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Luís Diogo Lobo da Silva

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Luís Diogo Lobo da Silva
Capitão-Geral da Capitania de Pernambuco
Capitão-Geral da Capitania de Minas Gerais
Comendador de Torre de Moncorvo
Senhor do Morgado de Mongone
Dados pessoais
Nascimento17 de junho de 1717
Montemor-o-Novo, Évora, Reino de Portugal Reino de Portugal
Morte12 de setembro de 1785 (68 anos)
Palácio do Braço de Prata, Santa Engráca, Lisboa, Reino de Portugal Reino de Portugal
Sepultado emIgreja de Nossa Senhora Madre de Deus, Convento da Madre de Deus
EsposaD. Antónia Noronha
PaiManuel Lobo da Silva
MãeD. Margarida Silva
ReligiãoCatólico Apostólico Romano
AssinaturaAssinatura de Luís Diogo Lobo da Silva
Carreira militar
PaísReino de Portugal Reino de Portugal
Serviço/ramoCavalaria
Anos de serviço1731 – c. 1778
CondecoraçõesComendador da Ordem de Cristo

Luís Diogo Lobo da Silva (Montemor-o-Novo, Évora, 17 de junho de 1717Santa Engrácia, Lisboa, 12 de setembro de 1785) foi um nobre, militar e administrador colonial português.[1][2] Enquanto administrador colonial, foi governador da capitania de Pernambuco, de 1756 a 1763, e depois da capitania de Minas Gerais, de 1763 a 1768.

Início de vida

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Luís Diogo Lobo da Silva nasceu a 17 de junho de 1717, em Montemor-o-Novo. Filho de Manuel Lobo da Silva, general-de-batalha, e veterano da Guerra da Sucessão Espanhola, e de sua mulher D. Margarida Silva. Era da baixa nobreza, no entanto, gozava de algum prestígio dentro da Corte, derivado aos serviços distintos de seus antecessores. Seu avô, também ele Luís Lobo da Silva, foi veterano e herói das Guerras da Restauração. No entanto, por irregularidades de que fora acusado enquanto Governador de Angola, caiu em desgraça.[3][4][5]

Serviço militar

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Luís Diogo Lobo da Silva cedo ingressou na vida militar. Aos 14 anos, ingressa como soldado de cavalaria, e foi, posteriormente, feito capitão de Cavalaria, e como tal serviu na Corte. Em 1739, Luís Diogo é feito familiar do Santo Ofício. Três anos depois, é feito Comendador da Ordem de Cristo e é lhe dada a comenda de Santa Maria de Moncorvo. Foi, também, feito senhor do morgado de Mongone e Moço Fidalgo da Casa Real.[4][6]

Casamento e dívidas

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Em 1750, Luís Lobo da Silva casa-se com D. Antónia de Noronha, dama da rainha e camarista da princesa do Brasil, Maria Francisca (futura Maria I), de quem teve José Maria Lobo da Silva. Nesse mesmo ano, é dada uma tença de 500 mil-réis a Antónia de Noronha, assim que haja um filho do casamento.[5] No entanto, apesar do nome de família e dos serviços prestados, a sua casa mantinha-se com despesas avolumadas, podendo estar mesmo em risco de declarar falência com a execução de dívidas. Por isso, em 1755, o rei intervém diretamente, impedindo a penhora de seus bens. Três meses depois, é o mesmo rei que o nomeia a governador de Pernambuco. Com tal, pretendia-se que o rei mantivesse a administração dos bens de sua casa a outrem, enquanto que o produto resultante permitiria o pagamento gradual das dívidas e juros acumulados, suspendendo-se assim as execuções de penhora.[6][3]

A 1 de dezembro, é, também, feito conselheiro do rei, José I.[7]

Mandato enquanto governador de Pernambuco

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A 11 de dezembro de 1755, é escrita uma carta régia, de forma a comunicar à câmara de Olinda, a nomeação de Luís Diogo Lobo da Silva, como governador de Pernambuco. Foi empossado como tal a 16 de fevereiro de 1756, e governou como tal até a 8 de setembro de 1763.[4]

No ano de 1758, mandou o início da construção das fortificações da ilha de Fernando de Noronha, na costa brasileira, e a construção do Forte da Ilha do Morro.[4]

Durante o seu governo, foi instituído a Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba. Durante o seu governo, foi, também, em conformidade com as ordens do governo, feita a prisão e expulsão dos Jesuítas da região. Foram, remetidos para Portugal a 1 de maio de 1760.[4]

Mandato enquanto governador de Minas Gerais

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A 23 de outubro de 1763, após a sua nomeação como governador da capitania-geral das Minas Gerais, embarca para o Rio de Janeiro, a bordo da nau-de-linha Nossa Senhora da Itália, onde segue posteriormente, para a cidade de Ouro Preto, onde é empossado como governador da mesma capitania a 28 de dezembro do mesmo ano. Enquanto foi governador de Minas Gerais, foi seu secretário o poeta Dr. Cláudio Manuel da Costa (envolvido futuramente na Inconfidência Mineira). [4]

Regresso a Portugal

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Terminada a sua administração de mais de doze anos no Brasil, em 1768, embarca no Rio de Janeiro, rumo de volta a Portugal, a bordo da nau Nossa Senhora Madre de Deus. No ano de 1769, foi eleito para servir na mesa da Misericórdia de Lisboa, como Visitador de Nossa Senhora. No ano seguinte, é Tesoureiro do Hospital da Misericórdia de Lisboa. Em 1773, é feito membro do Conselho Ultramarino e dois anos depois, provedor da mesma Misericórdia de Lisboa.[6]

Luís Diogo Lobo da Silva falece a 12 de setembro de 1785, no seu palácio, Palácio do Braço de Prata e é enterrado na igreja da Nossa Senhora da Madre de Deus.[2]

Bibliografia

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  • SOUZA, Laura de Mello e. O Sol e a Sombra: Política e Administração na América Portuguesa do século XVIII. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p.327-349.

Precedido por
Luís José Correia de Sá
Governador e capitão-general da Capitania de Pernambuco
1756 — 1763
Sucedido por
Antônio de Sousa Manuel de Meneses
Precedido por
António Alvares da Cunha
Governador e capitão-general da Capitania de Minas Gerais
1763 — 1768
Sucedido por
José Luís de Meneses Castelo Branco e Abranches

Referências

  1. «Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 24, f. 38». https://digitarq.arquivos.pt/. 18 de outubro de 1723. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  2. a b «Livro de Registo de Óbito da Paróquia de Santa Engrácia (1764-01-01 – 1789-12-31)». Consultado em 23 de outubro de 2025 
  3. a b Souza, Laura de Mello e (4 de abril de 2022). O sol e a sombra: Política e administração na América portuguesa do século XVIII. [S.l.]: Companhia das Letras. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  4. a b c d e f Costa, Francisco Augusto Pereira da (1954). Anais pernambucanos: 1740-1794. [S.l.]: Arquivo Público Estadual. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  5. a b Souza, Laura de Mello e (4 de abril de 2022). O sol e a sombra: Política e administração na América portuguesa do século XVIII. [S.l.]: Companhia das Letras. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  6. a b c Souza, Laura de Mello e (1999). Norma e conflito: aspectos da história de Minas no século XVIII. [S.l.]: Editora UFMG. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  7. «Digitarq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 23 de outubro de 2025