Luísa Mahin

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Luísa Mahin, também grafada como Luíza Mahin, nascida no início do século XIX, foi uma ex-escrava de origem africana, radicada no Brasil. É notada por ter tomado parte na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Sua origem é incerta, não se sabe se teria nascido na Costa da Mina, na África, ou na Bahia.[2] Membro do povo Mahi, de onde vem seu sobrenome, Luísa Mahin comprou sua alforria em 1812.[2] Livre, tornou-se quituteira em Salvador.[2] Ela teve um filho, o poeta e abolicionista Luís Gama, que a descreveu como uma mulher baixa, magra, bonita, de dentes "alvíssimos, como a neve", altiva, generosa, sofrida e vingativa.[2]

Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. De seu tabuleiro, eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes.[1] Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838).[1]

Foi perseguida, logrando evadir-se para o Rio de Janeiro, onde foi encontrada, detida e, possivelmente, deportada para Angola.[1] Não existe, entretanto, nenhum documento que comprove essa informação.[1] Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir para o Maranhão, onde, com sua influência, tenha sido desenvolvido o tambor de crioula.[2]

Carta a Lúcio de Mendonça[editar | editar código-fonte]

Lúcio de Mendonça foi um escritor e jornalista carioca. A seu pedido, Luiz Gama enviou uma carta autobiográfica intitulada Lances doridos em 25 de julho de 1880. A carta é o único documento que traz informações sobre a mãe do abolicionista. Abaixo o trecho sobre Luíza Mahin:

Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Mina (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã.

Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida e vingativa.

Dava-se ao comércio – era quitandeira, muito laboriosa, e mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreições de escravos, que não tiveram efeito.

Era dotada de atividade. Em 1837, depois da Revolução do doutor Sabino, na Bahia, veio ela ao Rio de Janeiro, e nunca mais voltou. Procurei-a em 1847, em 1856, em 1861, na corte, sem que a pudesse encontrar. Em 1862, soube, por uns pretos minas, que a conheciam e que me deram sinais certos que ela, acompanhada com malungos desordeiros, em uma “casa de dar fortuna”, em 1838, fora posta em prisão; e que tanto ela como os seus companheiros desapareceram. Era opinião dos meus informantes que esses “amotinados” fossem mandados para fora pelo governo, que, nesse tempo, tratava rigorosamente os africanos livres, tidos como provocadores.

Nada mais pude alcançar a respeito dela. 

Biógrafos de Luiz Gama, como Sud Menucci, Elciene Azevedo e Ligia Fonseca Ferreira afirmam jamais ter encontrado documentos que corroborassem a versão apresentada por Gama na carta. Acreditam ser mais provável que Luíza Mahin seja um tipo de alterego do próprio Luiz Gama.

Luíza Mahin na Literatura e em pesquisas acadêmicas[editar | editar código-fonte]

Em 2006, a escritora Ana Maria Gonçalves publicou o romance histórico Um defeito de cor. O romance com mais de 900 páginas percorre a trajetória de Luíza Mahin dos seus cinco anos de idade até sua morte. Bem antes dela, na década de 1930, Pedro Calmon escreveu o romance histórico Malês: a insurreição das senzalas onde surge pela primeira vez a proposta de Luíza Mahin como uma liderança na rebelião Malê ocorrida em Salvador no ano de 1835. O professor e pesquisador João José Reis no livro Rebelião escrava no Brasil, afirma que embora tenha estudado exaustivamente os documentos sobre a rebelião Malê, não localizou uma única referência sobre Luíza Mahin, o que o leva a crer que se trate de "um misto de realidade possível, ficção abusiva e mito libertário" (REIS, 2003: 303).

Em 2010, Aline Najara da Silva Gonçalves publicou o estudo Luiza Mahin entre ficção e história. No ano seguinte, Dulcilei C. Lima lançou o estudo Desvendando Luíza Mahin: um mito libertário no cerne do Feminismo Negro. Ambos analisam os romances acima e outros documentos em busca da compreensão sobre a enigmática figura de Luíza Mahin.

Livro dos Heróis da Pátria[editar | editar código-fonte]

O projeto de lei da Câmara nº 55 de 2017 propõe escrever o nome de Luíza Mahin no Livro dos Heróis da Pátria.[3]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e «Luísa Mahin». Personalidade negras. Fundação Cultural Palmares. 7 de março de 2013. Consultado em 24 de maio de 2017 
  2. a b c d e «Luiza Mahin». Heróis de Todo Mundo. Projeto A Cor da Cultura. Consultado em 24 de maio de 2017 
  3. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Projeto de Lei da Câmara nº 55 de 2017. E-Cidadania. https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=129605. Acesso em 19 de julho de 2017.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]