maio de 1894, com D. Maria José dos Anjos de Almeida Correia de Sá, nascida a 14 de Maio de 1871 em Lisboa, e falecida a 28 de Abril de 1964[21], filha de José Correia de Sá e Benevides Velasco da Camara e de D. Eugénia de Jesus Maria de Todos os Santos de Almeida Soares Portugal de Alarcão Ataíde e Meneses herdeira dos títulos de marquesa de Lavradio e condessa de Avintes[22]. Tiveram:
    • D. Eugénia[23], nascida a 13 de Abril de 1895 e falecida a 26 de Maio do mesmo ano[24].
    • D. Maria Rita, n. 13 ou 14 de Abril de 1896 e falecida a 6 de Janeiro de 1973 na freguesia da Sé, em Lisboa, que casou, no Paço de Lanheses, em 8 de Julho de 1927, com seu primo co-irmão João de Abreu Castelo Branco Cardoso e Melo, 4º conde de Fornos de Algodres[25]. Sem geração[26].
    • D. Lourenço Vaz de Almada, n. a 14 de Dezembro de 1897 e falecido em 7 de Março de 1978, engenheiro civil e vereador da C. M. de Lisboa, que casou em 25 de Novembro de 1920, na Quinta Fonte do Anjo, nos Olivais, em Lisboa, com D. Helena Luísa da Câmara Viterbo, n. 21 de Junho de 1897, em Lisboa, filha do Dr. Fiel da Fonseca Viterbo e de sua mulher D. Maria José Gonçalves Zarco da Cãmara, filha dos Marqueses da Ribeira Grande). Com geração[27] Morador na Quinta dos Lagares de El-Rei, em Lisboa[28].
    • D. Eugénia, m. m.[29], nascida a 11 de Novembro de 1899[30].
    • D. José Maria, n. 31 de Maio de 1901 em Lisboa, bacharel formado em Direito[31], presidente do Conselho de Nobreza, casado a 16 de Junho de 1938 em Lisboa com D. Maria Luísa Lavin Luz Coruche, n. em Lisboa a 22 de Outubro de 1905, filha dos 2ºs viscondes de Coruche, e com uma filha. Dividindo a sua mora da entre Lisboa e Cascais[32]
    • D. Antão José Maria, m. m.[33], nascido a 31 de Dezembro de 1902[34].
    • D. Maria Ana, n. 5 de Outubro de 1904[35].
    • D. Maria Rosa, n. 12 de Janeiro de 1906 e m. a 9 de Agosto de 1925[36].
    • D. Luís José Maria do Sagrado Coração, n. a 6 de Junho de 1907, na freguesia de S. Vicente em Lisboa e m. 10 de Junho de 1966 na freg. dos Prazeres em Lisboa, engenheiro agrónomo[37], casado em 2 de Agosto de 1931, na freg do Beato em Lisboa, com D. Maria José da Cunha de Mendonça e Meneses, n. a 28 de Agosto de 1906, filha do 3º marquês de Olhão. Com geração[38][39].
    • D. Álvaro, n. a 20 de Março de 1909 e m. 25 de Agosto de 1925[40], afogado no rio Lima, em Lanheses.
    • D. Salvador, n. a 25 de Maio de 1911[41] n. 27 de Maio de 1911, em Cascais, casado em Lisboa com D. Maria na Castilho dos Santos Silva, filha do Dr. Francisco Xavier dos Santos Silva e de Júlia de Castilho e com geração[42].
    • D. Maria Francisca[43], nascida a 27 de Dezembro de 1912 e falecida dois dias depois[44].
  • Maria Ana de Almada. Nascida a 6 de Outubro de 1864, no Palácio de Santo André de seus avós, em Lisboa, e faleceu na mesma cidade em 11 de Agosto de 1900[45].
Precedido por
Antão José Maria de Almada
Brasão d´armas de conde de Almada e Abranches
Conde de Almada

1834 - 1874
Sucedido por
Miguel Vaz de Almada

Referências

  1. (D.) LOURENÇO JOSÉ DE ALMADA, Registo Geral de Mercês, D.Maria II, liv.15, fl.145v-146v, Torre do Tombo
  2. «Resenha das Famílias Titulares», Imprensa Nacional, Lisboa, 1838, pág. 9
  3. a b Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 27
  4. Ordenanças de Lanheses
  5. a b Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 650.
  6. Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, "Portugal Diccionario Historico, Chorographico, Heraldico, Biographico, Bibliographico, Numismatico e Artistico", João Romano Torres — Editor, Lisboa, 1904
  7. D. Miguel Vaz de Almada, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888.
  8. Carlos Vieira da Rocha, Anuário da Sociedade Histórica da Independência de Portugal,1978-5 fev. 1987, Edição S. H. I. P., Junho de 1998, Lisboa
  9. registo paroquial, na Torre do Tombo, livro 05-M folha 174 v, AATT
  10. a b c d e f g h Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 35.
  11. Maria Rita da Conceição Machado de Castello-Branco Mendonça e Vasconcellos, roglo
  12. Portugal antigo e moderno, por Mattos Moreira, 1875, pág. 382
  13. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 16
  14. "Acção judicial que pôs termo ao arrendamento mensal de uma morada de casas baixas, situada no Largo da Feira, da freguesia de Lanheses, por não pagamento das rendas", ano de 1899, Arquivo Distrital de Viana do Castelo, Cota Actual: 8.16.2.2-23, Código de Referência: PT/ADVCT/JTJVCT/CV/003/51
  15. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo II, pág. 225
  16. Paredes de Coura no "Portugal Antigo e Moderno: Dicionário", de Pinho Leal - XXV: quarta parte (actualizado), COURA: magazine, Blogue histórico e cultural de Paredes de Coura publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves
  17. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 583.
  18. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 16
  19. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 16
  20. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 16
  21. Maria José de Almeida Correa de Sá, roglo
  22. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  23. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  24. Genealogia manuscrita, no Arquivo Almada
  25. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  26. Anuário da Nobreza, III, tomo I, Edição I.P.H., Lisboa, 1985, pág. 196
  27. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  28. Anuário da Nobreza, III, tomo I, Edição I.P.H., Lisboa, 1985, pág. 196
  29. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  30. Genealogia manuscrita, no Arquivo Almada
  31. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  32. Anuário da Nobreza, III, tomo I, Edição I.P.H., Lisboa, 1985, pág. 196
  33. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  34. Genealogia manuscrita, no Arquivo Almada
  35. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  36. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  37. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  38. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo II, pág. 459
  39. Anuário da Nobreza, III, tomo I, Edição I.P.H., Lisboa, 1985, pág. 196
  40. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  41. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  42. Anuário da Nobreza, III, tomo I, Edição I.P.H., Lisboa, 1985, pág. 196
  43. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 17
  44. Genealogia manuscrita, no Arquivo Almada
  45. Na situação de órfã, em 1880, era seu administrador, legalmente nomeado e encarregado da arrecadação dos rendimentos a ela pertencentes, José Tinoco de Sá Furtado de Mendonça, morador na freguesia de Fontão, da comarca de Ponte de Lima - "Objecto da acção: pagamento das pensões em dívida, que os RR haviam deixado de pagar pelo cultivo do Campo do Tabaco, pertencente a Maria Ana de Almada, filha menor do Conde de Almada, de quem o autor era administrador legalmente nomeado e encarregado da arrecadação dos rendimentos pertencentes à referida órfã", Arquivo Distrital de Viana do Castelo, Cota Actual: 8.16.5.4-3, Código de Referência: PT/ADVCT/JTJVCT/CV/033/37

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fernando Santos e Rodrigo Faria de Castro, 2ª Edição, Braga, 1993, vol. I, pg. 224.

  • José de Sousa Machado, Últimas Gerações de Entre Douro e Minho - J.A. Telles da Sylva, 2ª Edição, Lisboa, 1989, vol. I, pg. 16.
  • Nobreza de Portugal e Brasil, Direcção de Afonso Eduardo Martins Zuquete, Editorial Enciclopédia, 2ª Edição, Lisboa, 1989, vol. 2, pg. 230
  • Felgueiras Gayo, Nobiliário das Famílias de Portugal, Carvalhos de Basto, 2ª Edição, Braga, 1989, vol. I, pg. 238 (Almadas).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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