Manuel Querino

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Manuel Querino
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Nome completo Manuel Raimundo Querino
Nascimento 28 de julho de 1851
Morte 14 de fevereiro de 1923 (71 anos)
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Professor de desenho geomêtrico, abolicionista, pesquisador
Magnum opus A arte culinária da Bahia (1928)

Manuel Raimundo Querino (Santo Amaro, 28 de julho de 1851Salvador, 14 de fevereiro de 1923) foi um intelectual afro-descendente, aluno fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorazação da cultura africana na Bahia.

De acordo com o historiador Henry Louis Gates Jr., Manuel Querino viveu e atuou numa época em que se defendia abertamente o "branqueamento" do Brasil enquanto política oficial de estado, visto que o pensamento dominante era o de que a cultura negra era inferior em relação à branca. Manifestações culturais como o Candomblé e a Capoeira eram, portanto, vistas como bárbaras e empecilhos da civilização.[1] Nesse contexto, Querino defendeu que o "branqueamento" era desnecessário porque os africanos já tinham civilizado o Brasil, e que os negros eram capazes de realizar trabalhos sofisticados, ao contrário do que se pensava. Nesse sentido, Querino antecipou as ideias de Gilberto Freyre, que também foi uma voz intelectual que defendeu o valor da cultura negra no Brasil.

Nas palavras da historiadora Wlamyra Albuquerque: "Querino dava ênfase ao papel do africano como civilizador" (...) "Achava que não havia necessidade de imigrantes brancos, pois o Brasil já tinha sido civilizado pelos africanos. Dizia que o trabalhador brasileiro era muito mais capacitado do que o estrangeiro para enfrentar os desafios da sociedade brasileira".[2]

Tem sido comparado com o historiador afro-norteamericano Carter G. Woodson e com o educador e líder afro-norteamericano Booker T. Washington.

Traços biográficos[editar | editar código-fonte]

Aos quatro anos foi apadrinhado por um professor da Escola Normal de Salvador, Manuel Correia Garcia, já que uma epidemia do cólera o deixara órfão em 1855.

Em 1868, foi recrutado pelo Exército no Piauí e acabou servindo "na escrita do batalhão" no Rio de Janeiro durante a Guerra do Paraguai. Enquanto viaja pelo Nordeste à procura de oportunidades, foi recrutado no Piauí, mas “Graças à boa letra, à formação intelectual e ao porte físico franzino, Querino é designado para ficar na escrita do batalhão” (Correio da Bahia) no Rio de Janeiro, chegando a Cabo de Esquadra.

Procurou, depois da guerra, dedicar-se ao desenho e à pintura, estudando no Liceu de Artes e Ofícios e na Academia de Belas Artes, onde também trabalhava. Formou-se em Desenho Geométrico e passou a lecionar no Liceu e no Colégio de Órfãos de São Joaquim. Produziu dois livros didáticos sobre desenho geométrico.

Atuou na política, como abolicionista e depois fundando o Partido Operário e a Liga Operária Baiana, travando no meio intelectual debates contra as idéias preconceituosas da ciência de então, esposadas por Nina Rodrigues.

Deste embate filosófico, inspirou-se Jorge Amado para criar sua personagem Pedro Archanjo, figura central do romance Tenda dos Milagres.

Citação[editar | editar código-fonte]

A Bahia encerra superioridade, a excelência, a primazia, na arte culinária do país, pois que o elemento africano, com a sua condimentação requintada de exóticos adubos, alterou profundamente as iguarias portuguesas, resultando daí um produto todo nacional, saboroso, agradável ao paladar mais exigente, o que excede a justificada fama que precede a cozinha baiana. (QUERINO, 1922, p. 23)

Obra[editar | editar código-fonte]

  • Desenho linear das classes elementares
  • Elementos de desenho geométrico
  • Artistas baianos, Rio de Janeiro, 1909
  • As artes na Bahia, Salvador, 1909
  • Bailes pastoris, Salvador, 1914
  • A raça africana e os seus costumes na Bahia, in Anais do V Congresso Brasileiro de Geografia, Salvador, 1916
  • A Bahia de outrora, Salvador,1916
  • O colono preto como fator da civilização brasileira, 1918
  • A arte culinária na Bahia, Salvador, 1928

Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • Artistas baianos, Rio de Janeiro, 1909
  • As artes na Bahia, Salvador, 1909
  • Bailes pastoris, Salvador, 1914
  • A raça africana e os seus costumes na Bahia, In Anais do V Congresso Brasileiro de Geografia, Salvador, 1916
  • A Bahia de outrora, Salvador 1916
  • O colono preto como fator da civilização brasileira, 1918
  • A arte culinária na Bahia, Salvador, 1928

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BRAGA, Teodoro. Artistas pintores do Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • LEITE, José Roberto Teixeira.Dicionário critico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • SOUSA, Antônio Loureiro de. Baianos ilustres: 1567 - 1925. 3ª ed. - São Paulo: IBRASA; Brasilia: INL, 1979.
  • MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 1978.
  • LEAL, Maria das Graças de Andrade. Manuel Querino entre letras e lutas: Bahia, 1851-1923. São Paulo: Annablume, 2009.
  • GLEDHILL, Sabrina. Travessias no Atlântico Negro: reflexões sobre Booker T. Washington e Manuel R. Querino. Editora Funmilayo Publishing (e-book), 2018.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. Louis Gates Jr., Henry (2014). Os Negros na América Latina. São Paulo: Companhia das Letras. pp. 66–68 
  2. apud. Louis Gates Jr., Henry (2014). Os Negros na América Latina. São Paulo: Companhia das Letras. pp. 66–68