Luís Noronha da Costa

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Luís Noronha da Costa
Nome completo Luís Mário [de Sousa] Azevedo de Noronha [e Meneses] da Costa
Nascimento 17 de abril de 1942 (75 anos)
Benfica, Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Artes Plásticas / Pintura

Luís Mário [de Sousa] Azevedo de Noronha [e Meneses] da Costa GOIH (Lisboa, Benfica, 17 de Abril de 1942) é um artista plástico e pintor português [1].

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Objeto 67

Filho de Nuno António Giraldes de Noronha da Costa (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 30 de Novembro de 1898 - Lisboa, 23 de Dezembro de 1953), 6.º neto por bastardia do 2.º Conde de Santiago de Beduído e neto materno do 2.º Visconde de Trancoso, e de sua mulher (Lisboa, São Mamede, 3 de Setembro de 1927) Maria de Lourdes Cristina Verde Cardoso Bacelar de Sousa Azevedo (Lisboa, São Jorge de Arroios, 15 de Janeiro de 1899 - ?), filha do 3.º Visconde de Algés e prima-sobrinha de Cesário Verde, de ascendência Italiana.

Fez o curso de arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Expôs individualmente pela primeira vez em 1962 (Lisboa, Paris, Munique); em 1966 expôs no Salão de Maio, SNBA, Lisboa, e no ano seguinte realizou uma mostra individual na Galeria Quadrante, Lisboa. Em 1969 participou na Bienal de S. Paulo e foi-lhe atribuído o Prémio Soquil pela sua atuação na época de 1968-69 [2]; aos 27 anos de idade Noronha da Costa "reúne […] um consenso crítico e público muito alargado" [3] no panorama artístico português.

As suas primeiras obras de relevo eram sobretudo colagens "em que se identificava uma procura imagética de caráter poético, o que logo depois se traduziu pelo emprego de folhas de revistas ilustradas impregnadas de óleo de modo a trazer ao mesmo plano os seus anverso e reverso numa imagem dupla e ambígua […]. Seguidamente […] dedicou-se à construção de objetos, nos quais o emprego de espelhos e vidros despolidos produz efeitos espaciais inéditos" [4], com o cruzamento entre os espaços real e virtual (ver por exemplo Objeto 67).

Sensivelmente a partir de 1969 fixa os parâmetros da sua obra pictórica posterior, frequentemente realizada com pistola de spray. "A orientação metafórica que caracteriza as pesquisas de Noronha da Costa traduziu-se […] numa pintura de imagens (por vezes copiadas de quadros clássicos) como vistas através de um écran desfocante [veja-se Sem título, 1969]. A indefinição da imagem é assim […] expressa, numa situação neorromântica que vai às fontes fantasmagóricas do surrealismo" [5]. "As imagens parecem […] ir entrando aos poucos num processo de desmaterialização […]; os seus quadros funcionam como écrans e, por isso, as imagens assumem-se sempre, contra qualquer naturalismo, como afirmação de uma pura virtualidade, isto é, de um espaço em que todo o acontecimento dá lugar (ou protagoniza) a um espaço potencial. São por assim dizer, imagens de imagens. E por serem assim é que nelas se aloja um princípio sistemático de distância, ou de eco" [6].

Sem título, 1969, tinta celulósica sobre platex, 60 x 80 cm

De um modo mais sistemático e apaixonado do que outros, trabalha intensamente "o conjunto de questões que se colocam à pintura ocidental depois da falência do discurso unitário do classicismo", fixando-se num "pensamento discursivo dominado por características românticas: fragmentar, descentrado e subjetivo, individualista, em deriva e apaixonado, múltiplo e obsessivo, muitas vezes irónico e crítico" [7]. Irá abordar uma imagética que toma esse formulário em consideração: na sua pintura veremos surgir, por exemplo, "mares solitários avançando sobre praias desertas, mulheres e crianças de penteados e vestidos oitocentistas, veleiros, céus cenográficos e de coloridos intensos" [8].

A sua obra não se circunscreve às artes plásticas, estendendo-se à área do cinema: "além de cinéfilo, [Noronha da Costa] foi cineasta, autor de alguns dos poucos e dos mais significativos filmes experimentais da vanguarda portuguesa" [9].

Ao longo dos anos participou em inúmeras mostras coletivas, nomeadamente na Bienal de Veneza de 1970 (representação portuguesa), e Alternativa Zero (1977); expôs individualmente de forma regular em Portugal e no estrangeiro, destacando-se a sua longa colaboração com a Galeria Nasoni, a retrospetiva de 1983 na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, e a exposição de 2003-04 no Centro Cultural de Belém, Lisboa.

Em 1999 foi-lhe atribuído o Prémio Europeu de Pintura pelo Parlamento Europeu e em 2003 venceu o Prémio AICA, Lisboa.

Casou com Noémia Cacho Rodrigues (Lisboa, 9 de Junho de 1942 - Cascais, Estoril, 13 de Outubro de 1990), com geração.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Noronha da Costa – Infopedia
  2. >França, José AugustoNoronha da Costa (1973). In: A.A.V.V. – Grupo Totta: Os Edifícios, A Coleção, Os Artistas. Lisboa: Grupo Totta, 2002. ISBN 972-98068-3-7. Pág. 131.
  3. Faria, NunoLuís Noronha da Costa. A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, p. 174.
  4. França, José Augusto – Noronha da Costa (1973). In: A.A.V.V. – Grupo Totta: Os Edifícios, A Coleção, Os Artistas. Lisboa: Grupo Totta, 2002. Pág. 131.
  5. França, José Augusto – Noronha da Costa (1973). In: A.A.V.V. – Grupo Totta: Os Edifícios, A Coleção, Os Artistas. Lisboa: Grupo Totta, 2002. Pág. 131.
  6. Almeida, Bernardo Pinto de – Noronha da Costa. Lisboa: Editorial Caminho, 2006, p. 14, 15. ISBN 972-21-1733-5
  7. Pinharanda, JoãoPinturas com Luz: alguns pintores portugueses contemporâneos. Lisboa: EDP – Eletricidade de Portugal, 1997.
  8. Pinharanda, João – Pinturas com Luz: alguns pintores portugueses contemporâneos. Lisboa: EDP – Eletricidade de Portugal, 1997.
  9. Pinharanda, João – Pinturas com Luz: alguns pintores portugueses contemporâneos. Lisboa: EDP – Eletricidade de Portugal, 1997.