Ranavalona I

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Ranavalona I
Rainha de Madagascar
Reinado 03 de Agosto de 1828 - 16 de Agosto de 1861
Coroação 12 de Agosto de 1829
Antecessor(a) Radama I
Sucessor(a) Radama II
Rainha consorte de Madagascar
6 de julho de 1810
27 de julho de 1828
Sucessor Rainiharo
 
Cônjuge Radama I
Descendência Radama II
Casa Merina
Nome de nascimento Rabodoandrianampoinimerina
Nascimento c. 1782
  Ambatomanoina, Madagascar
Morte 16 de Agosto de 1861
  Rova, Antananarivo, Reino de Madagascar
Pai Príncipe Andriantsalamanjaka
Mãe Princesa Rabodonandriantompo
Brasão 100px

Ranavalona I (nascida como Rabodoandrianampoinimerina (Ramavo)) (Ambatomanoina, Madagascar, c. 1782 - Rova, Antananarivo, Reino de Madagascar, 16 de Agosto de 1861) foi uma rainha reinante de Madagascar, de 3 de agosto de 1828 até 16 de Agosto de 1861, com 23 anos de reinado. Sucedeu Radama I, seu marido, e foi sucedida por Radama II[1] Também era conhecida como Ranavalo - Mankaja I.

Seu nome e conhecido por ser considerada como um tirana, pois seus atos como rainha foram muito autoritarios e crueis. Instaurou a tortura como punição por oposição, matava pessoas apenas por entretenimento e perseguia as pessoas seguidoras de outras religiões que não fossem as tradicionais do país, em especial cristãos, pois ela desejava fundar uma nova religião baseada na adoração a ela mesma[2]. Conta-se que ordenou, certa vez, que vários missionários cristãos fossem empalados e expostos nas praias do país, como aviso àqueles que seguiam outras religiões.

Vida e ascensão[editar | editar código-fonte]

O nascimento certo de Ranavalona ainda é tema de debate. Discute-se que ela tenha nascido entre 1782 e 1790, na tribo da região. Conta-se que tenha sido doada ao rei Andrianampoinimerina, que estava tentando unificar todas as tribos da ilha em um só reino unido. O monarca casou a jovem com seu filho herdeiro, o então príncipe Radama, que no futuro se tornaria o rei Radama I. Em 1810, após a unificação da ilha, Ranavalona começou a ostentar o título de Rainha Consorte de Madagascar. Porém suas ambições eram maiores, e em 1828 ordenou que seu marido fosse envenenado para se tornar a rainha soberana. Em 03 de agosto de 1828, seu marido foi assassinado e em 12 de agosto de 1829, ela foi coroada como Rainha da Madagascar.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Radama, houve uma pequena crise sucessória, pois o herdeiro seria o sobrinho de Radama, o príncipe Rakotobe. Mas antes que o príncipe soubesse da morte do tio, Ranavalona se encarregou de assegurar a lealdade do exercito e dos líderes militares, fazendo com que eles a apoiassem na subida ao trono. Quando o príncipe chegou em Antananarivo foi impedido de entrar no Ravo (Palácio Real) e foi exilado. Mais tarde, ele foi assassinado junto com seus pais, possivelmente por ordens de Ranavalona.

Seu primeiro ato como rainha foi romper acordos diplomáticos com grandes potências como o Reino Unido e França, expulsando os diplomatas da ilha. Também expulsou missionários cristãos que haviam entrado na ilha para espalhar o Protestantismo no reino, colocando a religião tradicional como a religião oficial do país.

Seu segundo ato foi isolar o reino do mundo, sem ter acordos diplomáticos com nenhum país. Ranavalona era muito tradicionalista e queria manter o seu país como nos tempos tribais e evitar que os europeus espalhassem seus costumes e tradições. Ela também temia que o país fosse colonizado pelos europeus, coisa que veio a acorrer 69 anos depois. Porém, mais tarde, se viu obrigada a voltar com as relações diplomáticas internacionais.

Em 1845 uma comitiva anglo-francesa entrou na ilha com a missão de destronar a rainha e colonizar a ilha, coisa que tinha apoio de seu filho, o príncipe Radama, que queria destronar sua mãe e se tornar o novo rei. Ele chegou a enviar uma carta ao rei francês Luís Filipe, mas a operação foi descoberta e a ilha se isolou ainda mais do mundo.

Ranavalona foi usada como imagem negativa das ilhas que a França desejava conquistar, para que despertasse a revolta no povo e fizesse com que o povo tivesse o desejo de ajudar a invadir o país e destroná-la, coisa que nunca aconteceu.

Embaixadores malgaxes enviados por Ranavalona para discutir em ralação a colonização da ilha, recebidos pela rainha Adelaide, representando o rei Guilherme IV. (1836) quadro de Henry Room.

Atrocidades e crimes[editar | editar código-fonte]

Ranavalona I sempre se opôs à religião cristã. Com isso, mandou assassinar varias pessoas que eram seguidoras do cristianismo, de formas muito cruéis, como empalamento, decaptações, afogamentos e castrações. Mandou também que fossem decapitados 21 soldados britânicos, e que suas cabeças fossem encravadas em estacas e expostas na praia.

Em 1845, por exemplo, exigiu que toda a corte – incluindo um grande número de servos e escravos – partisse em uma jornada para caçar búfalos. Um total de 50 mil pessoas foram recrutadas. Destas, estima-se que 10 mil tenham morrido em razão da fome e exaustão em uma caçada que teve quatro meses de duração. Certa vez mandou que matassem seu amante por ter se relacionado com outra mulher, que também foi morta.

Apesar de seu comportamento brutal e anti-humano, Ranavalona é lembrada pelo povo como uma ótima chefe de Estado, pois acabou com as chances dos franceses e britânicos colonizarem a ilha, pelo menos em sua época. No entanto, a ilha foi anexada ao Império colonial francês em 1897 durante o reinado de Ranavalona III.

Referências

  1. «madagascar1». www.royalark.net. Consultado em 4 de agosto de 2018 [fonte confiável?]
  2. Soszynski, Henry. «MADAGASCAR». members.iinet.net.au. Consultado em 4 de agosto de 2018 [fonte confiável?]