André Vidal de Negreiros

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André Vidal de Negreiros
Retrato anônimo de André Vidal de Negreiros. Século XVII, Museu do Estado de Pernambuco
Nascimento 1606
Capitania da Paraíba
Morte 3 de fevereiro de 1680 (74 anos)
Goiana, Capitania de Pernambuco
Brasil Colonial
Nacionalidade  Português
Ocupação Governador colonial

André Vidal de Negreiros (Capitania da Paraíba, 1606Goiana, 3 de fevereiro de 1680) foi um militar e governador colonial português nascido na então colônia do Brasil, conhecido principalmente por ser um dos líderes da Insurreição Pernambucana, contra a colonização holandesa no Brasil (1624-1654).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido no engenho São João, na Capitania da Paraíba, André Vidal de Negreiros era filho de Francisco Vidal, natural de Lisboa, e de sua mulher Catarina Ferreira, nascida em Porto Santo, ilha da Madeira. Nunca se casou [1] mas, por testamento, dotou seus vários filhos bastardos com heranças materiais, enquanto o sobrinho, filho de sua irmã e militar de carreira, recebeu as insígnias da nobreza. Dentre seus filhos, destaca-se Matias Vidal de Negreiros, que, à revelia do pai e pela graça do rei, acabou por ser legitimado, tornando-se nobre, além de lhe ter sido confiada a administração da considerável fortuna paterna. E assim, a contragosto das autoridades locais, Matias Vidal de Negreiros, mesmo sendo mulato e bastardo, tornou-se um homem muito poderoso.[2]

A atriz Alessandra Vidal de Negreiros Negrini (n. 1970) também é sua descendente pelo lado materno.

No contexto das invasões holandesas do Brasil (1624-1654), André Vidal de Negreiros lutou contra os holandeses na Salvador na Bahia (1624). Após oito anos em Portugal e Espanha, voltou ao Brasil para lutar contra o governo do príncipe holandês Maurício de Nassau, instalado em Pernambuco e capitanias vizinhas, participando de todas as fases da Insurreição Pernambucana (1645-1654), quando mobilizou tropas e meios no sertão nordestino.

Foi nomeado Mestre-de-Campo, notabilizando-se no comando de um dos Terços do Exército Patriota, nas duas batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, juntamente com João Fernandes Vieira, Henrique Dias e Filipe Camarão. Comandou o sítio de Recife que resultou na capitulação holandesa no ano de 1654.

Encarregado de levar ao rei D. João IV (1640-1656), a notícia da expulsão dos holandeses, foi condecorado pelo soberano e sucessivamente nomeado Governador e Capitão-Geral da Capitania do Maranhão e do Grão-Pará (1655-1656). Posteriormente foi governador da capitania de Pernambuco (1657-1661), de Angola (1661-1666) e, novamente, de Pernambuco (1667).[3]

O historiador Veríssimo Serrão, complementa:

"Dirigiu as operações de guerra até 1654, sendo, na opinião de Varnhagen, o grande artífice da expulsão dos holandeses. A Coroa utilizou depois deu valimento como governador das Capitanias do Maranhão (1656-1666) e de Pernambuco (1657-1661 e 1667), mandando-o também governar o Estado de Angola (1661-1666). Embora o considere um valente cabo-de-guerra, Charles R. Boxer limita o papel de Negreiros na chefia do movimento, por considerar que foi João Fernandes Vieira o principal herói da reconquista de Pernambuco."[4]

Vidal de Negreiros faleceu no Engenho Novo da Vila de Goiana, Pernambuco, em 1680, aos 74 anos.[2]

Em que pese seu valor como heroico líder da Insurreição Pernambucana, vale lembrar que a disputa pelo território brasileiro inseria-se no contexto da Guerra Luso-Holandesa, que, por sua vez, era parte do quadro da Guerra da Restauração. Portanto, a expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654, não significou o encerramento da questão, que, de fato, só começaria a ser resolvida a partir de 1661, pela via diplomática, mediante a assinatura do Tratado de Haia. Nos termos desse acordo, a Nova Holanda foi "vendida" a Portugal por quatro milhões de cruzados (ou oito milhões de florins), quantia equivalente a cerca de 4,5 toneladas de ouro[5] e pelo Tratado de Paz, Aliança e Comércio, firmado em julho de 1669.[6]

Homenagens póstumas[editar | editar código-fonte]

Litografia em rótulo de cigarros com os quatro heróis: Vidal de Negreiros, Fernandes Vieira, Henrique Dias e Felipe Camarão.

Em 6 de agosto de 2012, a Lei Federal nº 12.701[7] determinou a inscrição dos nomes de André Vidal de Negreiros, Francisco Barreto de Menezes, João Fernandes Vieira, Henrique Dias, Antônio Filipe Camarão e Antônio Dias Cardoso no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Há uma rua com o seu nome, na freguesia de Marvila, Lisboa.

Referências

  1. Fundaj. «André Vidal de Negreiros». Consultado em 19 de janeiro de 2017 
  2. a b Matias Vidal de Negreiros - Mulato entre a norma reinol e as práticas ultramarinas. Por Ronald Raminelli. Varia Historia, Belo Horizonte, vol. 32, n. 60, p. 699-730, set-dez 2016
  3. «André Vidal de Negreiros, a trajetória de um homem do Atlântico no século XVII» (PDF) . Por Ângelo Emílio da Silva Pessoa
  4. Serrão, Joaquim Veríssimo História de Portugal: A restauração e a monarquia absoluta (1640-1750), volume V. Editorial Verbo, 1977, p. 114
  5. «Historical Currency Converter». www.historicalstatistics.org. Consultado em 24 de novembro de 2016 
  6. BATISTA, Felipe de Alvarenga. Os tratados de Methuen de 1703: guerra, portos, panos e vinhos. Rio de Janeiro: PEPI/IE/UFRJ, 2014, pp 55, 118
  7. Lei Federal nº 12.701, de 6 de agosto de 2012. Inscreve os nomes de Francisco Barreto de Menezes, João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Antônio Filipe Camarão e Antônio Dias Cardoso no Livro dos Heróis da Pátria.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre André Vidal de Negreiros
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Baltasar de Sousa Pereira
Governador do Maranhão
11 de maio de 1655 — 23 de setembro de 1656
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Agostinho Correia
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Francisco Barreto de Meneses
Governador de Pernambuco
1657 — setembro de 1661
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Francisco de Brito Freire
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João Fernandes Vieira
Governador e Capitão-General de Angola
1661 — 1666
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Tristão da Cunha
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junta governativa
Governador de Pernambuco
1667
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Bernardo de Miranda Henriques