Mário Dionísio

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Mário Dionísio
Nascimento 16 de julho de 1916
Lisboa
Morte 17 de novembro de 1993 (77 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Cônjuge Maria Letícia Reis Clemente da Silva (1940)
Ocupação Crítico, escritor, pintor e professor
Prémios Grande Prémio de Ensaio (1963)

Prémio das páginas culturais da imprensa regional (1964)
Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1981)
Prémio Antena 1 (1989)

Magnum opus O dia cinzento : e outros contos

Mário Dionísio (Lisboa, 16 de julho de 1916 - Lisboa, 17 de novembro de 1993) foi um crítico, escritor, pintor e professor português.

Personalidade multifacetada, Mário Dionísio teve uma ação cívica e cultural marcante no século XX português, com particular incidência nos domínios literário e artístico.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Eurico Monteiro, comerciante, oficial miliciano da Administração Militar, e Julieta Goulart Parreira Monteiro, doméstica com o curso superior de Piano[1].

Mário Dionísio , O Músico, 1948, tinta de esmalte sobre tela, 130 x 97 cm

Licenciou-se em Filologia Românica em 1940 na Faculdade de Letras(em lisboa). Foi professor do ensino liceal e secundário e, depois do 25 de Abril, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde havia sido estudante.

Foi autor de uma obra literária autónoma (poesia, conto, romance). Fez crítica literária e de artes plásticas; realizou conferências, interveio em debates; colaborou em diversas publicações periódicas, entre as quais: Seara Nova, Vértice, Diário de Lisboa, Mundo Literário [2] (1946-1948), , Gazeta Musical e de todas as Artes. Prefaciou obras de autores como Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, Alves Redol.

Teve uma forte ligação às artes plásticas. Além da actividade como pintor (desde 1941), foi um dos principais impulsionadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas; integrou o júri da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Caloteaste Gulbenkian; foi autor de inúmeros textos, de diversa ordem, das simples críticas até à publicação de referência que é A Paleta e o Mundo; etc.[3]

Enquanto artista plástico usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em diversas exposições colectivas, nomeadamente nas Exposições Gerais de Artes Plásticas de 1947, 48, 49, 50, 51 e 53. Realizou a sua primeira exposição individual de pintura em 1989.[4]

Mário Dionísio desempenhou um papel de relevo na teorização do Neo-realismo português, "movimento literário que, nos anos de 1940 e 1950, à luz do materialismo histórico, valorizou a dimensão ideológica e social do texto literário, enquanto instrumento de intervenção e de consciencialização". No contexto das tentativas de reforma cultural encetada pelos intelectuais dessa corrente, através de palestras e outras ações culturais, "participou num esforço conjunto de aproximar a arte e o público, de que resultou, por exemplo, a obra A Paleta e o Mundo, constituída por uma série de lições sobre a arte moderna. Poeta e ficcionista empenhado, fiel ao «novo humanismo», atento à verdade do indivíduo, às suas dolorosas contradições, acolheu, na sua obra, o espírito de modernidade e as revoluções linguísticas e narrativas da arte contemporânea".[5]

Em Setembro de 2009 abriu ao público a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, fundada em Lisboa em Setembro do ano anterior por mais de meia centena de familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra. Partindo do espólio, interesses e obra de Mário Dionísio, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, pretende ser um pólo cultural na cidade de Lisboa.[6] Esta instituição é dirigida pela filha do escritor, Eduarda Dionísio.

Algumas obras[editar | editar código-fonte]

Poemas e Ficção[editar | editar código-fonte]

  • O Dia Cinzento (1944, contos)
  • As Solicitações e Emboscadas (1945, poesia)
  • O Riso Dissonante (1950, poesia)
  • Memória dum Pintor Desconhecido (1965, poesia)
  • Poesia Incompleta (1966, onde reuniu toda a obra publicada até então)
  • Le Feu qui Dort (1967, poesia)
  • Não Há Morte Nem Princípio (1969, romance)
  • Terceira Idade (1982, poesia)
  • Monólogo a Duas Vozes (1986, contos)
  • Autobiografia (1987, memória)[7]
  • A Morte É para os Outros (1988, contos)
  • Historias e Vagabundagens (2000, poesia)
  • Poesia completa (2016)

Obras sobre pintura[editar | editar código-fonte]

  • Vincent Van Gogh (1947)
  • Conflito e Unidade da Arte Contemporânea (1958)
  • A Paleta e o Mundo (1956, publicada depois em 5 volumes.)
  • O Músico (1948)

Espólio[editar | editar código-fonte]

O espólio documental de Mário Dionísio encontra-se depositado na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, em Lisboa.[8]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Mário Dionísio dá nome a uma rua, no Lumiar, em Lisboa, desde 27 de Outubro de 2016[9].

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Mário Dionísio

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.centromariodionisio.org/exp_vida_e_obra.php
  2. Helena Roldão (27 de janeiro de 2014). «Ficha histórica: Mundo literário : semanário de crítica e informação literária, científica e artística (1946-1948).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 03 de Novembro de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Centro Mário Dionísio. «Mário Dionísio». Consultado em 26 de agosto de 2013 
  4. Centro Mário Dionísio. «Mário Dionísio». Consultado em 26 de agosto de 2013 
  5. «Mário Dionísio». Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora. 2003–2013. Consultado em 26 de agosto de 2013 
  6. Centro Mário Dionísio. «Mário Dionísio». Consultado em 26 de agosto de 2013 
  7. [1]
  8. Centro Mário Dionísio. «Mário Dionísio». Consultado em 26 de agosto de 2013 
  9. https://www.facebook.com/camaradelisboa/videos/1316167301736550/?hc_ref=PAGES_TIMELINE
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