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Luís do Rego Barreto

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Luís do Rego Barreto
Luís do Rego Barreto
Capitão-general da Capitania de Pernambuco
Período1° de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821
Antecessor(a)Domingos Teotônio Jorge (como ditador do governo revolucionário)
Sucessor(a)Junta de Goiana
Dados pessoais
Nascimento17 de outubro de 1777
Viana do Castelo, Reino de Portugal
Morte7 de julho de 1840
Viana do Castelo, Reino de Portugal
CônjugeD. Maria Zeferina de Azevedo
Serviço militar
LealdadeReino de Portugal
Brasil Colônia
Serviço/ramoExército Português
Anos de serviço1790–1838
GraduaçãoTenente-general
ConflitosGuerra Peninsular
CondecoraçõesOrdem de Cristo
Ordem Militar da Torre e Espada
D. Maria Zeferina de Azevedo, viscondessa de Geraz do Lima, falecida em 1832.

Luís do Rego Barreto (Viana do Castelo, 17 de outubro de 1777 – Viana do Castelo, 7 de julho de 1840), 1.º Visconde de Geraz do Lima[1] e mais conhecido por General Luís do Rego, foi um militar e administrador colonial português que se distinguiu no combate às invasões napoleônicas e à Revolução Pernambucana.

Nomeado por Dom João VI para reprimir a revolução de 1817, viria a ser odiado pelos seus opositores em Pernambuco, acusado de promover enforcamentos, esquartejamento de corpos, fuzilamentos, mortes por fogo, profanação de cadáveres e estupros.[2]

Biografia

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Filho de um militar, António do Rego Barreto, major ajudante do Governador das Armas do Minho. Cedo, aos treze anos de idade em 1790, é feito praça no Regimento de Infantaria de Viana (mais tarde Regimento de Infantaria N.º 9). Ascende a cadete em 1792, a porta-bandeira em 1798, a alferes em 1802, e, nas vésperas da invasão francesa, é feito tenente.[1]

Com a dissolução do exército decretada pelo conselho militar de Junot, do Rego Barreto demite-se do exército. Em 1808, junta-se aos insurrectos contra o invasor, sendo promovido pela Junta provisória, de D. João VI, a major do seu antigo regimento.[1]

Cria então o Batalhão de Caçadores n.º 4. Combateu por diversas vezes com o Batalhão de Caçadores, no Buçaco, Cidade Rodrigo, São Sebastião, Linhas de Torres e mesmo no Nive. Após ter combatido na Batalha dos Arapiles, na Batalha de Vitória e no assalto a São Sebastião, Rego Barreto é feito brigadeiro e destacado para o Brasil onde criou a Divisão dos Voluntários Leais de El-Rei. É então feito marechal de campo, derrotou uma insurreição republicana federalista em Pernambuco, conhecida por Revolução Pernambucana, onde foi depois governador e capitão general de 1 de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821, tentando pacificar a região ao pedir perdão real para os cabecilhas da revolução.[1]

Após a proclamação da Constituição de 1820, Rego Barreto faz jurar a nova lei fundamental do Brasil. Enquanto passava pela Ponte da Boa Vista, em 21 de julho de 1821, levou um tiro de bacamarte na região renal. Tendo forçado à espada o atirador a jogar-se no rio Capibaribe sob a ponte, nunca foi descoberto quem de fato atirou pois, apesar de seu cadáver ter sido eventualmente encontrado, nunca foi reconhecido.[1] A desconfiança, no entanto, levou à prisão de mais de duzentos suspeitos de estarem envolvidos no planejamento do assassinato.[3] Sob o seu governo, dá-se episódio conhecido como "Convenção de Beberibe", e em outubro de 1821 os rebeldes pernambucanos o derrubam do posto de governador, forçando-o a regressar a Portugal. Em 1822, Rego Barreto é nomeado para o cargo de Governador das Armas do Minho. Um ano depois, derrota, em Amarante, o General Silveira que havia liderado um levantamento absolutista, levando o seu opositor ao exílio.[1]

Após a Vilafrancada, Rego Barreto é deportado e reformado por D. Miguel. No entanto, durante a regência de D. Isabel Maria, assume o posto de tenente-general, regressando ao Brasil. No regresso a Portugal, Rego Barreto é preso por D. Miguel,[1] mas consegue evadir-se e fugir para Espanha, só voltando após a Convenção de Évora-Monte.

Em 1834 é nomeado, de novo, Governador das Armas do Minho, e vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar. Em 1838, é eleito senador, por Viana do Castelo, numa das sessões senatoriais sofrendo de um ataque apoplético. Regressando a Viana para convalescer, lá falece a 7 de julho de 1840[1]

Títulos e condecorações

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Referências

  1. a b c d e f g h da Rocha Páris, Alberto Feio (Março de 1882). «Visconde de Geraz do Lima». Viana do Castelo: Typographia d'André Joaquim Pereira & Filho. Pero gallego: folha litteraria, scientifica (N.º 9): 1-2. Consultado em 10 de julho de 2025 
  2. de Oliveira, Paulo Santos. «General Luís do Rego, o mais odiado dos portugueses». Diario de Pernambuco. Consultado em 29 de abril de 2017 
  3. «Atentado contra Luís do Rego Barreto – Pernambuco | Revoltas | Impressões Rebeldes». www.historia.uff.br. Consultado em 18 de março de 2021 

Bibliografia

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  • Redacção Quidnovi, com coordenação de José Hermano Saraiva, História de Portugal-Dicionário de Personalidades, Volume XV, Ed. QN-Edição e Conteúdos,S.A., 2004

Ligações externas

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Precedido por
Domingos Teotônio Jorge
Governador de Pernambuco
1817 — 1821
Sucedido por
Junta de Goiana