Patella candei

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lapa-mansa
Concha de Patella candei gomesii

Concha de Patella candei gomesii
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Superfamília: Patelloidea
Família: Patellidae
Género: Patella
Espécie: P. candei
Nome binomial
Patella candei
d'Orbigny, 1839
Subespécies
Sinónimos

Patella candei d'Orbigny, 1839 é uma espécies de molusco gastrópode pertencente à família Patellidae[1]. Com distribuição nas costas da Macaronésia, a espécie é conhecida pelo nome comum de lapa-mansa, sendo objeto de intensa captura para consumo humano em diversas regiões, incluindo nos Açores, onde ocorre a subespécie endémica Patella candei gomesii Drouët 1858.

Descrição e ecologia[editar | editar código-fonte]

A espécie apresenta conchas orbiculares, cónicas, tendo os espécimes adultos tamanho variável, em geral no intervalo 20 – 80 mm de diâmetro, mas apenas raramente maiores que 65 mm de diâmetro e 20 mm de altura. As conchas em geral apresentam-se comprimidas e arredondadas, com um ápice subcentral tendendo para a frente. As nervuras são pouco marcadas, sem estrias verticais, ou com elas apenas ligeiramente pronunciadas (mais pronunciadas no ecomorfo do supralitoral).

A concha apresenta a superfície externa com cor cinza a castanho, raramente rosado, com tonalidades esverdeadas, sendo comum apresentar bandas radiais escuras. A superfície interna é acastanhada, mais raramente rosada, com um tom azulado iridescente, apresentando em geral um bordo amarelado (ou acastanhado) e a zona central esbranquiçada.

As lapas da espécie P. candei, como aliás é comum às restantes espécies do género Patella, habitam o litoral médio e superior, permanecendo fixas ao substrato rochoso durante o dia, alimentando-se à noite por raspagem das zonas com algas, regressando ao lugar de fixação antes de amanhecer[2]. Para esse efeito têm um pé mediano que lhes permite aderir fortemente à superfície da rocha por sucção, quando submersas, e por adesão, quando expostas ao ar[3]. No caso de P. candei, o pé é cinzento ou branco-sujo, raramente amarelado e os tentáculos paleais são cinzentos e púrpura.

A rádula é do tipo docoglossa, apresentando dois dentes laterais e oito dentes marginais em cada fila, dois com as extremidades endurecidas e seis sem extremidades endurecidas. A rádula raspa lentamente o substrato deixando uma marca clara na rocha por remoção do filme de algas e microalgas que constitui a base da alimentação da espécie[2].

As espécies do género Patella podem viver até aos 12-15 anos e têm ciclos reprodutivos longos. A fecundação é externa, podendo a reprodução ocorrer durante todo o ano, sendo que na maioria dos habitats alcança um máximo entre princípios de Setembro e finais de Outubro. O início da reprodução parece estar relacionado com ventos fortes e mau tempo.

Depois de um período planctónico em que os propágulos pelágicos são arrastados pelas correntes, as larvas fixam-se às rochas da costa ou em fendas húmidas e vão subindo lentamente, variando a sua posição no extrato à medida que vão crescendo. A duração da fase pelágica do desenvolvimento larvar de P. candei não é conhecida, mas em outras espécies do género a larva torna-se completamente bentónica após metamorfose que tem lugar entre o nono e o décimo primeiro dia a contar da fertilização[2]. As larvas que não encontrem um substrato adequado durante esse período morrem.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A espécie Patella candei faz parte de um complexo específico que inclui diversas espécies e subespécies simpátricas nas costas da Macaronésia, taxonomicamente mal delimitadas e com elevada polimorfia. Trabalhos recentes efectuados com ADN mitocondrial sugerem que se trata de uma espécie parafilética, e que as populações de P. candei das Canárias estão filogeneticamente mais próximas de P. lugubris de Cabo Verde do que das populações de P. candei dos Açores ou Madeira[2].

A espécie ocorre nas costas rochosas da Macaronésia, estando presente nos arquipélagos dos Açores, Madeira, Ilhas Selvagens, Ilhas Canárias, Cabo Verde e ainda em algumas áreas da costa atlântica do Magrebe. O habitat preferido são os rochedos do infralitoral e da zona entremarés em zonas de forte hidrodinamismo, sendo mais comum sobre os grandes calhaus da zona de rebentação[4][5].

Estão descritas quatro subespécies dentro de P. candei[6]: P. candei gomesii, nos Açores; P. candei ordinaria, na Madeira e Desertas; P. candei crenata, nas Canárias; e P. candei candei, nas Selvagens e Canárias.

A subespécie P. candei gomesii é endémica dos Açores[7][8]. A subespécie ocorre nas costas rochosas das ilhas, apresentando dois ecomorfos: (1) com conchas mais lisas e achatadas, no infralitoral e eulitoral (forma mansa); e (2) com conchas estriadas e pronunciadamente cónicas no supralitoral, em especial na zona que fica exposta ao ar durante a maré-baixa (forma mosca). Uma análise genética destas formas demonstrou que se trata de uma mera variação ecofenotípica e que não existe diferenciação genética entre ambas, sendo as óbvias diferenças morfológicas resultado da plasticidade morfológica da espécie em resposta a diferentes condições ecológicas[9].

Notas

  1. Patella candei d'Orbigny, 1839,  acedido através de: World Register of Marine Species em [http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=140678.
  2. a b c d Ana Sofia Sona Tavares, Análise da estruturação genética da sub-espécie Patella candei gomesii Drouet 1858 (Mollusca: Gastropoda: Patellidae) no arquipélago dos Açores. Dissertação de Mestrado em Biodiversidade e Recursos Genéticos apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Faculdade de Ciências da Universidade do Porto : Porto, 2007.
  3. Little,C. & Kitching, J.A., 1996. The biology of rocky shores. Oxford University Press.
  4. Côrte-Real, H.B.S.M., Hawkins, S.J. and Thorpe, J.P., "Population differentiation and taxonomic status of the exploited limpet Patella candei in the Macaronesian islands (Azores, Madeira, Canaries)". Mar. Biol., 125 (1996) 141–152.
  5. Hawkins, S.J., Côrte-Real, H.B.S.M., Pannacciulli, F.G., Weber, L.C. and Bishop, J.D.D., "Thoughts on the ecology and evolution of the intertidal biota of the Azores and other Atlantic Islands". Hydrobiologia, 440 (2000) 3–17.
  6. Christiaens, J., 1973. "Revision du genre Patella (Mollusca, Gastropoda)". Bull. Mus. Natl. Hist. Nat., (série 3) 182, 1305-1392.
  7. Titselaar, F.F.L.M., "A revision of the recent European Patellidae (Mollusca: Gastropoda) — Part 1. The Patellidae of the Azores, Madeira, the Selvagens and the Canary Islands". Vita Marina, 45 (1998) 21–62.
  8. Weber, L.I. and Hawkins, S.J., "Evolution of the limpet Patella candei d’Orbigny (Mollusca, Patellidae) in Atlantic archipelagos: human intervention and natural processes". Biol. J. Linn. Soc., 77 (2002) 341–353.
  9. António J. P. Pagarete, "Genetic Conspecifity in Two Habitat Morphs of the Limpet Patella Candei Gomesii Drouët (Mollusca: Gastropoda: Patellidae) Reinforces Limpet Morphological Plasticity". Journal of Young Investigators, Volume 23, Issue 3. March 2012.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]