Pietro Rava

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Pietro Rava
campeão olímpico
Rava pela Juventus
Futebol
Nascimento 20 de janeiro de 1916
Cassine
Nacionalidade Itália italiano
Falecimento 5 de novembro de 2006 (90 anos)
Turim
Medalhas
Jogos Olímpicos
Ouro Berlim 1936 Equipe
A Juventus na temporada 1940-41. Rava é o segundo jogador em pé, da esquerda para a direita. O terceiro é Alfredo Foni, sua dupla de zaga também nas Olimpíadas de 1936 e na Copa do Mundo FIFA de 1938.
O treinador Vittorio Pozzo com a taça Jules Rimet, rodeado por seus jogadores após a final da Copa do Mundo FIFA de 1938. Rava é o penúltimo jogador agachado.

Pietro Rava (Cassine, 21 de janeiro de 1916 - Turim, 5 de novembro de 2006) foi um futebolista italiano. Foi um dos zagueiros titulares da seleção de seu país campeã na Copa do Mundo FIFA de 1938.[1] Rava já havia obtido dois anos antes a medalha de ouro no futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, conquista que o credenciou à seleção principal.[2] Por conta dessas conquistas, ele faz parte de uma seleta lista de futebolistas que foram Campeões Olímpicos e também da Copa do Mundo.[3][4]

Rava e os colegas Alfredo Foni e Ugo Locatelli são os únicos jogadores a vencerem a Copa do Mundo FIFA, as Olimpíadas, o Campeonato Italiano de Futebol e a Copa da Itália. Rava e Foni, curiosamente, conseguiram o campeonato uma única vez, apesar da estadia longeva no time que é justamente o maior campeão do torneio, a Juventus. Rava também foi o último dos titulares campeões da Copa de 1938 a falecer.[1]

Carreira clubística[editar | editar código-fonte]

Rava apareceu na Juventus em 1935.[1] A equipe de Turim havia acabado de completar, em meados daquele ano, uma série de cinco conquistas seguidas no Campeonato Italiano de Futebol, entre as temporadas 1930-31 e 1934-35;[5] Rava não chegou a fazer parte da conquista derradeira de 1934-35,[6] mas no ano seguinte pôde fazer parte da seleção italiana que obteve a medalha de ouro no futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, quando tal competição ainda era restrita a atletas amadores.[7]

Antes do pentacampeonato, então algo inédito no torneio e só superado pelo hexacampeonato do mesmo clube entre 2012 e 2017, a Juve possuía apenas dois títulos na Serie A, tendo um a mais que o rival Torino e os mesmos dois da Internazionale e Bologna, e menos que os três do Milan, que os sete do Pro Vercelli e os nove do então recordista Genoa.[5] A série de conquistas ajudou o clube alvinegro a tornar-se o mais popular do país.[8]

Todavia, exatamente a partir do momento em que Rava foi integrado ao clube, as conquistas na Serie A cessaram por quinze anos.[5] Entre 1935 e 1950, a equipe pôde ser campeã por duas vezes, mas na Copa da Itália. Foram os primeiros títulos da equipe nessa competição. A primeira foi na temporada 1937-38, imediatamente anterior à Copa do Mundo FIFA de 1938, e foi obtida em final precisamente contra o rival Torino. A outra veio na temporada 1941-42 e serviu para ultrapassar o Toro em número de conquistas no torneio.[9]

No campeonato italiano, por sua vez, Bologna e Internazionale (Ambrosiana) alternaram-se nos títulos segunda metade da década de 1930; e a década de 1940 foi marcada pela interrupção ocasionada pela Segunda Guerra Mundial e pelo domínio do Grande Torino, com o rival também obtendo um pentacampeonato seguido.[5] Após a Guerra, Rava defendeu inicialmente a Alessandria, chegando a marcar cinco gols, todos como cobrador de pênalti, na temporada 1946-47,[10] voltando à Juventus na temporada seguinte.[11] Rava só conseguiu ser campeão italiano exatamente na última temporada que fez pela Juve, em 1950,[1] na edição seguinte à última conquista em série do Torino, que em 1949 voltara a ter um título a menos (seis contra sete) que a Vecchia Signora.[5]

O título alvinegro de 1949-50 foi o oitavo da história do clube, também isolando-o à frente do Pro Vercelli como segundo maior campeão, deixando a Juventus a uma conquista abaixo do então recordista Genoa.[5] Para Rava, serviu para fazer dele o único atleta a, assim como os colegas Alfredo Foni e Ugo Locatelli, vencer essa competição e também a Copa da Itália, as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Depois da conquista, ele seguiu carreira no Novara, aposentando-se em 1952.[1]

Seleção[editar | editar código-fonte]

Rava estreou pela seleção italiana já nas Olimpíadas de 1936, em 3 de agosto daquele ano, na vitória por 1-0 sobre os Estados Unidos em Berlim.[12] A Azzurra obteve o ouro e Rava foi integrado à seleção principal - as Olimpíadas ainda eram restritas a amadores. E enfrentou a própria Noruega na estreia da Copa do Mundo FIFA de 1938, na qual o placar foi curiosamente o mesmo da final olímpica, em 2-1.[13]

Antes da Copa, Rava havia sido campeão com a Juventus da Copa da Itália de 1937-38, em final exatamente contra o rival Torino, na primeira conquista juventina nessa competição.[9] Além de Rava, sua dupla de zaga Alfredo Foni, também da Juventus, e o atacante Ugo Locatelli foram outras peças das vitoriosas Olimpíadas integradas à seleção principal,[2] que rejuvenesceu-se e foi bastante alterada em relação ao elenco campeão da Copa do Mundo FIFA de 1934, mantendo-se de titulares somente Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari.[14]

A seleção de 1938 era considerada ainda melhor que a de 1934, com a dupla de Rava e Foni sendo vista como mais segura.[14] Eles eram precisamente os dois únicos jogadores da Juventus titulares da seleção naquela Copa. Rava foi o último dos titulares campeões de 1938 a falecer, ainda estando vivo à altura de 2005.[1] Rava esteve em todas as partidas, permanecendo mesmo após uma estreia considerada decepcionante contra os noruegueses, com ele e todo o setor defensivo tendo grande desempenho sobretudo na meia hora da final, em que a Hungria esteve na maior parte do tempo perdendo por apenas 3-2 até Silvio Piola encerrar o placar em 4-2.[15]

Após a Copa, Rava jogou outras quinze vezes pela Azzurra, doze delas até 1940, outras duas em 1942 e uma última em 1 de dezembro de 1946, em vitória por 3-2 sobre a Áustria em Milão.[12] Na última partida, Rava atuou já como jogador da Alessandria. Não houve partidas da seleção entre 1942 e 1945,[16] em consequência da Segunda Guerra Mundial - conflito que também impediu que Rava eventualmente disputasse as hipotéticas Copas do Mundo de 1942 e 1946, para as quais a Itália era uma das seleções mais capacitadas a ganhar.[17]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Juventus[editar | editar código-fonte]

Seleção Italiana[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Os campeões. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, pp. 42-43
  2. a b DINIZ, Guilherme (abril de 2013). «Times históricos: Itália 1934-1938». Calciopédia. Consultado em 2 de março de 2018. 
  3. olympstats.com/ Olympic Footballers – Gold Medalists and World Cup Champions
  4. theguardian.com/ Has any player ever won the Euro, World Cup and Olympics treble?
  5. a b c d e f KARPATI, Tamas; KRAMARSIC, Igor (31 de agosto de 2017). «Italy - List of Champions». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  6. MARIANI, Maurizio (23 de outubro de 2002). «Italy 1934/35». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  7. GEHRINGER, Max. Replay de Berlim (nov. 2005). Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França". São Paulo: Editora Abril, p. 32
  8. BRANDÃO, Caio (5 de junho de 2015). «Top 15 colônias argentinas no futebol europeu». Futebol Portenho. Consultado em 2 de março de 2018. 
  9. a b KRAMARSIC, Igor; DI MAGGIO, Roberto (8 de junho de 2017). «Italy - List of Cup Finals». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  10. MARIANI, Maurizio (18 de maio de 2002). «Italy 1946/47». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  11. MARIANI, Maurizio (23 de fevereiro de 2017). «Italy 1947/48». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  12. a b DI MAGGIO, Roberto (21 de abril de 2011). «Pietro Rava - Goals in International Matches». RSSSF. Consultado em 1º de março de 2018. 
  13. GEHRINGER, Max. Replay de Berlim (nov. 2005). Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França". São Paulo: Editora Abril, p. 32
  14. a b GEHRINGER, Max. Ainda melhor que em 1934 (nov. 2005). Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 3 - 1938 França". São Paulo: Editora Abril, p. 40
  15. CASTRO, Robert (2014). Capítulo IV - Francia 1938. Historia de los Mundiales. Montevidéu: Editorial Fín de Siglo, pp. 56-78
  16. MARIANI, Maurizio (21 de abril de 2011). «Italy - International Matches 1940-1949». RSSSF. Consultado em 2 de março de 2018. 
  17. DE ESCUDEIRO, Leonardo (15 de agosto de 2014). «Grande Torino e Máquina do River não tiveram duelo que definiria o melhor do mundo». Trivela. Consultado em 2 de março de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]