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Região Ocidental (Paraguai)

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O Paraguai é dividido geograficamente em duas regiões: Oriental e Ocidental.

São divididas pelo Rio Paraguai sendo que a Região Oriental, fica na margem esquerda e a Região Ocidental ou Chaco, na margem direita.

Pela topografia, essas duas grandes regiões naturais são nitidamente distintas: a Ocidental, plana, e a Oriental, levemente acidentada.

Geografia

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A Região Ocidental, é uma das duas regiões geográficas da Paraguai. A grande e aplainada região do Chaco é extensa da margem direita do rio Paraguai.

Essa região, de terras e planícies, revestida por uma vegetação espalhada, equivale a dois terços do país. Pertence à região chamada Gran Chaco, composta também pelo Brasil sul-ocidental, a Bolívia oriental e a Argentina setentrional.

Na região do Chaco, o terreno cresce aos poucos desde o rio Paraguai e alcança mais de 300 metros na fronteira oeste do país.

Ali há sérias dificuldades que fazem os automóveis, os caminhões e os ônibus atolarem nas estradas de terra em dias de chuva e a riqueza do solo não é tão grande como o solo do leste do Paraguai.

A região do Chaco paraguaio, trata-se de uma planície homogênea e inexpressiva. O Chaco é formado por grossas camadas de sedimentos carreados desde os Andes pelos numerosos rios que o atravessam.

Ali, no verão, as temperaturas são elevadas e as chuvas abundantes, fato que provoca a inundação de extensas áreas.

Em contraste, o inverno é absolutamente seco, fazendo com que o solo torne-se rachado.

Ou seja, no verão, poucos meses antes, os rios transbordavam de seus leitos mal definidos. No inverno, tais rios transformam-se em meros fios de água ou dão origem a pântanos salgados. Geralmente, o Chaco torna-se mais seco à medida que se avança para o oeste chegando mesmo a apresentar algumas áreas a noroeste que são praticamente desérticas, pois a cobertura vegetal reflete o decréscimo das precipitações pluviométricas.

Fauna e flora

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Nas imediações do rio Paraguai, um considerável revestimento florestal entremeia-se com formações herbáceas e grupos de palmeiras.

Mais para oeste predomina uma mirrada formação de acácias, mimosas e palmeiras. Essa mirrada formação desse tipo de vegetação é interrompida por manchas de grossa vegetação herbácea e, na fronteira oeste, as ervas ásperas entremeadas de arbustos espinhosos formam a maior parte da cobertura vegetal.

Mesmo ante esse tipo de ecletismo natural, o Chaco Paraguaio é descrito como um santuário zoológico natural, uma região de vasta biodiversidade que abriga uma rica variedade de mamíferos (como onças, pumas, antas e o pecarí-de-chaco), répteis, inúmeras aves e insetos, em paisagens que vão de florestas a áreas salinas, sendo um ecossistema único e vital, apesar das ameaças do desmatamento.

Características da Biodiversidade:

  • Mamíferos: Rica fauna com grandes felinos, antas, tamanduás e o redescoberto pecarí-do-chaco, espécie emblemática da região (um tipo de "queixada" apelidado de "porcos do inferno verde" devido ao seu habitat selvagem e impenetrável, confinado a áreas secas e quentes. O Gran Chaco é uma área de 140.000 km² dominada por árvores e arbustos espinhosos. Os seios nasais desta espécie permitem combater condições secas e poeirentas. Suas pernas são tão pequenas que permitem que ele manuseie bem entre as plantas espinhosas).
  • Aves: Muitas espécies endêmicas (restritas ao Chaco), como tinamou-de-crista-de-quebracho e seriema-de-pernas-pretas, além de grandes concentrações de aves aquáticas como flamingos em suas lagoas.
  • Répteis e Anfíbios: Grande diversidade, com espécies únicas do bioma.
  • Insetos: Também presentes em grande número, compondo a complexa teia da vida no Chaco.

Demografia

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Em relação à presença humana, o Chaco é escassamente habitado porque constitui um ambiente hostil para o homem.

A demografia do Chaco Paraguaio é marcada por uma densidade populacional extremamente baixa, abrigando cerca de somente 2% da população paraguaia em 60% to território do país.

É uma região com forte presença de povos indígenas (como Toba Maskoy, Nivaclé, Zamuco/Chamacoco), com grupos linguísticos diversos e tradições nômades/semi-nômades, que enfrentam desafios como o desmatamento e a pressão por exploração de recursos.


Principais Características Demográficas:

Baixíssima Densidade: Menos de 2% da população paraguaia vive no Chaco, tornando-a a região mais despovoada do país.

Composição Étnica: Lar de diversos grupos indígenas, com línguas como Guaycurú, Língua, Que, Zamuco e Tupí-Guarani, embora haja uma homogeneidade maior no restante do Paraguai.

Concentração de Povos Indígenas: Grupos como Toba Maskoy, Nivaclé, Zamuco (Chamacoco) e Enxet-Enenhlet habitam diferentes partes do Chaco.

Estilo de Vida: Historicamente, os povos do Chaco tinham um estilo de vida nômade ou seminômade, como caçadores, coletores e pescadores, com tribos menores.


Fatores Ambientais e Sociais:

Clima Árido: O Chaco é uma região seca e quente, com temperaturas extremas no verão (até 45°C), o que dificulta a ocupação humana.

Recursos Naturais: Apresenta uma paisagem única de florestas secas, cactos e palmeiras, mas também lagoas salgadas.

Desafios: A região sofre com o desmatamento para pastagens, caça ilegal e pressão para exploração mineral e de gás, ameaçando o ecossistema e as comunidades indígenas.

Em resumo, o Chaco Paraguaio é uma vasta e selvagem área de fronteira, com uma demografia dominada por suas populações indígenas e uma presença humana muito dispersa, contrastando fortemente com a região oriental do país.

Atualmente, a economia do Chaco Paraguaio é predominantemente agropecuária, focada na pecuária bovina de alta qualidade (gado alimentado a pasto, sem antibióticos) e no cultivo de grãos, destacando-se a soja, impulsionada pela expansão de fronteiras agrícolas, infraestrutura emergente e atração de investimentos, principalmente por colonos menonitas, criando um modelo produtivo forte e voltado para a exportação de commodities, apesar dos desafios sociais e ambientais.

Principais pilares econômicos:

Pecuária: O Chaco é famoso por seu gado de pasto, valorizado internacionalmente por sua qualidade, com a região abrigando frigoríficos importantes como o Frigo Chorti, operado por cooperativas menonitas, que processam carne para exportação.

Agricultura: Apesar do isolamento anterior, o Chaco se tornou uma nova fronteira agrícola, com forte produção de soja, milho e biocombustíveis, atraindo agricultores e investimentos.

Setor de Serviços e Infraestrutura: O crescimento agrícola estimula o setor imobiliário e de serviços, com o desenvolvimento de cooperativas e o setor de laticínios (como a marca Trébol).


Características do Modelo Produtivo:

Foco em Commodities: A economia está ligada à exportação de produtos primários (carne, grãos).

Desenvolvimento Autônomo: Há um contraste com outras regiões, com produtores focados em produção e menos dependentes de retórica política, com um ambiente de negócios favorável (sem impostos opressivos ou burocracia excessiva).

Investimento Menonita: A presença de comunidades menonitas é crucial, com suas cooperativas (Chortitzer) sendo grandes empregadoras e investidoras na região.

Desafios: A expansão agrícola também gera preocupações ambientais (desmatamento) e sociais, com relatos de condições de trabalho precárias para trabalhadores indígenas e migrantes em algumas áreas.


Histórica e anteriormente, a indústria extrativa do quebracho era uma das mais importantes atividades econômicas do Paraguai e especialmente da região do Chaco.

Quebracho é uma árvore da qual se extrai o tanino, utilizado como produto para curtir couros.

Porém, essa atividade teve forte declínio sendo apontados três os motivos básicos para esse problema:

1) em primeiro lugar, a árvore demora mais tempo para se desenvolver naturalmente ao longo do tempo (pode levar mais de um século para amadurecer seu crescimento, que é de aproximadamente 20 m). Encontra-se esparsamente pela floresta. Nesse bioma é raramente achado. Tem que ser procurada em locais cada vez mais distantes, porque o tanino sofreu exploração intensa nos últimos cem anos.

2) Os curtumes no mundo inteiro foram modernizados. Isso tem diminuído progressivamente a demanda de tanino.

3) E, finalmente, os materiais de plásticos e sintéticos substituíram intensamente o couro acarretando uma queda da demanda mundial de tanino.


O Chaco como um "Novo El Dorado":

Até recentemente, o Chaco vinha-se mostrando como uma região cujas possibilidades econômicas eram limitadas até que a região passou a ser vista como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas da América do Sul, com terras de baixo custo e grande potencial de crescimento, atraindo tanto investimentos locais quanto internacionais..

Além disso, existe a possibilidade de existência de grandes riquezas em seu subsolo, conclusão a que se chegou pela lógica surgida pela existência de extração de petróleo no Chaco boliviano, cuja região em tudo é semelhante ao paraguaio. Nesse sentido, com o objetivo de novas explorações econômicas, pesquisadores paraguaios tentam encontrar jazidas de petróleo nas profundezas do solo do Chaco paraguaio.

Referências

Bibliografia

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  • Garschagen, Donaldson M. (1998). «Paraguai: Geografia física». Nova Enciclopédia Barsa. 11. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda 
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