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Ozualdo Candeias

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Ozualdo Candeias
Nome completoOzualdo Ribeiro Candeias
Nascimento5 de novembro de 1922
Cajobi, São Paulo
Nacionalidadebrasileiro
Morte8 de fevereiro de 2007 (84 anos)
São Paulo, São Paulo
Ocupação

Ozualdo Ribeiro Candeias (Cajobi,[nota 1] 5 de novembro de 1922[nota 2]São Paulo, 8 de fevereiro de 2007) foi um cineasta, roteirista, produtor, ator, montador e fotógrafo brasileiro. Considerado um dos pioneiros do cinema marginal nacional, recebeu diversos topônimos diferentes pela mídia, como "papa do cinema marginal",[1] "pai do cinema marginal",[7] "marginal do cinema brasileiro"[8] e "o diretor marginal entre os marginais".[4]

Filho de agricultores, passou a infância e a juventude entre São Paulo e Mato Grosso.[8] Ozualdo abandonou a escola ainda no primário e trabalhou no campo, foi militar, caminhoneiro, chofer de táxi, office-boy, lustrador de móveis, metalúrgico, operário e funcionário público.[1][4] Começou sua carreira cinematográfica em 1955, com o curta-metragem Tambau - Cidade dos Milagres, no qual já trazia elementos comuns à sua obra, como a ironia e a provocação.[3] Visando ampliar seus conhecimentos na área cursou o Seminário de Cinema, no MASP e depois na Fundação Armando Álvares Penteado, durante quase três anos.[4]

Com o financiamento do governo do estado de São Paulo, Candeias dirigiu dois curtas documentais: Polícia Feminina lançado em 1959 e Ensino Industrial, três anos mais tarde.[4] Em 1963, trabalhou no roteiro de Meu Destino em Tuas Mãos junto de José Mojica Marins, com que trabalhou no ano seguinte, como assistente de direção, em À Meia-Noite Levarei Sua Alma.[6] Seu primeiro longa-metragem de ficção foi A Margem, de 1967. Realizado praticamente por conta própria, o filme "espantava a crítica cinematográfica",[8][4] fez com que ele passasse a ser "cultuado"[1] e deu início ao movimento conhecido como cinema marginal constituído de filmes de baixo orçamento produzidos principalmente na Boca do Lixo.[7]

Ainda em 1967, trabalhou como produtor em Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver,[1] de José Mojica Marins e no ano seguinte dirigiu um dos segmentos do filme Trilogia de Terror, de José Mojica Marins, o Zé do Caixão: Acordo.[4] Ainda com Mojica, co-dirigu Ritual dos Sádicos, produzido em 1969, no qual também atuou.[3] Dirigiu ainda Meu Nome É Tonho em 1969, A Herança,[nota 3] Caçada Sangrenta em 1973, que não foi exibido devido a censura, mesmo problema que afetou as médias-metragens Zézero e Candinho.[5] Sete anos depois lança A Opção e nos anos seguintes Manelão, o Caçador de Orelhas e A Freira e a Tortura. Após quatro anos sem fazer filmes, dirige As Belas da Billings. Seu último filme foi O Vigilante, de 1992, que mesmo não tendo sido lançado comercialmente, recebeu o prêmio especial do júri no XXV Festival de Brasília.[3][4]

Em 2002, um documentário dirigido por Celso Gonçalves sobre Candeias ganhou os prêmios, Marcos Antônio Guimarães e Aruanda de melhor documentário entregues no 35º Festival de Brasília.[10] Sobre seus filmes disse que eles "sempre têm algo de crítica social" e que o cinema, para ele, "tem que ter proposta crítica, cultural, ou documental. Sem isso, é vazio."[7] Ozualdo faleceu na tarde do dia 8 de fevereiro de 2007, aos 88 anos, no Hospital Brigadeiro, devido a uma insuficiência respiratória.[1]

Filmografia

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Lista dos longas-metragens dirigidos por Ozualdo Candeias:[4][3]

Notas

  1. As fontes divergem sobre o local de nascimento de Ozualdo, enquanto umas apontam seu nascimento em São Paulo,[1] outras dizem que ele nasceu em Mato Grosso do Sul sem especificar a cidade.[2] Outras, ainda afirmam que o cineasta nasceu em Cajobi.[3][4]
  2. Sua data de nascimento também é incerta. Ele possuía duas carteiras de identidade: o ano de nascimento era 1918, numa, e 1922, noutra. Sua filha afirmou 1918 é o ano correto.[5] A Enciclopédia do Cinema Brasileiro registra o nascimento no ano de 1922,[4] já a Folha de S.Paulo em 11 de novembro de 1918.[6]
  3. O ano é incerto. Enquanto a Enciclopédia do Cinema Brasileiro[4] e o Estado de S. Paulo[1] datam como 1971, o lançamento do filme é apontado como 1970 pela Folha de S.Paulo[3] e pelo IMDB.[9]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 «Morre Ozualdo Candeias, o papa do cinema marginal». Estadão.com. 8 de fevereiro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  2. «Morre Ozualdo Candeias, pioneiro do Cinema Marginal». Universo Online. 8 de fevereiro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  3. 1 2 3 4 5 6 «Ozualdo Candeias, diretor do cinema marginal, morre em SP». Folha de S.Paulo. 8 de fevereiro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Ramos, Fernão Pessoa; Miranda, Luiz Felipe (2000). Enciclopédia do Cinema Brasileiro. [S.l.]: Senac. p. 81-82. ISBN 978-8-573-59093-7
  5. 1 2 Oricchio, Luiz Zanin (8 de fevereiro de 2007). «Morreu Ozualdo Candeias, papa do Cinema Marginal». Estadão.com. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  6. 1 2 «Morre o cineasta marginal Ozualdo Candeias, 88». Folha de S.Paulo. 9 de fevereiro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  7. 1 2 3 «Morre Ozualdo Candeias, 'pai do cinema marginal». O Globo. 9 de fevereiro de 2012. Consultado em 6 de dezembro de 2012
  8. 1 2 3 Soares, Rosana de Lima; Jr., Rubens Machado; Araujo, Luciana Correa de. Estudos de Cinema Socine Viii. [S.l.]: Annablume. p. 317-323. ISBN 978-8-57419-750-0
  9. «A Herança (1970)». Internet Movie Database. Consultado em 7 de dezembro de 2012
  10. «Candeias da Boca para Fora ganha dois prêmios especiais». Agência Brasil. 26 de novembro de 2012. Consultado em 7 de dezembro de 2012