Rosalbino Santoro

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Rosalbino Santoro
Nascimento 15 de maio de 1858
Fuscaldo, Itália
Morte 1920 (62 anos)
Brasil
Ocupação Pintor, professor

Rosalbino Santoro (Fuscaldo, Itália, 1857 — Fuscaldo, Itália, 1942) foi um pintor e professor ítalo-brasileiro.

Breve biografia[editar | editar código-fonte]

Foi aluno de Filippo Palizzi e Castiglione na Academia de Belas Artes de Nápoles. Portanto, filiou-se à escola napolitana de pintura, notabilizando-se na figura, na paisagem e principalmente na marinha.

Entre os anos de 1877 e 1883 realizou exposições na Academia de Brera, de Milão, em Veneza e em Nápoles.

No Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Chegou ao Brasil provavelmente em 1884, pois recentemente, em maio de 2008, uma galeria carioca colocou em leilão duas magnificas pinturas de Santoro datadas daquele ano, representando cenas da cidade do Rio de Janeiro: Cais da Glória e Terraço do Passeio Público. Também é dessa época o quadro que retrata a Pedra de Itapuca famosa formação rochosa localizada na praia de Icaraí, em Niteroi.

Radicou-se na Corte e logo realizou algumas exposições, apresentando trabalhos que confirmavam o renome que trazia da Itália, conforme informa Laudelino Freire. Além do trabalhos já citados, reafirmam sua condição de artista conceituado duas marinhas, pintadas no melhor estilo napolitano, adquiridas em 1975 pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, que levam os seguintes títulos: Vista da Glória tomada da Igreja de Santa Luzia e Vista da Igreja de Santa Luzia tomada da Praia do Flamengo.

Em 1885 requereu ao governo do Império, nomeação para reger interinamente as aulas de Paisagem na Academia Imperial de Belas Artes, que ficaram vagas após o pedido de demissão de Georg Grimm. Porém sua solicitação foi indeferida.

Em São Paulo[editar | editar código-fonte]

Em 1887 transfere-se para São Paulo. Por algum tempo leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Percorre o interior da Província (depois Estado) para, a exemplo de Antonio Ferrigno, pintar as grandes fazendas de café, por encomenda de seus donos, ou vender seus quadros para as pessoas abonadas das cidades por onde passava.

Santoro também ensinava sua arte em aulas particulares. Teve como principal aluna a excelente e conhecida pintora Georgina de Albuquerque no tempo em que viveu em Taubaté. Em depoimento a Angione Costa assim descreveu Georgina o seu mestre e como tornou-se sua aluna: Minha mãe, que era um espírito muito inteligente e muito lúcido, cedo compreendeu o meu pendor pela pintura e, na proporção que as circunstâncias permitiam, tudo facilitava para o seu desenvolvimento e perfeição. Era ainda uma criança quando surgiu por ali, procurando no seio carinhoso da terra moça refúgio a achaques que lhe combaliam a saúde, um pintor italiano, Rosalvino (sic) Santoro. Guardo impressão amável desse primeiro desbravador da minha tendência pitórica. Era um italiano bom, um tanto seco porque a moléstia lhe crestara a alegria e dera-lhe uns tons de acentuado amargor. Não queria pintar. O seu estado, mesmo, não lhe permitia pintar. Minha mãe começou a solicitar-lhe as lições que me desejava proporcionar. Santoro resistia. Mas, em virtude da própria moléstia, Santoro necessitava de um ambiente de família e foi em nossa casa que passou horas melhores, recebendo o trato, respeitoso e carinhosíssimo, que é tradicional na velha família brasileira. O que não conseguiu o dinheiro, nem as outras vantagens oferecidas, obteve o carinho do lar dos meus pais, o remédio caseiro que minha mãe preparava, o doce e a sobremesa de frutas que a mucama conduzia. Santoro, quando percebeu, estava meu mestre, o primeiro que tive em pintura. [1]

Em Romɑ[editar | editar código-fonte]

Em 1919 voltou para a Itália. Depois de uma estadia em Fuscaldo, sua terra natal, ele se mudou para Roma, onde realizou duas exposições individuais: na primeira, em 1923, expôs suas paisagens brasileiras; na segunda, em 1926, apresentou suas paisagens romanas.

Exposições individuais[editar | editar código-fonte]

Expôs em São Paulo em 1903 e em 1906 no Banco de Crédito Real. Expôs em Roma em 1923 e 1926.

Exposições coletivas[editar | editar código-fonte]

Participou das seguintes mostras coletivas:

  • Exposição Artística do Congresso Agrário de Cosenza, Itália - Medalha de Prata
  • Em 1903, na cidade de São Paulo, com seu compatriota Antonio Ferrigno
  • Em 1898, na Exposição Geral de Belas Artes, Rio de Janeiro, com a tela Vida de Fazenda
  • Em 1905, na mesma Exposição, com dois quadros intitulados Remanso e Tempestade

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura. Rio de Janeiro: Tipografia Röhe, 1916.
  • COSTA, Angione. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro: Pimenta de Melo, 1927.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • GULLAR, Ferreira et allii. 150 anos de pintura no Brasil 1820/1970. Rio de Janeiro:

Colorama, 1989.

  • TARASANTCHI, Ruth Sprung. Pintores paisagistas. São Paulo 1890 a 1920. São Paulo: EDUSP/Imprensa Oficial, 2002.
  • Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. Leilão de maio de 2008. Lotes 129 e 130. Rio de Janeiro: Bolsa de Arte, 2008. (com uma pequena referência biográfica de André Seffrin)
  • MELLO Jr., Donato et allii. Pinturas e pintores do Rio antigo. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990.
  • CAPPELLI Vittorio, Rosalbino Santoro in Brasile. Un pittore itinerante a Rio de Janeiro, San Paolo e Taubaté, in La Calabria dei migranti. Partenze, rientri e arrivi, Centro di Ricerca sulle Migrazioni, Arcavacata di Rende, 2014 (numero monografico della Rivista Calabrese di Storia del '900, 2-2014)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Angione Costa, ob. cit.
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