Nova História Crítica

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Nova História Crítica é uma coleção de livros didáticos de primeiro e segundo grau do escritor Mario Schmidt. É publicada pela editora Nova Geração.

A obra era distribuída em grande quantidade e gratuitamente para ensino fundamental público, no entanto, deixou de constar na versão mais recente do Guia do Livro Didático do Ministério da Educação. O livro, porém, envolveu-se em alguma polêmica após a publicação de críticas feitas pelo jornalista Ali Kamel no jornal O Globo, o qual alegava erros conceituais, falhas de informação e incoerência metodológica.[1] Porém o livro do professor Mario Schmidt do segundo grau foi distribuido livremente para escolas públicas em 2008, graças a uma medida do governo federal que garante livros didáticos gratuitos para o ensino médio.[2]

Passagens polêmicas do livro[editar | editar código-fonte]

Em 18 de setembro de 2007, Ali Kamel escreve em sua coluna d'Oglobo o artigo "O que ensinam às nossas crianças" criticando que o conteúdo do livro didático teria um forte viés ideológico de esquerda. A matéria foi repercutida em veículos com o Estadão e Jornal Nacional[3]. Colunistas como o Reinaldo Azevedo e o movimento Escola sem Partido apresentaram ácidas críticas ao livro didático, causando polêmica e diversas reações favoráveis e contrárias nos meios de comunicação.[4][5] Seguem trechos do artigo:

Sobre o quadro de Pedro Américo em exposição no Museu do Ipiranga que retrata a Proclamação da Independência, escreveu: um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco. Sobre D. Pedro II afirmou: é um velho, esclerosado e babão

Sobre a Princesa Isabel escreveu: feia como a peste e estúpida como uma leguminosa e sobre o seu esposo Conde d’Eu escreveu: gigolô imperial que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?.

Sobre Mao Tsé-tung palavras do próprio livro: (…) era chamado de "o grande Timoneiro". Contrariando Stálin, levou os comunistas ao poder absoluto na China. Mas, como governante, agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível. (…) Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. (…)

A Revolução Cultural Chinesa palavras do próprio livro: (…) As obras clássicas da literatura e da música ocidental (como o teatro de Shakespeare e os concertos de Mozart) foram considerados "cultura burguesa" e proibidas. (…) A Revolução Cultural foi uma experiência socialista muito original (…) em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas ideias, velhos costumes. (…) Os antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de uma pessoa ter 60 ou 70 anos ser o suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país. (…)

Sobre a ruína da União Soviética palavras do próprio livro: (…) Por que o colosso soviético desmoronou? Por que o sistema socialista foi à bancarrota? As explicações são muitas e os estudiosos divergem bastante. (…) O fato é que a URSS não conseguiu competir com os países capitalistas. Os EUA, o Canadá, a Europa Ocidental e o Japão, juntos, eram muito mais ricos que a URSS e o leste Europeu(…) o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. (…) principalmente profissionais com curso superior tinham “inveja” da classe média dos países desenvolvidos, que podia viajar e consumir tantos produtos. (…) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, frequentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. Sabiam que somente se o país voltasse a ser capitalista isso seria possível. (…)

Ideologias do livro[editar | editar código-fonte]

Mario Schmidt demonstra nítida afinidade com o marxismo, porém mostra simpatia em relação as revoluções burguesas, filósofos liberais como John Locke e Adam Smith e Iluministas como Voltaire e Rousseau, que são nomes e ideologias obviamente relacionadas à formação do capitalismo. Apesar de segundo o próprio autor, a ideologia do livro ser a de Kant: que os indivíduos possam pensar por conta própria, sem serem guiados por outros.

Outro lado[editar | editar código-fonte]

O autor da obra, Mario Schmidt, se defendeu publicamente das acusações em matéria publicada no portal O Vermelho[6]. Segundo ele, o jornalista Ali Kamel se utilizou de trechos pinçados da obra para criar uma imagem distorcida do seu conteúdo. Defendeu que sua obra não tem inclinações estalinistas ou maoístas, como insinuado pela matéria do jornalista Ali Kamel. Para comprovar sua tese, citou trechos em que o próprio livro faz menção aos crimes e atrocidades perpetrados nestes regimes:

Sobre a União Soviética:[editar | editar código-fonte]

''A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As  eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia  para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma  administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas  stalinistas...'' (pp. 63-65).

Sobre a China Comunista:[editar | editar código-fonte]

''O Grande Salto para a Frente tinha  fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou  milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin,  perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para  criar a imagem oficial de que era infalível.'' (p. 191) ''Ouvir uma fita  com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de  reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas  para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...)  Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões  de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos  ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país...'' (p. 247)

Notas e Referências

  1. «Livro didático reprovado pelo MEC continua sendo usado em salas de aula do Brasil». O Globo. 19 de setembro de 2007. Consultado em 20 de outubro de 2007 
  2. Governo Federal:Lista dos livros didáticos de história para 2008 no ensino médio, acessado em 21 de outubro de 2007
  3. Nassif, Luis (13 de janeiro de 2015). «Ali Kamel e a guerra dos livros didáticos». Jornal GGN. Consultado em 20 de outubro de 2017 
  4. Escolasempartido.org http://www.escolasempartido.org/?id=38,1,article,2,203,sid,1,ch  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  5. Escolasempartido.org http://www.escolasempartido.org/index.php?id=38,1,article,2,182,sid,1,ch  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. Schmidt, Mario (19 de setembro de 2007). «O livro didático que a Globo quer proibir». Portal O Vermelho. Consultado em 20 de outubro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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